Provas analisadas: MAP1/Teste 1 2025/26 (LEC e LEME, enunciado + soluções) e Teste 1 2024/25 (LEIC-A, enunciado + soluções — as soluções correspondem a uma versão ligeiramente diferente do enunciado).
Matéria: Fichas 1–6 → superfícies, Gauss, Stokes, EDOs de 1.ª ordem, Picard, eAt, sistemas X′=AX e diagramas de fase. Toda a teoria está no Resumo; este guia diz o que sai e como se resolve.
⚠️ Formato novo em 2026/27 (informação do professor): 5 exercícios/alíneas →
1 obrigatório de EDOs;
1 obrigatório de sistemas X′=AX (provavelmente com matriz diagonalizável);
3 opcionais — Gauss, Stokes, Picard — dos quais só contam 2.
Os MAPs antigos nunca tiveram sistemas nem Picard → para essas duas secções os exemplos vêm das Fichas 5–6 e do Resumo. Os valores de cada questão ainda não são conhecidos — a tabela abaixo usa uma estimativa (≈ 5 val. cada uma das 4 que contam).
🗺️ Estrutura do Exame
Formato 2026/27 (anunciado)
Q
Tema
Valores (estimativa)
Fichas
Probabilidade
Q1
EDO de 1.ª ordem (obrigatória) — mudança de variável / linear / separável + intervalo máximo
~5
4
Certa
Q2
Sistema X′=AX (obrigatória) — valores/vetores próprios, eAt, PVI, diagrama de fase
~5
5–6
Certa
Q3
Gauss (opcional) — fluxo, quase sempre “fechar a superfície”
~5
2
Certa (escolhes)
Q4
Stokes (opcional) — rotacional + circulação via superfície mais simples
[7] Esboço de tronco de cone + Gauss com 2 tampas → 12π
[7] Homogénea com z=x/t → separável + Imax
Estratégia global de tempo (60 min, 4 exercícios contam)
Min 0–3: lê tudo. Decide já quais 2 opcionais fazes e não mudes de ideias a meio.
Ordem sugerida: o opcional que te parecer mais fácil → Q1 EDO → Q2 Sistema → segundo opcional.
≈ 13 min por exercício; os 5 min finais são para verificar sinais e orientações.
Escolha dos opcionais: Gauss e Stokes são os mais mecânicos e têm historial (sabes exatamente o que sai). Picard é rápido se for o molde “infinitas soluções / não contradição”; se pedir iteradas com integrais feios, foge. Regra: escolhe os dois em que já vês o caminho completo na primeira leitura.
Se o enunciado disser “responda apenas a 2”, risca claramente o terceiro — se fizeres os 3, pode contar só os 2 primeiros.
1️⃣ Q1 — EDO de 1.ª ordem (obrigatória)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Pedem: uma EDO não linear em que o enunciado dá a mudança de variável (w=1/x, z=x/t, v=y1−n…), mostrar que a nova equação é linear ou separável, resolvê-la, voltar à variável original, impor a condição inicial e (muito frequente) indicar o intervalo máximo de existência ou o limite quando t→∞ / esboço.
Não pedem: equações de ordem superior, Laplace (são do MAP2). Equações exatas são raras.
A lógica
Qualquer EDO do MAP reduz-se a um de dois moldes que sabes resolver de olhos fechados:
Separável:y′=g(t)h(y) → ∫h(y)dy=∫g(t)dt (+ não esquecer as soluções constantes h(y)=0).
A mudança de variável é só a ponte para lá chegar.
Passos
Substituir a mudança dada: escrever y e y′ em função da nova variável (ex.: x=tz⇒x′=z+tz′; w=1/x⇒w′=−x′/x2).
Simplificar até ter a forma linear ou separável — mostrar esse resultado (costuma valer uma alínea).
Resolver a nova equação (fator integrante ou separação).
Voltar à variável original.
