Engenharia reversa de 17 resoluções oficiais de 2025/26, que correspondem a 9 enunciados distintos (as outras versões só mudam os números): Época Normal 19/01/2026 (A/B), Recurso 02/02/2026 (A/B), Época Normal 16/06/2026 (enunciados A≈D, B≈E, C≈F), Recurso 30/06/2026 (A≈D, B≈E, C≈F) e Época Especial 21/07/2026. Tudo cruzado com a Coletânea 2026/27 (Cap. 2–5).
Porque é que os exames servem de molde. Em 2025/26 a avaliação era um exame único de 2 h com a matéria toda. Em 2026/27 há 2 MAPs, que dividem a matéria aproximadamente a meio: o MAP1 vai até ao Cap. 5 inclusive e o MAP2 fica com a inferência (Cap. 6–9). Não havia enunciados de MAP1 antigos, mas os exames têm sempre a 1.ª metade (≈10 val., P1–P4/P5) só com matéria dos Cap. 2–5 e a 2.ª metade só com inferência. Por isso, essa 1.ª metade é o molde do MAP1: na prática, o MAP1 é “meio exame em 1 hora”.
Verificação do corte (feita pergunta a pergunta nos 9 enunciados): a partir da P5/P6 todas as perguntas são de MAP2 (verosimilhança, propriedades de estimadores, IC, testes, regressão). Nenhuma pergunta do Cap. 5 ficou de fora deste guia. As únicas “fronteiriças” são 16/06-C P5 e 30/06-A P5: usam as regras do Cap. 5 (E e Var de combinações lineares), mas aplicadas a estimadores, que são matéria do MAP2.
Formato observado: perguntas de 2 val. (quase sempre escolha múltipla A–D, com −0.5 val. por resposta errada) e de 3 val. (abertas, 2 alíneas de 1–2 val., justificação obrigatória).
Notas-irmãs: Resumo MAP1 (teoria + exercícios da coletânea) → este Guia → Formulário MAP1. Apoio oficial: Formulário · Tabelas.
Confirmar antes do teste
A duração (1 h), o peso (40 %) e o mínimo (8,0) vêm do funcionamento da cadeira. O âmbito exato do T1, o material permitido e se a penalização de −0.5 da escolha múltipla também se aplica no teste continuam por confirmar (ver Funcionamento-Cadeiras-e-Avaliacoes-2Ano). O Cap. 1 (R/descritiva) nunca saiu na parte escrita dos exames: avalia-se nas Séries de Problemas.
Par aleatório: tabela/densidade conjunta, condicional, Cov/Corr, independência
3 (às vezes 2 EM)
§5.1–5.2
Aberta
Muito provável (6/9)
Q5
Somas: combinação linear de normais / TLC
2 (às vezes 3)
§5.3
EM
Muito provável (6/9)
Como se encaixam
Os exames têm 4 ou 5 perguntas desta lista, somando ≈10 val. Q4 e Q5 revezam-se, mas pelo menos uma das duas saiu em todos os 9 enunciados. Na prática, conta com Q1 + Q2/Q3 (às vezes fundidas) + Q4 e/ou Q5.
O Cap. 5 pode pesar mais no MAP1 do que pesava no exame
No exame, o Cap. 5 tinha de caber em 1–2 perguntas, ao lado da inferência. Num MAP1 só com os Cap. 2–5, é provável que saiam Q4 e Q5 juntas, e que o Cap. 5 traga tipos que os exames não chegaram a usar: suporte triangular, construir a conjunta a partir de duas provas independentes, ou a condicional de uma soma. Treina o Cap. 5 inteiro. A secção 🧩 Cap. 5 — cobertura completa da coletânea lista os 24 exercícios e resolve os que não estavam no Resumo.
Estratégia global de tempo (60 min)
Primeiros 2 min: ler tudo e marcar as EM “de 1 linha” (série/paralelo, amnésia, soma de normais, TLC).
EM primeiro (~8 min cada): são mecânicas e valem o mesmo que uma alínea difícil. Faz a conta toda e confere com as opções. Os distratores são os erros clássicos, por exemplo P(X≤x) em vez de P(X>x), ou e−11/5 em vez de e−8/5.
Abertas (~15 min cada): escreve v.a. + distribuição + parâmetros logo na 1.ª linha, porque isso já pontua.
Últimos 5 min: confirmar unidades, σ vs σ2, e que todas as EM ficaram assinaladas na folha.
