📘 Resumo — Hidráulica I · Cap. 2: Hidrostática

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Âmbito

O que cobre: as Aulas 02–05 e o Cap. 2 do livro (§2.1–2.10), isto é, as secções §2, §3 e §4 do Resumo MAP1: lei fundamental, fluido acelerado, manómetros, impulsão em superfícies planas e curvas e Arquimedes.

Ligações: Hub do Resumo MAP1 (Mapa da Matéria, Checklist de Estratégia e Erros a evitar) · ← Cap. 1: Propriedades dos fluidos · Cap. 3: Hidrocinemática →


🧊 2. Hidrostática fundamental (Aula 02 · §2.1–2.6)

2.1 Hidrostática e princípio de Pascal

Ideia

Hidrostática = hidro (água) + estática (repouso). “Repouso” quer dizer que as partículas não se movem umas em relação às outras à escala macroscópica. Sem movimento relativo não há gradientes de velocidade, e portanto não há tensões tangenciais, seja qual for a viscosidade (1.7). Sobra só a pressão, que empurra por igual em todas as direções.

  • Por isso a Hidrostática aplica-se também a fluidos em movimento de corpo rígido: recipientes em movimento uniforme ou uniformemente acelerado (2.2), ou a rodar com velocidade angular constante (este último caso está fora do MAP1).

Armadilha

  • O princípio de Pascal não exige repouso absoluto, só . Um tanque num camião a acelerar continua a cumpri-lo.
  • “A pressão é igual em todas as direções” é num ponto. De ponto para ponto a pressão varia (2.3).

Pressão e princípio de Pascal (Cardoso et al., §2.1–2.2)

A pressão é uma grandeza escalar: o módulo da força normal (força de pressão) por unidade de área num dado plano do fluido.

Princípio de Pascal: num ponto de um fluido homogéneo (propriedades iguais de ponto para ponto) em repouso, a pressão tem o mesmo valor em todas as direções.

Demonstração (livro). Toma-se um prisma triangular elementar, com a face inclinada de comprimento a fazer o ângulo com a horizontal: Logo ; rodando o prisma 90° em torno de , também . A única hipótese usada é a ausência de tensões tangenciais.

Quando usar

Na pergunta conceptual “porque é que a hidrostática vale para um recipiente acelerado?”, e para justificar que se pode falar de “a pressão num ponto”, sem indicar direção.

2.2 Equações de Euler: fluido em movimento de corpo rígido

Ideia

Aplica-se a um cubinho de fluido. As forças são o peso e a diferença de pressões entre faces opostas. Num fluido acelerado, a pressão tem de “empurrar” o cubinho: a pressão aumenta no sentido contrário à aceleração. É o que sente quem vai num carro a arrancar: é empurrado para trás contra o banco.

  • Em repouso, a gravidade “aponta” para baixo e as superfícies de igual pressão (isobáricas) são horizontais.
  • Acelerado, o fluido sente uma gravidade aparente , e as isobáricas (incluindo a superfície livre) ficam perpendiculares a , inclinadas e mais altas atrás.

Armadilha

  • Sinal: a pressão aumenta no sentido de , ou seja, para baixo e para trás (contra ). Errar este sentido troca qual dos ramos/paredes tem mais pressão.
  • Conservação do volume: num recipiente fechado ou num tubo de secção constante, o que sobe de um lado desce do outro. É a segunda equação que faltava para fixar a posição da superfície livre (Ex 2.1).
  • é vertical ascendente; o peso atua segundo .

Equações de Euler (hidrostática generalizada) (Cardoso et al., §2.4)

Paralelepípedo , pressões nas faces por Taylor de 1.ª ordem, aceleração constante , no campo gravítico. Segundo : Isobáricas (): . No plano : As isobáricas são perpendiculares a , e a pressão aumenta no sentido de . Os slides tratam só a aceleração linear horizontal (). O livro introduz ainda as forças de massa por unidade de massa, com , das quais o peso é o caso usual. Estas equações voltam no Cap. 5.

Passos para um fluido com aceleração linear

  1. Fixar eixos ( no sentido de , para cima) e escrever e .
  2. Integrar: .
  3. Fixar com um ponto de pressão conhecida (superfície livre, orifício aberto: relativa).
  4. Inclinação da superfície livre: .
  5. Se a posição da superfície livre não estiver fixada por um ponto, usar a conservação do volume de líquido.
  6. Calcular as pressões pedidas e verificar se a superfície livre sai do recipiente (perda de líquido).

Quando usar

Sinais no enunciado: “camião”, “tanque que acelera”, “acelerómetro”, “aceleração máxima sem perda de líquido”, “inclinação das isobáricas”.

Exercício resolvido (Ex 2.1 do livro / Aula 02)

Para medir a aceleração de um corpo móvel usa-se o tubo de vidro ABCD, de secção pequena e uniforme, parcialmente cheio de líquido e aberto em A e D. O tubo é solidário com o corpo, que acelera com no sentido de B para C (de AB para DC).

  • Ramos verticais AB (atrás) e DC (à frente), com altura ; distância horizontal entre ramos .
  • Em repouso, o líquido está à altura nos dois ramos.

Desprezando a capilaridade e a tensão superficial, determine a aceleração máxima que se pode medir sem perda de líquido.

Exercício resolvido (Prob 2.3 do livro)

Um tanque prismático totalmente cheio de água ( m, m) tem um pequeno orifício a meio do topo, aberto à atmosfera, e acelera horizontalmente com m/s². Origem em B (aresta do fundo, atrás), no sentido de , para cima. As arestas são A (topo, atrás), B (fundo, atrás), C (fundo, à frente) e D (topo, à frente). Determine: a) o ângulo das isobáricas com a horizontal; b) as pressões em A, B, C e D; c) o campo .