Impory(t0)=y0 para obter a constante.
Intervalo máximo (molde oficial): “O domínio de diferenciabilidade da solução é D=…; Imax é o maior intervalo I⊂D com t0∈I.” Procurar: denominadores a zero, raízes pares de negativos, logaritmos de não positivos, e os pontos excluídos pela própria EDO (ex.: t=0 se a EDO tem t no denominador).
O truque que distingue nota 3 de nota 5
Intervalo máximo: tem de conter t0 e ser um intervalo (não uma união). Se o domínio for ]−∞,−a[∪]a,+∞[ e t0=1>a, a resposta é só ]a,+∞[.
Sinal da raiz: ao isolar x de x4=… ou x2=…, escolhe o sinal pela condição inicial.
Constante “absorvida”:ln∣z∣=…+C⇒z=Ke… com K=0 — e depois verifica se K=0 (solução constante) também serve.
Tabela de reconhecimento rápido
Forma
Mudança
Resulta em
y′+a(t)y=b(t)
—
linear
y′=g(t)h(y)
—
separável
y′+a(t)y=b(t)yn (Bernoulli)
v=y1−n
linear em v
y′=(a−by)y (logística)
w=1/y
linear: w′+aw=b
y′=F(y/t) (homogénea)
z=y/t
separável: tz′=F(z)−z
y′=F(at+by+c)
v=at+by+c
separável
Exemplo real (MAP1 2025/26, P3 — 7 val.)
Equação logística x′=(a−bx)x, a,b>0.
(a) Mostre que w=1/x satisfaz w′+aw=b. (b) Resolva a equação em w. (c) Determine x(t), calcule limt→+∞x(t) e esboce soluções.
Resolução passo-a-passo
1. Substituir.w=1/x⇒w′=−x2x′=−x2(a−bx)x=−xa+b=−aw+b, logo
w′+aw=b(linear)2. Fator integranteμ=eat: (eatw)′=beat⇒eatw=abeat+C, ou seja
w(t)=ab+Ce−at3. Voltar a x:x(t)=ab+Ce−at1limt→+∞x(t)=ba4. Esboço: retas de equilíbrio x=0 e x=a/b. Soluções com 0<x(0)<a/b crescem para a/b (forma de “S”); com x(0)>a/b decrescem para a/b. Pela unicidade (Picard), as curvas não se cruzam nem cruzam os equilíbrios.
Verificação
C=0⇒x≡a/b, que é de facto equilíbrio (a−b⋅ba=0). ✓
Exemplo real (Teste 1 2024/25, P3 — 7 val.)
x′=x3t2x4+3t4, x(1)=1. Usando z=x/t, determine a solução e o intervalo máximo.
Resolução passo-a-passo
1. Substituir.x=tz⇒x′=z+tz′. O lado direito é t3z3t2t4z4+3t4=z32z4+3. Então
tz′=z32z4+3−z=z3z4+3(separaˊvel)2. Separar:∫z4+3z3dz=∫tdt⇒41ln(z4+3)=ln∣t∣+c⇒z4+3=Ct4.
3. Voltar a x:x4=t4(Ct4−3).
4. CIx(1)=1: 1=C−3⇒C=4. Como x(1)>0 e t>0:
x(t)=t44t4−35. Intervalo máximo. A EDO exige t=0, x=0; a solução exige 4t4−3>0 (para x=0 e diferenciabilidade da raiz) ⇒∣t∣>43/4. Contendo t0=1:
Imax=]43/4,+∞[
Verificação
43/4≈0,93<1 ✓ — o ponto inicial está dentro do intervalo.
(A versão das soluções oficiais usa y′=ty3t4+2y4, y(1)=1 → y=t42t4−1, Imax=]41/2,+∞[. Mesmo método.)
Linear pura com Imax: o intervalo é o maior intervalo onde a(t) e b(t) são contínuas e que contém t0.
