📘 Resumo — Hidráulica I · Cap. 1: Propriedades dos fluidos

Parent project: Hidráulica I · Hub: Resumo MAP1 (hub)

Âmbito

O que cobre: a Aula 01B e o Cap. 1 do livro (Cardoso et al.), isto é, as secções §1 (1.1–1.9) do Resumo MAP1: definição de fluido, massa volúmica, compressibilidade, tensão superficial, viscosidade, tensão de vapor e efeito da temperatura.

Ligações: Hub do Resumo MAP1 (Mapa da Matéria, Checklist de Estratégia e Erros a evitar) · ← (primeiro capítulo) · Cap. 2: Hidrostática →


💧 1. Propriedades dos fluidos (Aula 01B · Cap. 1)

1.1 Sólidos, líquidos, gases e definição de fluido

Ideia

O que separa os três estados é a distância média entre moléculas, , comparada com o tamanho da molécula, (para a água, m). Quanto maior , mais fracas são as forças de coesão e mais compressível é a matéria.

  • Um sólido resiste a uma força tangencial: deforma-se um pouco e para, num novo equilíbrio.
  • Um fluido não resiste: enquanto houver tensão tangencial, continua a deformar-se. É isto que define um fluido. Daí a consequência central da Hidrostática: em repouso, um fluido só pode ter pressão, porque qualquer o poria em movimento.

Armadilha

  • Errata do slide 6: a lei de Hooke aparece como "". O correto é (ou ).
  • O símbolo tem dois significados nesta aula: extensão (slide 6, Hooke) e módulo de elasticidade volumétrica (slide 11, ver 1.5). Em Hidráulica, é quase sempre o segundo.
  • “Líquido = incompressível” é uma aproximação, não uma propriedade: falha no golpe de aríete e a grandes profundidades oceânicas. E os gases podem comportar-se como compressíveis ou como incompressíveis.

Estados da matéria e definição de fluido (Cardoso et al., §1.1 e §1.3)

Estado vs Comportamento
Sólido ou Forças de atração muito fortes; moléculas em posições fixas; forma própria
LíquidoAs moléculas não escapam do conjunto: volume bem definido, mas compressível; toma a forma do recipiente; comporta-se, geralmente, como incompressível
GásForças intermoleculares desprezáveis; muito compressível (mas pode comportar-se como incompressível)

Fluido: substância que se deforma continuamente quando sujeita a uma tensão tangencial , por mais pequena que esta seja. Não oferece resistência estática ao corte.

  • Sólido (elástico): deforma-se até atingir um novo equilíbrio. Abaixo do regime plástico, a deformação é proporcional à tensão (Hooke, ) e o sólido recupera a forma quando a força é retirada.
  • Fluido: deforma-se continuamente enquanto a força atuar (figura das placas: as linhas inclinam-se cada vez mais em ). Para cada fluido há uma relação bem definida entre e a velocidade de deformação ; essa relação é a viscosidade (1.7).
  • Consequências (livro): um fluido não tem forma própria, e um fluido em repouso não consegue manter descontinuidades nem “buracos” na superfície.

Quando usar

Em perguntas conceptuais como “porque é que um fluido em repouso não tem tensões tangenciais?” ou “pode tratar-se este líquido/gás como incompressível?”. A resposta parte sempre da definição de fluido: deformação contínua sob qualquer .

1.2 Fluido como meio contínuo; tensões e pressão

Ideia

Ao engenheiro interessa o comportamento médio (macroscópico) de enormes quantidades de moléculas, não o de cada uma. Por isso trata-se o fluido como um meio contínuo: cada ponto tem um valor de , , , … Para isso, o “volume-ponto” tem de ter moléculas suficientes para a média estabilizar, mas tem de ser minúsculo face ao escoamento:

  • volume demasiado pequeno → poucas moléculas → oscila (incerteza microscópica);
  • volume demasiado grande → o fluido pode ser heterogéneo (incerteza macroscópica);
  • entre os dois há um patamar, cujo limite inferior é mm³. O livro chama partícula de fluido a um volume desta ordem, com cerca de 1 µm de lado.