2.3 Equação fundamental da Hidrostática

Ideia

Com , a pressão só depende da profundidade. Cada metro que se desce acrescenta o peso de uma coluna de 1 m de fluido sobre cada m². Em água, +9,8 kPa por metro. Resultado: num líquido em repouso, a soma (cota piezométrica) é a mesma em todos os pontos. O que se “perde” em cota ganha-se em pressão.

Armadilha

  • Errata do slide 8: na 2.ª linha do sistema aparece "". Deve ler-se (está correto no slide 9).
  • só vale com constante: líquidos, ou gases em pequenos desníveis. Num gás com grandes diferenças de cota (atmosfera, poço de mina) é preciso conhecer ou e integrar (Ex 2.3, Prob 2.2).
  • é sempre vertical. Num tubo inclinado, mede-se a diferença de cotas e não o comprimento ao longo do tubo.
  • A pressão é a mesma em pontos à mesma cota só se estiverem ligados pelo mesmo fluido contínuo.

Lei fundamental da Hidrostática (Cardoso et al., §2.3)

  • A pressão é constante em cada plano horizontal e diminui quando aumenta.
  • Caso geral (requer conhecer ou ):
  • Fluido incompressível ( cte):
  • Num reservatório com superfície livre à , à profundidade : .
  • O livro escreve em vez de no caso geral de propósito, para lembrar que pode variar com .

Passos para aplicar a lei fundamental

  1. Escolher um ponto de pressão conhecida (superfície livre: relativa).
  2. Medir a diferença de cotas (vertical) até ao ponto pedido.
  3. Descer : . Subir : .
  4. Se o fluido for um gás com grandes desníveis: escrever com a lei ou dada, separar as variáveis e integrar.

Quando usar

É a ferramenta-base de toda a hidrostática: manómetros, reservatórios, impulsões (§3–§4). O caso compressível só aparece quando o enunciado fala de atmosfera, altitude, poço profundo, gás perfeito ou temperatura variável.

Exercício resolvido (Ex 2.3 do livro)

Calcule a pressão do ar a 3 km de altitude, admitindo uma atmosfera isentrópica, com , e ao nível do mar Pa e kg/m³. Qual é o erro da hipótese de ar incompressível?

Exercício resolvido (Prob 2.2 do livro)

Um veio de mina vertical, com 4000 m, tem ar em repouso. A temperatura aumenta linearmente de 20 °C à superfície até 60 °C no fundo, e a pressão à superfície é 100 kPa. Calcule a pressão no fundo: a) com ar incompressível ( kg/m³); b) com ar como gás perfeito, , J kg⁻¹ K⁻¹ (pressões absolutas, em K).

2.4 Pressão absoluta e pressão relativa; unidades; barómetro

Ideia

A pressão pode ser medida a partir do vácuo (absoluta) ou a partir da atmosfera (relativa). A atmosfera atua em todo o lado e anula-se nas forças, por isso em engenharia trabalha-se quase sempre com pressões relativas: a superfície livre de um reservatório aberto tem . A pressão pode também exprimir-se como a altura de uma coluna de líquido que a equilibra: metros de coluna de água (m c.a.) ou mm de mercúrio (mmHg).

Armadilha

  • A pressão absoluta nunca é negativa. A relativa pode sê-lo, mas nunca abaixo de m c.a. Na prática o limite é ainda mais alto: quando a pressão absoluta chega à tensão de vapor , o líquido entra em cavitação (§1.8).
  • Ao comparar com (que é absoluta), é preciso converter: .
  • Não misturar as duas referências na mesma equação de equilíbrio.
  • depende do líquido: a mesma pressão corresponde a 10,33 m de água e a apenas 0,76 m de mercúrio.

Referências e unidades (Cardoso et al., §2.4–2.5)

  • ; Pa.
  • Atmosfera normal:
  • Barómetro de mercúrio: um tubo fechado no topo, cheio de Hg e invertido numa tina. No topo fica praticamente vácuo, porque a tensão de vapor do Hg é muito baixa. Mede pressão absoluta:

Passos para lidar com referências de pressão

  1. Ver em que referência vêm os dados: “manómetro”, “relativa” ou “efetiva” → relativa; “barómetro”, “absoluta” ou “gás perfeito” → absoluta.
  2. Escolher uma referência para todo o problema (por defeito, a relativa: superfície livre aberta com ).
  3. Aplicar a lei fundamental (§2.3) desde o ponto conhecido.
  4. Se o resultado tiver de ser comparado com ou entrar numa lei de gases, somar .
  5. Converter para m c.a. dividindo por N/m³ (ou por do líquido pedido).

Quando usar

Em qualquer resposta que peça a pressão “em metros de coluna de água”, e sempre que surja uma pressão negativa (sifões, pontos acima da superfície livre, aspiração de bombas). Nesse caso verifica-se se a pressão absoluta continua acima de .

Exercício resolvido (Prob 2.5 do livro / Problema 2.1 da Aula 02)

Um sifão está cheio de óleo ( N/m³, ) em repouso e liga a um reservatório aberto. O ponto A (topo do sifão) está 2,50 m acima da superfície livre do reservatório e o ponto B está 0,50 m acima dela. Calcule as pressões em A e B, em Pa e em m c.a.

2.5 Manómetros

Ideia

Um manómetro é um “caminho” de fluidos entre o ponto onde se quer a pressão e um ponto de pressão conhecida (a atmosfera ou outro ponto). Percorre-se esse caminho aplicando a lei fundamental troço a troço: ao descer soma-se , ao subir subtrai-se. Nas superfícies de separação a pressão é a mesma dos dois lados. O piezómetro é o caso mais simples, com um só líquido. O tubo em U com um líquido manométrico denso (, normalmente Hg) mede pressões maiores ou negativas e serve também para gases. O diferencial mede a diferença entre dois pontos. O Bourdon é o aparelho comercial, de mostrador.

