📘 Resumo — CDI-III MAP1 (Fichas 1–6)

Parent project: CĂĄlculo Diferencial e Integral III

Âmbito desta nota

MatĂ©ria do MAP1 (20 out 2026, 19:30, 1 h, sem consulta): Fichas 1 a 6 das aulas prĂĄticas. Cobre o Cap. I (superfĂ­cies, integrais de superfĂ­cie, divergĂȘncia/rotacional, Teoremas de Gauss e de Stokes) e o inĂ­cio do Cap. II (EDOs de 1.ÂȘ ordem e mudanças de variĂĄvel, Picard–Lindelöf, exponencial de matriz, sistemas lineares e diagramas de fase). Fontes: enunciados e resoluçÔes das Fichas 1–6 + apontamentos teĂłricos de Teixeira/Borges (Teoremas da DivergĂȘncia e de Stokes, EDOs) e MagalhĂŁes (MĂ©todos de Resolução de EDs, caps. 1–3). Fora do Ăąmbito (ficam para o MAP2): EDOs lineares de ordem , Transformada de Laplace, mĂ©todo das caracterĂ­sticas, EDPs e sĂ©ries de Fourier. Cada secção tem: teoria explicada → passos do mĂ©todo → exercĂ­cios resolvidos (dobrĂĄveis) → erros comuns. Tenta resolver cada exercĂ­cio antes de abrir a resolução. Notas-irmĂŁs (a criar, por esta ordem): Guia de Estudo MAP1 → FormulĂĄrio MAP1.

O MAP1 deste ano vai além do Cap. I

O planeamento previa sĂł o Cap. I, mas as fichas que entram (atĂ© Ă  6) jĂĄ incluem EDOs, Picard e sistemas. Os MAP1 de anos anteriores confirmam o molde: Stokes + Gauss + uma EDO de 1.ÂȘ ordem por mudança de variĂĄvel (2024/25: substituição ; 2025/26: equação logĂ­stica com ).


đŸ—ș Mapa da MatĂ©ria

FichaTemaFerramenta central
1Superfícies e integrais de superfícieParametrização , normal ,
2Operadores diferenciais, fluxo, Gauss, ,
3Teorema de Stokes
4EDOs de 1.ÂȘ ordemFator integrante, separação de variĂĄveis, Bernoulli/Riccati/logĂ­stica/homogĂ©neas
5ExistĂȘncia e unicidade; Picard–Lindelöf (Lipschitz), iteradas de Picard, exponencial de matriz
6Sistemas lineares e diagramas de fase, valores próprios → tipo de ponto

Fio condutor de toda a matéria

As Fichas 1–3 generalizam o Teorema de Green de CDI-II para o espaço: primeiro aprende-se a integrar sobre superfĂ­cies (Ficha 1), depois a medir o que atravessa uma superfĂ­cie — o fluxo — e a trocĂĄ-lo pelo que nasce lĂĄ dentro (divergĂȘncia → Gauss, Ficha 2), e por fim a trocar a circulação ao longo de uma curva pelo fluxo do rotacional atravĂ©s de qualquer superfĂ­cie que ela borde (Stokes, Ficha 3). As Fichas 4–6 mudam de mundo: em vez de integrar campos, procuram-se funçÔes cuja derivada Ă© dada (EDOs). Começa-se pelos casos escalares resolĂșveis Ă  mĂŁo (Ficha 4), pergunta-se quando Ă© que existe uma e uma sĂł solução (Picard, Ficha 5) e termina-se nos sistemas lineares , cuja solução Ă© a exponencial de matriz e cuja geometria se lĂȘ nos diagramas de fase (Ficha 6). As equaçÔes do calor/onda/continuidade que aparecem nas aplicaçÔes de Gauss sĂŁo a ponte para o Cap. III (MAP2).


🌐 1. Superfícies e Integrais de Superfície (Ficha 1)

Mapa do tema

Uma superfĂ­cie Ă© um objeto bidimensional em (como uma folha de papel: medimos-lhe a ĂĄrea, nĂŁo o volume). Neste bloco aprende-se a (1) descrever superfĂ­cies — por equação, como grĂĄfico ou por parametrização ; (2) obter o vetor normal e o plano tangente; (3) medir a ĂĄrea e integrar campos escalares (massa, centro de massa). Tudo isto Ă© a base dos fluxos e dos teoremas de Gauss e Stokes (Fichas 2–3). (Teixeira/Borges, §1.1–§1.2)

1.1 SuperfĂ­cie regular: trĂȘs maneiras de a descrever

Ideia

Uma curva Ă© descrita por um parĂąmetro, ; uma superfĂ­cie precisa de dois, . Pensa em como um “mapa” que pega num pedaço plano (o domĂ­nio dos parĂąmetros) e o dobra/estica para o colocar no espaço. Para que o resultado seja mesmo uma superfĂ­cie “lisa” (sem bicos nem dobras), tem de depender efetivamente das duas variĂĄveis — Ă© isso que a condição de caracterĂ­stica 2 garante.

Definição — Superfície regular em (Teixeira/Borges, §1.1.2)

Ă© superfĂ­cie regular se, perto de cada ponto , pode ser descrita de (pelo menos) uma das formas:

  1. Conjunto de nĂ­vel 0: com de classe e em .
  2. Gråfico de uma função : (ou , ou ).
  3. Imagem de uma parametrização , aberto (por isso as resoluçÔes oficiais escrevem intervalos abertos, ; para integrar, fechar o domínio não altera nada), injetiva, de classe , com inversa contínua e

As trĂȘs formas sĂŁo localmente equivalentes (Teorema da Função ImplĂ­cita / Inversa).

O cone não é superfície no vértice

: nĂŁo Ă© diferenciĂĄvel em ; com tem-se precisamente na origem; e a parametrização cilĂ­ndrica tem em . ConclusĂŁo: o cone sem o vĂ©rtice Ă© superfĂ­cie (nĂŁo hĂĄ plano tangente no bico). JĂĄ o paraboloide Ă© superfĂ­cie na origem — o problema das coordenadas cilĂ­ndricas em Ă© sĂł da parametrização, nĂŁo da superfĂ­cie (usa ).

Superfície de revolução (Teixeira/Borges, §1.1.1; Resolvidos, ex. 2(h))

Rodar a curva , , , em torno do eixo :

Em torno de (curva ): . A coordenada do eixo de rotação mantém-se; as outras duas descrevem um círculo.

ParametrizaçÔes-padrão (decorar!)

SuperfĂ­cieDomĂ­nio tĂ­pico
Gråfico projeção no plano
Gråfico projeção no plano
Plano por com diretores (constante)
Esfera
Cilindro (eixo )
Cilindro (eixo )idem
Cone
Paraboloide (polar)
Revolução em torno de
Elipsoide / cilindro elíptico 
calcular

Convenção dos ùngulos esféricos

Nesta cadeira Ă© o Ăąngulo medido a partir do semieixo positivo (latitude “ao contrĂĄrio”) e Ă© o Ăąngulo azimutal no plano . Por isso e o elemento de ĂĄrea Ă© (nĂŁo !). O hemisfĂ©rio norte Ă© .

Passos para parametrizar uma superfície descrita por equaçÔes

  1. Identificar a superfície (plano? esfera? cilindro — que eixo? cone? paraboloide — que eixo?). Procura a variável “especial”.
  2. Escolher coordenadas adaptadas Ă  simetria: eixo de rotação → cilĂ­ndricas/polares em torno dele; esfera → esfĂ©ricas; grĂĄfico simples → as duas variĂĄveis livres como parĂąmetros.
  3. Escrever substituindo na equação (ex.: , livre).
  4. Traduzir as restriçÔes (planos de corte, octante, “interior de
”) em limites para os parĂąmetros, mostrando a conta (como fazem as resoluçÔes oficiais).
  5. Apresentar juntamente com o domĂ­nio (aberto: , 
). Uma parametrização sem domĂ­nio Ă© uma resposta incompleta.
  6. Verificar: Ă© exatamente ? em ?

Quando usar / sinais no enunciado

“porção do cilindro 
 entre os planos” → cilĂ­ndricas em torno do eixo do cilindro · “primeiro octante” → · “no interior do cilindro ” → a projeção Ă© um disco, usa polares no parĂąmetro · “plano que passa por 3 pontos” → · "" jĂĄ resolvido → grĂĄfico.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 2(b) e 2(c))

Determine uma representação paramétrica de: (b) A porção do cilindro que se encontra entre os planos e . (c) A porção no primeiro octante do cone entre os planos e .

Exercício resolvido (Ficha 1 — Resolvidos, ex. 1, 2(f) e 2(g))

  1. Determine se os pontos e pertencem à superfície . 2(f). Parametrize a face do cilindro entre os planos e . 2(g). Parametrize a superfície esférica situada entre os planos e .

1.2 Reconhecer a imagem de uma parametrização (e esboçar)

Ideia

É o caminho inverso: dado , elimina os parĂąmetros para obter uma equação cartesiana em , e depois traduz o domĂ­nio em restriçÔes sobre . Truques clĂĄssicos: , , ou resolver uma componente linear em ordem a um parĂąmetro e substituir.

Passos para identificar

  1. Procura combinaçÔes das componentes que façam desaparecer os parùmetros ( quando hå ; somas/diferenças quando é linear).
  2. Escreve a equação cartesiana e identifica a quådrica (tabela abaixo).
  3. Traduz o domĂ­nio dos parĂąmetros: que parte da superfĂ­cie Ă© coberta (sinal de uma coordenada, intervalo de alturas
)?
  4. Responde como os professores: nome da superfĂ­cie + equação cartesiana + restriçÔes (ex.: “face lateral do cone , com ”; “o plano com ” — Resolvidos, ex. 3(a),(b)).
  5. Esboça (ver passos para esboçar).

QuĂĄdricas mais frequentes (eixo ; troca as letras para outros eixos)

Ex. 4 da Ficha 1: e , logo (hiperboloide de uma folha).

Passos para esboçar uma quådrica (o MAP pede!)

  1. Encontra o eixo: Ă© a variĂĄvel que aparece sozinha/linear (paraboloide), com sinal diferente (cone, hiperboloide) ou que falta (cilindro). Ex.: → eixo .
  2. Corta com planos perpendiculares ao eixo (): obtĂ©ns curvas de nĂ­vel — circunferĂȘncias/elipses. Calcula o raio para 2–3 valores de (incluindo as fronteiras dadas no enunciado).
  3. Corta com um plano que contĂ©m o eixo (ex.: ): obtĂ©ns o perfil — parĂĄbola (paraboloide), par de retas (cone), hipĂ©rbole (hiperboloide), retas paralelas (cilindro).
  4. Localiza o vértice e o sentido de abertura (o sinal: abre para ; abre para a partir de ).
  5. Desenha os eixos em perspetiva, as circunferĂȘncias de nĂ­vel como elipses achatadas, e liga-as com o perfil. Assinala as fronteiras (planos de corte) e se a superfĂ­cie Ă© “aberta” (sem tampa) ou fechada.

Cilindros e paraboloides com eixo nĂŁo vertical

O eixo nĂŁo Ă© sempre ! Em o eixo Ă© ; em o eixo Ă© a reta (paralela a ); em o paraboloide abre para . Desenha as curvas de nĂ­vel nos planos perpendiculares a esse eixo — nĂŁo em planos .

Quando usar / sinais no enunciado

“Identifique e faça um esboço” → elimina parĂąmetros + tabela de quĂĄdricas · “Faça um esboço das curvas de nĂ­vel com e e depois esboce ” (MAP 2025/26) → passos 2–5 acima · “represente graficamente ” (MAP 2024/25) → idem, Ă© quase sempre um paraboloide/cone com eixo ou .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 3(c) e 3(d))

Identifique e faça um esboço da imagem da superfície parametrizada por (c) com e ; (d) , para .

ExercĂ­cio tipo MAP (MAP1 2025/26, ex. 1(a))

Considere . Faça um esboço das curvas de nível de com e e depois esboce .

1.3 Vetor normal, plano tangente e reta normal

Ideia

Fixando e variando , desenha uma curva na superfĂ­cie; a sua velocidade Ă© tangente a . O mesmo para . Dois vetores tangentes independentes geram o plano tangente, e o produto externo Ă© perpendicular a ambos ⇒ Ă© normal. Alternativamente, se Ă© um conjunto de nĂ­vel , jĂĄ sabes de CDI-II que Ă© perpendicular aos conjuntos de nĂ­vel. Duas vias, mesma direção.

Produto externo (Teixeira/Borges, §1.2.1)

Propriedades: · · · årea do paralelogramo de lados · (e cíclicos).

Normal, plano tangente e reta normal (Teixeira/Borges, §1.1.3)

No ponto de :

Casos rápidos: gráfico ⇒ (aponta para cima). Plano ⇒ . Esfera centrada na origem ⇒ . Normal unitária: ; a orientação (“para fora”, “para cima”) escolhe entre e .

Armadilhas

O ponto pode ser dado em e nĂŁo em — primeiro resolve para saber onde avaliar . · A ordem vs troca o sentido (irrelevante para o plano tangente e para a ĂĄrea, crucial para fluxos). · Para usar , escreve a superfĂ­cie como com tudo de um lado.

Passos para o plano tangente

Caminho oficial (Resolvidos, ex. 5):

  1. Se o ponto vem em , encontra com ; se vem em , calcula .
  2. Calcula os vetores tangentes , em geral.
  3. pelo determinante (em geral) e sĂł depois avalia em ; simplifica dividindo por fatores comuns.
  4. Escreve e simplifica. (TambĂ©m aceite: a forma vetorial — Resolvidos, ex. 5(c).)

Atalho / verificação (“doutra forma” nas resoluçÔes): elimina os parĂąmetros, escreve e usa . Os professores fazem as duas vias em 5(a) e 5(c), mas em 5(b) avisam que eliminar os parĂąmetros “dĂĄ algum trabalho” — aĂ­ o produto externo Ă© o caminho aconselhado.

Quando usar / sinais no enunciado

“plano tangente Ă  superfĂ­cie parametrizada
” → · superfĂ­cie dada por equação (, ) → , Ă© mais rĂĄpido · “vetor normal unitĂĄrio 
 orientada para fora” → e verifica o sentido num ponto.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 6(a) e 6(b))

Determine uma equação do plano tangente à superfície parametrizada por no ponto especificado: (a) em . (b) no ponto .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 5 e 7(b))

  1. Determine a expressão geral do vetor normal unitårio à superfície , orientada para fora. 7(b). Calcule a equação do plano tangente ao paraboloide elíptico no ponto .

Exercício resolvido (Ficha 1 — Resolvidos, ex. 4)

Determine a expressão geral do vetor normal unitårio à superfície definida por: (a) , com orientação para cima; (b) , com orientação para baixo.

1.4 Elemento de ĂĄrea e ĂĄrea de uma superfĂ­cie

Ideia

Um retĂąngulo minĂșsculo no domĂ­nio Ă© levado por para (aproximadamente) um paralelogramo de lados e — cuja ĂĄrea Ă© . Somando e passando ao limite obtĂ©m-se a ĂĄrea. Ă© o “fator de dilatação de ĂĄrea” — o anĂĄlogo de para o comprimento de curvas, e do jacobiano das mudanças de variĂĄvel de CDI-II.

Área e integral de superfície de um campo escalar (Teixeira/Borges, §1.2.2)

Seja parametrização ( até à fronteira de ) e contínuo em :

Equivalentemente . Teorema: o valor nĂŁo depende da parametrização escolhida (injetiva, ) — pela fĂłrmula de mudança de variĂĄveis com . Curvas (conjuntos de conteĂșdo nulo) — p.ex. o “corte” das coordenadas esfĂ©ricas — nĂŁo contribuem para o integral.