Armadilha

  • Pressão mecânica e pressão termodinâmica só coincidem em repouso (ou em movimento de corpo rígido), quando as três tensões normais são iguais. Em movimento podem diferir; isso é tratado no Cap. 5 do livro (fora do MAP1).
  • A pressão é um escalar e é puramente compressiva: não tem direção. A força de pressão é que tem direção, a da normal à superfície.
  • Sinal: os slides escrevem , tomando as tensões normais como compressões positivas. Com a convenção de Resistência de Materiais (tração positiva), escreve-se com um ”−”, como abaixo. O significado é o mesmo: a pressão é a média das tensões normais de compressão.

Hipótese do contínuo, tensões e pressão (Cardoso et al., §1.2)

Validade: a menor dimensão característica do escoamento tem de ser muito superior à trajetória média livre das moléculas (ordem de grandeza ). Exemplo: no ar à pressão atmosférica há moléculas num cubo de 2 µm de lado, e a trajetória média livre é de 0,05 µm. Uma força elementar sobre uma superfície de normal decompõe-se numa parte normal e numa tangencial:

  • Em repouso, a pressão é independente da direção e puramente compressiva.
  • Origem física (livro): a força do fluido sobre uma parede é a resultante da variação da quantidade de movimento das moléculas que nela embatem. Generaliza-se a qualquer ponto interior com uma “fronteira virtual”.
  • Pressão atmosférica normal = pressão do ar a 20 °C ao nível médio do mar; os slides e o livro usam Pa.

Quando usar

Justifica que se descreva o fluido por campos contínuos (, , …), que é o que se faz em toda a matéria seguinte. Pergunta conceptual típica: “quando falha a hipótese do contínuo?” → quando a dimensão do escoamento se aproxima da trajetória média livre (gases muito rarefeitos, canais microscópicos).

1.3 Sistema material, propriedades extensivas e intensivas, unidades

Ideia

Um sistema material é uma porção de fluido “marcada com corante” (imagem do livro): pode deslocar-se, mudar de forma e de volume, mas é sempre a mesma matéria. É esta ideia que, no §7, dá o Teorema de Transporte de Reynolds. As propriedades de um sistema dividem-se num teste simples: se cortar o sistema ao meio, a propriedade passa a metade? Se sim, é extensiva; se não, é intensiva.

Armadilha

  • O peso é extensivo, mas o peso volúmico é intensivo. Dividir uma grandeza extensiva pela massa ou pelo volume dá uma intensiva.
  • Valor de : os slides usam m/s² ( N/m³); o livro usa (). Usar o valor da aula (ou o do enunciado) e mantê-lo em todo o problema.

Definições e sistema MLT (Cardoso et al., §1.4 e §1.5)

  • Sistema material: porção de matéria fluida suficiente para representar o meio contínuo; pode deslocar-se e mudar de forma e de volume ao longo do tempo.
  • Propriedades extensivas: proporcionais à massa total do sistema (ex.: energia, peso).
  • Propriedades intensivas: independentes da quantidade de massa (ex.: massa volúmica, pressão, temperatura).

SI = sistema MLT(Θ), com as grandezas fundamentais massa M (kg), comprimento L (m), tempo T (s) e temperatura Θ (K). Dimensões das grandezas desta secção:

GrandezaSímboloDimensõesUnidade SI
Massa volúmicakg/m³
Peso volúmicoN/m³
Pressão, tensão, Pa = N/m²
Tensão superficialN/m
Viscosidade dinâmicaPa·s = kg m⁻¹ s⁻¹
Viscosidade cinemáticam²/s

Prefixos (livro): escolhem-se de modo que o valor numérico fique entre 0,1 e 1000 (ex.: N = 3 MN). O número de casas decimais deve corresponder à precisão garantida pelos dados.

