O que cobre: toda a matéria do MAP1 de Hidráulica I, que são os PDFs das Aulas 01 a 11: propriedades dos fluidos, hidrostática, hidrocinemática e leis de conservação na forma integral.
Onde está a matéria: esta nota é o hub. A teoria e os exercícios resolvidos estão nas 4 notas de capítulo (ver Notas de capítulo, abaixo); aqui ficam o Mapa da Matéria, a Checklist de Estratégia, a Ordem de ataque e os Erros a evitar.
Livro: a matéria é reforçada com Cardoso, Covas, Ferreira & Almeida, Hidráulica: Fundamentos e Aplicações, Caps. 1–4, e com Quintela, Hidráulica.
MAP1: 28/10/2026, 10h30 · 60 min · só calculadora científica não gráfica.
O que ficou de fora: a matéria que só aparece no livro e não nas aulas (coeficientes α/β, linhas de energia e piezométrica, rendimentos, metacentro e estabilidade, rotação de corpo rígido) e toda a matéria do MAP2.
Resoluções: as marcadas [resolução própria] foram feitas por nós e não são oficiais; as marcadas (resolução do livro) vêm do livro.
Tudo começa nas propriedades que distinguem um fluido de um sólido: ele deforma-se continuamente sob qualquer tensão tangencial. Por isso, em repouso só pode haver pressão, e essa pressão cresce linearmente com a profundidade (p/γ+z=cte). Daí saem os manómetros, as impulsões sobre superfícies planas e curvas e o princípio de Arquimedes. Quando o fluido se move, descreve-se primeiro o campo de velocidades u(x,t), de onde vêm a aceleração, as linhas de corrente e trajetórias, o caudal e a classificação do escoamento. Depois aplica-se a um volume de controlo o Teorema de Transporte de Reynolds, com a grandeza transportada igual à massa, à quantidade de movimento, ao momento angular e à energia. Os quatro balanços dão a continuidade, o Teorema de Euler (forças sobre estruturas), os momentos e a carga hidráulicaH com as perdas e as potências de turbinas e bombas.
📚 Notas de capítulo
Cap. 1: Propriedades dos fluidos — a Aula 01B e o Cap. 1 do livro (Cardoso et al.); §1 (1.1–1.9): definição de fluido, massa volúmica, compressibilidade, tensão superficial, viscosidade, tensão de vapor e efeito da temperatura.
Cap. 2: Hidrostática — as Aulas 02–05 e o Cap. 2 do livro (§2.1–2.10); §2, §3 e §4: lei fundamental, fluido acelerado, manómetros, impulsão em superfícies planas e curvas e Arquimedes.
Cap. 3: Hidrocinemática — as Aulas 06–07 e o Cap. 3 do livro (§3.1–3.10); §5 e §6: descrições euleriana/lagrangiana, aceleração, trajetórias e linhas de corrente/filamento, caudal, classificação, incompressibilidade e rotação.
Cap. 4: Leis de conservação — as Aulas 08–11 e o Cap. 4 do livro (§4.1–4.7); §7, §8, §9 e §10: TTR e continuidade, Teorema de Euler, momento da quantidade de movimento e energia (carga, perdas, máquinas).
🧭 Checklist de Estratégia
Como usar esta tabela
Lê o enunciado e procura o sinal. A tabela diz que ferramenta usar e onde está a teoria. Num problema de escoamento, a ordem de ataque é quase sempre a mesma: massa → energia → Euler (ver o [!tip] a seguir à tabela).
Sintoma no enunciado
Ferramenta
Onde
”duas placas”, “folga”, “lubrificante”, força para arrastar uma placa
Volume de controlo: desenha-o com as secções de entrada/saída perpendiculares ao escoamento e marca a normal exterior (§7.1).
Massa: tira as velocidades a partir dos caudais (U=Q/S) e fecha os caudais em falta (§7.5).
Energia: com as velocidades, tira as pressões que faltam (ou a potência/perda) pela carga H (§10).
Euler (forças) / momentos (binários): só agora, com p e U conhecidos em todas as secções (§8, §9).
Resposta: força sobre a estrutura=−R, com sentido e unidades; confirma pela carga que os dados são coerentes.
Erros a evitar (lê antes do teste)
Gerais (em todo o teste)
Pressão relativa vs absoluta: não as misturar. Usar as mesmas nas duas secções e o mesmo plano de referência. tv é sempre absoluta; no Teorema de Euler usam-se pressões relativas (jato livre com p=0).
g coerente: o curso usa γw=9800 N/m³ (g=9,8); não alternar com 9,81 a meio.
h é sempre vertical.p1−p2=γh só com ρ constante.
Não arredondar áreas nem velocidades quando o resultado vem de uma diferença (u12−u22, p1S1−p2S2).
Força por cabo/pilar/metro vs total: ler o que o enunciado pede.
Braços medem-se perpendicularmente à linha de ação da força.
§1 Propriedades
Densidade d (adimensional) ≠ massa volúmica ρ (kg/m³).