Casos-tipo do elemento de ĂĄrea

Demonstração do caso gråfico: , , , .

O das polares: nem a mais, nem a menos

Se parametrizas diretamente com (ex.: ), o jĂĄ estĂĄ dentro de — nĂŁo juntes outro. Se parametrizas como grĂĄfico em e sĂł depois passas o integral duplo a polares, entĂŁo tens de juntar o jacobiano . Erro nĂșmero um nestes exercĂ­cios.

Passos para calcular uma ĂĄrea / integral de superfĂ­cie

(Ordem das resoluçÔes oficiais — Resolvidos, ex. 6–9.)

  1. Parametriza e determina o domĂ­nio , justificando-o (ex.: “a intersecção do paraboloide com Ă© , logo ”). Escreve . Escolhe parĂąmetros que tornem simples (retĂąngulo, disco).
  2. Escreve a fĂłrmula antes das contas: .
  3. Calcula , , (determinante) e simplifica (usa ); ao tirar raízes, justifica o sinal: “pois ”.
  4. Para campo escalar: substitui por em e repara se a raiz cancela.
  5. Calcula (polares em se for disco/coroa — junta o ; substituição explícita com novos limites).
  6. Verificação råpida: a årea é positiva? Compara com uma figura conhecida (hemisfério , esfera ).

SuperfĂ­cie que Ă© a fronteira de um sĂłlido: parte-a em faces, ; faces planas/cilĂ­ndricas calculam-se por geometria elementar; uma “face” que degenera numa curva nĂŁo conta (conteĂșdo nulo) — diz isso por escrito (Resolvidos, ex. 7(c)).

Quando usar / sinais no enunciado

“área da porção de 
 no interior do cone/cilindro” → traduz a condição em limites (, ) · superfĂ­cie dada como grĂĄfico sobre um disco → fĂłrmula + polares · “porção da esfera” → esfĂ©ricas, .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 8(c))

Calcule a årea da superfície esférica que se encontra no interior do cone .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 8(e))

Calcule a årea da porção da superfície cilíndrica que se encontra no interior do cilindro e acima do plano .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 9)

Considere a superfície parametrizada por . (a) Determine de forma que o ponto pertença à superfície. (b) Restringindo o domínio de ao disco , calcule a årea da parte da superfície correspondente.

Exercício resolvido (Ficha 1 — Resolvidos, ex. 7(c) e 8)

7(c). Determine a årea da fronteira do sólido limitado pelas superfícies , , e . 8. Determine a årea da porção do paraboloide hiperbólico que estå entre os cilindros e .

1.5 Integral de campo escalar, massa e centro de massa

Ideia

Ă© uma “soma ponderada” sobre a superfĂ­cie: cada bocadinho de ĂĄrea conta com peso . Se Ă© uma densidade superficial (kg/mÂČ) obtĂ©ns a massa; se pesas tambĂ©m as coordenadas, obtĂ©ns o centro de massa — exatamente como em CDI-II para placas planas, sĂł que agora a placa estĂĄ curvada no espaço.

AplicaçÔes (Teixeira/Borges, §1.2.3)

(Se nĂŁo for dada densidade, e o centro de massa Ă© o centroide.)

Simetria primeiro

Se e sĂŁo simĂ©tricos em relação a um plano (ex.: ), a coordenada correspondente do centro de massa Ă© — escreve-o com uma frase de justificação em vez de calcular. Mas atenção: a simetria tem de valer para a densidade tambĂ©m.

Passos para massa e centro de massa

  1. Parametriza , calcula .
  2. . Repara se “cancela” a raiz — os enunciados são feitos para isso!
  3. Usa simetrias para anular coordenadas do centro de massa.
  4. Calcula sĂł as que restam e divide por .

Quando usar / sinais no enunciado

Densidade do tipo numa superfĂ­cie ⇒ cancela exatamente o fator de ĂĄrea (fica sĂł a ĂĄrea da projeção) · “densidade igual Ă  distĂąncia ao eixo” ⇒ em cilĂ­ndricas.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 10)

Considere a superfĂ­cie . Sendo a densidade em cada ponto de dada por , calcule a massa e as coordenadas do centro de massa de .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 1, ex. 11)

Calcule a massa e o centro de massa da superfĂ­cie de um cone cujo raio da base Ă© e cuja altura Ă© . Admita que a densidade de massa Ă© igual Ă  distĂąncia do ponto ao eixo de simetria do cone.

Exercício resolvido (Ficha 1 — Resolvidos, ex. 9)

Considere a superfĂ­cie . Sabendo que tem densidade de massa , calcule a massa total de .

Exercício resolvido (Ficha 1 — Resolvidos, ex. 6)

Calcule o integral de superfície de , sendo a porção do paraboloide acima do plano .

Erros a evitar neste tema

Dar uma parametrização sem o domĂ­nio (os professores escrevem sempre com explĂ­cito) · escolher sem justificar o sentido (“3.ÂȘ componente ⇒ para cima”) · tirar sem dizer “pois ” · na ĂĄrea da fronteira de um sĂłlido, esquecer uma face — ou contar como face uma curva · esquecer que o cone nĂŁo Ă© regular no vĂ©rtice (e que lĂĄ) · usar em vez de na esfera (o mede-se a partir de ) · juntar um a mais quando a parametrização jĂĄ Ă© em , ou esquecer o quando passas a polares um integral em · assumir que o eixo Ă© sempre — em ou as curvas de nĂ­vel desenham-se em planos · avaliar no ponto em vez de no correspondente · trocar a ordem sem reparar que o sentido da normal muda (fatal nos fluxos da Ficha 2) · nĂŁo simplificar com · no plano tangente, esquecer de subtrair o ponto (, nĂŁo ) · ao traduzir “interior do cone ” trocar o sentido da desigualdade em (, perto do polo norte) · esquecer a raiz em (ĂĄrea ) · ignorar simetrias no centro de massa e perder tempo — mas verificar que a densidade tambĂ©m Ă© simĂ©trica · no esboço, desenhar sĂł a superfĂ­cie sem as curvas de nĂ­vel pedidas e sem indicar vĂ©rtice, eixo e raios.


🌊 2. Operadores Diferenciais, Fluxo e Teorema de Gauss (Ficha 2)

2.1 Gradiente, divergĂȘncia, rotacional e laplaciano

Ideia

Tudo se constrĂłi com o operador simbĂłlico nabla , tratado como se fosse um vetor:

  • “vetor × escalar” → (gradiente): de um escalar faz um vetor — aponta para onde cresce mais depressa (jĂĄ de CDI-II).
  • “produto interno” → (divergĂȘncia): de um vetor faz um escalar — mede quanto o campo “brota” (fonte, ) ou â€œĂ© sugado” (sumidouro, ) num ponto.
  • “produto externo” → (rotacional): de um vetor faz um vetor — mede a rotação local (um pequeno moinho posto no fluido gira Ă  volta de ).
  • (laplaciano): de um escalar faz um escalar.

A pergunta “esta expressĂŁo faz sentido?” (Ficha 2, ex. 1) Ă© sĂł verificar tipos: cada operador sĂł aceita um tipo de entrada.

DefiniçÔes (Teixeira/Borges, §1.3)

Seja escalar e vetorial, de classe num aberto . Em : ; em particular, para , e .

Entrada
escalar vetor✗✗escalar
vetor ✗ (*)escalarvetor✗ (*)

(*) Nesta cadeira o gradiente e o laplaciano aplicam-se sĂł a escalares.

Armadilhas

  • Ordem no rotacional: a 2.ÂȘ componente Ă© (e nĂŁo ). Pelo determinante, o termo do meio leva sinal menos: .
  • de um escalar nĂŁo existe; nĂŁo existe (produto externo sĂł entre dois vetores) — Ficha 2 resolvidos, ex. 1(c).
  • NĂŁo confundir (escalar) com (vetor).

Passos para calcular e

  1. Identificar (simplifica antes: , etc.).
  2. : derivar cada componente na sua prĂłpria variĂĄvel e somar.
  3. : escrever o determinante e expandir pela 1.ÂȘ linha, com cuidado com o sinal do meio.
  4. Verificação råpida: se for um gradiente óbvio (), então .

Quando usar / sinais no enunciado

“Diga se a expressĂŁo tem significado” → tabela de tipos. “Determine o rotacional e a divergĂȘncia” → passos acima. No MAP aparece tipicamente como alĂ­nea de aquecimento (“Calcule ”, MAP1 2025/26, 2a) antes de Stokes/Gauss.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 1)

Seja um campo escalar e um campo vetorial, ambos de classe . Diga se cada expressĂŁo tem significado e, nesse caso, se Ă© um campo vetorial ou escalar: (a) ; (b) ; (c) ; (d) .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 2(b))

Determine o rotacional e a divergĂȘncia de .


2.2 Identidades, campos irrotacionais e solenoidais (incompressĂ­veis)

Ideia

Há duas identidades “de ouro” que dizem que aplicar dois operadores seguidos dá zero:

  • — um campo gradiente nĂŁo roda (Ă© por isso que um campo conservativo Ă© irrotacional).
  • — um campo rotacional nĂŁo tem fontes.

Ambas resultam do Teorema de Schwarz (igualdade das derivadas cruzadas para funçÔes ): os termos cancelam aos pares. Tal como e para vetores.

Identidades (Teixeira/Borges, §1.3; Ficha 2 resolvidos, ex. 3)

Para escalares e vetoriais, com a regularidade necessĂĄria:

FĂłrmulas com , (Ficha 2, ex. 3 e resolvidos ex. 2, 4)

Regra geral: — em particular para .

Classificação de campos

  • irrotacional: (todo o campo gradiente Ă© irrotacional).
  • incompressĂ­vel (ou solenoidal): (todo o rotacional Ă© solenoidal).
  • ConsequĂȘncia Ăștil: se , nĂŁo existe (de classe ) com (Ficha 2 resolvidos, ex. 7). Redige como os professores, por redução ao absurdo: “Vamos supor que existe tal que . EntĂŁo ; mas — absurdo.”
  • Campos tipo sĂŁo sempre irrotacionais; tipo sĂŁo sempre incompressĂ­veis (Ficha 2 resolvidos, ex. 6 e 8).

Armadilhas

  • Em nĂŁo te esqueças do termo (regra do produto!).
  • tem um sinal menos: .
  • nĂŁo estĂĄ definido na origem: "" sĂł vale em (ver 2.7).

Passos para “verificar uma identidade”

  1. Escrever os campos genéricos: , .
  2. Calcular o lado esquerdo componente a componente, aplicando a regra do produto.
  3. Reagrupar os termos (por ) para reconhecer , , do lado direito; fechar com “como se queria mostrar”.
  4. Se a identidade decorre de uma anterior (ex.: a partir de ), invocar a alĂ­nea anterior em vez de repetir contas.
  5. Para funçÔes de : calcular primeiro (e “identicamente” , ) — Ă© assim que as resoluçÔes oficiais fazem , e (res. ex. 2a, 4).

Quando usar / sinais no enunciado

“Verifique se Ă© irrotacional/incompressĂ­vel” → calcula e . “Existe com ?” → calcula a divergĂȘncia; se nĂŁo Ă© zero, a resposta Ă© nĂŁo. Campos com → usa as fĂłrmulas em e a identidade em vez de derivar Ă  bruta.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 3(c) e ex. 4)

(3c) Verifique que , sendo , . (4) Verifique se e sĂŁo irrotacionais e/ou incompressĂ­veis.


2.3 Fluxo de um campo vetorial pela definição

Ideia

Pensa em como a velocidade de um fluido. O fluxo atravĂ©s de Ă© o volume de fluido que atravessa por unidade de tempo, no sentido de uma normal unitĂĄria escolhida (alguns enunciados chamam-lhe ). SĂł a componente normal conta: a parte tangente “escorrega” ao longo de sem a atravessar. Se Ă© constante e plana, fluxo .

O fluxo Ă© um integral de superfĂ­cie do campo escalar . Como e , com (abreviado ), as normas cancelam — fica uma conta sem raĂ­zes.

Fluxo (Teixeira/Borges, §1.4.1)

Seja parametrizada por , , com , e uma normal unitĂĄria contĂ­nua (superfĂ­cie orientĂĄvel). EntĂŁo com sinal se aponta no sentido de pedido e caso contrĂĄrio (nas resoluçÔes: “devemos usar e nĂŁo o seu simĂ©trico ”). GrĂĄfico , com : (aponta para cima). Ex.: dĂĄ . Normal exterior a : .

Normais que convém saber de cor

  • Esfera de raio centrada na origem: (exterior); . Parametrização oficial , , : atenção, aponta para dentro — a exterior Ă© (ou ).
  • Cilindro : ; , (exterior).
  • Cone : , (para cima / “para dentro” do cone).
  • Paraboloide : (para cima = exterior ao sĂłlido por baixo).
  • Planos coordenados: .

O sinal!

O erro n.Âș 1 deste tema Ă© nĂŁo confirmar a orientação. Depois de calcular , testa num ponto (ex.: a 3.ÂȘ componente Ă© positiva? aponta para fora da esfera?). Se aponta ao contrĂĄrio do pedido, troca o sinal do resultado. Trocar a ordem tambĂ©m troca o sinal.

Passos para calcular um fluxo pela definição (método oficial)

  1. Identificar a superfĂ­cie por palavras (tipo, vĂ©rtice/centro, eixo) e o bordo (interseção com o plano que a limita) → isso dĂĄ o domĂ­nio dos parĂąmetros.
  2. Parametrizar : , (gråfico, polares, cilíndricas, esféricas).
  3. Calcular , e (determinante com ).
  4. Comparar com a orientação pedida (3.ÂȘ componente, ponto de teste) e escrever qual se usa: ou .
  5. Substituir: e simplificar a integranda.
  6. Integrar em — se Ă© um cĂ­rculo, polares com jacobiano . Usar mĂ©dias: , .
  7. Se tem vĂĄrias faces, somar os fluxos (cada face com a sua normal exterior; nas faces planas , sem parametrizar).

Quando usar / sinais no enunciado

“Calcule o fluxo
 pela definição” ou superfĂ­cie aberta sem tampa natural e complicada. Se Ă© uma esfera centrada na origem e Ă© radial, nem parametrizes: Ă© constante em .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 5(b))

Calcule o fluxo de através do cone , orientado com a normal com terceira componente positiva.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 5(c))

, com e contĂ­nua; a esfera de raio centrada na origem, orientada com .

Exercício resolvido (Ficha 2 — Resolvidos, ex. 10)

Mostre que é o valor do fluxo do campo através da superfície esférica , orientada segundo a normal exterior.


2.4 Teorema da DivergĂȘncia (Gauss)

Ideia

Ă© o fluxo que sai de um cubo infinitesimal Ă  volta de , por unidade de volume (Teixeira/Borges, §1.4.3): Somando todos os cubinhos de um sĂłlido , os fluxos pelas faces interiores cancelam (o que sai de um entra no vizinho) e sĂł sobra o que atravessa a fronteira exterior. Resultado: “o que Ă© produzido lĂĄ dentro = o que sai pela fronteira”. É o anĂĄlogo 3D do Teorema Fundamental do CĂĄlculo () e do Teorema de Green na forma de fluxo.

Teorema da DivergĂȘncia (Teixeira/Borges, §1.4.2)

HipĂłteses: um domĂ­nio simples (uniĂŁo finita de sĂłlidos elementares — na prĂĄtica: aberto, limitado, com fronteira formada por um nĂșmero finito de superfĂ­cies regulares, i.e. domĂ­nio regular ou quase-regular); de classe num aberto que contĂ©m (inclui a fronteira); a normal unitĂĄria exterior a . EntĂŁo

DomĂ­nios regulares e quase-regulares

  • Regular: aberto e limitado e Ă© uma superfĂ­cie regular (ex.: bola, cuja fronteira Ă© a esfera).
  • Quase-regular: , uniĂŁo finita de superfĂ­cies regulares “coladas” pelos bordos, com arestas/vĂ©rtices (ex.: cone — folha + tampa, singular no vĂ©rtice e na aresta; cilindros, tetraedros, paralelepĂ­pedos).
  • SĂłlido elementar: simultaneamente do tipo , e .