Quando usar

Verificação dimensional no fim de cada exercício: se o resultado de uma pressão não sair em (Pa), há um erro na fórmula. É uma verificação de 10 segundos que apanha muitos erros de unidades no teste.

1.4 Massa volúmica, peso volúmico e densidade

Ideia

Três maneiras de dizer “quão pesado é o fluido”:

  • diz quanta massa cabe num m³;
  • diz quanto pesa um m³, e é esta a grandeza que entra na Hidrostática;
  • diz quantas vezes o fluido é mais pesado do que a água a 4 °C.

Os enunciados quase sempre dão a densidade (óleo , mercúrio ), e o primeiro passo é convertê-la em .

Armadilha

  • Densidade ≠ massa volúmica. Em inglês, density é ; em português, densidade é o adimensional.
  • , e variam muito pouco com a temperatura (água: 1000 kg/m³ a 4 °C → 958 kg/m³ a 100 °C). Na prática usa-se 1000 kg/m³ e 9800 N/m³.

, e (Cardoso et al., §1.6.1)

  • = volume (notação da cadeira). Se variar no espaço: e ; se for constante, .
Fluido (kg/m³) (N/m³)
Água (4 °C)10009800 (slides) · 9810 (livro)1
Ar (20 °C)1,204≈ 11,8≈ 0,0012
Mercúrio (20 °C)13 600≈ 133 28013,6

Passos para obter o peso volúmico de um fluido

  1. Ler a densidade do enunciado.
  2. N/m³.
  3. Se for pedida a massa volúmica: kg/m³.

Quando usar

Sempre que o enunciado dá “óleo de densidade 0,9”, “mercúrio ()”, etc. É o primeiro passo de todos os problemas de manómetros (§2).

Exercício resolvido (Cardoso et al., §1.6.1)

Quantas vezes é a água (4 °C) mais pesada do que o ar (20 °C), por unidade de volume? Use m/s².

1.5 Compressibilidade e módulo de elasticidade volumétrica

Ideia

O módulo é a “rigidez” do fluido à compressão, o análogo do módulo de Young para variações de volume. Quanto maior , mais pressão é preciso para comprimir o fluido:

  • água: GPa, logo para variar 1 % a sua massa volúmica são precisos 22 MPa ≈ 220 atmosferas → na prática é incompressível;
  • gases: é igual à pressão a que estão sujeitos (ar: Pa), cerca de 20 000 vezes menos rígidos do que a água → compressíveis.

Armadilha

  • O sinal ”−”: um aumento de provoca uma diminuição de volume (). O ”−” na definição garante e . Na forma com não há sinal, porque aumenta com .
  • As definições são a temperatura constante.
  • e variam muito pouco com a temperatura (água: 2,04 GPa a 0 °C, 2,2 a 20 °C, máximo 2,3 a 50 °C, 2,07 a 100 °C).

Coeficiente de compressibilidade e módulo (Cardoso et al., §1.6.2)

Forma com . A massa é constante: . Substituindo:

  • Valores: N/m²; N/m².
  • Exceções à incompressibilidade dos líquidos: golpe de aríete; aumento de a grandes profundidades oceânicas.
  • Nota do livro: a velocidade do som num fluido é ; na água a 20 °C, m/s.

Passos para estimar uma variação de massa volúmica

  1. Identificar o acréscimo de pressão (e a pressão inicial, se o acréscimo vier em %).
  2. Se : .
  3. Forma exata, integrando : .
  4. Concluir se o fluido pode ou não ser tratado como incompressível.

Quando usar

Sinais no enunciado: “variação da massa volúmica”, “aumento de pressão de X %”, “pode a água ser considerada incompressível?”, ou a menção de Pa.

Exercício resolvido (Ex 1.1 do livro)

Água à pressão atmosférica normal tem kg/m³ e N/m². Calcule o aumento de massa volúmica correspondente a um aumento de pressão de 100 %.