Armadilha

  • “Mesma cota ⇒ mesma pressão” só vale dentro do mesmo fluido contínuo. Um ponto no Hg e outro na água à mesma cota não têm a mesma pressão.
  • Os desníveis (, ) medem-se sempre na vertical, mesmo em ramos inclinados.
  • Nos manómetros com vários líquidos, um líquido intermédio mais leve (p. ex. óleo) que esteja “por cima” no percurso entra muitas vezes com sinal − (Ex 2.2). Deve-se seguir o percurso, e não decorar sinais.
  • Gás na conduta: , por isso o gás transmite a pressão sem variação.
  • Quando o manómetro se desloca, todos os meniscos se movem. Se a secção é constante, cada desnível de um ramo em U varia quando cada menisco se desloca (conservação do volume).
  • Dúvida no livro, Prob 2.1 (bomba com manómetro diferencial de Hg, mm): a solução do livro ( kPa m c.a. ) parece ignorar a coluna de água. Com obtém-se m c.a. kPa. A confirmar com o docente.

Fórmulas dos manómetros (Cardoso et al., §2.5)

Piezómetro (tubo aberto ligado por uma tomada de pressão): Mede no eixo ou em qualquer ponto da secção (a distribuição é hidrostática). Não serve para gases, para pressões negativas, nem para pressões muito altas (o tubo teria de ser enorme).

Manómetro em U (líquido manométrico ; ponto 4 na conduta, a acima da superfície de separação 3; desnível entre as superfícies do líquido manométrico):

  • Gás na conduta: .
  • Só um líquido (sem líquido manométrico, ou pressão negativa num líquido): pode usar-se , e então .

Manómetro diferencial (líquido nos dois ramos, líquido manométrico por baixo):

Regra do percurso:

Manómetro de Bourdon: tubo metálico curvo e achatado que tende a “endireitar” com a pressão e move um ponteiro. Lê pressão relativa e é o manómetro comercial habitual.

Passos para resolver um manómetro

  1. Fazer um esquema e numerar todos os pontos: o ponto pedido, cada superfície de separação e a extremidade aberta.
  2. Partir de um ponto de pressão conhecida (extremidade aberta: ).
  3. Percorrer o caminho troço a troço: em cada fluido, se desce, se sobe.
  4. Nas superfícies de separação, passar ao fluido seguinte com a mesma pressão.
  5. Se um ramo contiver gás, desprezar .
  6. Se houver deslocamento dos meniscos, escrever a conservação do volume (secção constante: subir num ramo ⇔ descer no outro) e somar a variação a cada desnível.
  7. Converter o resultado para as unidades pedidas (Pa, kPa, m c.a.).

Quando usar

Sempre que o enunciado tenha tubos em U, piezómetros, reservatórios ligados por tubos ou leituras de “desnível”. O diferencial aparece entre dois pontos de uma conduta (bombas, contadores, perdas de carga) e dá logo a diferença de cotas piezométricas, que reaparece mais tarde no escoamento.

Exercício resolvido (Ex 2.2 do livro)

Um reservatório esférico contém gás e está ligado a um manómetro com três líquidos em série (Fig. 2.7 do livro). Desde o gás: mercúrio () entre os meniscos D e C (C acima de D); óleo () entre C e B, com C acima de B (desnível ); água () entre B e a extremidade aberta A. Os tubos têm secção constante. Calcule a variação de pressão do gás que faz cada menisco deslocar-se cm.

Exercício resolvido (Ex 2.4 do livro)

Uma conduta transporta óleo (). Um manómetro em U de mercúrio está ligado à conduta: a superfície de separação óleo/Hg (C) está 3,00 m abaixo do ponto X da conduta, e a superfície livre do Hg no ramo aberto (A) está 0,375 m acima do ponto B do mesmo ramo, à cota de C. Calcule a pressão em X (a que leria um manómetro de Bourdon aí instalado).


🧱 3. Impulsão em superfícies planas (Aula 03 · §2.7–2.8)

3.1 Impulsão hidrostática; superfícies horizontais

Ideia

Um fluido em repouso empurra cada bocado de uma parede com uma força , normal à parede e do fluido para a parede. Somadas, estas forças dão em geral uma força e um binário. Quando o binário se pode eliminar e sobra uma força única, essa força chama-se impulsão hidrostática (ou só impulsão), . Isto só acontece em quatro casos (Cardoso et al., §2.7):

  1. Superfícies planas: as forças elementares são paralelas.
  2. Calotes esféricas: as forças são concorrentes, porque todas as normais passam pelo centro da esfera.
  3. Corpos imersos ou flutuantes: a resultante é vertical (Arquimedes, §4.1).
  4. Superfícies cilíndricas limitadas por secções planas normais às geratrizes e mergulhadas num único fluido (Fig. 2.10). Há duas situações:
    • geratriz horizontal e diretriz qualquer: a força de cada faixa aplica-se na sua linha média, e as forças são concorrentes por trechos;
    • diretriz circular: as resultantes elementares aplicam-se ao longo de uma geratriz única e formam um sistema de forças paralelas, que passa pelo eixo.

Numa superfície horizontal todos os pontos estão à mesma profundidade, por isso a pressão é uniforme e a impulsão é simplesmente pressão × área.

Armadilha

  • Paradoxo hidrostático: a impulsão no fundo de um recipiente é , e depende só da profundidade e da área da base, não do volume nem do peso do líquido. Recipientes com a mesma base e a mesma altura de líquido têm a mesma força no fundo, mesmo pesando coisas diferentes (Ex 2.5).
  • A impulsão aponta do fluido para a superfície. Se há fluido dos dois lados, calcula-se cada lado e subtrai-se.