“Esboce as soluções” → equilíbrios + sinal de y′ entre eles + “não se cruzam por unicidade”.
2️⃣ Q2 — Sistema X′=AX (obrigatória)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Pedem (provável): matriz 2×2 (talvez 3×3 triangular/bloco), valores e vetores próprios, solução geral ou PVI, eventualmente eAt e o diagrama de fase (classificação + esboço). Pode vir um termo constante b (equilíbrio X∗=−A−1b).
Não esperar: sistemas de ordem superior. A variação das constantes com b(t) não constante é possível mas improvável numa questão de ~13 min.
O professor disse “provavelmente diagonalizável” → domina o caso diagonalizável, mas treina λ duplo e λ complexos (5 min cada) por segurança.
A lógica
Se Av=λv, então X(t)=eλtv é solução. Com dois vetores próprios independentes:
X(t)=c1eλ1tv1+c2eλ2tv2,eAt=SeΛtS−1,S=[v1∣v2]
e o PVI é simplesmente X(t)=eA(t−t0)X0.
Se pedirem eAt:SeΛtS−1 — para 2×2, S−1=detS1[d−c−ba].
Diagrama de fase: classificar (tabela abaixo), desenhar as retas dos vetores próprios, setas pelo sinal de λ, e curvas tangentes à direção do λ de menor ∣λ∣ junto à origem.
Classificação (2×2)
Valores próprios
Nome
Estabilidade
λ1,λ2>0 reais distintos
nó
instável (repulsor)
λ1,λ2<0 reais distintos
nó
estável (atrator)
λ1<0<λ2
sela
instável
λ1=0, λ2=0
reta de equilíbrios
—
a±ib, a>0 / a<0
foco
instável / estável
±ib
centro
estável (não assint.)
λ duplo, A=λI
estrela
sinal de λ
λ duplo, A=λI
nó degenerado (impróprio)
sinal de λ
Atalho:detA<0 ⇒ sela; detA>0 e (trA)2<4detA ⇒ foco/centro (sinal de trA). Sentido de rotação (complexos): se a21>0 → anti-horário; se a21<0 → horário (ver o vetor no ponto (1,0): A(1,0)T=(a11,a21)).
O truque que distingue nota 3 de nota 5
Ordem das colunas: em S=[v1∣v2] e Λ=diag(λ1,λ2) tem de ser a mesma ordem.
Verifica sempreAv=λv antes de continuar (10 segundos que salvam a pergunta inteira).
Verifica a CI no fim:X(0)=X0.
No diagrama de uma sela, as trajetórias aproximam-se pela reta do λ<0 e afastam-se pela do λ>0.
Exemplo de treino (Ficha 6 — Resolvidos, ex. 1)
Resolva X′=[3223]X, X(0)=[12]; determine eAt e classifique a origem.
Resolução passo-a-passo
1. Valores próprios.trA=6, detA=5: λ2−6λ+5=0⇒λ1=5,λ2=1.
2. Vetores próprios.λ=5: (A−5I)v=[−222−2]v=0⇒v1=(1,1). λ=1: [2222]v=0⇒v2=(1,−1).
3. Solução geral.X=c1e5t(1,1)+c2et(1,−1).
4. CI.c1+c2=1, c1−c2=2⇒c1=23,c2=−21:
X(t)=(23e5t−et,23e5t+et)5. eAt.S=[111−1], S−1=21[111−1]:
eAt=21[e5t+ete5t−ete5t−ete5t+et]6. Diagrama.5>1>0 → nó instável. Retas invariantes y=x (rápida) e y=−x (lenta); as órbitas saem da origem tangentes a y=−x e ficam paralelas a y=x ao longe.
Verificação
X(0)=(23−1,23+1)=(1,2) ✓; eA⋅0=I ✓.