Esboço da demonstração (Teixeira/Borges, §1.4.4)

Basta provar para cada parcela, p.ex. , num sólido : Repetir para (projeção em ) e (projeção em ) e somar. Para sólidos simples, partir em elementares: nas faces comuns e os fluxos cancelam.

Interpretação física

Se Ă© a velocidade de um fluido: — fonte; — sumidouro; em todo o lado — fluido incompressĂ­vel, e entĂŁo o fluxo total atravĂ©s da fronteira de qualquer sĂłlido simples Ă© zero.

Armadilhas

  • Gauss sĂł se aplica a superfĂ­cies fechadas (fronteira de um sĂłlido). SuperfĂ­cie aberta → fechar primeiro (ver 2.5).
  • tem de ser em todo o : se explode num ponto interior (ex.: com a origem dentro), nĂŁo podes aplicar diretamente (ver 2.7).
  • A normal tem de ser a exterior; se o enunciado pede a interior, o resultado troca de sinal.
  • NĂŁo esquecer o jacobiano ( em cilĂ­ndricas, em esfĂ©ricas).

Passos para aplicar Gauss (método oficial)

  1. Confirmar que Ă© fechada e identificar o sĂłlido com ; confirmar que a normal Ă© exterior.
  2. Confirmar que Ă© em (basta dizer "" quando Ă© o caso).
  3. Escrever o teorema na forma que vais usar: , “em que Ă© o sĂłlido dado, a sua fronteira e a normal unitĂĄria exterior”.
  4. Calcular — muitas vezes simplifica brutalmente (termos “feios” como , , desaparecem porque não dependem da variável certa).
  5. Descrever como conjunto, com limites explícitos (), e escolher coordenadas (cilíndricas para paraboloides/cilindros/cones, esféricas para bolas).
  6. Usar simetrias: integrandas Ă­mpares em (ou ) em domĂ­nios simĂ©tricos dĂŁo . Se constante, o integral Ă© — usa a fĂłrmula geomĂ©trica do volume (bola, cone, tronco de cone
).
  7. Calcular o integral triplo.

Quando usar / sinais no enunciado

“Use o Teorema da DivergĂȘncia/de Gauss”, “fluxo atravĂ©s da fronteira/superfĂ­cie do sĂłlido”, “normal exterior”, campos com componentes horrĂ­veis mas cuja divergĂȘncia Ă© simples. Se pedir “pela definição e pelo teorema”, faz as duas e confirma que batem.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 6(b))

Calcule o fluxo de atravĂ©s da fronteira de , segundo a normal exterior, usando a definição de fluxo e o teorema da divergĂȘncia.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 7(e))

Use o teorema da divergĂȘncia para calcular o fluxo de atravĂ©s da superfĂ­cie do sĂłlido formado pela parte do cilindro limitada pelos planos e .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 7(d))

Use o teorema da divergĂȘncia para calcular o fluxo de atravĂ©s da superfĂ­cie da regiĂŁo delimitada pelo paraboloide e pelo plano .

Exercício resolvido (Ficha 2 — Resolvidos, ex. 13)

Use o teorema da divergĂȘncia para calcular , onde Ă© a esfera .


2.5 TĂ©cnica de “fechar a superfĂ­cie” (superfĂ­cies abertas)

Ideia

Muitos exercĂ­cios (e os dois Ășltimos MAP1) dĂŁo uma superfĂ­cie aberta — um hemisfĂ©rio, um pedaço de paraboloide — e pedem o fluxo “usando Gauss”. A ideia: pĂŽr uma tampa (quase sempre um disco plano) para fechar, aplicar Gauss ao sĂłlido, e subtrair o fluxo pela tampa, que Ă© fĂĄcil porque a tampa Ă© plana e a normal Ă© .

FĂłrmula de "fecho"

Se e ambas as normais são exteriores a : A normal pedida em tem de coincidir com a exterior a — se for a interior, troca o sinal no fim. Com duas tampas (tronco de cone, cilindro aberto dos dois lados), e subtraem-se ambas: .

Armadilhas

  • A normal da tampa Ă© a exterior ao sĂłlido, nĂŁo a “do enunciado”: tampa por baixo → ; tampa Ă  esquerda em → .
  • Subtrair, nĂŁo somar: o fluxo pela tampa passa para o outro lado com sinal trocado.
  • Calcular na tampa: substituir a coordenada fixa (, , 
) antes de integrar — muitas vezes fica muito simples (ou nulo).

Passos para “fechar” e aplicar Gauss (mĂ©todo oficial)

  1. Esboçar e identificar o(s) bordo(s) (circunferĂȘncia(s) onde “acaba”).
  2. Escrever ” nĂŁo Ă© uma superfĂ­cie fechada” e introduzir a tampa como conjunto: (uma tampa por cada bordo).
  3. ” jĂĄ Ă© fechada”; seja o sĂłlido com ; verificar que a normal pedida em Ă© exterior a .
  4. Escrever a igualdade completa e isolar :
  5. Calcular e .
  6. Na tampa: escrever exterior (constante), calcular substituindo a coordenada fixa (“uma vez que em ”) e dar o resultado como mĂșltiplo de .
  7. Substituir e concluir.

Quando usar / sinais no enunciado

“Nota: nĂŁo Ă© uma superfĂ­cie fechada”, “use o Teorema de Gauss” para um hemisfĂ©rio/paraboloide/cone sem tampa, ou campos com componentes impossĂ­veis de integrar pela definição (, , 
) que desaparecem na divergĂȘncia.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 8)

Use o teorema da divergĂȘncia para calcular , com , o hemisfĂ©rio superior da esfera e a normal unitĂĄria exterior. Nota: nĂŁo Ă© fechada.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 9)

Seja . Determine o fluxo de através da parte do paraboloide que estå acima do plano , orientada para cima.

ExercĂ­cio resolvido (MAP1 2025/26, 1b)

Considere . Usando o Teorema de Gauss calcule o fluxo exterior do campo através de .

ExercĂ­cio resolvido (MAP1 2024/25, 2b)

Considere e a superfĂ­cie . Calcule o fluxo de atravĂ©s de na direção exterior, usando o Teorema da DivergĂȘncia.


2.6 Volume via Gauss

Ideia

Se escolhermos com , Gauss dá — o volume calcula-se só com informação da fronteira. Escolhas típicas: , , , .

Volume pela fronteira (Ficha 2, ex. 11)

Com e exterior, como : Demonstração: .

Quando usar / sinais no enunciado

“Calcule o volume 
 usando o teorema da divergĂȘncia” ou “mostre que ”. Escolhe o que torna nula a contribuição das faces mais incĂłmodas (ex.: anula-se em faces em e nas faces verticais).

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 10)

Calcule o volume de usando o teorema da divergĂȘncia.


2.7 O campo e a origem dentro do domĂ­nio

Ideia

Ă© o campo de uma carga pontual (ou massa) na origem — lei de Coulomb/gravitação. Fora da origem Ă© incompressĂ­vel (), mas toda a “fonte” estĂĄ concentrada na origem: o fluxo atravĂ©s de qualquer superfĂ­cie fechada que a envolva Ă© . Isto nĂŁo contradiz Gauss, porque nĂŁo Ă© na origem.

Fluxo de (Ficha 3, ex. 6; Ficha 2 resolvidos, ex. 15)

  • , para .
  • Esfera de raio (normal exterior ): , logo (independente de ). Caso : aplicar Gauss a (onde Ă© ): , logo .

Armadilha

” ⇒ fluxo ” Ă© falso se tem uma singularidade dentro do sĂłlido. Verifica sempre o domĂ­nio de antes de aplicar Gauss.

Quando usar / sinais no enunciado

Campos com no denominador. Se a superfície é aberta e o sólido fechado com a tampa não contém a origem (ex.: paraboloide , , tampado em ), Gauss funciona normalmente com e o fluxo é menos o fluxo da tampa (Ficha 2 resolvidos, ex. 15: na tampa , com , ; resultado ).

“Determine sabendo que ” sem calcular a divergĂȘncia → Gauss numa coroa esfĂ©rica (exercĂ­cio abaixo).

Exercício resolvido (Ficha 2 — Resolvidos, ex. 16)

Seja e , com de classe . Sabendo que e , determine sem calcular diretamente.


2.8 Identidades de Green

Ideia

São Gauss aplicado a campos do tipo . Na prática: “integração por partes em 3D” — trocar um integral de volume com laplacianos por um integral de fronteira com derivadas normais. Aparecem como exercícios de “mostre que”.

Identidades (Ficha 2, ex. 12 e 13; resolvidos, ex. 17)

Com , nas condiçÔes do Teorema da DivergĂȘncia ( contido no aberto onde estĂŁo definidas), exterior, e (derivada normal). Para a 1.ÂȘ identidade basta , (Ă© o que garante ); para a 2.ÂȘ, . Resolução oficial (res. ex. 17): (i) aplicar Gauss ao campo ; (ii) calcular componente a componente; (iii) reagrupar em — “o resultado fica, assim, demonstrado”.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 2, ex. 12 e 13)

(12) Demonstre que . (13) Mostre que , onde é a derivada de na direção da normal a .


Erros a evitar neste tema

Trocar o sinal da 2.ÂȘ componente do rotacional () · aplicar a um escalar ou a um vetor · esquecer o termo em · nĂŁo verificar se tem a orientação pedida (testa num ponto!) · trocar a ordem sem trocar o sinal · usar a normal unitĂĄria e esquecer que (ou dividir por quando jĂĄ usaste ) · aplicar Gauss a uma superfĂ­cie aberta sem a fechar · usar na tampa a normal do enunciado em vez da exterior ao sĂłlido · somar o fluxo da tampa em vez de o subtrair · esquecer de substituir a coordenada fixa (, 
) em na tampa · aplicar Gauss com uma singularidade de dentro do sĂłlido ( com dĂĄ , nĂŁo ) · esquecer o jacobiano ou · nĂŁo aproveitar simetrias (termos Ă­mpares em , , , integram a ) · em paraboloides “deitados” () usar cilĂ­ndricas Ă  volta do eixo errado · confundir o “para cima” do paraboloide por baixo do sĂłlido (normal interior) com o exterior · na esfera parametrizada por , usar (interior) em vez de · fechar um tronco de cone/cilindro aberto dos dois lados com uma sĂł tampa · numa coroa esfĂ©rica, esquecer que a normal exterior na esfera interior aponta para a origem · nĂŁo escrever por extenso a escolha ” ou ” nem a igualdade (Ă© o que os professores querem ver).


🌀 3. Teorema de Stokes (Ficha 3)

O que se aprende nesta secção

O Teorema de Stokes troca a circulação de um campo ao longo de uma curva fechada pelo fluxo do rotacional atravĂ©s de qualquer superfĂ­cie que tenha essa curva como bordo. É o Teorema de Green “levantado” para o espaço: Green Ă© o caso particular em que a superfĂ­cie Ă© uma regiĂŁo plana do plano . No MAP1 sai sempre um exercĂ­cio de Stokes (2024/25: circulação num cĂ­rculo plano, confirmada por Stokes; 2025/26: e circulação no bordo de uma semiesfera). O ponto crĂ­tico Ă© quase sempre a orientação: bordo e normal tĂȘm de ser compatĂ­veis (regra da mĂŁo direita). Teoria: Teixeira/Borges, §1.5 (superfĂ­cies orientĂĄveis, bordo, Stokes elementar e generalizado, interpretação fĂ­sica de , potencial vetorial).

3.1 Revisão: integral de linha, trabalho e circulação

Ideia

De CDI-II: o trabalho de um campo de forças ao longo de um caminho soma, ponto a ponto, a componente de tangente ao caminho. Quando o caminho Ă© fechado, chama-se a esse trabalho circulação: mede quanto o campo “empurra” ao longo do circuito (num fluido: se a corrente tende a fazer girar uma rolha ao longo daquela curva). O integral depende do sentido de percurso (inverter o sentido troca o sinal), mas nĂŁo da parametrização escolhida desde que o sentido se mantenha.

Integral de linha de 2.ÂȘ espĂ©cie (trabalho / circulação)

Para seccionalmente regular e contĂ­nuo sobre a curva:

Se é fechado escreve-se (circulação). Se (concatenação), o integral é a soma dos integrais nos troços; .

Passos para parametrizar as curvas típicas de interseção

  1. Cilindro plano (ex.: , ): projeta no plano (Ă© a circunferĂȘncia), , , e tira da equação do plano: . Com a crescer de a , a curva Ă© percorrida no sentido anti-horĂĄrio visto de cima.
  2. Cilindro nĂŁo centrado : completa o quadrado, , logo , .
  3. Esfera plano coordenado (bordo de uma semiesfera): Ă© uma circunferĂȘncia nesse plano; usa os dois eixos do plano por uma ordem que dĂȘ o sentido pedido (ver 3.2).
  4. Polígonos (triùngulos, arestas de um cubo): segmento de para : , ; soma os troços.
  5. Calcula , , o produto interno e integra. Usa as médias em : , , e .

O sentido entra no sinal

“Calcule a circulação” sem sentido indicado (MAP1 2024/25) significa: escolhe tu um sentido, declara-o e mantĂ©m-no coerente com a normal na parte de Stokes. Mudar o sentido a meio troca o sinal e o resultado deixa de bater certo.

3.2 Superfícies orientåveis, bordo e orientação compatível

Ideia

Para falar de “fluxo atravĂ©s de ” Ă© preciso escolher, de forma contĂ­nua, um dos dois lados de — uma orientação. A banda de Möbius Ă© o exemplo clĂĄssico de superfĂ­cie onde isto Ă© impossĂ­vel (ao percorrĂȘ-la, a normal volta ao ponto de partida virada ao contrĂĄrio). O bordo Ă© a “orla” da superfĂ­cie: a curva onde ela acaba (a borda de uma taça, o equador de uma semiesfera). Stokes exige que o sentido em que se percorre o bordo e a normal escolhida estejam “de acordo”: Ă© a regra da mĂŁo direita.

DefiniçÔes (Teixeira/Borges, §1.5.1–1.5.2)

  • Ă© orientĂĄvel se existe um campo contĂ­nuo de normais unitĂĄrias; define uma orientação. SĂŁo orientĂĄveis: superfĂ­cies de nĂ­vel com (), grĂĄficos () e superfĂ­cies com parametrização ().
  • SuperfĂ­cie elementar: dada por uma Ășnica parametrização injetiva , de classe , com uma curva de Jordan seccionalmente regular. O bordo Ă© , parametrizado por .
  • Sentido compatĂ­vel: o bordo tem sentido compatĂ­vel com a orientação induzida por (isto Ă©, ) se percorre no sentido direto (anti-horĂĄrio no plano ).
  • Regra da mĂŁo direita: polegar no sentido de os outros dedos dĂŁo o sentido de . Equivalente: quem caminha sobre o bordo, com a cabeça do lado de , tem a superfĂ­cie Ă  esquerda.
  • SuperfĂ­cies nĂŁo elementares (ex.: cilindro , ): partem-se em pedaços elementares ; os troços de bordo partilhados sĂŁo percorridos em sentidos opostos e cancelam. O bordo Ă© o que sobra (pode ter vĂĄrias curvas — cadeia).