Impulsão numa superfície plana horizontal (Cardoso et al., §2.8)

Direção: normal ao plano, do fluido para a superfície. Ponto de aplicação: o centroide (centro geométrico) da superfície. Centroide (nota 5 do livro): é o centro geométrico da figura. Coincide com o centro de massa se a densidade for uniforme, e com o centro de gravidade se, além disso, o campo gravítico for uniforme.

Passos para a impulsão numa superfície horizontal

  1. Medir a profundidade vertical da superfície até à superfície livre (ou até à superfície livre equivalente, se houver gás pressurizado).
  2. Calcular a pressão uniforme (com em pressões relativas, superfície aberta à atmosfera).
  3. Multiplicar pela área molhada: .
  4. Aplicar a força no centroide, normal à superfície e do fluido para a superfície. Se houver fluido dos dois lados, fazer a diferença.

Quando usar

Fundos de reservatórios, tampas horizontais, faces superior/inferior de corpos. Sinal típico: “fundo”, “tampa de nível”, “laje”.

Exercício resolvido (Ex 2.5 do livro — paradoxo hidrostático)

Três recipientes têm bases horizontais com a mesma área e a mesma altura de líquido (): (a) paredes verticais; (b) paredes que abrem para cima (mais volume); (c) paredes que fecham para cima (menos volume). Mostre que a impulsão na base é igual nos três, e relacione a impulsão total nas paredes, , com o peso do líquido.

3.2 Superfície plana inclinada: módulo da impulsão

Ideia

Numa placa inclinada, a pressão cresce linearmente com a profundidade. Somar “por fatias” dá um resultado muito simples: a impulsão é a pressão no centroide vezes a área. É como se a placa inteira estivesse à profundidade do seu centroide. A inclinação só entra através de .

Geometria (Fig. 2.11 do livro): o plano da placa corta a superfície livre segundo o eixo Ox. Mede-se ao longo da linha de maior declive, a partir de Ox. Então a profundidade de um ponto é .

Armadilha

  • é a profundidade (vertical) do centroide da superfície, e não a do centro de impulsão nem a do bordo.
  • A fórmula exige constante (um só fluido homogéneo) e pressão nula na superfície livre. Com um gás pressurizado por cima ou dois líquidos, usa-se o diagrama de pressões (§3.4) ou a superfície livre equivalente (§3.5).

Módulo da impulsão numa superfície plana (Cardoso et al., §2.8, eqs. 2.29–2.35)

Direção: normal à placa, do fluido para a placa. Unidades: N, com em N/m³, em m e em m².

3.3 Centro de impulsão; teorema de Steiner; tabela de I_G

Ideia

A impulsão não atua no centroide: as fatias mais fundas levam mais pressão, por isso a força puxa o ponto de aplicação para baixo. Esse ponto, o centro de impulsão (CI), obtém-se igualando o momento da força única ao momento das forças distribuídas. Quanto mais funda está a placa, mais uniforme parece a pressão e mais o CI se aproxima do centroide ( quando ).

Armadilha

  • , e medem-se ao longo do plano da placa (linha de maior declive), a partir da linha onde o plano corta a superfície livre: . Não são profundidades.
  • é em relação ao eixo pelo centroide paralelo a Ox (perpendicular à linha de maior declive), e não em relação a um eixo qualquer.
  • Numa superfície horizontal o CI coincide com o centroide; numa não horizontal fica sempre abaixo dele.
  • Gralhas da Tabela 2.1 do livro (p. 54 do PDF): na área do segmento circular está (é a área do setor); no da elipse está (com vertical deve ser ); a posição de G no trapézio ( em vez de ) e o último denominador do do segmento ( em vez de ) também têm gralhas. A tabela abaixo já está corrigida. A posição de G do segmento no livro, , tem outra forma mas é algebricamente igual à da tabela; não é gralha.

Centro de impulsão (Cardoso et al., §2.8, eqs. 2.36–2.43)

Momentos em relação a Ox: Lagrange–Steiner (eixos paralelos): , donde é a distância, medida no plano, do centroide ao CI, que fica abaixo do centroide.

Posição lateral: (produto de inércia). Se a superfície é simétrica em relação a uma linha de maior declive, o CI está nesse eixo de simetria (é o caso de quase todos os problemas).

Tabela 2.1 — área, centroide e de figuras planas (Cardoso et al., §2.8; eixo GG' horizontal, paralelo à base)

FiguraÁrea Posição de G
Retângulo centro ()
Triângulo (base , altura ) acima da base
Trapézio ( em cima, em baixo, altura ) acima de
Círculo (raio )centro
Semicírculo (diâmetro em baixo) acima do diâmetro
Quarto de círculo acima da base
Elipse (semieixo horizontal , vertical )centro
Segmento circular (semiângulo , corda horizontal) acima da corda

Verificação: com o segmento dá o semicírculo (). Os slides (Aula 03, slide 11) trazem só as cinco primeiras linhas.

Passos para a impulsão numa superfície plana (um só líquido)

  1. Identificar a superfície livre (pressão relativa nula) e a linha Ox onde o plano da placa a corta.
  2. Calcular a área , a posição do centroide G e o (Tabela 2.1).
  3. Profundidade do centroide → .
  4. Distância no plano (parede vertical: ) → .
  5. Localizar o CI: a abaixo de G, ao longo da placa, no eixo de simetria.
  6. Se pedirem componentes: e (com o ângulo da placa com a horizontal).
  7. Se a placa roda numa articulação, escrever o equilíbrio de momentos nessa articulação com o braço do CI.

Quando usar

“Comporta plana”, “tampa”, “visor plano”, “parede inclinada”, “força para manter fechada”, “posição do centro de impulsão”. Se a placa é retangular com dois lados horizontais, o diagrama de pressões (§3.4) costuma ser mais rápido; se é circular, triangular, etc., usa-se esta fórmula com a Tabela 2.1.