Variante 1 — λ duplo (não diagonalizável)
A=[23−38]: tr=10, det=25 ⇒ λ=5 duplo. N=A−5I=[−33−33], N2=0, logo
eAt=e5t(I+tN)=e5t[1−3t3t−3t1+3t]
Com X(0)=(4,−3): X(t)=e5t(4−3t,3t−3) (mesma forma do resultado da Ficha 6, ex. 1b). Origem: nó degenerado instável.
Equilíbrio X∗=−A−1b (resolver AX∗=−b); então X(t)=X∗+eAt(X0−X∗) e o diagrama é o de Acentrado em X∗. Ex.: com a matriz do exemplo acima e b=(−5,−5), AX∗=(5,5)⇒X∗=(1,1). (Ficha 6, ex. 6: equilíbrio (21,23).)
Para b(t) geral: X(t)=eA(t−t0)X0+∫t0teA(t−s)b(s)ds.
3️⃣ Q3 — Teorema de Gauss (opcional)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Pedem: fluxo de F através de uma superfície abertaS (paraboloide, cone, semiesfera…) com normal exterior. Nos dois MAPs antigos foi sempre preciso fechar a superfície com tampa(s) planas. Frequentemente vem antes uma alínea de esboço.
Não pedem: calcular o fluxo diretamente pela parametrização (seria longo) — se o enunciado diz “use o Teorema da Divergência”, usa-o.
A lógica
∬∂VF⋅νdS=∭VdivFdV
Se S não é fechada: ∂V=S∪T (tampas). Logo fluxo em S = (integral da div) − (fluxo nas tampas). As tampas são planas → normal constante → fluxo fácil (muitas vezes 0).
Passos
Esboço de S (identifica eixo, vértice, raios nas fronteiras).
Fechar: escolher tampa(s) T e a respetiva normal exterior (ex.: tampa em x=0 de um sólido em x≥0 → ν=(−1,0,0)).
divF (muitas vezes constante → integral = constante × volume).
Integral tripla em coordenadas adaptadas (cilíndricas em torno do eixo da superfície, esféricas…). Jacobiano: ρ / r2senϕ.
Fluxo nas tampas:∬TF⋅νdS — substitui a equação do plano em F antes de integrar.
Subtrair.
O truque que distingue nota 3 de nota 5
Eixo das cilíndricas: se a superfície é x=1−y2−z2, o eixo é o x → y=ρcosθ, z=ρsenθ.
Normal das tampas: é a exterior ao sólido, não “para cima” por defeito. A tampa de baixo tem ν=(0,0,−1) (ou (0,−1,0), …).
Sinal na subtração:ΦS=∭divF−ΦT — escreve sempre a equação completa antes de fazer contas.
Volumes de cone/tronco de cone: V=3πh(R2+Rr+r2) — usa-o para confirmar.
Exemplo real (MAP1 2025/26, P1 — 7 val.)
S={(x,y,z):x=1−y2−z2,x≥0}. (a) Esboce as curvas de nível x=0 e x=43 e a superfície. (b) Calcule o fluxo de E=(x,2y,z) através de S, segundo a normal exterior.
Resolução passo-a-passo
1. Esboço.x=0: y2+z2=1 (circunferência de raio 1); x=43: y2+z2=41 (raio 21). S é um paraboloide de eixo x, vértice (1,0,0), aberto para x negativo, cortado em x=0.
2. Fechar com o disco T={x=0,y2+z2≤1}, normal exterior νT=(−1,0,0).
3. Divergência:divE=1+2+1=4.
4. Integral tripla (cilíndricas em torno do eixo x, 0≤ρ≤1−x):
∭V4dV=4∫02π∫01∫01−xρdρdxdθ=4⋅2π∫0121−xdx=8π⋅41=2π5. Tampa:E⋅νT=−x=0 em x=0 ⇒ ΦT=0.
6.ΦS=2π−0=2π
Verificação
Volume do sólido =∫01π(1−x)dx=2π; 4⋅2π=2π ✓.