Passos para decidir o sentido compatĂ­vel

Caminho oficial (via parametrização, Ficha 3 — Resolvidos, ex. 5 e 6): parametriza por ; se tem o sentido pedido, o bordo compatĂ­vel Ă© com a percorrer no sentido direto; caso contrĂĄrio usa-se e no sentido inverso. Os passos seguintes (mĂŁo direita, “visto de cima”) sĂŁo o atalho geomĂ©trico para confirmar e para escrever a frase de justificação.

  1. Escolhe/identifica a normal pedida (sinal de uma componente: “3.ÂȘ componente positiva”, “exterior”, 
).
  2. VĂȘ de que lado olhar: olha da ponta de (de onde aponta). Visto daĂ­, o bordo compatĂ­vel roda no sentido anti-horĂĄrio.
  3. Regras prĂĄticas a decorar:
    • normal com 3.ÂȘ componente positiva bordo anti-horĂĄrio visto de cima ();
    • normal com 3.ÂȘ componente negativa horĂĄrio visto de cima ();
    • normal : anti-horĂĄrio visto de : (ordem , porque );
    • normal : anti-horĂĄrio visto de : ordem (porque ): . A resolução oficial (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 3(a), esfera de raio 2, ) usa a forma equivalente — “sentido direto quando vista do ponto ”.
  4. Confirma com o teste do produto vetorial: num ponto do bordo, com a tangente e um vetor que aponta de para dentro da superfĂ­cie, deve ter-se com o sentido de .
  5. SuperfĂ­cie com dois bordos (coroa, tronco de cilindro/paraboloide): as duas circunferĂȘncias sĂŁo percorridas em sentidos opostos (vistas do mesmo lado).

Normal da parametrização ≠ normal pedida

Ă© uma normal; se a pedida Ă© a oposta, ou usas no fluxo, ou inverte-se o sentido do bordo. Verifica sempre o sinal da componente pedida antes de integrar (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 6: a normal pedida era a de 3.ÂȘ componente negativa, logo o bordo do domĂ­nio foi percorrido “ao contrĂĄrio”).

3.3 O Teorema de Stokes

Ideia

Divide numa malha de pequenos “quadradinhos”. A circulação de Ă  volta de cada quadradinho Ă© (Ă© isso que o rotacional mede — ver 3.6). Somando todos os quadradinhos, os lados interiores sĂŁo percorridos duas vezes, em sentidos opostos, e cancelam; sobra sĂł a circulação ao longo da orla . Logo: soma das “rotaçÔes” microscĂłpicas lĂĄ dentro circulação macroscĂłpica na borda. É a mesma lĂłgica de Gauss (fontes lĂĄ dentro fluxo pela fronteira), uma dimensĂŁo abaixo.

Teorema de Stokes (Teixeira/Borges, §1.5.3–1.5.4)

Seja de classe num aberto e uma superfĂ­cie orientĂĄvel (elementar, ou uniĂŁo finita de superfĂ­cies elementares justapostas pelos bordos) com , orientada pela normal unitĂĄria . EntĂŁo

onde é percorrido no sentido compatível com (mão direita). Lembra: . Com uma parametrização compatível: .

Caso particular: Green

Se Ă© uma regiĂŁo do plano com e , entĂŁo e Stokes dĂĄ — o Teorema de Green de CDI-II. A demonstração de Stokes (no livro) faz exatamente isto: puxa tudo para o domĂ­nio da parametrização e aplica Green lĂĄ.

Passos para aplicar Stokes (ordem das resoluçÔes oficiais)

  1. Verifica e escreve as hipĂłteses numa frase: ” Ă© de classe em (numa vizinhança de ) e Ă© uma superfĂ­cie orientĂĄvel” — atenção a singularidades, ex. na origem. Nos bordos por troços: “o bordo Ă© uma curva de Jordan seccionalmente regular”.
  2. Escreve a igualdade de Stokes com a orientação: , “com orientado de forma compatível com ”.
  3. Identifica o bordo como interseção (escreve o sistema), projeta no plano e tira da outra equação.
  4. Fixa a orientação compatĂ­vel (3.2) — escreve-a por palavras (“sentido direto quando vista de cima”) e, de preferĂȘncia, faz um esboço.
  5. Escolhe o lado mais fĂĄcil:
    • se (calculado por determinante) Ă© simples calcula o fluxo numa superfĂ­cie conveniente (Molde B);
    • se restrito ao bordo Ă© simples (bordo plano, componentes que se anulam) calcula a circulação (Molde A).
  6. Calcula escrevendo como produto de dois vetores explĂ­citos; no fim, confirma o sinal pela regra da mĂŁo direita.

Quando usar / sinais no enunciado

“Use o teorema de Stokes para calcular ” normalmente Ă© para trocar por circulação (ou por fluxo noutra superfĂ­cie). “Calcule ” com = interseção de duas superfĂ­cies e feio calcula , que costuma ficar simples, e integra numa superfĂ­cie plana com bordo . “Confirme com Stokes” (MAP1 2024/25) faz as duas contas e verifica que coincidem. “Trabalho ao longo de ” circulação.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 3, ex. 1)

Considere e a superfície igual ao hemisfério , , orientada de forma a que o seu vetor normal tem segunda componente positiva. Calcule o fluxo do através de utilizando (a) a definição de fluxo; (b) o teorema de Stokes.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 3, ex. 2(b))

Use o teorema de Stokes para calcular , sendo o hemisfério , , com a normal de primeira componente positiva, e

Exercício resolvido (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 5)

Seja a superfície parametrizada por , com . Calcule o fluxo do rotacional de através de na direção da normal com terceira componente positiva, utilizando (a) a definição de fluxo; (b) o teorema de Stokes.

3.4 Estratégias: trocar de superfície, trocar de lado, rotacional nulo

Ideia

O lado direito de Stokes () sĂł depende do bordo. Logo o lado esquerdo tambĂ©m: o fluxo de Ă© o mesmo atravĂ©s de todas as superfĂ­cies com o mesmo bordo e orientação compatĂ­vel. Na prĂĄtica: uma semiesfera, um paraboloide e um disco com a mesma orla dĂŁo o mesmo fluxo do rotacional — escolhe o disco (normal constante, ĂĄrea conhecida). É o anĂĄlogo de “o trabalho de um campo gradiente nĂŁo depende do caminho”.

ConsequĂȘncias de Stokes

  1. IndependĂȘncia da superfĂ­cie: se com orientaçÔes compatĂ­veis com o mesmo sentido, entĂŁo .
  2. Rotacional nulo: se numa regiĂŁo que contĂ©m uma superfĂ­cie com bordo , entĂŁo (“fluido irrotacional”).
  3. Superfície fechada (: esfera, superfície de um sólido): . Duas provas: (i) corta a superfície em duas metades — os bordos são a mesma curva percorrida em sentidos opostos e cancelam; (ii) por Gauss, .
  4. Rotacional constante e superfície plana com normal unitária : . A circulação depende só da área delimitada pela curva, não da forma (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 7: para qualquer curva no plano ).

Passos para a estratĂ©gia “troca de superfĂ­cie”

  1. Identifica o bordo da superfĂ­cie dada.
  2. Escolhe uma superfĂ­cie plana com o mesmo bordo (disco, elipse num plano, triĂąngulo).
  3. Orienta de modo que tenha o mesmo sentido (ex.: semiesfera superior com normal “para cima” disco com ).
  4. Calcula em (num plano , sĂł interessa a 3.ÂȘ componente do rotacional) e integra.
  5. Alternativa simĂ©trica: substituir por fechada e usar Gauss com (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 6(b)).

Disco plano num plano inclinado

Num plano (ex. ) a normal nĂŁo Ă© e a ĂĄrea da elipse nĂŁo Ă© a do cĂ­rculo projetado. Usa a parametrização : e jĂĄ vem “embutido” — integras sobre a projeção no plano .

Quando usar / sinais no enunciado

Semiesfera, paraboloide, “taça” ou cubo sem base com bordo plano troca pela tampa plana. constante fluxo (rot n) ĂĄrea. resposta (verifica a regiĂŁo!). SuperfĂ­cie fechada . MAP1 2025/26: “bordo da semiesfera , , circulação de por Stokes”: e no disco com o integrando Ă© circulação .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 3, ex. 3(a))

Use o teorema de Stokes para calcular , em que é a curva obtida a partir da interseção do cilindro com o plano , percorrida no sentido anti-horårio quando vista de cima, e .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 3, ex. 3(b))

Use o teorema de Stokes para calcular , em que é a curva de interseção do plano com o cilindro , percorrida no sentido direto quando vista de cima, e .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 3, ex. 4(b))

Calcule o trabalho realizado pelo campo ao longo da curva parametrizada por , .

3.5 Bordos poligonais e por troços (triùngulo, cubo sem base, quarto de cilindro)

Ideia

Nem todo o bordo Ă© uma circunferĂȘncia. Quando Ă© feito de segmentos ou arcos (um triĂąngulo, as arestas de baixo de um cubo, os quatro lados de um bocado de cilindro), o bordo Ă© uma curva seccionalmente regular: parametriza-se cada troço, soma-se, e a orientação compatĂ­vel tem de ser coerente ao longo de todos os troços (o fim de um Ă© o inĂ­cio do seguinte). Muitas vezes, porĂ©m, o rotacional resolve tudo sem tocar nos troços.

Segmentos e concatenação

Segmento de para : , (ou outra parametrização linear qualquer, ex. , ). Se , entĂŁo , e se percorre ao contrĂĄrio, . Plano por trĂȘs pontos: normal , equação .

Passos para bordos por troços (Molde D)

  1. Esboça e o bordo; marca as setas no sentido compatível (normal exterior num “cubo sem base” as arestas da base percorridas no sentido direto visto de cima).
  2. Lista as parametrizaçÔes com os intervalos; assinala as que percorres ao contrĂĄrio (“de ”).
  3. Em cada troço, só contam as componentes de associadas às coordenadas que variam (num segmento paralelo ao eixo , só ).
  4. Soma e procura cancelamentos.
  5. Atalho (não é o caminho da resolução oficial, mas serve para confirmar): troca pela superfície plana com o mesmo bordo (a base do cubo com ) ou repara se em .

Exercício resolvido (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 4)

Use o teorema de Stokes para calcular , onde é o triùngulo de vértices , , , percorrido no sentido positivo quando visto do ponto , e .

Exercício resolvido (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 2(c))

Usando o teorema de Stokes, calcule , onde é formada pelo topo e pelos quatro lados (não inclui a base) do cubo de vértices , é a normal unitåria exterior ao cubo e .

Exercício resolvido (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 3(b))

Utilizando o teorema de Stokes, transforme num integral de linha e calcule-o, sendo , a normal com componente em positiva e .

3.6 Interpretação física do rotacional

Ideia

PÔe uma pequena roda de pås num fluido com velocidade , centrada em , com o eixo segundo . A roda gira tanto mais quanto maior a circulação de à volta dela. Stokes diz que essa circulação, por unidade de årea, tende para . Logo: aponta segundo o eixo em torno do qual o fluido roda mais e a sua norma mede quão depressa roda (para um corpo rígido em rotação com velocidade angular , ).

Rotacional como densidade de circulação (Teixeira/Borges, §1.5.5)

Sejam discos de raio centrados em , todos com normal unitĂĄria , e as circunferĂȘncias com sentido compatĂ­vel. Se :

O måximo obtém-se com , e vale . Fluido irrotacional: em circulação nula ao longo do bordo de qualquer disco (superfície) contido em .

Irrotacional nĂŁo Ă© "nĂŁo gira em cĂ­rculos"

tem fora do eixo e, no entanto, a circulação na circunferĂȘncia unitĂĄria Ă© . NĂŁo hĂĄ contradição: nenhuma superfĂ­cie com esse bordo evita o eixo , onde nĂŁo Ă© — Stokes nĂŁo se aplica. Antes de concluir “rot circulação ”, confirma que Ă© numa superfĂ­cie que tenha a curva como bordo.

Exercício resolvido (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 8)

Seja uma superfĂ­cie e um campo vetorial de classe ortogonal a (ou seja, para todo o ). Mostre que Ă© um campo vetorial tangente a em qualquer ponto .

3.7 Stokes e Gauss juntos: superfĂ­cies abertas, fechadas e o campo

Ideia

Para o fluxo de um rotacional através de uma superfície aberta hå duas portas: (i) Stokes (vai para o bordo), (ii) fechar com tampas e usar Gauss com (o fluxo de por é menos o fluxo pelas tampas). Para campos com uma singularidade (como o campo gravítico/elétrico de uma carga pontual, ) Gauss só se aplica depois de isolar o ponto mau com uma pequena esfera.

Exercício resolvido (Ficha 3 — Resolvidos, ex. 6)

Considere e . Calcule o fluxo do rotacional de atravĂ©s de , segundo a normal com terceira componente negativa, usando (a) o teorema de Stokes; (b) o teorema da divergĂȘncia.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 3, ex. 6)

Sejam , e um domínio nas condiçÔes do Teorema de Gauss. Mostre que o fluxo do campo através de (normal exterior) é zero quando a origem estå no exterior de . Qual serå o valor desse fluxo quando contiver a origem no seu interior?

3.8 Potencial vetorial

Ideia

Stokes sĂł calcula fluxos de campos que sĂŁo rotacionais. Se um campo se puder escrever , entĂŁo o fluxo de atravĂ©s de passa a ser a circulação de no bordo. É o anĂĄlogo, uma “ordem acima”, do potencial escalar ( trabalho ). Exemplo fĂ­sico: o campo magnĂ©tico .

Potencial vetorial (Teixeira/Borges, §1.5.7)

Ă© um potencial vetorial de em se em .

  • Condição necessĂĄria: (com ; Schwarz). NĂŁo Ă© suficiente em geral (ex.: em ).
  • SuficiĂȘncia em domĂ­nios em estrela: se Ă© aberto em estrela (relativamente Ă  origem), e , entĂŁo existe com , por exemplo
  • NĂŁo unicidade: se , entĂŁo tambĂ©m serve, porque . Escolhendo bem, pode-se sempre impor e resolver o sistema
  • Uso: .

Passos para encontrar

  1. Verifica (e que o domĂ­nio Ă© em estrela, ex.: ).
  2. Integra em : , .
  3. ImpĂ”e a 3.ÂȘ equação para escolher (muitas vezes basta).
  4. Confirma calculando .

3.9 ExercĂ­cio tipo MAP1

ExercĂ­cio resolvido (MAP1 2024/25, ex. 1)

Seja a curva dada pela interseção do cilindro com o plano . Considere . (a) Escolha uma orientação para e, usando uma parametrização correspondente, calcule a circulação . (b) Determine uma superfície com e, usando o Teorema de Stokes, confirme a resposta da alínea anterior.

Erros a evitar neste tema

Escolher a normal pedida e depois percorrer o bordo no sentido errado (ou vice-versa) — verifica sempre com a mĂŁo direita ou o teste · usar sem confirmar o sinal da componente pedida · trocar o sentido em superfĂ­cies com normal ou (ordens corretas: e ) · em superfĂ­cies com dois bordos, percorrer as duas circunferĂȘncias no mesmo sentido · esquecer troços do bordo em superfĂ­cies por pedaços (cubo sem base, quarto de cilindro) ou, ao contrĂĄrio, contar arestas interiores que cancelam · aplicar Stokes/Gauss com singular dentro da regiĂŁo (, ) · concluir “rot circulação ” sem uma superfĂ­cie onde seja · ao trocar uma semiesfera pelo disco, usar uma normal incompatĂ­vel com o mesmo bordo · num plano inclinado , usar ou a ĂĄrea do cĂ­rculo projetado sem o fator de · erros de sinal no rotacional — escreve sempre · esquecer que (e nĂŁo ) · tentar calcular com termos exĂłticos quando o bordo os anula · pensar que chega para haver potencial vetorial em qualquer domĂ­nio (sĂł em estrela) · nĂŁo indicar a orientação escolhida quando o enunciado a deixa livre.