Exercício resolvido (Prob 2.4 da Aula 03 = Prob 2.7 do livro)

Na parede BC de um reservatório com água há uma tampa metálica quadrada com 1,00 m de lado. A parede AB é vertical, com A na superfície livre e m. A tampa BC parte de B, inclinada a 45° com a horizontal, e desce para o interior até ao fundo; a água está por cima dela. A aresta superior da tampa, de nível, está 2,00 m abaixo da superfície livre. Determine: a) os módulos da impulsão na tampa e das suas componentes horizontal e vertical; b) a posição do centro de impulsão.

Exercício resolvido (Ex 2.6 do livro — comporta escorada por barras)

Uma comporta, com o peso desprezável, tem um troço vertical CA (C fica acima da superfície livre; a parte molhada de CA tem 2,00 m) e um troço inclinado AO que desce de A até à articulação O no fundo, com 4,00 m na vertical e 3,00 m na horizontal (O a 6 m de profundidade). A comporta é escorada por barras AB, perpendiculares a AO em A (B no terreno, 5,33 m à direita da vertical de A), espaçadas de 6 m. A água está do lado da comporta oposto às barras. Calcule a força de compressão em cada barra.

3.4 Método do diagrama de pressões

Ideia

Para um retângulo com dois lados horizontais (largura ), a pressão só varia ao longo da linha de maior declive. Então a impulsão é largura × área do diagrama de pressões, e o CI está na linha do centroide desse diagrama. É “somar por fatias” feito à vista. O diagrama é um trapézio (ou triângulo, se começa na superfície livre), que se parte em retângulo + triângulo, cada um com a sua força e o seu ponto de aplicação.

Armadilha

  • Errata do slide 13 (Aula 03): o slide escreve . O está a mais (a fórmula ficava dimensionalmente errada) e falta . A forma correta, que sai de , é a da caixa abaixo.
  • O “comprimento” do diagrama é o lado da placa, , e não o desnível (exceto em paredes verticais).
  • Com gás pressurizado, a zona do gás tem diagrama retangular (pressão constante), e só abaixo dele começa o triângulo.

Impulsão pelo diagrama de pressões (Cardoso et al., §2.8, eqs. 2.44–2.46)

Posição do CI (centroide do trapézio de pressões, medido do lado de menor pressão ): Parede vertical: . Diagrama triangular (começa na superfície livre): CI a do topo.

Passos para o método do diagrama

  1. Desenhar o diagrama de pressões ao longo da placa, com os valores nos bordos e nas mudanças de fluido.
  2. Partir o diagrama em retângulos e triângulos.
  3. Força de cada parte = área da parte × largura .
  4. Ponto de aplicação de cada parte: retângulo a , triângulo a do lado maior.
  5. ; posição do CI por momentos: .

Quando usar

Comportas e faces retangulares, sobretudo com gás pressurizado, dois líquidos ou uma articulação a meio (quando é preciso o momento de cada parte). Sinais: “face lateral de um recipiente”, “comporta retangular”, “camadas de líquidos”.

Exercício resolvido (Ex 2.7 do livro / Aula 03)

Um recipiente cúbico, fechado, com 1 m de aresta, contém até meia altura um óleo de densidade 0,85; na metade superior há um gás à pressão kPa (constante). Determine: a) a impulsão total numa face lateral; b) a posição do centro de impulsão nessa face.

Exercício resolvido (Prob 2.6 do livro — comporta ABCDE; provavelmente o "Prob 2.5" que a Aula 03 manda resolver)

Uma comporta ABCDE, inclinada a 45°, roda sem atrito em torno da articulação E, no fundo, e pesa 50 kN (peso na vertical de C). A montante, por baixo da comporta, há óleo () sobre água. Ao longo do talude: 1,0 m da superfície do óleo até à interface (A fica acima da superfície do óleo, porque a comporta prolonga-se para lá dela, e por isso ); 1,0 m da interface até B; de B a D há uma “tenda” triangular BCD (BC = CD = 1,0 m, ângulo reto em C) cuja base BD é horizontal e é a superfície da água sob ar comprimido; DE = 2,0 m. A jusante há só água, com altura . a) Calcule as pressões em A, B, C, D e E e trace os diagramas. b) Calcule para haver equilíbrio. (Figura 2.43 do livro.)

3.5 Superfície livre equivalente (gás pressurizado; dois líquidos)

Ideia

As fórmulas e pedem um único líquido com pressão nula na superfície livre. Quando por cima do líquido que molha a placa há um gás com pressão ou outro líquido, troca-se essa “sobrecarga” por uma coluna equivalente do próprio líquido que molha a placa. Obtém-se uma superfície livre fictícia (equivalente), o plano onde a pressão relativa seria nula, e mede-se e a partir dela. O livro chama a isto homogeneizar o líquido (Ex 2.8).

Armadilha

  • A altura equivalente usa o do líquido que está em contacto com a placa: .
  • Só vale para a parte da placa molhada por esse líquido. Se a placa atravessa dois fluidos (Ex 2.7, Ex 2.8), divide-se em partes, uma por fluido, cada uma com a sua superfície livre equivalente.
  • Com (depressão), a superfície equivalente fica abaixo da real.

Superfície livre equivalente (Cardoso et al., §2.8, Ex 2.8)

A superfície fictícia fica a acima do topo do líquido 2; depois aplica-se e com , medidos a partir dela.

Passos com uma superfície livre equivalente

  1. Calcular a pressão no topo do líquido que molha a placa (, ou das camadas de cima).
  2. Converter em altura desse líquido: .
  3. Medir (vertical) e a partir da superfície fictícia.
  4. Aplicar e .
  5. Se a placa atravessa a interface, repetir para cada parte e somar momentos.