Exemplo real (Teste 1 2024/25, P2 — 7 val.)
F=(x+ez,y+1,z+cos(xy)), S={y+2=x2+z2,0<y<2}. (a) Esboce S. (b) Calcule o fluxo de F através de S (normal exterior).
Resolução passo-a-passo
1. Esboço. Tronco de cone de eixo y: raio 2 em y=0 e raio 4 em y=2.
2. Fechar com T0={y=0,x2+z2≤4}, ν=(0,−1,0) e T2={y=2,x2+z2≤16}, ν=(0,1,0).
3.divF=1+1+1=3.
4.Vol=3π⋅2(16+8+4)=356π⇒∭3dV=56π.
5. Tampas: em T0, F⋅ν=−(0+1)=−1 ⇒ ΦT0=−4π; em T2, F⋅ν=2+1=3 ⇒ ΦT2=3⋅16π=48π.
6.ΦS=56π−(−4π)−48π=12π
Verificação
As componentes “feias” (ez, cos(xy)) nunca entram nas contas: não contribuem para a div nem para o fluxo nas tampas (normal segundo y). É o sinal de que Gauss era o caminho. (A versão das soluções oficiais dá 0 por ter dados ligeiramente diferentes.)
Variantes
Superfície já fechada (esfera, cubo) → só a integral tripla. Fichas: Ficha 2 ex. 6b (π/2), 7d (136π/3), 7e (2π/3), 13 (4π/3).
Campo r/∣r∣3 (singular na origem): não se aplica Gauss a um sólido que contenha a origem → usar uma esfera pequena (fluxo 4π).
4️⃣ Q4 — Teorema de Stokes (opcional)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Pedem:∇×F; a circulação∮ΓF⋅dγ ao longo de uma curva fechada (interseção de superfícies ou bordo de uma superfície); por vezes calculá-la também diretamente e confirmar. Quase sempre a escolha esperta é trocar a superfície por um disco plano com o mesmo bordo.
Orientação: quando o enunciado diz “escolha uma orientação”, declara-a explicitamente e mantém-na coerente.
A lógica
∮∂SF⋅dγ=∬S(∇×F)⋅νdS,∇×F=(Ry−Qz,Pz−Rx,Qx−Py)
O lado direito só depende do bordo ⇒ qualquer superfície com o mesmo bordo dá o mesmo valor → escolhe a mais simples (normal constante).
Passos
Rotacional (escreve a fórmula antes).
CurvaΓ: identificar e parametrizar (ex.: γ(θ)=(Rcosθ,Rsenθ,z0)).
Orientação: regra da mão direita — curva anti-horária vista de cima ⇔ ν com componente z positiva.
SuperfícieS com ∂S=Γ (o disco plano) e ν coerente.
Fluxo do rotacional:(∇×F)⋅ν constante ⇒ resultado = constante × área.
Se pedirem o cálculo direto: ∫02πF(γ(θ))⋅γ′(θ)dθ e confirmar.
O truque que distingue nota 3 de nota 5
Sinais do rotacional: a componente do meio é Pz−Rx (não Rx−Pz).
Coerência de orientação: se mudas a normal, a circulação muda de sinal — escreve sempre “com ν=…, a curva é percorrida no sentido …”.
∫02πsen2θdθ=∫02πcos2θdθ=π; ∫02πsenθdθ=0.
Exemplo real (MAP1 2025/26, P2 — 6 val.)
B=(y,x,x2). (a) Calcule ∇×B. (b) Calcule a circulação de B ao longo do bordo da semiesfera x2+y2+z2=4, z≥0.
Resolução passo-a-passo
1.∇×B=(Ry−Qz,Pz−Rx,Qx−Py)=(0−0,0−2x,1−1):
∇×B=(0,−2x,0)2. O bordo é a circunferência x2+y2=4, z=0. Orientação: anti-horária vista de cima.