Gota (esfera, uma superfície): Δp=4σ/D; jato (cilindro, R2→∞): 2σ/D; bolha (esfera, duas superfícies): 8σ/D. Não trocar D com R.
Capilaridade: sem θ dado, água/vidro θ≈0 e Hg θ≈130°–140°. Só conta se D<15 mm.
Não confundir μ (Pa·s) com ν=μ/ρ (m²/s); μ depende muito de T.
du/dy=U/h só vale com perfil linear (folga pequena).
§2 Hidrostática fundamental
Com aceleração, a pressão aumenta para trás (lado oposto a a); a superfície livre sobe atrás.
Recipiente aberto acelerado: a conservação do volume fixa a superfície livre.
Mesma cota ⇒ mesma pressão só no mesmo fluido contínuo.
Desprezar γgaˊsh, mas nunca a coluna de um líquido leve (óleo).
Manómetros multi-líquido: seguir o percurso (desce → +, sobe → −), incluindo o óleo.
Meniscos que se deslocam y ⇒ cada desnível varia 2y.
§3 Superfícies planas
h0 é a profundidade vertical do centroide; y0 e y′ medem-se ao longo do plano (y0=h0/sinθ).
IG é em relação ao eixo pelo centroide paralelo a Ox (a horizontal do plano).
O centro de impulsão fica sempre abaixo do centroide (exceto em placas horizontais, onde coincidem).
Com gás pressurizado ou 2 líquidos, as fórmulas de um só líquido não servem: diagrama de pressões ou superfície livre equivalente com o γdo líquido em contacto com a placa.
Paradoxo hidrostático: a força no fundo ≠ peso do líquido no recipiente.
§4 Arquimedes e superfícies curvas
Πv: volume fictício ⇒ força para cima. O h0 de Πh é o da projeção vertical.
Arquimedes: γ do fluido e volume imerso. Corpo submerso suspenso: T=(γc−γ)∀. Corpo assente e vedado no fundo: não há Arquimedes.
Superfície circular: a resultante passa pelo centro (momento nulo se a articulação estiver no centro).
Na abertura de uma comporta, anula-se a reação do apoio, e não a da articulação.
§5 Hidrocinemática I
Linha de corrente: tfixo (é parâmetro). Trajetória: tvaria. Em ambas, eliminar t no fim.
Linha de filamento: as EDO das trajetórias com os limites trocados (x0 no instante de emissão t; x no instante de observação t0).
Permanente ⇒ as 3 linhas coincidem; o recíproco é falso (Ex 3.12).
Permanente não implica aceleração nula: a convectiva pode existir.
Aceleração convectiva: todos os termos u∂x+v∂y+w∂z em cada componente.
§6 Hidrocinemática II
Uniforme (espaço) ≠ permanente (tempo); são independentes. Uma só grandeza constante no tempo não prova regime permanente (reservatório a esvaziar).
Secção reta (normal às linhas de corrente, pode ser curva) ≠ secção transversal (plana, ⊥ ao eixo).
Só a componente normal transporta caudal: dQ=ucosαdS, com α medido à normal. Em 2D o caudal é por metro (q, m²/s).
Vorticidade Ω=2ω. Componente z do rotacional: ∂v/∂x−∂u/∂y (não trocar a ordem).
Irrotacional ≠ trajetórias retas (Couette: rotacional com trajetórias retas; vórtice livre e Prob 3.3: irrotacionais com trajetórias curvas).
∇⋅u usa só as derivadas diagonais; cuidado com sinais (∂(−yz)/∂z=−y).
§7 Massa e TTR
Normal exterior: − nas entradas, + nas saídas. Só a componente normal transporta massa.
Vc móvel: o caudal usa ur, nãou.
Com dois fluidos, massa ≠ volume: são duas equações.
Esvaziamento: u1=−dh/dt; h mede-se ao eixo do orifício; u∝1/D2.
§8 Quantidade de movimento
Mk tem o sentido de uk. Desenhar M1, −M2 e pkSktodos para dentro do Vc.
F=−R. Um R negativo só inverte o sentido arbitrado.
Uma válvula/comporta fechada é parede (entra em R, não tem M).
Uma entrada perpendicular a x não traz quantidade de movimento em x, mas conta na massa.
Projetar cada vetor com cos/sin. Regime permanente ⇒ I=0.
Referencial móvel só é inercial com us constante; no referencial fixo, a saída tem usi.
Num canal, a impulsão numa secção é γBh2/2 (centro de gravidade a h/2).
§9 Momento angular
Com O no eixo: ΓM1 com + e ΓM2 com −. Só a componente tangencial dá momento.
Torniquete: a massa usa a velocidade relativaW; a q.d.m. usa a absolutau2=W−ωr.
rpm → rad/s: ω=2πN/60.
§10 Energia
e (J/kg) ≠ H (m). Sinais de dWv/dt: turbina +, bomba −.
O sentido do escoamento decide-se pela carga, não pela pressão. Numa contração, comparar cargas.
Ph=γQH é a potência hidráulica (sem rendimentos); a dissipação interna da máquina soma-se.
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