Quando usar

“Reservatório fechado com ar/gás à pressão…”, “manómetro marca … no topo”, “camada de óleo sobre água”, sobretudo com placas não retangulares (círculos, triângulos), onde o diagrama de pressões é incómodo. Ver também a tampa circular com óleo sobre água do Prob 2.12 do livro, resolvido no §4.5.

Exercício resolvido (Ex 2.8 do livro / Aula 03)

Uma tampa quadrada com 1,00 m de lado e dois lados horizontais obtura um orifício na parede vertical de um reservatório com água (1,20 m, da superfície livre até à interface) sobre um líquido de densidade 1,2. A interface passa pelo centro da tampa, onde está o eixo horizontal AB em torno do qual a tampa pode rodar. Calcule o módulo da força horizontal a aplicar no bordo inferior D (0,50 m abaixo de AB) para manter a tampa fechada.

Exercício resolvido (Prob 2.10 do livro — comporta com sedimentos; muito provavelmente o "Prob 2.8" das Aulas 03–04)

Uma comporta plana AB retém água (10 m) sobre uma camada de mistura de água e sedimentos (, 1 m). Sobre a superfície da água atua uma pressão de Pa. AB está a 45°: B no topo da camada de mistura, A no fundo (1 m abaixo e 1 m à direita de B); a mistura está por baixo da comporta. A comporta pesa kN/m, aplicado na vertical do ponto médio de AB, e está ligada por braços rígidos à articulação O, ao nível de B e na vertical de A ( m). Não há líquido a jusante. a) Calcule , e por metro. b) Calcule a força vertical , aplicada em B, para iniciar a abertura. (Figura 2.47 do livro.)


🚢 4. Arquimedes e superfícies curvas (Aulas 04–05 · §2.9–2.10)

4.1 Teorema de Arquimedes: equilíbrio e flutuação

Ideia

Um corpo mergulhado num fluido em repouso sofre uma impulsão vertical, de baixo para cima, igual ao peso do volume de fluido deslocado. Explicação: as forças horizontais das faces opostas anulam-se (as projeções verticais são iguais e estão à mesma profundidade). Na vertical, a face de baixo tem mais pressão do que a de cima, e a diferença é exatamente . A impulsão aplica-se no centro de impulsão, o centroide do volume deslocado, que não coincide em geral com o centro de gravidade do corpo.

Armadilha

  • O é o do fluido, não o do corpo: .
  • O é o volume imerso (deslocado). Num corpo que flutua é só a parte abaixo da superfície livre.
  • Corpo suspenso por um cabo e totalmente submerso: . Esquecer a impulsão sobrestima (é o erro do livro no Prob 2.12, §4.5).
  • Um corpo assente no fundo sem fluido por baixo (vedado) não tem impulsão de Arquimedes: a face de baixo não está molhada e o fluido empurra-o para baixo. Aí calcula-se a força na superfície molhada (§4.3).

Teorema de Arquimedes (Cardoso et al., §2.10, eqs. 2.55–2.61)

O ponto de aplicação ser o centroide de demonstra-se por momentos (eqs. 2.58–2.59). Vale para qualquer forma; um corpo não convexo trata-se por partes convexas.

ComparaçãoO que acontece
equilíbrio indiferente: o corpo fica a meia água
o corpo afunda até ao fundo, que reage com
o corpo sobe e flutua, emergindo até que o volume imerso dê

Num corpo homogéneo que flutua: (fração imersa = densidade relativa ao fluido).

Passos para um problema de Arquimedes

  1. Isolar o corpo e desenhar todas as forças: peso , impulsão , cabos, reações.
  2. Verificar se o corpo está todo molhado (incluindo por baixo). Se não estiver, Arquimedes não se aplica e passa-se ao §4.3.
  3. Decidir o caso () e escrever o equilíbrio vertical (e de momentos, se houver articulações).
  4. Se flutua, a incógnita costuma ser a profundidade imersa: resolver .

Quando usar

“Corpo mergulhado / submerso / a flutuar”, “bloco suspenso por um cabo dentro de água”, “boia”, “peso aparente”, “densidade mínima/máxima para afundar ou flutuar”.

4.2 Corpo na interface de dois líquidos

Ideia

Quando o corpo atravessa a interface entre dois líquidos (ou entre um líquido e o ar), cada parte desloca o seu próprio fluido. A impulsão é a soma dos pesos dos fluidos deslocados. Aplica-se no centro de gravidade de um corpo fictício não homogéneo: o volume do corpo preenchido com o fluido A na parte que está em A e com o fluido B na parte que está em B. Na interface ar–água o ar é desprezável e o CI é simplesmente o centroide do volume submerso.

Armadilha

  • Não se usa um médio aplicado ao volume todo: cada volume leva o do fluido onde está.
  • O CI não é o centroide do corpo, porque a parte mais “pesada” do corpo fictício (a que está no líquido mais denso) puxa-o para baixo.

Impulsão com dois fluidos (Cardoso et al., §2.10, eq. 2.62)

A impulsão horizontal é nula também na interface de dois líquidos (fim do §2.10; slide 9 da Aula 04).

Passos para um corpo na interface

  1. Dividir o volume do corpo pela interface: (no fluido de cima) e (no fluido de baixo), com .
  2. Escrever a impulsão , cada volume com o do seu fluido.
  3. Equilíbrio vertical: (mais forças exteriores, se as houver: cabos, pesos).
  4. Resolver para a incógnita (fração imersa, ou um dos ). Para o ponto de aplicação, usar o c.g. do corpo fictício não homogéneo.

Quando usar

“Corpo a flutuar entre óleo e água”, “bloco na interface”, “que fração do volume fica em cada líquido”.

Exercício resolvido (Ex 2.12 do livro / Aula 04)

Uma esfera homogénea, de peso volúmico e volume , está em equilíbrio na interface de dois líquidos imiscíveis ( em cima, em baixo). O plano de separação passa pelo centro da esfera e está à profundidade . Determine a relação entre os três pesos volúmicos. (Na resolução, é a área do círculo que o plano de separação define na esfera.)