1.6 Tensão superficial e capilaridade

Ideia

Uma molécula no interior do líquido é puxada igualmente em todas as direções pelas vizinhas (coesão em equilíbrio). Uma molécula à superfície só tem vizinhas líquidas de um lado. O desequilíbrio entre coesão (entre moléculas iguais) e aderência (entre meios diferentes) deixa a superfície tracionada, e ela comporta-se como uma membrana tendida.

  • Uma membrana curva tendida aperta o que está dentro dela. Por isso, a pressão é maior do lado côncavo (dentro de uma gota). É a equação de Laplace.
  • Junto a uma parede sólida, a “membrana” agarra-se à parede (água: aderência > coesão) e puxa a coluna de líquido para cima. Se a coesão ganhar (mercúrio), a coluna desce. Isto é a capilaridade.
  • A tensão superficial explica também a agulha de aço a flutuar, os insetos que andam sobre a água e a forma das gotas e bolhas.

Armadilha

  • Gota vs bolha: uma gota tem uma interface, . Uma bolha (película de água com ar dos dois lados) tem duas, (Prob 1.1).
  • As fórmulas usam o diâmetro ; com o raio, . Não trocar.
  • Se não for dado: água em vidro limpo, (); mercúrio, (livro). Os slides só dizem .
  • Na Hidráulica despreza-se a capilaridade em tubos com mm (para mm, mm). Abaixo disso não é desprezável, por exemplo em piezómetros finos e em solos granulares finos.
  • diminui com a temperatura (água: 0,0736 N/m a 20 °C → 0,060 N/m a 100 °C).

Tensão superficial, Laplace e capilaridade (Cardoso et al., §1.6.3)

Tensão superficial : força tangencial à interface, aplicada na linha de fronteira, por unidade de comprimento [N/m].

  • N/m; N/m.

Equação de (Young-)Laplace. O equilíbrio de um elemento da interface curva, com raios principais e , dá: Capilaridade: fenómeno associado às tensões superficiais em interfaces líquido-sólido. O ângulo de contacto decide o sentido:

Coesão vs aderênciaMeniscoColuna
Águacoesão < aderência (“molha”)côncavosobe
Mercúriocoesão > aderência (“não molha”)convexodesce

O equilíbrio vertical da coluna (força de tensão superficial no perímetro = peso da coluna) dá: (despreza-se o volume do menisco). Com , e : é uma depressão.

Passos para problemas de tensão superficial

  1. Isolar um corpo: meia gota ou meia bolha (corte pelo plano diametral), a coluna capilar, ou a agulha.
  2. Força de tensão superficial = × comprimento da linha de contacto × (cos do ângulo, para tirar a componente útil). Numa bolha, contar as duas interfaces.
  3. Equilibrar com a força de pressão (pressão × área projetada no plano de corte) ou com o peso.
  4. Resolver em ordem à incógnita e verificar as unidades (σ em N/m).

Quando usar

Sinais no enunciado: “gota”, “bolha”, “tubo capilar”, “diâmetro de 1 mm”, “ascensão/depressão capilar”, “agulha que flutua”, ou um valor de (0,0736 N/m) nos dados.

Exercício resolvido (Ex 1.2 do livro / Aula 01B)

Calcule a pressão no interior de uma gota de água esférica com 1 mm de diâmetro. A ação da gravidade é desprezável (ou o peso é equilibrado por uma ação externa); N/m; a pressão exterior é nula.

Exercício resolvido (Ex 1.3 do livro / Aula 01B)

Calcule a subida capilar da água num tubo de vidro com mm, sabendo que N/m e N/m³. O ângulo não é dado.

Exercício resolvido (Prob 1.1 do livro)

Determine a sobrepressão no interior de uma bolha de água (película fina com ar dos dois lados) de diâmetro , relativamente à atmosfera. Despreze a gravidade e a espessura da película.