📈 4. EDOs de 1.ÂȘ Ordem: Lineares, SeparĂĄveis e Mudanças de VariĂĄvel (Ficha 4)

Mapa do bloco

Este bloco Ă© sempre uma pergunta inteira do MAP1 (~7 valores): dĂŁo-te uma EDO escalar de 1.ÂȘ ordem, muitas vezes nĂŁo-linear, e uma substituição sugerida (, , , 
). Tens de (1) verificar/fazer a mudança de variĂĄvel, (2) resolver a EDO resultante (linear ou separĂĄvel), (3) desfazer a mudança, (4) impor a condição inicial e (5) indicar o intervalo mĂĄximo de existĂȘncia. SaĂ­ram: 2024/25 — homogĂ©nea com ; 2025/26 — logĂ­stica com . SĂł hĂĄ duas EDOs que sabes resolver “à mĂŁo”: a linear (fator integrante) e a separĂĄvel (primitivar dos dois lados). Todas as outras tĂ©cnicas (Bernoulli, Riccati, logĂ­stica, homogĂ©nea, ) sĂŁo mudanças de variĂĄvel que te levam a uma destas duas.

4.1 Conceitos base: ordem, linearidade, solução, PVI

Ideia

Uma EDO Ă© uma relação entre uma função desconhecida e as suas derivadas. “Resolver” Ă© encontrar funçÔes, nĂŁo nĂșmeros. Tal como em CDI-I, resolve-se primitivando — e aparece logo uma constante arbitrĂĄria : a solução geral Ă© uma famĂ­lia a um parĂąmetro de curvas. A condição inicial escolhe uma curva da famĂ­lia (Ă© o “ponto de partida” de uma trajetĂłria).

DefiniçÔes (Teixeira/Borges, §1.1)

  • Ordem de uma EDO = ordem da derivada mais alta que aparece. Ex.: Ă© de 2.ÂȘ ordem.
  • EDO de 1.ÂȘ ordem em forma normal: .
  • É linear se pode ser escrita como isto Ă©, e aparecem sĂł Ă  potĂȘncia 1, sem produtos , sem , , , , 
 (os coeficientes podem ser quaisquer funçÔes de ). É homogĂ©nea se .
  • Solução num intervalo aberto : função diferenciĂĄvel em tal que para todo o . Uma solução vive sempre num intervalo (nĂŁo numa uniĂŁo de intervalos).
  • Problema de valor inicial (PVI) / de Cauchy:
  • Intervalo mĂĄximo de existĂȘncia : o maior intervalo aberto, contendo , onde existe solução do PVI; qualquer outro intervalo onde exista solução estĂĄ contido nele.

"Linear" refere-se Ă  incĂłgnita, nĂŁo a

é linear (em ): o e o a multiplicar são coeficientes. Jå não é (tem ). Também é linear (homogénea) e separåvel ao mesmo tempo.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 1)

Diga qual das seguintes equaçÔes é linear: (a) ; (b) .

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 1)

Indique a ordem de e verifique que , , é solução. Determine tais que , .

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 2)

Determine a solução do problema de valor inicial com .

4.2 Intervalo mĂĄximo de existĂȘncia — a receita do MAP

Ideia

A fĂłrmula que obtĂ©ns para pode estar definida em vĂĄrios pedaços de , mas uma solução Ă© uma função num sĂł intervalo, que tem de conter o instante inicial . A solução “morre” quando (i) a fĂłrmula deixa de fazer sentido (divisĂŁo por zero, raiz de negativo, log de nĂŁo-positivo — a solução explode ou deixa de existir), ou (ii) a solução chega a um ponto onde a prĂłpria EDO nĂŁo estĂĄ definida (ex.: a EDO tem ou ). Nas lineares Ă© ainda mais simples: a solução vive em todo o intervalo onde e sĂŁo contĂ­nuos.

Teorema (existĂȘncia e unicidade para lineares, Teixeira/Borges §1.2.2)

Se sĂŁo contĂ­nuas num intervalo aberto e , entĂŁo para qualquer o PVI , tem solução Ășnica, definida em todo o : Para nĂŁo-lineares nĂŁo hĂĄ garantia global: a solução pode explodir em tempo finito (ex.: , ).

Passos para determinar (como nas resoluçÔes oficiais)

  1. Domínio de diferenciabilidade da solução — escreve-o como os professores: "", com denominadores , radicandos de raízes pares (estritamente, se a raiz está num denominador ou se no ponto-fronteira a EDO deixa de estar definida), argumentos de , longe de . Simplifica (união de intervalos abertos).
  2. Confirma as restriçÔes da EDO: onde estĂŁo definidos (e sĂŁo contĂ­nuos) os coeficientes / ? (, , , .) Nas resoluçÔes oficiais estas restriçÔes aparecem logo no inĂ­cio (“Para , a equação pode ser escrita na forma 
”) e normalmente jĂĄ estĂŁo contidas em ; se nĂŁo estiverem, retira-as de .
  3. Concluir com a frase oficial: “O intervalo mĂĄximo de solução Ă© o maior intervalo tal que . Conclui-se que ”
  4. (Verificação, só para ti) Nas pontas finitas de deve acontecer algo: , ou sai do domínio da EDO. Se nada acontece, provavelmente cortaste de mais.

Armadilhas tĂ­picas

  • Responder com uma uniĂŁo de intervalos (): errado — Ă© sempre um Ășnico intervalo.
  • Esquecer as restriçÔes da EDO original: em a solução nĂŁo pode tocar nem , mesmo que a fĂłrmula final continue definida lĂĄ.
  • Nas lineares, o intervalo Ă© o de continuidade dos coeficientes — a fĂłrmula final pode estar definida em mais sĂ­tios (ex.: Ficha 4, 3(d)), mas o PVI sĂł Ă© pedido no intervalo dos coeficientes.

Sinais no enunciado

“indicando o seu intervalo mĂĄximo de existĂȘncia”, “intervalo aberto maximal onde estĂĄ definida a solução”, "". Saiu no MAP 2024/25 (no de 2025/26 pediu-se o limite e o esboço). Escreve sempre o raciocĂ­nio “O domĂ­nio de diferenciabilidade de Ă© ; o intervalo mĂĄximo Ă© o maior intervalo tal que ” — Ă© literalmente o que as resoluçÔes oficiais fazem (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 5, 10, 11).

4.3 EDO linear de 1.ÂȘ ordem — fator integrante

Ideia

O lado esquerdo “quase” Ă© a derivada de um produto. Se o multiplicarmos por uma função com , fica exatamente — regra do produto ao contrĂĄrio. Depois basta primitivar. É o mesmo truque de “completar” uma derivada; Ă© a Ășnica escolha que funciona, e nunca se anula (logo multiplicar por nĂŁo altera as soluçÔes).

Fórmula (Teixeira/Borges §1.2.2; Magalhães §1.2)

Para , com contĂ­nuas num intervalo :

  • Caso homogĂ©neo (): , (inclui ).
  • Estrutura: .

Passos para resolver uma EDO linear (molde oficial)

  1. PĂŽr na forma normal : dividir pelo coeficiente de (atenção ao sinal de !) e escrever onde a divisĂŁo Ă© vĂĄlida (“Para , a equação pode ser escrita na forma 
 (1)”). Anotar onde sĂŁo contĂ­nuas.
  2. Fator integrante, deduzido como nas resoluçÔes: (sem constante; podes tirar os módulos dentro de um intervalo onde o sinal é fixo).
  3. “Multiplicando ambos os membros de (1) por obtemos” .
  4. Primitivar: (não esqueças o aqui, antes de dividir).
  5. Dividir por e escrever "" (= solução geral). Se houver PVI, impor para obter .
  6. = maior intervalo com onde e sĂŁo contĂ­nuas.
  • Atalho (tambĂ©m usado na Ficha 4 — Resolvidos, ex. 6): se reconheceres logo que o 1.Âș membro Ă© , salta os passos 2–3.

Erros clĂĄssicos

  • Usar com do lado errado (se a equação estĂĄ como , entĂŁo na forma normal o coeficiente Ă© ).
  • PĂŽr a constante sĂł no fim (): errado, o fica dividido por .
  • Primitivas de e — rever.

Quando usar

A equação Ă© de grau 1 em e . Se aparecer alĂ©m de → Bernoulli (§4.5). Se for (homogĂ©nea) tambĂ©m podes separar variĂĄveis.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 2(d))

Determine a solução geral de , .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 2(f) e 3(d))

(a) Determine a solução geral de . (b) Resolva o PVI com .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 3(b))

Resolva , .

Exercício resolvido (Ficha 4, ex. 3(e)) — coeficiente por ramos

Resolva , , com .

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 4) — PVI linear

Determine a solução do problema de valor inicial , .

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 6) — derivada de um produto e limite

Encontre as soluçÔes da equação no intervalo . Mostre que só hå uma solução tal que é finito e indique um problema de valor inicial que tenha essa solução.

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 7) — equação integral

Obtenha a solução da equação .

4.4 EquaçÔes separåveis

Ideia

Se , consegues “pĂŽr tudo o que Ă© de um lado e tudo o que Ă© do outro”: . Formalmente Ă© a regra da cadeia: se , entĂŁo , e primitiva-se. A solução sai muitas vezes implĂ­cita () — o grĂĄfico da solução Ă© uma curva de nĂ­vel de .

Equação separåvel (Teixeira/Borges §1.2.3; Magalhães §1.3)

  • SoluçÔes de equilĂ­brio: cada zero de dĂĄ uma solução constante , que a divisĂŁo por perde. TĂȘm de ser listadas Ă  parte.
  • Teorema (existĂȘncia local, Teixeira/Borges): se com contĂ­nuas perto de e , o PVI tem solução Ășnica perto de , dada implicitamente por (Ă© o teorema da função implĂ­cita: ).

Passos para resolver uma separĂĄvel (molde oficial)

  1. “A equação pode ser escrita na forma” (fatorizar! ex.: ).
  2. Zeros de → soluçÔes constantes, ditas por escrito: “Para (podemos excluir este caso visto que Ă© solução constante que nĂŁo verifica a condição inicial)
”; sem condição inicial, “Note-se que Ă© tambĂ©m solução”. Se alguma satisfizer a condição inicial, Ă© essa a solução (por unicidade).
  3. Dividir por e primitivar dos dois lados: (fraçÔes simples, por partes, substituição
).
  4. Explicitar (com : , ); com raĂ­zes, escrever as duas famĂ­lias — isto Ă© a solução geral.
  5. Condição inicial: escolher o ramo (, , etc.) compatível com e calcular (“Dado que conclui-se que ”). Se não der para explicitar, deixar implícita.
  6. (receita §4.2: , depois o maior intervalo com ).

Armadilhas

  • Esquecer as soluçÔes constantes (ex.: em , e ).
  • com ; juntando , fica .
  • Ao tirar a raiz, escolher o sinal pela condição inicial.

Sinais no enunciado

igual a um produto de algo em por algo em ; equaçÔes autĂłnomas (logĂ­stica!); “na forma implĂ­cita”.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 9)

Considere a equação separåvel . Determine a solução (na forma implícita) que satisfaz .

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 10) — separável com

Determine a solução de com e o seu intervalo måximo.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 8) — "todas as soluçÔes"

Determine todas as soluçÔes das equaçÔes: (a) ; (b) .

Exercício resolvido (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 9) — raiz e escolha de sinal

Calcule a solução do problema de valor inicial , .

Aplicação: decaimento radioativo e meia-vida

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 4)

No instante a quantidade de material radioativo Ă© , e , . (a) Encontre . (b) Calcule a meia-vida (tempo para se reduzir a metade) e note que nĂŁo depende de .

4.5 Equação de Bernoulli —

Ideia

Ă© “linear + um termo potĂȘncia”. Se dividirmos por , aparecem e — e Ă©, a menos de constante, a derivada de . Logo, em termos de , a equação fica linear.

Bernoulli (Ficha 4, ex. 5(c))

Com : , ou seja ( jå é linear; é linear homogénea.) Se , é também solução (perdida pela substituição).

Passos (molde oficial — Ficha 4 — Resolvidos, ex. 5)

  1. Identificar (a potĂȘncia “intrusa” de ). “Seguindo a sugestĂŁo, fazemos ” (o enunciado costuma dar: âŸč ; âŸč ; âŸč ).
  2. Derivar a substituição: “pelo que ”.
  3. Multiplicar a equação inteira por (tal como estå no enunciado, sem a pÎr primeiro na forma ) e identificar termo a termo: , , . Fica uma equação em sem .
  4. Dividir pelo coeficiente de (“Dividindo por e rearranjando os termos, obtĂ©m-se a equação linear nĂŁo homogĂ©nea (3)”) e resolver a linear em (fator integrante).
  • Atalho equivalente: isolar primeiro e substituir em — dĂĄ o mesmo, mas na prova segue a ordem acima, que Ă© a das resoluçÔes.
  1. Desfazer: — atenção a quando a potĂȘncia Ă© par (ex.: ). Sinal pela condição inicial.
  2. : domínio da EDO ∩ (se houver raiz) ∩ intervalo com .

Armadilhas

  • : o sinal Ă© o de ; e precisas de estritamente.
  • Esquecer que a EDO original pode ter — dividir por exige .

Sinais no enunciado

Um termo em somado a uma parte linear. “Efetuando a mudança de variável ”.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 5(a)(b))

Considere . (a) Determine a solução geral com . (b) Determine a solução com e o seu intervalo mĂĄximo de existĂȘncia.

4.6 Equação de Riccati — conhecida uma solução particular

Ideia

(quadrĂĄtica em ) nĂŁo tem mĂ©todo direto. Mas se adivinharmos/conhecermos uma solução , a diferença satisfaz uma Bernoulli com (o termo cancela porque jĂĄ “absorve” a parte nĂŁo-homogĂ©nea). Depois, torna-a linear.

Riccati

e depois : (linear).

Passos

  1. Verificar que é solução (substituir).
  2. PÎr , expandir , cancelar usando a equação de .
  3. Bernoulli : , resolver a linear.
  4. (mais a solução , correspondente a ).

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 7)

Considere . (a) Mostre que é solução sse é solução de uma certa equação de Bernoulli. (b) Determine a solução de (1).

4.7 Equação logística —

Ideia

Crescimento populacional com recursos limitados: . Para pequeno, (exponencial); quando (capacidade de carga) o crescimento trava. É separĂĄvel (autĂłnoma) e Ă© Bernoulli com ; a substituição torna-a linear de coeficientes constantes. EquilĂ­brios: (instĂĄvel) e (estĂĄvel).

LogĂ­stica (duas formas usadas)

(São a mesma equação com , ; capacidade de carga .) Solução com :

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 8)

(a) Mostre que transforma em . (b) Obtenha .

Exercício resolvido extra (MAP1 2025/26, ex. 3) — 7 valores

Considere a equação logística , . (a) Usando , mostre que (1) pode ser escrita como . (b) Resolva (2). (c) Usando a solução, calcule e represente algumas soluçÔes de (1) para .

4.8 EquaçÔes homogĂ©neas —

Ideia

Se o 2.Âș membro sĂł depende do quociente , entĂŁo o declive das soluçÔes Ă© constante ao longo de cada reta pela origem (simetria por homotetias). A variĂĄvel natural Ă© (“declive da reta pela origem”), e a EDO fica separĂĄvel em . (Atenção: “homogĂ©nea” aqui Ă© outro sentido, nada a ver com “linear homogĂ©nea”.)

Equação homogénea (Magalhães §1.4)

Ă© homogĂ©nea se , ou seja . Com : Os zeros de dĂŁo soluçÔes (retas). Teste prĂĄtico: se numerador e denominador sĂŁo polinĂłmios do mesmo grau total em todos os termos (ex.: — tudo de grau 4), Ă© homogĂ©nea: divide em cima e em baixo por .