4.3 Superfícies curvas: componentes Πh e Πv

Ideia

Numa superfície curva as pressões elementares mudam de direção, e somá-las diretamente é difícil. Por isso calculam-se as componentes separadamente:

  • Horizontal: é igual à impulsão sobre a projeção da superfície num plano vertical (normal à direção considerada). Volta-se assim ao caso das superfícies planas (§3).
  • Vertical: é igual ao peso do volume de líquido entre a superfície e a superfície livre (ou o plano de carga). Se esse volume está mesmo cheio de líquido (volume real), a força é para baixo. Se o líquido está do outro lado da superfície (volume fictício, imaginado acima dela até ao plano de carga), a força é para cima.

Armadilha

  • O de é a profundidade do centroide da projeção vertical, e não o da superfície curva.
  • Com gás pressurizado ou dois líquidos, o volume de mede-se até à superfície livre equivalente (§3.5), e não até à real.
  • As fórmulas exigem bijeção: cada vertical (para ) e cada horizontal (para ) só pode cortar a superfície uma vez. Se cortar duas vezes, divide-se a superfície em trechos (§4.4).
  • Num semicilindro ou arco simétrico, as projeções verticais das duas metades anulam-se e total pode ser zero.

Impulsão sobre superfícies curvas (Cardoso et al., §2.9, eqs. 2.47–2.54)

Em 3D há duas componentes horizontais (, ), cada uma pela sua projeção, e .

Origem (slides 10–12 da Aula 04; eqs. 2.47–2.53): num elemento cuja normal faz o ângulo com a vertical, onde é a secção do prisma de líquido acima do elemento.

Vários líquidos sobrepostos: em alternativa à superfície livre equivalente, (cada camada com o seu ). Nesse caso a linha de ação passa pelo centro de gravidade do volume não homogéneo, e não pelo seu centroide (slide 12).

Passos para a impulsão numa superfície curva

  1. Identificar a superfície molhada e o plano de carga (superfície livre real ou equivalente).
  2. : projetar a superfície num plano vertical → , → , linha de ação a abaixo do centroide da projeção.
  3. : desenhar o volume entre a superfície e o plano de carga, decidir se é real (↓) ou fictício (↑) e calcular , aplicada no centroide desse volume.
  4. Compor: , . Se a superfície é circular, a resultante passa pelo centro (§4.4).
  5. Equilíbrio da comporta: momentos na articulação com e nas suas linhas de ação (ou com pelo centro).

Quando usar

“Comporta de segmento / setor / cilíndrica”, “visor semiesférico”, “barragem com paramento inclinado ou curvo”, “calcule as componentes horizontal e vertical”. Uma face plana inclinada também se pode tratar assim (é o Ex 2.9), o que muitas vezes é mais rápido do que .

Exercício resolvido (Prob 2.8 do livro — visor; é o "Prob 2.6" da Aula 04)

Um reservatório com água tem na parede vertical um visor semiesférico de raio m, que sai da parede para o exterior e está cheio de água. O topo do visor está 1,0 m abaixo da superfície livre, logo o centro está a m. Calcule as componentes da impulsão no visor. (As linhas de ação e a resultante são extra, não pedidas no livro.)

Exercício resolvido (Ex 2.9 do livro / Aula 04 — barragem triangular)

Calcule o peso volúmico mínimo de um corpo sólido homogéneo (barragem de secção triangular, altura , paramentos a 60° com a horizontal, água até ao coroamento) sobre o qual assenta uma membrana de impermeabilização, para resistir sem escorregamento à impulsão da água. O coeficiente de atrito estático é . (A membrana no paramento de montante permite não considerar subpressões.)

Exercício resolvido (Ex 2.10 do livro / Aula 04 — oitavo de esfera)

No canto do fundo de um reservatório (encontro do fundo com duas paredes verticais perpendiculares) há uma peça em forma de oitavo de esfera de raio , com o centro no canto. A água tem altura . Calcule a impulsão total sobre a superfície esférica e a sua inclinação.

4.4 Superfícies sem bijeção; superfícies circulares

Ideia

  • Sem bijeção (uma vertical ou horizontal corta a superfície mais de uma vez): divide-se a superfície em trechos com bijeção, calcula-se e de cada um com o seu volume real ou fictício, e soma-se vetorialmente. Muitas parcelas anulam-se: as projeções verticais de trechos opostos cancelam-se em ; em , o volume real de cima e o fictício de baixo deixam só o volume entre eles.
  • Superfície circular (cilíndrica ou esférica): cada pressão elementar é normal à superfície, logo passa pelo centro. As forças são concorrentes, por isso a resultante também passa pelo centro e o seu momento em relação ao centro é nulo. Não é preciso calcular as linhas de ação de e : basta pô-las no centro.

Armadilha

  • Isto não vale para o peso nem para outras forças: só a impulsão sobre a superfície circular passa pelo centro.
  • Se a articulação estiver no centro do arco, a impulsão não dá momento nenhum. Se estiver noutro ponto, o braço mede-se do ponto ao centro (e não ao centroide da projeção).
  • Cuidado com os trechos de plano de carga diferente (fluidos diferentes de cada lado): cada trecho mede o seu volume até ao seu próprio plano de carga.

Superfícies circulares (Cardoso et al., §2.9)

(com os sinais de cada braço consoante o sentido de rotação).

Passos para superfícies sem bijeção / circulares

  1. Marcar os pontos onde a superfície deixa de ter bijeção (topo, fundo, extremos laterais) e dividi-la em trechos.
  2. Para cada trecho: projeção vertical → ; volume até ao plano de carga (real ↓ / fictício ↑) → .
  3. Somar com sinais. Se a superfície é circular, pôr a resultante no centro.
  4. Momentos na articulação: a impulsão com braços medidos até ao centro, mais o peso, as forças aplicadas e as reações.