Exercício resolvido (Prob 1.2 do livro)

Uma agulha cilíndrica de diâmetro , comprimento e densidade é pousada horizontalmente sobre água. Despreze a impulsão. a) Qual é o diâmetro máximo para que não afunde ()? b) Calcule-o para aço () em água a 20 °C.

1.7 Viscosidade

Ideia

A viscosidade é o atrito interno do fluido. Pense num baralho de cartas empurrado pela carta de cima: cada camada de fluido arrasta a camada de baixo, e a resistência a esse deslizamento é a viscosidade.

  • Princípio de aderência (livro): o fluido junto a uma parede sólida cola-se a ela, sem velocidade relativa. Entre uma placa fixa e uma móvel, a velocidade passa de 0 a , e o perfil é linear (escoamento de Couette).
  • Num fluido newtoniano (água, ar, óleo), a tensão tangencial é proporcional à rapidez com que o fluido se deforma: duplica-se a velocidade, duplica-se a força.

Armadilha

  • e diminuem significativamente com a temperatura (água: Pa·s a 0 °C, a 20 °C, a 100 °C). Usar o valor da temperatura do enunciado.
  • Não confundir [Pa·s] com [m²/s].
  • só se o perfil for linear (o enunciado di-lo). é a coordenada normal ao escoamento; o livro chama-lhe .
  • é uma tensão: a força na placa é .

Lei de Newton da viscosidade (Cardoso et al., §1.6.4)

Dedução (livro). Entre duas placas, em a camada de cima avança mais do que a de baixo. A deformação angular é , logo : o gradiente de velocidade é a velocidade de deformação.

  • (Pa·s = N s/m² = kg m⁻¹ s⁻¹); (m²/s). O não tem massa nas dimensões, daí o nome cinemática.
  • Valores (água, 20 °C): Pa·s, m²/s. A 30 °C, Pa·s (livro).
  • Fluido newtoniano: a tensão tangencial é proporcional à velocidade de deformação, com constante de proporcionalidade (o “coeficiente de viscosidade dinâmica”, ou só “viscosidade”). No gráfico vs é uma reta pela origem, com inclinação : óleo > água > ar.

Fluidos não-newtonianos (slide 17):

TipoCurva vs Exemplo
Newtonianoreta pela origemágua, ar, óleo
Dilatante (shear thickening)côncava para cima: fica mais “viscoso” quanto mais depressa se deformaágua + amido de milho
Pseudoplástico (shear thinning)côncava para baixo: fica mais “fluido”tinta látex
Plástico de Binghamreta que só começa depois de uma tensão de cedênciapasta de dentes

Passos para problemas de placas (escoamento de Couette)

  1. Perfil de velocidade: se for linear entre (placa fixa) e (placa móvel) à distância , então .
  2. Tensão: ; ou, em ordem a : .
  3. Força na placa de área : (somar as faces, se a placa tiver fluido dos dois lados).
  4. Viscosidade cinemática, se pedida: .
  5. Várias camadas: cada camada tem o seu perfil linear; a placa móvel em equilíbrio impõe a relação entre as tensões das camadas.

Quando usar

Sinais no enunciado: “placa móvel”, “perfil de velocidade linear”, “fluido viscoso entre placas”, “força por unidade de área”, “calcule a viscosidade”.

Exercício resolvido (Ex 1.4 do livro)

Duas placas paralelas distam 2 mm, com água a 30 °C entre elas ( Pa·s, kg/m³). A placa inferior está parada e a superior move-se a 0,30 m/s. A distribuição de velocidades é linear. Calcule a tensão tangencial nas placas.

Exercício resolvido (Prob 1.3 do livro / Aula 01B)

Um fluido viscoso escoa entre uma placa imóvel (inferior) e uma placa móvel (superior). Na placa superior aplica-se, no sentido do movimento, uma força por unidade de área Pa. A distribuição vertical da velocidade é linear, a distância entre placas é m e a velocidade da placa superior é m/s. Calcule: a) a viscosidade do fluido; b) a viscosidade cinemática, para kg/m³.