A conta da penalização (se o teste seguir a regra dos exames)
EM com 4 opções, +2 val. se certa e −0.5 se errada. Um palpite completamente aleatório vale em média 0.25×2−0.75×0.5=+0.125 val., e se eliminares uma opção passa a 31×2−32×0.5=+0.33. Nunca deixes uma EM em branco.
1️⃣ Q1 — Acontecimentos (Cap. 2)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Uma probabilidade condicional ou composta, numa história com 2–3 acontecimentos. Não pedem espaços de resultados, demonstrações nem contagens pesadas: as combinatórias da coletânea (2.6–2.11) não saíram em 2025/26.
A lógica: 5 sub-tipos que já saíram
Sub-tipo
Exame
Ferramenta
Bayes com partição
02/02 P1 · 30/06-C P1 · 16/06-C P1
árvore → total → Bayes
Composta/total em cadeia
30/06-B P1 · 16/06-B P1
P(F1)P(F2∣F1)P(F3∣F1F2)
Condicional a partir de %
19/01 P1
De Morgan + P(D∣Mˉ)=P(Mˉ)P(Mˉ)−P(Mˉ∩Dˉ)
Independência / série–paralelo
16/06-A P1 · 21/07 P1
produto; paralelo =1−∏(1−pi)
Inclusão–exclusão a 3 + condicional
30/06-A P1
P(Pt∣F∪I)=P(F∪I)P(Pt∩F)+P(Pt∩I)−P(Pt∩F∩I)
Passos
Nomear os acontecimentos com letras e escrever todos os dados como P(⋅) ou P(⋅∣⋅). Este é o passo que mais pontua nas abertas.
Traduzir a pergunta: “sabendo que” → condicional; “pelo menos uma” → complementar; “um tipo de… ou outro” → união.
Se houver causas/subpopulações → árvore → total → Bayes.
Se houver independência → produtos, e passar aos complementares quando dá jeito.
O truque que distingue 1 val. de 2 val.
Ler a condição complementar: em 02/02 P1 pede-se P(E∣Tˉ) (teste negativo), por isso usa-se 1−0.9 e 1−0.01. O distrator D: 0.972 é P(Eˉ∣Tˉ).
Em Bayes com várias causas e “qual a mais provável” (30/06-C), calcula as três posteriores e compara. Não basta ver a maior a priori, porque a resposta muda!
“Sem reposição” e “o 1.º estava bom sabendo que o 2.º não está” (16/06-C) é Bayes ao contrário no tempo. É legítimo, e a árvore resolve.
Exemplo real (Recurso 02/02/2026, P1, 2 val., EM)
Teste de esteroides: P(+∣E)=0.9, P(+∣Eˉ)=0.01; 1 em cada 50 atletas toma esteroides. Probabilidade de um atleta ter tomado esteroides se o teste deu negativo? (A: 0.002 · B: 0.124 · C: 0.647 · D: 0.972)
Um teste negativo num grupo de baixa prevalência quase garante que o atleta está limpo. Confere qual dos ramos (T ou Tˉ) a pergunta pede.
Exemplo real (Recurso 30/06/2026 C, P1, 2 val., EM)
Classes C1,C2,C3 com P=0.25,0.375,0.375; atendimento rápido R com P(R∣Ci)=0.8,0.9,0.7. Classificação mais provável de um doente não atendido rapidamente? (A: C1 · B: C2 · C: C3 · D: C2 ou C3)
Resolução passo-a-passo
1. Total:P(R)=0.2+0.3375+0.2625=0.8 ⇒ P(Rˉ)=0.2.
2. Bayes (com Rˉ):P(C1∣Rˉ)=0.20.2⋅0.25=0.25; P(C2∣Rˉ)=0.20.1⋅0.375=0.1875; P(C3∣Rˉ)=0.20.3⋅0.375=0.5625 → C.
Lição
As três posteriores somam 1, o que serve de verificação grátis.
Exemplo real (Especial 21/07/2026, P1, 2 val., EM = Coletânea 2.16b)
Escavação A, fundação B, superestrutura C a tempo, independentes, com 0.8,0.7,0.9. P(escavação a tempo e pelo menos uma das outras não)? (A: 0.567 · B: 0.296 · C: 0.103 · D: 0.056)
Resolução passo-a-passo
Pelo complementar (mais rápido):P(A∩B∩C)=P(A)[1−P(B)P(C)]=0.8(1−0.63)=0.296 → B.