Quando usar

“Cilindro encostado a uma parede / a fazer de comporta”, “semicilindro”, “cilindro com líquidos diferentes de cada lado”, “comporta de setor articulada no centro”.

Exercício resolvido (Ex 2.11 do livro / Aula 04 — cilindro entre dois líquidos)

Um cilindro com m e comprimento m obtura um orifício retangular numa parede inclinada a 45°. O único movimento possível é rodar em torno da aresta A, o ponto de contacto no arco inferior esquerdo (a 225°). Do lado esquerdo há um líquido A () com 1,00 m de altura sobre um líquido B (); a interface está 2,00 m acima do eixo. A superfície molhada pelo líquido B é o arco AB (B é o ponto mais à esquerda, à cota do eixo) mais o semicilindro superior BC. a) Calcule as componentes e a direção da impulsão. b) Calcule a densidade do cilindro se a força horizontal , aplicada em B (para a esquerda), necessária para iniciar o movimento de abertura do orifício, for kN.

Exercício resolvido (Prob 2.11 do livro — cilindro a reter água; é o "Prob 2.9" das Aulas 04–05)

Um cilindro de raio m, assente no fundo, retém água de um dos lados até à cota do eixo (). a) Calcule a força horizontal , aplicada no eixo, necessária para o equilíbrio (por metro). b) Calcule a densidade mínima do cilindro para que não se levante.

4.5 Comportas curvas: equilíbrio, reações e abertura

Ideia

Os problemas de comportas das Aulas 04–05 seguem sempre o mesmo guião: (1) impulsão (, , linha de ação); (2) comporta fechada: equilíbrio com as reações nos apoios; (3) início da abertura: a reação no apoio que se vai descolar passa a zero e escreve-se o equilíbrio de momentos na articulação para obter a força de manobra. Numa comporta de segmento (arco com centro na articulação), a impulsão passa pela articulação e não dá momento: a manobra só tem de vencer o peso. É por isso que estas comportas se usam.

Armadilha

  • “Força em cada cabo/pilar” ≠ força total. Com dois cabos ou pilares simétricos, divide-se por 2.
  • No início da abertura, quem se anula é a reação do apoio que a comporta deixa, e não a da articulação.
  • Braços medidos perpendicularmente à linha de ação de cada força.
  • Cubo ou contrapeso submerso: entra com o peso aparente , não com o peso.

Condições de equilíbrio de uma comporta (Cardoso et al., §2.8–2.9)

Passos para uma comporta curva

  1. Calcular , e o ponto por onde passa a resultante (o centro, se a comporta é circular).
  2. Fechada: momentos na articulação → reação no apoio; , → reações na articulação.
  3. A abrir: reação no apoio ; momentos na articulação → força de manobra (por cabo, se houver vários).
  4. Verificar sentidos (reação para baixo = negativa) e a força por cabo vs total.

Quando usar

“Comporta de segmento / de setor / tainter”, “reações na articulação e no apoio”, “força nos cabos para iniciar a abertura”, “comparar com uma comporta plana”.

Exercício resolvido (Prob 2.9 do livro — comporta de segmento; é o "Prob 2.7" da Aula 05)

Uma comporta de segmento com 5 m de largura fecha uma conduta com 2 m de altura. O arco tem raio m e centro na articulação A, à cota do teto da conduta. O topo do arco está à cota do teto, 4 m na horizontal de A; o raio AB faz 30° com a horizontal, e B (na soleira) está 2 m abaixo e 3,464 m na horizontal de A. A superfície livre a montante está 10 m acima do teto; não há água a jusante. A comporta pesa kN, aplicado a 3 m de A (na horizontal), e é manobrada por dois cabos verticais fixados às suas extremidades laterais (na figura e na solução, na vertical do topo do arco, a 4 m de A). a) Com a comporta fechada, calcule (a.1) as reações de apoio em A e B, supondo esta última vertical, e (a.2) a força em cada cabo para iniciar a abertura. b) Se a comporta fosse plana (do topo do arco a B): (b.1) indique se a força nos cabos aumenta ou diminui; (b.2) calcule a força em cada cabo.

Exercício resolvido (Prob 2.12 do livro — tampa circular com cubo suspenso; é o "Prob 2.10" da Aula 05)

Uma tampa circular com m, articulada no bordo inferior A e inclinada a 30° com a horizontal, fecha uma abertura num reservatório aberto com 2,5 m de óleo () sobre água. O bordo superior da tampa está à cota da interface e a tampa é molhada pela água, por baixo. Do centro da tampa pende, por um cabo vertical, um cubo de 1 m de aresta, totalmente submerso em água. a) Calcule a impulsão sobre a tampa e o seu ponto de aplicação. b) Calcule a densidade do cubo para a tampa estar em equilíbrio. Despreze os pesos da tampa e do cabo. (O professor riscou “mínima” no enunciado.)

Exercício resolvido (Ex 2.13 do livro / Aula 05 — cilindro com placa)

Uma comporta cilíndrica num canal ( m, m) está fixada pelas extremidades do eixo a dois pilares inseridos nas paredes. Por baixo dele, uma placa vertical AB vai do ponto A do cilindro (a 240°, 1 m à esquerda do eixo) até ao fundo, em B. A jusante (à direita) a água tem 3 m de altura, até à cota do eixo. A montante a superfície livre toca o cilindro no ponto a 120°, 1 m à esquerda e 1,732 m acima do eixo. a) Calcule a força horizontal em cada pilar, admitindo que a reação em B é nula. b) Calcule o peso mínimo do cilindro para que não se levante, supondo que esse deslocamento é possível e desprezando o atrito nos apoios.


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Notas relacionadas (Dataview)

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