3. Troca a semiesfera pelo disco D={z=0,x2+y2≤4}, ν=(0,0,1).
4.(∇×B)⋅ν=0 em todo o disco ⇒
∮ΓB⋅dγ=0
Verificação
Direto: γ=(2cosθ,2senθ,0), B⋅γ′=−4sen2θ+4cos2θ=4cos2θ ⇒ integral 0 ✓.
Exemplo real (Teste 1 2024/25, P1 — 6 val.)
Γ: interseção do cilindro x2+y2=9 com o plano z=1; F=(z−y,0,y). (a) Escolha uma orientação, parametrize Γ e calcule a circulação. (b) Indique S com ∂S=Γ e confirme pelo Teorema de Stokes.
Resolução passo-a-passo
1. Parametrização (anti-horária vista de cima): γ(θ)=(3cosθ,3senθ,1), γ′=(−3senθ,3cosθ,0).
2.F(γ)=(1−3senθ,0,3senθ) ⇒ F⋅γ′=−3senθ+9sen2θ.
∮ΓF⋅dγ=∫02π(−3senθ+9sen2θ)dθ=0+9π=9π3. Stokes.∇×F=(1−0,1−0,0−(−1))=(1,1,1). S={z=1,x2+y2≤9}, ν=(0,0,1) (coerente com a orientação escolhida):
∬S(1,1,1)⋅(0,0,1)dS=aˊrea(S)=9π✓
Verificação
As duas vias dão 9π. (Nas soluções oficiais o raio é 1 → π.)
Se ∇×F=0 num domínio simplesmente conexo → circulação 0 (campo gradiente).
5️⃣ Q5 — Teorema de Picard (opcional)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Três moldes possíveis (nenhum caiu nos MAPs antigos — vêm da Ficha 5):
A. Unicidade/existência local: verificar as hipóteses de Picard para um PVI e concluir que há solução única; ou usar a unicidade para mostrar que soluções não se cruzam (ficam presas entre equilíbrios).
B. “Infinitas soluções” / não contradição (o mais provável): mostrar que um PVI tem infinitas soluções e explicar porque isso não contradiz Picard.
C. Iteradas de Picard: calcular y1,y2 (às vezes y3).
A lógica
Teorema (Picard–Lindelöf): se f é contínua num aberto D∋(t0,y0) e localmente Lipschitz em y (basta ∂f/∂y contínua em D), então o PVI y′=f(t,y), y(t0)=y0 tem solução única num intervalo em torno de t0.
Iteradas:y0(t)≡y0, yn+1(t)=y0+∫t0tf(s,yn(s))ds.
Passos — Molde B (infinitas soluções)
Encontrar a solução constante (ex.: y≡0).
Encontrar as soluções não triviais por separação de variáveis.
“Cortar e colar”:yα(t)={0,soluc¸a˜o na˜o trivial,t≤αt>α — uma para cada α≥t0.
Mostrar que yα é diferenciável no ponto de colagem (derivadas laterais iguais, ambas 0) e satisfaz a EDO.
Não contradição:f é contínua (⇒ existência, Peano) mas ∂f/∂ynão é limitada perto de y=y0 ⇒ f não é Lipschitz ⇒ Picard não se aplica, logo não garante unicidade.
O truque que distingue nota 3 de nota 5
Picard dá condição suficiente, não necessária: falhar a hipótese não prova que há várias soluções — é preciso exibi-las.
Na colagem, verifica explicitamente as derivadas laterais em t=α.
Nas iteradas, não simplifiques antes de integrar se a expressão já está polinomial; integra termo a termo.
Exemplo de treino (Ficha 5, ex. 1)
Mostre que y′=y, y(0)=0 tem infinitas soluções e explique porque isso não contradiz o Teorema de Picard.
Resolução passo-a-passo
1.y≡0 é solução.