Passos

  1. Escrever em função de (dividir num. e den. por ).
  2. Substituir ; isolar .
  3. Separar e integrar; desfazer .
  4. Condição inicial, depois com as restriçÔes da EDO original (, denominadores).

Exercício resolvido extra (MAP1 2024/25, ex. 3, equação do enunciado) — 7 valores

Considere a EDO não-linear . (a) Determine a solução geral com . (b) Calcule a solução que verifica e indique o intervalo aberto maximal onde estå definida.

A solução oficial publicada do MAP 2024/25 resolve uma variante

O PDF de soluçÔes resolve , (e nĂŁo a equação do enunciado acima). O mĂ©todo e a apresentação sĂŁo os mesmos — e sĂŁo o modelo do que conta como resposta completa:

  1. “Sendo , então .” Por outro lado, , de onde .
  2. “e depois a EDO separável” ; “por integração temos a solução geral” .
  3. “De obtĂ©m-se . Logo a solução particular que verifica a condição inicial dada Ă©â€ (no PDF aparece, por gralha, ).
  4. “Considerando a parte do domĂ­nio desta solução que contĂ©m obtemos” — intervalo aberto: em a fĂłrmula ainda estĂĄ definida, mas e a EDO tem no denominador.

Repara que a resposta oficial Ă© curta: substituição → separĂĄvel → solução geral → → com uma frase de justificação. Mas na tua prova escreve a frase completa do (o e “maior intervalo com ”), como nas fichas resolvidas.

4.9 Substituição

Ideia

Se , o 2.Âș membro sĂł depende de uma combinação afim de e . Chamando-lhe , a EDO em Ă© autĂłnoma () — logo separĂĄvel.

Fórmula (Ficha 4 — Resolvidos, ex. 11(a))

Redação oficial de “mostre que fica separĂĄvel”: se e , entĂŁo , pelo que . Substituindo na equação, , “que Ă© obviamente uma equação separĂĄvel”. (O Ă© usado ao dividir por — diz isso.)

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 4, ex. 10)

Resolva efetuando a mudança de variåvel .

4.10 EquaçÔes exatas e fatores integrantes (no livro — nĂŁo aparece nas fichas atĂ© Ă  6)

Ideia

Escreve a EDO como . Se for um campo gradiente (ligação direta ao bloco de campos conservativos!), então a equação é , e as soluçÔes são as curvas de nível .

Exatas (Teixeira/Borges §1.2.4–1.2.5)

  • Ă© exata se existe com , . Solução geral: .
  • CritĂ©rio: se Ă© aberto simplesmente conexo e :
  • PVI: solução local existe se (função implĂ­cita).
  • Fator integrante : multiplicar por para tornar exata. Existe se sĂł depende de (e entĂŁo Ă© essa função); existe se sĂł depende de .
  • A linear Ă© o caso ; as separĂĄveis sĂŁo exatas.

Passos

  1. Identificar , ; testar .
  2. ; derivar em e igualar a para achar .
  3. Solução: .

4.11 Mapa de reconhecimento — qual o mĂ©todo?

Forma da EDONomeSubstituiçãoFica

Linear— ()resolvida
Separável—
Bernoullilinear
, conhecida Riccati, depois Bernoulli → linear
LogĂ­sticalinear (ou separĂĄvel)
Homogéneaseparåvel
—separável
, Exata—

No MAP a substituição é dada

O trabalho é: (i) derivar a substituição corretamente, (ii) reconhecer a EDO resultante (linear ou separåvel), (iii) não esquecer de desfazer a substituição, (iv) . Reserva tempo para o (iv): é onde se perdem mais pontos.

Erros a evitar neste tema

Esquecer de pĂŽr a linear na forma normal antes de calcular (sinal de trocado!) · pĂŽr a constante depois de dividir por em vez de antes · dividir por e perder as soluçÔes de equilĂ­brio () — e tambĂ©m em Bernoulli/logĂ­stica, perdida por ou · escolher o sinal da raiz sem olhar para · dar como uniĂŁo de intervalos ou um intervalo que nĂŁo contĂ©m · ignorar as restriçÔes da EDO original (, no denominador, ) e ficar sĂł com o domĂ­nio da fĂłrmula · usar num radicando quando a solução nesse ponto sai do domĂ­nio da EDO · esquecer de desfazer a mudança de variĂĄvel na resposta final · em coeficientes por ramos, nĂŁo impor a continuidade no ponto de colagem · confundir “homogĂ©nea” () com “linear homogĂ©nea” () · em Riccati, esquecer que Ă© ela prĂłpria solução · no esboço da logĂ­stica, deixar as curvas cruzarem-se ou cruzarem os equilĂ­brios (viola a unicidade) · confundir com · dividir (por , por , por ) sem escrever onde a divisĂŁo Ă© vĂĄlida — as resoluçÔes oficiais dizem-no sempre · dar o sem escrever primeiro o domĂ­nio e a frase “maior intervalo com ” · numa equação integral , derivar e esquecer a condição inicial que ela prĂłpria contĂ©m · em Bernoulli, derivar com o expoente errado (, nĂŁo ).


🔒 5. ExistĂȘncia e Unicidade (Picard–Lindelöf) e Exponencial de Matriz (Ficha 5)

Mapa do bloco

Duas metades que parecem desligadas mas nĂŁo sĂŁo:

  1. Teoria qualitativa do PVI : quando Ă© que hĂĄ solução (Peano), quando Ă© que Ă© Ășnica (Picard–Lindelöf), como se constrĂłi (iteradas de Picard) e atĂ© onde vive (prolongamento / intervalo mĂĄximo).
  2. Exponencial de uma matriz : Ă© exatamente o que as iteradas de Picard dĂŁo para o sistema linear , e Ă© a ferramenta para resolver sistemas lineares de coeficientes constantes.

No teste aparecem tipicamente: “mostre que o PVI tem infinitas soluçÔes e explique porque nĂŁo contradiz Picard”, “calcule as primeiras iteradas de Picard”, “determine ” e “determine a solução geral de ”. (Teixeira/Borges, §1.3 e §1.4.5–1.4.6; MagalhĂŁes, cap. 2)

5.1 O PVI, a forma integral e o Teorema de Peano

Ideia

Uma EDO diz, em cada ponto , qual Ă© o declive da solução que passa por lĂĄ — Ă© um campo de direçÔes. Dar Ă© escolher o ponto de partida. A pergunta natural: “seguindo as setas a partir de , hĂĄ sempre um caminho? E Ă© sĂł um?”

Truque central de toda a teoria: integrar a EDO transforma-a numa equação sem derivadas, muito mais fåcil de estimar (é mais fåcil majorar integrais do que derivadas).

EquivalĂȘncia PVI ⇔ equação integral

Para , intervalo aberto com :

(: integrar de a e usar o Teorema Fundamental do CĂĄlculo; : derivar e pĂŽr .)

Teorema de Peano (existĂȘncia local)

Seja aberto e contínua. Se , o PVI admite pelo menos uma solução definida num intervalo para algum .

Peano nĂŁo dĂĄ unicidade

Continuidade de chega para existir solução, mas nĂŁo para ser Ășnica. O contraexemplo clĂĄssico Ă© , (ver 5.5). Para unicidade Ă© preciso mais: a condição de Lipschitz.

5.2 Condição de Lipschitz e critério pråtico

Ideia

Unicidade falha quando “varia infinitamente depressa” em : duas soluçÔes muito prĂłximas podem ser empurradas com declives muito diferentes e separar-se a partir do mesmo ponto. Lipschitz diz exatamente que as taxas mĂ©dias de variação de em sĂŁo limitadas — Ă© uma espĂ©cie de “derivada em limitada”, mas sem exigir que a derivada exista.

Definição (Teixeira/Borges, §1.3.3)

Seja , .

  • Ă© lipschitziana relativamente a em se existe (constante de Lipschitz) tal que

Equivalente: — os quocientes incrementais em são limitados.

  • Ă© localmente lipschitziana relativamente a em se Ă© lipschitziana em em cada subconjunto compacto de .

CritĂ©rio prĂĄtico ( em ⇒ localmente Lipschitz)

Se Ă© contĂ­nua no aberto e existe e Ă© contĂ­nua em , entĂŁo Ă© localmente lipschitziana relativamente a em .

(Esboço: num compacto convexo em , pelo Teorema de Lagrange e pelo Teorema de Weierstrass.)

O critério é suficiente, não necessårio

  • nĂŁo Ă© derivĂĄvel em mas Ă© lipschitziana: (). Idem (Teixeira/Borges, ex. (3) de §1.3.5).
  • Para explicar a nĂŁo contradição com Picard basta que uma hipĂłtese falhe: nas resoluçÔes oficiais escreve-se ” quando , logo nĂŁo Ă© de classe em nenhum aberto que contenha ”. Mas para afirmar que nĂŁo Ă© Lipschitz perto de nĂŁo chega dizer ” nĂŁo existe aí”; tem de se mostrar que o quociente incremental nĂŁo Ă© limitado (como no ex. 3 dos resolvidos). Ex.: em :

Passos para verificar as hipĂłteses de Picard

  1. Escrever a EDO na forma normal (isolar !) e identificar o domĂ­nio aberto onde estĂĄ definida e Ă© contĂ­nua.
  2. Calcular e ver onde Ă© contĂ­nua. Nesse aberto Ă© de classe (em ) e portanto localmente Lipschitz — Ă© esta a verificação que os professores escrevem.
  3. Se o ponto inicial cai nesse aberto ⇒ Picard aplica-se: “existe uma e uma só solução numa vizinhança de ”.
  4. Se cai num ponto “mau”: mostrar que aĂ­ (⇒ nĂŁo Ă© em nenhuma vizinhança do ponto: Picard nĂŁo se aplica e a unicidade pode falhar). VersĂŁo mais forte (opcional): o quociente incremental Ă© ilimitado ⇒ nem sequer Ă© Lipschitz.

Desigualdade de Gronwall e dependĂȘncia contĂ­nua (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 4–5)

Gronwall: se Ă© contĂ­nua e (), entĂŁo para . ConsequĂȘncia: se (logo Lipschitz em com constante ) e resolvem a mesma EDO com , , entĂŁo

Lido ao contrĂĄrio: se entĂŁo — Ă© a razĂŁo pela qual Lipschitz dĂĄ unicidade.

Exercício resolvido (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 4 e 5)

(ex. 4) Seja contínua com para , com . Prove que , . (ex. 5) Sejam as soluçÔes de com e , onde e é limitada em . Determine tal que para .

5.3 Teorema de Picard–Lindelöf

Teorema de Picard–Lindelöf (existĂȘncia e unicidade local)

Seja aberto e

Se , o PVI tem uma e uma só solução definida numa vizinhança de .

VersĂŁo quantitativa: se , e Ă© constante de Lipschitz em , serve qualquer .

VersĂŁo vetorial: igual para , (com em vez de ). Em particular, para ( constante) Ă© globalmente Lipschitz () e a solução Ă© Ășnica e definida em todo o .

Unicidade local, sĂł em pontos do aberto

  • Picard garante unicidade numa vizinhança de , nĂŁo necessariamente em todo o . Uma solução pode ser Ășnica perto de e “ramificar” mais Ă  frente, ao chegar a um ponto onde as hipĂłteses falham (Ă© o que acontece no ex. 2 da Ficha 5 de propostos, em ).
  • As hipĂłteses de Picard sĂŁo suficientes, nĂŁo necessĂĄrias: quando falham, a unicidade pode falhar — tem de se mostrar com um exemplo concreto.

ConsequĂȘncia geomĂ©trica — os grĂĄficos nĂŁo se cruzam

Se satisfaz Picard em , os gråficos de duas soluçÔes distintas de nunca se intersetam em . (Se , o PVI com condição teria duas soluçÔes.) Em particular, as soluçÔes de equilíbrio ( com ) funcionam como barreiras: uma solução que começa entre dois equilíbrios fica lå para sempre.

Quando usar / sinais no enunciado

  • “Justifique que a solução Ă© Ășnica numa vizinhança de ” → e contĂ­nuas perto de ⇒ Picard.
  • “Esboce o campo de direçÔes e os tipos de soluçÔes” (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 1) → ver 5.4: zeros de = soluçÔes constantes; sinal de = cresce/decresce; Picard ⇒ as curvas nĂŁo se cruzam, por isso o esboço qualitativo faz sentido.
  • “Explique porque nĂŁo contradiz Picard” → apontar a hipĂłtese que falha no ponto inicial (ou no ponto de ramificação).

5.4 Campo de direçÔes e esboço qualitativo das soluçÔes

Ideia

Um campo de direçÔes de Ă© um grĂĄfico de pequenos segmentos orientados, um em cada ponto onde estĂĄ definida, com declive : cada segmento Ă© uma “reta tangente em miniatura” ao grĂĄfico da solução que passa nesse ponto. Seguir os segmentos dĂĄ o aspeto das soluçÔes sem resolver a EDO. SĂł Ă© Ăștil quando satisfaz Picard: a unicidade garante que grĂĄficos de soluçÔes com condiçÔes iniciais distintas nĂŁo se intersetam, e Ă© isso que permite posicionĂĄ-los uns em relação aos outros (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 1).

Passos para esboçar o campo de direçÔes (método oficial)

  1. Construir um reticulado, p. ex. , .
  2. Para cada fixo, fazer uma tabela com . Ex.: para e : .
  3. Desenhar em cada ponto um segmento com esse declive.
  4. Traçar algumas soluçÔes tangentes aos segmentos, sem as deixar cruzar (Picard).

Atalho para "traçar os tipos de soluçÔes"

Antes da tabela, encontrar o esqueleto do desenho:

  • Zeros de em () ⇒ soluçÔes constantes (retas horizontais), que sĂŁo barreiras.
  • Sinal de em cada faixa entre elas ⇒ as soluçÔes crescem () ou decrescem (); daĂ­ se vĂȘ se um equilĂ­brio atrai ou repele.
  • Linhas onde (declive horizontal) e onde nĂŁo estĂĄ definida (declive vertical / fronteira de ).
  • Fora das faixas limitadas, crescimento quadrĂĄtico ou cĂșbico em costuma dar explosĂŁo em tempo finito (5.7).

Exercício resolvido (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 1)

Para cada equação, esboce o campo de direçÔes e trace os respetivos tipos de soluçÔes: (a) ; (b) ; (c) ; (d) .

5.5 NĂŁo unicidade: o mĂ©todo “cortar e colar”

Ideia

Quando nĂŁo Ă© Lipschitz numa reta que Ă© solução de equilĂ­brio, uma solução pode ficar “parada” em durante o tempo que quiser e depois “descolar” por uma solução nĂŁo constante que toca em com derivada nula (tangencialmente). Cada instante de descolagem dĂĄ uma solução diferente ⇒ infinitas soluçÔes.