Lição
“Pelo menos uma não” =B∩C (De Morgan). Evita a inclusão–exclusão da resolução oficial.
Variantes que já saíram
Sistema em paralelo com 3 componentes iguais (16/06-A/D): 1−(1−p)3, com p=0.8⇒0.992 e p=0.4⇒0.784.
Cadeia de fases (30/06-B, 3 val.): (a) P(S)=0.7⋅0.6⋅0.5=0.21; (b) com repescagem de 10 % dos que chumbam na 1.ª fase, P(C)=0.21+0.1(0.3)=0.24.
Sem reposição, 2.ª tiragem (16/06-B, 3 val.): P(Fˉ2)=10793+10392=103. A probabilidade marginal da 2.ª tiragem é igual à da 1.ª (simetria).
Dada uma f (tabela ou densidade por troços) ou uma F (escada): passar de uma para a outra, calcular E, Var/DP, moda, mediana e, cada vez mais, E[g(X)] ou Var[g(X)] de uma transformação (custo, tempo, 5L2+2). Não pedem demonstrações de propriedades.
A lógica
f(x)=F(x)−F(x−)(saltos)F(x)=∫−∞xfE[g(X)]=∑g(x)f(x)(∫gf)Var=E[X2]−E[X]2
Para transformações não lineares (X2, ∣X−6∣, um custo por escalões) não há atalho: faz-se a tabela de g(x) ou o integral de g(x)f(x). Para as lineares, E[aX+b]=aE+b e Var[aX+b]=a2Var.
Passos
Escrever X = … em palavras, com o suporte.
Se te dão F discreta, f = saltos; se te dão f contínua, integra por troços para obter F, acumulando a área dos troços anteriores.
E[X], E[X2], Var, e DP=Var quando pedem desvio padrão.
Moda = máximo de f. Mediana: o menor x com F(x)≥0.5 (discreta) ou F(q)=0.5no troço certo (contínua).
Para Y=g(X) discreta, faz a tabelax→g(x)→P e soma.
O truque que distingue 1.5 val. de 3 val.
Uma condicional “disfarçada”: ”X>2.6sabendo queX< mediana” (30/06-A) dá F(q0.5)F(q0.5)−F(2.6)=0.50.5−F(2.6), e não precisas de calcular q0.5! Este padrão P(A∣B) com A⊂B apareceu em 6 dos 9 enunciados (Q2, Q3 e Q4).
Var[g(X)] com g quadrática:Var[5L2+2]=25(E[L4]−E[L2]2). O +2 desaparece e o 5 sai ao quadrado.
Comparar ”DP vs E” ou ”Var vs moda/mediana”: escreve a desigualdade final explicitamente ("DP(X)=0.77>E(X)=0.75"), porque é a conclusão que está a ser cotada.
Exemplo real (Época Normal 16/06/2026 A, P2, 3 val.)
X = nº de características não conformes: P(X=0,1,2,3)=0.72,0.18,0.08,0.02. (a) Mostre que Var(X) é maior que a moda e que a mediana. (b) Cada não conformidade custa 4 €, e com ≥2 há mais 3 € de inspeção. fC e E[C].
Resolução passo-a-passo
1. (a)E=0.18+0.16+0.06=0.40; E[X2]=0.18+0.32+0.18=0.68; Var=0.68−0.16=0.52.
Moda =0 (máximo 0.72). Mediana =0 porque F(0)=0.72≥0.5. Logo Var> moda = mediana. ✔
2. (b) Tabela de C=g(X):X=0→0; 1→4; 2→2(4)+3=11; 3→3(4)+3=15, com as mesmas probabilidades.
E[C]=4(0.18)+11(0.08)+15(0.02)=0.72+0.88+0.30=1.90€.
Lição
Um custo “por escalões” não é linear, por isso não uses 4E[X]+…. Faz a tabela.
Exemplo real (Recurso 30/06/2026 A, P2, 3 val.)
fX(x)=83(x−2)2 em [2,4]. (a) FX. (b) P(X>2.6∣X<q0.5).
Resolução passo-a-passo
1. (a)FX(x)=∫2x83(t−2)2dt=8(x−2)3 em [2,4], 0 antes e 1 depois.
F escada → f, e DP vs E (19/01 P2, 2 val.): F=0.45,0.8,1 ⇒ f=0.45,0.35,0.2; E=0.75, DP=0.7665>E. Na versão B, DP=0.7<E=1.1: a conclusão muda entre versões!