Exercício resolvido (Prob 1.4 do livro)

Uma placa move-se a velocidade constante entre duas placas fixas paralelas, sujeita apenas à força . De um lado há uma camada de espessura e viscosidade ; do outro, espessura e viscosidade . Os perfis são lineares e as tensões tangenciais nas duas faces da placa móvel são iguais. Que relação existe entre as viscosidades e as espessuras?

1.8 Tensão de saturação do vapor e cavitação

Ideia

Um líquido ferve quando a pressão desce até à sua tensão de vapor, e não só quando aquece. A 20 °C a água ferve se a pressão absoluta descer a ~2,3 kPa. Por isso a água ferve abaixo de 100 °C em altitude, e a panela de pressão cozinha mais depressa: a ~2,5 , só ferve a 125–130 °C.

Armadilha

é uma pressão absoluta. Para saber se há risco de vaporização, compara-se a pressão absoluta local com , e não a relativa. Uma pressão relativa de −9 m c.a. corresponde a uma absoluta de ≈1,3 m c.a. ≈ 13 kPa, que ainda está acima de (2,3 kPa a 20 °C). Ver 2.3.

Tensão de saturação do vapor (Cardoso et al., §1.6.5)

Definição: de um líquido é a pressão para a qual esse líquido passa ao estado gasoso, a uma dada temperatura. Aumenta significativamente com a temperatura (crescimento exponencial).

Temperatura da água
0 °C610 Pa
~10 °C≈
20 °C2330 Pa
100 °C (≈ 1×10⁵ Pa)
120 °C2,5×10⁵ Pa
125–130 °C≈ 2,5 (panela de pressão)

Cavitação (livro): quando, num escoamento, a pressão absoluta local desce até , formam-se bolhas de vapor. São arrastadas para jusante e colapsam onde a pressão volta a subir. O colapso danifica condutas, válvulas e rodas de turbinas e bombas.

Quando usar

Sinais: pontos altos de sifões, aspiração de bombas, depressões grandes (pressões relativas muito negativas). Verificar sempre que . Aqui fica só a ideia; a análise de cavitação em instalações é matéria posterior ao MAP1.

1.9 Variação das propriedades com a temperatura

Síntese (slides 9–18; tabelas completas na contracapa do livro, que não está na cópia)

PropriedadeÁgua a 20 °CVariação com Valores dos gráficos dos slides
, , 1000 kg/m³ (4 °C), 9800 N/m³muito pouca: 1000 (0 °C) → 958 kg/m³ (100 °C); : 1 → 0,96
, GPamuito pouca2,04 (0 °C) · 2,2 (20 °C) · 2,3 (50 °C, máx.) · 2,07 GPa (100 °C)
0,0736 N/mdiminui0,0736 (20 °C) → 0,060 N/m (100 °C)
, Pa·s, m²/sdiminuem significativamente: 1,73×10⁻³ (0 °C) · 1×10⁻³ (20 °C) · 0,28×10⁻³ Pa·s (100 °C)
2330 Paaumenta significativamente610 (0 °C) · 2330 (20 °C) · 1×10⁵ (100 °C) · 2,5×10⁵ Pa (120 °C)

Como usar a tabela

Num teste, a pergunta típica é qualitativa: “o que acontece a X quando a água aquece?”. A mnemónica: a massa e a rigidez quase não mudam; a “pele” e o “atrito” enfraquecem; a vontade de ferver dispara.


🔗 Navegação

← (primeiro capítulo) · Hub · Cap. 2: Hidrostática →

Notas relacionadas (Dataview)

TABLE WITHOUT ID
  link(file.link, file.name) AS "Nota",
  date AS "Data",
  status AS "Estado"
FROM "2.Técnico/2º Ano/1Semestre/Hidraulica I"
WHERE (type = "note" OR type = "project") AND file.name != this.file.name
SORT date DESC