Passos para mostrar que um PVI tem infinitas soluçÔes (ordem das resoluçÔes oficiais)

  1. Notar que a solução constante que passa pelo ponto inicial (normalmente ) é solução do PVI.
  2. Resolver a EDO fora do equilĂ­brio (quase sempre separĂĄvel; com , tratar e em separado) ⇒ famĂ­lia ; dizer para que Ă© e verifica a equação (atenção Ă s raĂ­zes e aos sinais!).
  3. Se algum membro da família verifica a condição inicial, apresentå-lo: é uma segunda solução do PVI (jå prova a não-unicidade).
  4. “Cortar e colar”: impor continuidade no ponto de colagem (), o que fixa a constante em função de .
  5. Definir a função por ramos: solução constante atĂ© , depois (ou ao contrĂĄrio; ou trĂȘs ramos).
  6. Verificar no ponto de colagem as derivadas laterais iguais () e que a EDO Ă© satisfeita lĂĄ. Fora desse ponto jĂĄ Ă© solução por construção (“foi construĂ­da Ă  custa de soluçÔes da EDO”).
  7. Verificar a condição inicial e concluir: um parĂąmetro livre () ⇒ infinitas soluçÔes.
  8. Explicar a nĂŁo contradição: Ă© contĂ­nua (⇒ existĂȘncia), mas quando , logo nĂŁo Ă© de classe (nem localmente Lipschitz) em nenhuma vizinhança do ponto inicial / ponto de colagem — a hipĂłtese de unicidade falha, o que abre a possibilidade de haver vĂĄrias soluçÔes.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 1)

Mostre que o PVI

tem infinitas soluçÔes, e explique porque Ă© que isso nĂŁo contradiz o Teorema de Picard–Lindelöf.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 2)

Considere o PVI

(a) Determine uma solução do PVI, e justifique que essa Ă© a Ășnica solução do problema numa vizinhança suficientemente pequena de onde esteja definida. (b) Mostre que o PVI admite um nĂșmero infinito de soluçÔes definidas em . (c) Diga, justificando, porque nĂŁo hĂĄ contradição com o Teorema de Picard–Lindelöf.

Exercício resolvido (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 2)

Mostre que o problema de valor inicial

tem infinitas soluçÔes, e explique porque esse facto não contradiz o Teorema de Picard.

Exercício resolvido (Ficha 5 — Resolvidos, ex. 3)

Para real, , considere , , e o PVI , . Mostre que o PVI admite uma infinidade de soluçÔes. Explique porque é que isto não contradiz o Teorema de Picard.

5.6 Iteradas de Picard

Ideia

A forma integral sugere um mĂ©todo de ponto fixo: parte-se de um palpite, mete-se no lado direito, obtĂ©m-se um palpite melhor, e repete-se. É assim que se demonstra Picard (as iteradas convergem uniformemente para a solução) e dĂĄ aproximaçÔes explĂ­citas. Para , as iteradas sĂŁo exatamente as somas parciais de Taylor de (Teixeira/Borges, §1.3.4, Ex. 1).

Iteradas de Picard

Sob as hipóteses de Picard, uniformemente numa vizinhança de , onde é a solução do PVI.

Passos para calcular iteradas

  1. = constante igual ao valor inicial (salvo se o enunciado der outra).
  2. Substituir em — trocar por dentro do integral.
  3. Integrar de a e somar .
  4. Verificar: sempre.
  5. Se pedirem o domĂ­nio: Ă© o maior intervalo contendo onde o integrando Ă© contĂ­nuo em todo o .

Armadilhas

  • Esquecer o termo constante (ou trocar por uma primitiva sem constante).
  • A “primeira iterada” Ă© , nĂŁo . “As duas primeiras iteradas” = (com dado).
  • DomĂ­nio: nĂŁo basta que a expressĂŁo final esteja definida; Ă© o integrando que tem de ser contĂ­nuo entre e .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 3)

Calcule as duas primeiras iteradas de Picard para com .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 4)

Considere o PVI , . Tomando como iterada de Picard de ordem zero , calcule e . Qual o domĂ­nio de ?

5.7 Prolongamento de soluçÔes e intervalo måximo

Ideia

Picard dĂĄ uma solução num intervalinho . No extremo, o ponto ainda estĂĄ em , por isso aplica-se Picard de novo e prolonga-se. Repete-se atĂ© nĂŁo dar mais. SĂł hĂĄ duas maneiras de “nĂŁo dar mais” num tempo finito: a solução explode () ou o grĂĄfico chega Ă  fronteira de . Pela unicidade, todos os prolongamentos coincidem onde se sobrepĂ”em ⇒ hĂĄ um intervalo mĂĄximo bem definido.

Teorema do prolongamento (Teixeira/Borges, §1.3.6)

Seja aberto, , contĂ­nua e localmente lipschitziana em em . A solução Ășnica do PVI estĂĄ definida num intervalo mĂĄximo e, no extremo direito, verifica-se uma das hipĂłteses:

(Anålogo em .) Em palavras: se a solução não estå definida até , então ou sai do domínio ou explode.

Comparação de soluçÔes (Teixeira/Borges, §1.3.7)

Se satisfazem Picard em , em , , e , entĂŁo

Usos: se não explode e majora (e outra função minora), não explode; se explode e minora , então explode antes ou no mesmo instante.

Quando usar / sinais no enunciado

  • “Indique o intervalo aberto maximal da solução” (apareceu no MAP1 2024/25): resolver explicitamente e ver (a) onde a fĂłrmula deixa de fazer sentido, (b) se nesse ponto ou se chega a . O intervalo Ă© o maior intervalo aberto que contĂ©m .
  • EquilĂ­brios como barreiras (Picard) + teorema do prolongamento ⇒ uma solução presa entre dois equilĂ­brios nĂŁo explode e (se ) estĂĄ definida em .
  • Exemplo-modelo de explosĂŁo: , dĂĄ , — Ă© em e mesmo assim a solução nĂŁo Ă© global (caso (iii)).

Armadilha

“bonita” em todo o não implica solução global (ver ). Só para EDOs lineares ( com crescimento linear em , ex. ) se tem garantia de solução definida em todo o .

5.8 Exponencial de uma matriz: definição e propriedades

Ideia

Para a EDO escalar a solução é . Para o sistema queremos "". Calculando as iteradas de Picard de , :

— exatamente as somas parciais da sĂ©rie de Taylor de com . DaĂ­ a definição.

Definição (Teixeira/Borges, §1.4.5)

Para matriz e :

A série converge (uniformemente em , para todo o ) e pode derivar-se termo a termo.

Propriedades

  • (a) .
  • (b) .
  • (c) Ă© a Ășnica matriz solução fundamental de com ; a solução do PVI , Ă©
  • (d) Ă© sempre invertĂ­vel e .
  • (e) .
  • (f) Se : e .
  • (g) Se (semelhantes): (porque ).
  • (h) Se Ă© qualquer matriz solução fundamental de : .

em geral

SĂł vale quando e comutam. O caso que mais se usa: — a identidade comuta com tudo, por isso sempre. E nĂŁo Ă© a matriz dos (isso sĂł Ă© verdade para matrizes diagonais).

Exercício resolvido (Ficha 5, ex. 7 — parte teórica)

Sejam e duas matrizes de componentes reais ou complexas. Mostre que se , entĂŁo . SugestĂŁo: mostre que satisfaz , .

5.9 CĂĄlculo de

Ideia

A sĂ©rie raramente se soma diretamente. HĂĄ trĂȘs situaçÔes em que Ă© fĂĄcil, e o objetivo Ă© sempre reduzir a uma delas:

  1. Diagonal → exponencial entrada a entrada na diagonal.
  2. Nilpotente () → a sĂ©rie termina (polinĂłmio em ).
  3. “Rotação” () → a sĂ©rie separa-se em sĂ©ries de e . A semelhança e a decomposição fazem a ponte.

Caso 1 — diagonal ou diagonalizável

Se tem vetores prĂłprios l.i. (p. ex. valores prĂłprios distintos):

Caso 2 — com nilpotente (blocos de Jordan)

Para um bloco de Jordan :

Em com valor próprio duplo : por Cayley–Hamilton , logo

Matrizes diagonais por blocos: exponencia-se cada bloco separadamente. Caso geral nĂŁo diagonalizĂĄvel: com formada por vetores prĂłprios e generalizados ().

Caso 3 — valores próprios complexos ( real)

Por Cayley–Hamilton, verifica . EntĂŁo, separando potĂȘncias pares e Ă­mpares,

Alternativa (livro): vetor prĂłprio complexo de ⇒ e de sĂŁo duas soluçÔes reais l.i. ⇒ matriz fundamental ⇒ .

Atalho com valores prĂłprios reais distintos

(FĂłrmula de Sylvester; confere-se em : dĂĄ ; e derivando dĂĄ . Útil para verificar o resultado do mĂ©todo .)

Passos para calcular

  1. Ver se jĂĄ Ă© diagonal, diagonal por blocos, ou da forma com estritamente triangular (⇒ nilpotente). Se sim, aplicar diretamente.
  2. SenĂŁo, polinĂłmio caracterĂ­stico (em : ).
  3. Reais distintos → vetores próprios, , , (ou atalho de Sylvester).
  4. Real duplo → , confirmar , .
  5. Complexos → .
  6. Verificar sempre (e, se houver tempo, a derivada em : deve dar ).

Quando usar / sinais no enunciado

  • “Determine ” → passos acima.
  • “Determine a solução do PVI , ” → .
  • Triangular com diagonal constante (ex. 5(d), ex. 7) → sem calcular valores prĂłprios.
  • → complexos → /.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 5 (a), (b))

Determine para (a) ; (b) .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 5(c))

Determine para .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 5(d))

Determine para .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 5(e))

Determine para .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 5(f))

Determine para .

Exercício resolvido (Ficha 5, ex. 7 — cálculo)

Aproveite o resultado (se ) para calcular .

5.10 Sistemas lineares : solução geral

Ideia

O sistema linear homogĂ©neo de coeficientes constantes tem solução Ășnica e global para cada condição inicial (Picard vetorial, Ă© globalmente Lipschitz). O espaço das soluçÔes Ă© um espaço vetorial de dimensĂŁo ; uma matriz solução fundamental tem por colunas soluçÔes l.i., e a solução geral Ă© , . A escolha canĂłnica Ă© (a Ășnica com ), mas qualquer outra serve.

Solução geral

Matrizes fundamentais “práticas”:

  • reais: .
  • duplo, um sĂł vetor prĂłprio , e com : .
  • : colunas , . NĂŁo homogĂ©neo (variação das constantes): .

Respostas diferentes podem estar ambas certas

A solução geral nĂŁo Ă© Ășnica na forma: e diferem sĂł pela troca de constantes . Num PVI, porĂ©m, a resposta final (com as constantes determinadas) tem de coincidir.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 5, ex. 6(b))

Determine a solução geral do sistema .

Variação — Ficha 5, ex. 6(a)

: ; , ⇒ .

Erros a evitar neste tema

Dizer que Peano dĂĄ unicidade (sĂł dĂĄ existĂȘncia) · aplicar Picard sem pĂŽr a EDO na forma normal (no ex. 2 Ă© preciso dividir por , e Ă© aĂ­ que aparecem os pontos maus) · concluir “nĂŁo Ă© Lipschitz” sĂł porque nĂŁo existe num ponto (tem de se mostrar que o quociente incremental Ă© ilimitado; Ă© Lipschitz) · achar que hipĂłteses de Picard falhadas implicam nĂŁo-unicidade (sĂł a permitem; Ă© preciso exibir as soluçÔes) · na justificação da nĂŁo contradição, esquecer de dizer que Ă© contĂ­nua (existĂȘncia) e que ⇒ nĂŁo Ă© perto do ponto inicial (Ă© o que a resolução oficial escreve) · nĂŁo apresentar logo uma segunda solução concreta (ex.: ) antes de cortar e colar · com , esquecer o ramo · no esboço do campo de direçÔes, desenhar soluçÔes que se cruzam (Picard proĂ­be-o) · esquecer que Picard dĂĄ unicidade local · colar soluçÔes sem verificar continuidade e derivadas laterais no ponto de colagem · usar a fĂłrmula fora de (para nĂŁo resolve ) · nas iteradas, esquecer o somado ou nĂŁo trocar por dentro do integral · dar como domĂ­nio de uma iterada um intervalo que nĂŁo contĂ©m · confundir intervalo mĂĄximo com “onde a fĂłrmula faz sentido” (Ă© o maior intervalo aberto que contĂ©m ) · escrever para nĂŁo diagonal · usar sem · trocar a ordem das colunas de face aos em · enganar-se em (verificar sempre ) · no caso complexo, esquecer o em · no caso duplo, usar em vez de .


🧭 6. Sistemas Lineares de EDOs e Diagramas de Fase (Ficha 6)

O que vais saber fazer no fim desta secção

Resolver qualquer sistema com constante (ou triangular/por blocos maior), por valores/vetores prĂłprios ou por ; aplicar a fĂłrmula de variação das constantes; usar o atalho do ponto de equilĂ­brio quando Ă© constante; e classificar e esboçar o diagrama de fase de um sistema (nĂł, sela, foco, centro, nĂł degenerado, linha de equilĂ­brios). Teoria: Teixeira/Borges, EDOs, §1.4.1–1.4.4 e §1.4.6; MagalhĂŁes, cap. 3 (§3.2). O cĂĄlculo de em si estĂĄ na secção da Ficha 5 — aqui usamo-lo.

6.1 O sistema linear e a existĂȘncia de soluçÔes

Ideia

Um sistema de EDOs de 1.ÂȘ ordem Ă© uma Ășnica EDO vetorial: a incĂłgnita Ă© uma curva e a equação diz qual Ă© a velocidade em cada ponto. Se essa velocidade depende linearmente de , o sistema Ă© linear. Tudo o que se fez no caso escalar (, fator integrante) generaliza-se, trocando nĂșmeros por matrizes: o “fator integrante” passa a ser a inversa de uma matriz solução fundamental. BĂłnus importante: uma EDO linear de ordem (p. ex. ) Ă© um sistema com .

Definição (Equação vetorial linear) — Teixeira/Borges §1.4.2

É homogĂ©nea se ; tem coeficientes constantes se nĂŁo depende de .

Teorema de Picard no caso vetorial — Teixeira/Borges §1.4.1

Se Ă© contĂ­nua e localmente lipschitziana em , isto Ă©, em compactos, entĂŁo o PVI , tem solução Ășnica num intervalo . Caso linear: Ă© sempre lipschitziana em (com num compacto) ⇒ o PVI tem solução Ășnica definida em todo o intervalo onde e sĂŁo contĂ­nuas (nĂŁo hĂĄ explosĂŁo em tempo finito — ao contrĂĄrio de ).

Linear ≠ "fácil em qualquer caso"

A teoria (existĂȘncia, espaço de soluçÔes, variação das constantes) vale para variĂĄvel, mas sĂł hĂĄ mĂ©todo explĂ­cito geral quando Ă© constante. Na Ficha 6 e no MAP, Ă© sempre constante.

6.2 Espaço de soluçÔes, matriz solução fundamental e Wronskiano

Ideia

Na equação homogĂ©nea , somas e mĂșltiplos de soluçÔes sĂŁo soluçÔes (princĂ­pio da sobreposição). Como cada solução fica determinada pelo valor inicial (unicidade), o espaço de soluçÔes Ă© um espaço vetorial de dimensĂŁo : basta conhecer soluçÔes independentes e “empilhĂĄ-las” em colunas.

Matriz solução fundamental — Teixeira/Borges §1.4.2

() é matriz solução fundamental de se e só se

  1. as colunas de são soluçÔes, ou seja ;
  2. para algum (e entĂŁo para todo ).

ConsequĂȘncias:

e a inversa satisfaz .

Wronskiano

chama-se Wronskiano das soluçÔes que formam as colunas. Ou Ă© nulo em todo o (soluçÔes dependentes) ou nunca se anula (soluçÔes independentes) — testar num sĂł ponto (normalmente ) chega. Complemento (fĂłrmula de Liouville): . Para uma EDO de ordem , Ă© a matriz wronskiana .

Coeficientes constantes: a exponencial Ă© a matriz fundamental — §1.4.4

Ă© a Ășnica matriz solução fundamental de com . Logo

Propriedades a usar: ; ; se entĂŁo ; se entĂŁo .

NĂŁo precisas sempre de

Se pedem a solução geral, qualquer matriz fundamental serve: com Ă© mais simples do que — Ă© exatamente a escolha dos professores (Ficha 6 resolvidos, ex. 1(f)). Para o PVI, o caminho oficial Ă© (com ); o atalho Ă© resolver , sem calcular por inteiro.