Tempo médio com ∣x−6∣ (30/06-A P3, EM): X∼U{1..12}, E[0.2+0.05∣X−6∣]=0.2+120.05⋅36=0.35. Soma os ∣x−6∣ à mão: 5+4+3+2+1+0+1+⋯+6=36.
Densidade triangular (21/07 P4a): mostrar E=100 e Var=1002/6 integrando os 2 troços. Serve de entrada para o TLC na alínea b (ver Q5).
Reconhecer o modelo e o parâmetro a partir de uma pista indireta, e depois uma probabilidade. As pistas indiretas que já saíram: P(X=3)=P(X=4), P(X=0)=0.000045, E e Var dados, ou Var de uma uniforme. Também: amnésia (geométrica e exponencial) e o padrão de dois níveis (uma prova de Bernoulli com p vindo de outro modelo, repetida n vezes ⇒ binomial).
Modas a saber:Poi(λ) tem moda ⌊λ⌋ (se λ não for inteiro); Bi(n,p) tem moda m0 com np+p−1≤m0≤np+p, ou seja ⌊(n+1)p⌋. Saíram ambas!
Passos
X = … ∼ Modelo(parâmetros), numa linha só e com justificação (”n provas de Bernoulli independentes com p constante”).
Obter o parâmetro a partir da pista (tabela acima).
Traduzir a pergunta: “pelo menos” → complementar; “nem mais de 12 nem menos de 7” → F(12)−F(6).
Dois níveis: calcula p=P(evento num ano/medic¸a˜o) e depois W∼Bi(n,p).
O truque que distingue 1 val. de 3 val.
Amnésia bem escrita: “resistiu a 5 choques, pelo menos mais 3” dá P(X>8∣X>5)=P(X>3)=0.93=0.729 (30/06-B). Na exponencial (16/06-C): P(X>11∣X>3)=P(X>8)=e−8/5=0.2018. Os distratores são e−11/5=0.1108 e e−3/5=0.5488!
Binomial condicional “pelo menos 3, sabendo que pelo menos 1” (16/06-A): P(Y≥1)P(Y≥3), porque {Y≥3}⊂{Y≥1}. A mesma armadilha em 16/06-B: P(Y=3∣Y≥1)=0.56950.0331=0.0581.
“Se não conseguir determinar λ, use λ=5”: usa mesmo o valor de recurso. As alíneas seguintes são cotadas pelo método.
E[X2] de uma binomial sem somar nada: E[X2]=Var+E2=np(1−p)+(np)2 (16/06-B: 1.998). Atenção: a resolução oficial tem o sinal trocado (−) na fórmula, mas o número certo.
Exemplo real (Recurso 02/02/2026, P2, 3 val.)
Nº de jazidas por ano X∼Poi(λ), e é tão provável encontrar 3 como 4. (a) λ e P(X=0). (b) Em 10 anos independentes, P(menos de 3 anos sem nenhuma jazida)?
Resolução passo-a-passo
1. (a)3!e−λλ3=4!e−λλ4⇒λ=4; P(X=0)=e−4=0.0183.
2. (b) Dois níveis: cada ano é Bernoulli(“sem jazida”) com p=0.0183, e W∼Bi(10,0.0183).
P(W<3)=FW(2)=0.8312+0.1551+0.0130=0.9993
Lição
“Em quantos anos/medições acontece X” → binomial por cima do modelo de cada ano.
Exemplo real (Época Normal 16/06/2026 A, P3, 3 val.)
Erro X∼U(−α,α) com Var(X)=3. Instável se ∣X∣>0.6. (a) α e P(instável). (b) Em 4 medições independentes, P(pelo menos 3 instáveis sabendo que pelo menos 1 é).
Demonstrar E(Y)=np pela definição (16/06-B, 1 val.): tirar np para fora da soma e reconhecer a soma de uma Bi(n−1,p) como 1.
Uniforme “disfarçada” (19/01 P3, EM): autocarros de 20 em 20 min e chegada X∼U(0,20). A espera é 20−X, logo “espera >10 sabendo que espera <15” é P(X<10∣X>5)=155=31.
Intervalo na Poisson (21/07): P(7≤X≤12)=F(12)−F(6)=0.661, com F(6) e não F(7).
Treino na coletânea: 4.1, 4.3, 4.5, 4.9, 4.10, 4.14 (amnésia), 3.14 (n,p a partir de momentos), 5.8.