2. Para y>0: ∫y−1/2dy=∫dt⇒2y=t−α⇒y=4(t−α)2, t>α.
3. Para cada α≥0:
yα(t)=⎩⎨⎧0,4(t−α)2,t≤αt>α4. Em t=α: derivada à esquerda 0, à direita 2t−αα=0 ⇒ diferenciável; e yα′=2t−α=yα para t>α ✓. Todas satisfazem y(0)=0 ⇒ infinitas soluções.
5. Não contradição:f(t,y)=y é contínua, mas ∂y∂f=2y1→+∞ quando y→0+ ⇒ f não é localmente Lipschitz em nenhuma vizinhança de (0,0) ⇒ a hipótese de Picard falha.
Verificação
Treina também: Ficha 5 Resolvidos ex. 2 (y′=2ty2/3 → y=t6/27 e família colada) e ex. 3 (y′=p∣y∣(p−1)/p).
Exemplo de treino (Ficha 5, ex. 3) — iteradas
Calcule as duas primeiras iteradas de Picard para y′=t2+y2, y(0)=0.
Soluções presas:y′=y(1−y), y(0)=21. f é C1 ⇒ unicidade; y≡0 e y≡1 são soluções ⇒ a solução não as pode cruzar ⇒ 0<y(t)<1 para todo t, e é crescente (y′>0).
Ramificação: Ficha 5 ex. 2: (1−t)yy′=1−y2, y(21)=2 → y=1+12(1−t)2, Imax=]−∞,1[; em (1,1) as hipóteses falham (t=1 anula o coeficiente) e várias soluções passam aí.
Prolongamento: se a solução está limitada e f é regular, pode prolongar-se; o Imax só termina se a solução “explode” ou atinge a fronteira de D.
🔁 Padrões Recorrentes
O que o professor repete
Esboço antes de Gauss (curvas de nível + superfície) — vale pontos fáceis, não deixes em branco.
Gauss = fechar a superfície com tampa plana; o campo tem termos “feios” que desaparecem na div ou na tampa.
Stokes = trocar por um disco plano; ∇×F costuma ser constante ou anular-se no disco.
EDO com mudança de variável dada → linear ou separável → CI → Imax ou limite/esboço.
Respostas finais “redondas”: múltiplos de π (2π, 9π, 12π, 0). Se te sair 1137π, revê.
Novidade 2026/27: sistemas X′=AX obrigatórios e Picard opcional — espera exercícios curtos (≈ 13 min), no estilo das Fichas 5–6.
Checklist anti-erro
Gauss: normal exterior de cada tampa escrita explicitamente
Gauss: cilíndricas em torno do eixo certo + jacobiano ρ
Gauss: ΦS=∭divF−Φtampas (sinal!)
Stokes: componente do meio do rotacional é Pz−Rx
Stokes: orientação da curva declarada e coerente com ν
EDO: mostrei a forma linear/separável depois da substituição
EDO: não perdi soluções constantes ao dividir
EDO: Imax é um intervalo que contém t0
Sistema: verifiquei Av=λv para cada vetor próprio
Sistema: ordem de S e Λ coincide; verifiquei X(0)=X0
Sistema: classificação + setas + tangência à direção lenta no diagrama
Picard: exibi as várias soluções e expliquei qual hipótese falha
Só 2 opcionais entregues (o terceiro riscado)
📅 Plano de Estudo Sugerido
15 → 20 de outubro
Qui 15/10 — EDOs (Q1): reler §4 do Resumo; refazer MAP 2025/26 P3 e MAP 2024/25 P3 sem ver; 3 exercícios da Ficha 4 (um Bernoulli, uma homogénea, uma linear com Imax).
Sex 16/10 — Sistemas (Q2): §6 do Resumo; Ficha 6 Resolvidos ex. 1, 3, 4; Ficha 6 ex. 1a, 1b, 2 (diagrama), 6 (b constante); treinar as variantes λ duplo e complexos deste guia.
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