6.3 Método dos valores e vetores próprios (coeficientes constantes)

Ideia

Se , entĂŁo Ă© solução: . Geometricamente: uma condição inicial sobre a reta de um vetor prĂłprio fica nessa reta para sempre, a esticar () ou a encolher () exponencialmente. Uma condição inicial qualquer decompĂ”e-se nos vetores prĂłprios e cada componente evolui pelo seu prĂłprio — Ă© “diagonalizar o sistema”.

Os trĂȘs casos para real (ou blocos de )

PolinĂłmio caracterĂ­stico: .

(i) Valores prĂłprios reais distintos , vetores :

(ii) Valor prĂłprio duplo com um sĂł vetor prĂłprio (nĂŁo diagonalizĂĄvel): procura-se um vetor prĂłprio generalizado com :

(a forma da direita vem de , Cayley–Hamilton; se então simplesmente .)

(iii) Valores próprios complexos (), vetor próprio de : a solução complexa då duas soluçÔes reais, a parte real e a parte imaginåria:

Caso-padrão a decorar: (dilatação × rotação de ñngulo ; vem de com e a comutarem).

Caso complexo Ă  maneira dos professores

Nas resoluçÔes oficiais (Ficha 6 resolvidos, ex. 3(a) e 6(a)) os complexos tratam-se por diagonalização complexa: de , de , , , e usa-se até a resposta ficar real. A via acima e o caso-padrão são atalhos equivalentes (mais råpidos).

Passos para resolver ,

  1. Valores prĂłprios: (em : ).
  2. Vetores próprios: resolver (em basta uma linha da matriz) e escrever ”, ”.
  3. Caminho oficial: matriz de mudança de base (vetores próprios em colunas), , , (ver secção 5) e .
  4. Atalho: escolher o caso (i)/(ii)/(iii), escrever a solução geral e resolver .
  5. Verificar em e, se houver tempo, derivar uma componente.

Quando usar / sinais no enunciado

“Resolva o PVI ” → passos acima. “Determine a solução que vale em ” → escreve na base de vetores prĂłprios (com , : ). Matriz triangular → os valores prĂłprios estĂŁo na diagonal e muitas vezes uma equação desacopla-se (resolve-se essa primeiro). jĂĄ Ă© vetor prĂłprio → a resposta Ă© logo .

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 1)

Resolva o problema de valor inicial , onde: (a) , ; (b) , .

Exercício resolvido (Ficha 6 — Resolvidos, ex. 1)

Seja . (a)–(d) Valores e vetores prĂłprios, que diagonaliza , e . (e) Resolva , . (f) Determine a solução geral de . (g) Escreva duas funçÔes que constituam uma base do espaço vetorial das soluçÔes.

6.4 Caso não homogéneo: fórmula de variação das constantes

Ideia

É exatamente o fator integrante de CDI escalar, com no papel de : multiplicando por fica ; integra-se e multiplica-se de volta por . Leitura fĂ­sica: a resposta Ă© “evolução livre do estado inicial” + “soma de todos os impulsos recebidos no instante , cada um a evoluir livremente durante o tempo ”.

Fórmula de variação das constantes — Teixeira/Borges §1.4.3; Magalhães (3.11)

Se Ă© contĂ­nua em , o PVI , tem solução Ășnica, definida em todo o :

Com variåvel e fundamental: . Solução geral (sem dado inicial): , .

Armadilhas na fĂłrmula

É dentro do integral (a variĂĄvel de integração Ă© , Ă© constante) — nĂŁo . Tira-se para fora sĂł escrevendo . E o limite inferior Ă© o instante inicial (se o dado Ă© , integra-se de a e usa-se ).

Passos para a variação das constantes

  1. Identificar , , , e escrever o PVI vetorial .
  2. Calcular (secção 6.3 / secção 5).
  3. Escrever “pela fórmula de variação das constantes” e pîr por extenso (trocar por em cada entrada).
  4. Multiplicar , simplificar as exponenciais e tirar para fora o que sĂł depende de antes de integrar.
  5. Integrar componente a componente em , mostrando as primitivas avaliadas em e .
  6. Calcular a parcela , somar e simplificar; verificar (apanha erros — atĂ© nas resoluçÔes oficiais, ver ex. 5 abaixo).

Quando usar / sinais no enunciado

nĂŁo constante (, , , 
) → variação das constantes. Antes disso, procura atalhos: se uma equação estĂĄ desacoplada (p. ex. sĂł tem ), resolve-a primeiro como EDO escalar e substitui; se existe uma mudança de variĂĄveis simples que diagonaliza (, , Ficha 6 resolvidos, ex. 4), usa-a. Se Ă© constante → secção 6.5.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 7)

Resolva o problema de valor inicial

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6 resolvidos, ex. 3)

Com : (a) calcule ; (b) resolva , .

Exercício resolvido (Ficha 6 — Resolvidos, ex. 4)

Resolva o sistema

Exercício resolvido (Ficha 6 — Resolvidos, ex. 5)

Seja . (a) Calcule . (b) Determine a solução do PVI , onde .

Exercício resolvido (Ficha 6 — Resolvidos, ex. 6)

Considere o PVI , , com

(a) Determine a solução geral da equação homogénea. (b) Sendo a solução do problema não homogéneo, determine .

6.5 Atalho para constante: ponto de equilíbrio e translação

Ideia

Se é constante e , hå exatamente um ponto de equilíbrio (onde ). Mudar a origem para elimina : o sistema passa a ser homogéneo e o diagrama de fase é o mesmo, só transladado para .

Ponto de equilíbrio e mudança

Logo

(Då o mesmo que a variação das constantes: .)

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 6)

Determine a solução geral do sistema

6.6 Diagramas de fase de sistemas : classificação

Ideia

O diagrama (retrato) de fase Ă© o desenho, no plano , das Ăłrbitas com setas no sentido de crescente — eliminamos o tempo e ficamos com a “geometria do escoamento” (como linhas de corrente de um campo de velocidades ). Para com , a origem Ă© o Ășnico equilĂ­brio, e o tipo dele Ă© decidido apenas pelos valores prĂłprios: o sinal da parte real diz se aproxima ou afasta; a parte imaginĂĄria diz se roda.

Classificação pelos valores próprios

Valores próprios de Tipo da origemEstabilidadeEsboço em palavras
reais, nĂł estĂĄvel (atrator)assintoticamente estĂĄveltodas as Ăłrbitas entram na origem tangentes Ă  reta do vetor prĂłprio lento ( menor); longe, paralelas ao rĂĄpido
reais, nó inståvel (repulsor)inståveligual ao anterior com setas para fora; saem tangentes à direção de menor
reais, selainståvel2 retas invariantes: entra pela de , sai pela de ; restantes órbitas tipo hipérbole, assíntotas às retas
, foco (espiral) estĂĄvelassintoticamente estĂĄvelespirais a enrolar para a origem
, foco (espiral) instĂĄvelinstĂĄvelespirais a desenrolar para fora
()centroestĂĄvel (nĂŁo assintoticamente)elipses fechadas (Ăłrbitas periĂłdicas de perĂ­odo )
duplo, 1 só vetor próprionó impróprio/degeneradoestável se , instável se uma só reta invariante; órbitas “em S”, todas tangentes a essa reta na origem
duplo, nó próprio (estrela)idemsemirretas a sair/entrar radialmente em todas as direçÔes
, ()reta de equilĂ­brios (o nĂșcleo de )nĂŁo assintoticamente estĂĄveis; instĂĄveis se Ăłrbitas = semirretas paralelas ao vetor prĂłprio de , a afastar-se () ou a aproximar-se () da reta

Atalho: traço e determinante

Com , e discriminante :

Armadilhas de classificação

NĂł vs. foco nĂŁo Ă© dado pelo sinal de mas pelo discriminante. Num nĂł, a direção onde as Ăłrbitas chegam Ă  origem Ă© a do valor prĂłprio de menor mĂłdulo (o que decai mais devagar) — nĂŁo a do “mais negativo”. Um centro Ă© estĂĄvel mas nĂŁo assintoticamente (as Ăłrbitas nĂŁo se aproximam da origem).

Passos para esboçar o diagrama de fase

  1. Valores próprios (ou ) → tipo e estabilidade pela tabela.
  2. EquilĂ­brios: origem (se ); se , a reta ; se hĂĄ constante, transladar para .
  3. Retas invariantes (casos reais): desenha as retas dos vetores prĂłprios, com setas para dentro se e para fora se .
  4. Comportamento assintĂłtico: quando domina o termo com maior ; quando domina o de menor . Isto diz a que reta cada Ăłrbita fica paralela/tangente em cada ponta.
  5. Complexos: espiral/elipse. Sentido de rotação: testa um ponto, p. ex. : . Se ( cresce ao atravessar o semieixo positivo ) → anti-horário; se → horário.
  6. Verificar com um ou dois vetores em pontos de teste (p. ex. nos eixos).

Quando usar / sinais no enunciado

“Esboce o diagrama de fase” vem quase sempre como alĂ­nea (b) depois de “determine a solução”. Usa a solução que jĂĄ tens: os coeficientes da decomposição de dizem que Ăłrbitas sĂŁo retas (quando um coeficiente se anula). Nas soluçÔes escreve sempre na forma — Ă© daĂ­ que sai o esboço.

6.7 ExercĂ­cios de diagramas de fase

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 2)

Considere . (a) Determine a solução que vale em . (b) Esboce o diagrama de fase do sistema.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 3)

Considere . (a) Determine a solução que vale em . (b) Esboce o diagrama de fase do sistema.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 4)

Considere . (a) Determine a solução que vale em . (b) Esboce o diagrama de fase do sistema.

ExercĂ­cio resolvido (Ficha 6, ex. 5)

Considere . (a) Calcule . (b) Calcule a solução de , . (c) Em coordenadas polares , , verifique que o sistema se escreve , , ou seja ; resolva para em função de . (d) Esboce o diagrama de fase.

Erros a evitar neste tema

Esquecer que Ă© sĂł uma matriz fundamental — para a solução geral basta · resolver e obter (o estĂĄ mal calculado) · no valor prĂłprio duplo, escrever (dependentes!) em vez de usar ou · com valores prĂłprios complexos, usar as duas soluçÔes e como reais — usa e de uma delas · deixar na resposta final (a solução de um sistema real Ă© real) · na variação das constantes, pĂŽr em vez de dentro do integral, ou integrar em em vez de · usar limite inferior quando o dado inicial Ă© em · com constante, esquecer de somar (ou trocar o sinal: ) · classificar nĂł vs. foco pelo sinal do traço (Ă© o discriminante ) · num nĂł, desenhar as Ăłrbitas a chegar Ă  origem tangentes Ă  direção rĂĄpida (Ă© a lenta) · desenhar setas nas retas prĂłprias sem olhar ao sinal de · chamar “centro” a um foco (centro exige ) e dizer que um centro Ă© assintoticamente estĂĄvel · com , falar de “o” ponto de equilĂ­brio (Ă© uma reta inteira) · esquecer o sentido de rotação das espirais/elipses (testa : sinal de ) · esquecer de verificar no fim.


🧭 Checklist de EstratĂ©gia

Sintoma do enunciadoFerramenta
”Determine uma parametrização / esboce a superfĂ­cie”F1 — quĂĄdricas-padrĂŁo, curvas de nĂ­vel, tabela de parametrizaçÔes
”Área”, “massa”, “centro de massa” de uma superfícieF1 —
“Plano tangente”, “normal unitária”F1 — ou
, , “irrotacional”, “incompressível”, “tem significado?”F2 — operadores e identidades
Fluxo atravĂ©s de superfĂ­cie fechada (fronteira de um sĂłlido)F2 — Gauss
Fluxo atravĂ©s de superfĂ­cie aberta com simplesF2 — fechar com uma tampa + Gauss − fluxo da tampa
Volume de um sĂłlido “usando o Teorema da DivergĂȘncia”F2 —
Campo F2/F3 — fluxo se a origem está fora, se está dentro
Circulação/trabalho ao longo de curva fechada no espaçoF3 — Stokes (ou parametrizar diretamente)
em superfície feiaF3 — Stokes: trocar por ou por outra superfície com o mesmo bordo (disco plano)
F4 — fator integrante
F4 — separar; não esquecer
/ “substituição “F4 — Bernoulli → linear
/ “substituição “F4 — homogĂ©nea → separĂĄvel
Logística, “substituição “F4 — linear em
“Intervalo mĂĄximo (maximal) de existĂȘncia”F4/F5 — domĂ­nio da fĂłrmula ∩ continuidade, intervalo que contĂ©m
“Tem infinitas soluçÔes
 porque nĂŁo contradiz Picard?”F5 — colar solução de equilĂ­brio; nĂŁo Ă© Lipschitz em
“Iteradas de Picard”F5 —
“Calcule “F5 — diagonalizar / / complexos (cos, sen)
, F6 — ou valores/vetores próprios
F6 — variação das constantes (ou equilíbrio se constante)
“Esboce o diagrama de fase”F6 — sinais/natureza dos valores próprios + retas próprias

Erros a evitar (lĂȘ antes do teste)

  • Orientação: em fluxos, verificar se aponta para o lado pedido (exterior, “3.ÂȘ componente positiva”
); se nĂŁo, trocar o sinal. Em Stokes, o bordo percorre-se com a superfĂ­cie Ă  esquerda e a normal dada pela regra da mĂŁo direita.
  • Esquecer o elemento de ĂĄrea (ex.: na esfera, no cilindro) num integral de campo escalar — e, ao contrĂĄrio, nĂŁo pĂŽr a norma num fluxo (aĂ­ usa-se o vetor sem normalizar).
  • Aplicar Gauss a uma superfĂ­cie aberta sem a fechar, ou esquecer de subtrair o fluxo da tampa.
  • Aplicar Gauss/Stokes com uma singularidade do campo dentro do domĂ­nio (ex.: com a origem lĂĄ dentro).
  • Confundir (escalar) com (vetor); expressĂ”es como ou nĂŁo tĂȘm significado.
  • Em EDOs separĂĄveis: perder as soluçÔes de equilĂ­brio ao dividir por .
  • Em Bernoulli/homogĂ©neas: esquecer de voltar Ă  variĂĄvel original e de verificar o sinal de raĂ­zes (escolher o ramo pela condição inicial).
  • Intervalo mĂĄximo: tem de ser um intervalo aberto que contĂ©m , onde a fĂłrmula estĂĄ definida e Ă© — nĂŁo a uniĂŁo de vĂĄrios intervalos.
  • Picard garante unicidade local; nĂŁo unicidade sĂł pode acontecer onde nĂŁo Ă© Lipschitz em .
  • sĂł se . E nĂŁo Ă© a matriz das exponenciais das entradas (exceto se for diagonal).
  • Diagramas de fase: nĂŁo esquecer o sentido das trajetĂłrias (setas) e o sentido de rotação das espirais.

📎 Recursos

Fichas, resoluçÔes e livros

Enunciados: F1 · F2 · F3 · F4 · F5 · F6 ResoluçÔes: R1 · R2 · R3 · R4 · R5 · R6 Teoria: Teoremas da DivergĂȘncia e de Stokes · EDOs (Teixeira/Borges) · MagalhĂŁes cap. 1 · cap. 2 · cap. 3 MAPs antigos: MAP1 2024/25 (soluçÔes) · MAP1 2025/26 (soluçÔes)

Notas relacionadas (Dataview)

TABLE WITHOUT ID
  link(file.link, file.name) AS "Nota",
  date AS "Data",
  status AS "Estado",
  tags AS "Tags"
FROM "2.TĂ©cnico/2Âș Ano/1Semestre/Calculo III"
WHERE (type = "note" OR type = "project") AND file.name != this.file.name
SORT date DESC