4️⃣ Q4 — Pares aleatórios (Cap. 5.1–5.2)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Discreto (tabela): marginais → condicional → E[X∣Y=y], ou Cov/Corr + independência. Contínuo (densidade no quadrado [0,1]2): marginais → E[X], E[XY] → Cov → independência. Não saíram suportes triangulares nem FX,Y contínua: a coletânea é mais difícil do que os exames aqui.
A lógica
fX∣Y=y(x)=fY(y)fX,Y(x,y)E[X∣Y=y]=∑xxfX∣Y=y(x)Cov=E[XY]−E[X]E[Y]Corr=VarXVarYCovNão independência: basta uma célula com fX,Y=fXfY (de preferência um 0 na tabela) ouCov=0.
Passos
Tabela: escreve as marginais na margem e confirma que somam 1.
Se a conjunta não for dada, constrói-a: fX,Y(x,y)=fX(x)fY∣X=x(y) (19/01 P4).
Condicional: a linha/coluna a dividir pela marginal.
Cov: E[XY] soma só as células com xy=0.
Independência: zero na tabela, ou Cov=0, ou um ponto onde f=fXfY.
O truque que distingue 1.5 val. de 3 val.
”Cov=0 ⇒ dependentes” é uma justificação válida (e a mais rápida). O recíproco não: Cov=0 não prova independência (Coletânea 5.6).
FX,Y(0.5,0) numa tabela (21/07 P3): soma todas as células com x≤0.5ey≤0, ou seja 0.23+0.02+0.02+0=0.27 (e não 0.29). A afirmação 4 era falsa.
E[2Y+1∣X=3]=2E[Y∣X=3]+1: a linearidade vale para o esperado condicional. Em 16/06-C, Y∣X=3∼Bi(3,21) ⇒ E=23 ⇒ resposta 4. Reconhecer a família da condicional poupa a soma toda.
Exemplo real (Época Normal 19/01/2026 A, P4, 2 val.)
P(X=1,2,3)=0.2,0.5,0.3; P(Y=2∣X=x)=qx e P(Y=−2∣X=x)=1−qx, com q=0.1,0.5,0.7. Calcule E[X∣Y=−2].
4.Cov=31−14449=−1441=0 ⇒ dependentes, logo a afirmação é falsa.
Lição
Com f=x+y no quadrado, f=fXfY logo à vista. Mas o enunciado pedia a Cov, e é ela que justifica a resposta.
Variantes que já saíram
Contínuo com relações dadas (30/06-C, 3 val.): fT,R=116(t2+3r) em [0,1]2, com E[T] e E[TR] dados em função de E[R]. Basta calcular E[R]=116(61+1)=117, e Cov=4415−116⋅117≈−0.0062.
EM de “afirmações verdadeiras” sobre uma tabela 3×3 (21/07 P3): condicional, distribuições marginais iguais e bimodais, dependência, FX,Y. Verifica as quatro.
Treino na coletânea:5.1, 5.2, 5.3, 5.4, 5.5, 5.6, 5.7, 5.9, 5.10, 5.11, 5.12, 5.13, 5.21, 5.22. A secção do Cap. 5 resolve os que não estão no Resumo.
5️⃣ Q5 — Somas: normais e TLC (Cap. 5.3)
O que pedem (e o que NÃO pedem)
Uma probabilidade sobre uma soma/diferença/média. Há dois casos: (i) normais independentes, e a soma é exatamente normal; (ii) i.i.d. de qualquer modelo (Poisson, Bernoulli, uma densidade dada, ou só E e DP), e a soma é aproximadamente normal pelo TLC. Quase sempre EM de 2 val.; às vezes é a alínea b) de uma pergunta de 3 val.
A lógica: receita em 3 linhas
E[∑ciXi]=∑ciE[Xi]Var[∑ciXi]=ind.∑ci2Var[Xi]P(S≤s)≈Φ(Var[S]s−E[S])
Soma de n i.i.d.: E=nμ, Var=nσ2. Média: E=μ, Var=σ2/n.
Passos
Definir Xi = … (i=1,…,n) e S=∑Xi (ou W=3X−2Y).
E[Xi] e Var[Xi]de uma parcela (do modelo, ou dados no enunciado).
E[S] e Var[S], escrevendo “ind.” e “i.d.” por cima dos = (é assim que a resolução oficial cota).
Escrever ”S∼N(⋅,⋅) (reprodutividade da normal)” ou ”S∼aN(⋅,⋅)pelo TLC”, padronizar e ler Φ.
O truque que distingue 1 val. de 2 val.
“Desvio padrão igual a 3” (02/02 P4) ⇒ Var=9, não 3. Em N(μ,σ2) o 2.º parâmetro é a variância (19/01: N(10,4) tem σ=2).
Combinação com coeficientes:Var[3X−2Y]=9VarX+4VarY. Os coeficientes saem ao quadrado e o sinal − desaparece.
Unidades de tempo: “3 anos” = 36 meses (02/02); “uma hora” = 60 minutos (21/07).
Sem correção de continuidade: as resoluções oficiais de 2025/26 aplicam o TLC diretamente, mesmo em somas discretas (30/06-B: P(S>150) com z=96150−160).
Exemplo real (Época Normal 19/01/2026 A, P5, 2 val., EM)
X∼N(10,4) e Y∼N(5,9) independentes; W=3X−2Y e aprova-se se W>0. P(aprovar)? (A: 0.991 · B: 0.900 · C: 0.832 · D: 0.055)
Resolução passo-a-passo
1.EW=30−10=20; VarW=9(4)+4(9)=72.
2.W∼N(20,72) ⇒ P(W>0)=1−Φ(72−20)=Φ(2.357)=0.991 → A.
Exemplo real (Recurso 02/02/2026, P4, 2 val., EM)
Acidentes por mês: E=2.5, DP=3, meses independentes. P(mais de 100 acidentes em 3 anos)? (A: 0.17 · B: 0.29 · C: 0.52 · D: 0.71)
Os exames só usaram uma parte do Cap. 5, mas o MAP1 pode ir buscar o resto. A tabela mostra os 24 exercícios do Cap. 5: que tipo de pergunta são, onde já saíram, e onde está a resolução.
Coletânea 5.4: conjunta a partir de duas provas independentes
Provas A e B independentes, com notas 0/1/2 e probabilidades A: 0.2, 0.5, 0.3 e B: 0.2, 0.6, 0.2. Seja X=∣A−B∣ e Y=A+B. (a) Conjunta, marginais e fX∣Y=2. (b) Independência. (c) E[Y∣X=2], P(Y=2∣XY=0), P(X+Yıˊmpar).
Resolução passo-a-passo
1. Percorrer as 9 combinações (a,b), com P=pA(a)pB(b) porque as provas são independentes, e ver para onde vai cada uma:
(a,b)
P
(X,Y)
(0,0) · (1,1) · (2,2)
0.04 · 0.30 · 0.06
(0,0) · (0,2) · (0,4)
(0,1) · (1,0)
0.12 · 0.10
(1,1)
(1,2) · (2,1)
0.10 · 0.18
(1,3)
(0,2) · (2,0)
0.04 · 0.06
(2,2)
2. Tabela conjunta:
X\Y
0
1
2
3
4
fX
0
0.04
0
0.30
0
0.06
0.40
1
0
0.22
0
0.28
0
0.50
2
0
0
0.10
0
0
0.10
fY
0.04
0.22
0.40
0.28
0.06
1
3.fX∣Y=2: X=0 com 0.400.30=0.75 e X=2 com 0.25.
4. (b)f(1,0)=0=fX(1)fY(0)=0.02 ⇒ não independentes.
5. (c) Se X=2, então Y=2 com certeza ⇒ E[Y∣X=2]=2 e V[Y∣X=2]=0.
XY=0 acontece se X=0 (o caso Y=0 já está dentro de X=0) ⇒ P(XY=0)=0.40, logo P(Y=2∣XY=0)=0.400.30=0.75.
X+Y=∣A−B∣+A+B=2max(A,B) é sempre par ⇒ P(X+Yıˊmpar)=0.
Lição
Quando a conjunta não é dada, faz a tabela das combinações primeiro e só depois agrupa. É o mesmo gesto de 19/01 P4, com mais casas.
Coletânea 5.22: correlação numa tabela (molde 30/06-A P4)
3.E[XY]=1(0.10)+2(0.05)+2(0.10)+4(0.10)=0.8, logo Cov=0.8−1.05(0.9)=−0.145.
Corr=0.6475×0.69−0.145=−0.217
4. Comentário: a associação linear é negativa e fraca: mais anos de experiência tendem a vir com menos acidentes. Corr=0 ⇒ não independentes.
Coletânea 5.19: uniforme, condicional e TLC
Intervalo entre comboios X∼U(5,15) minutos. (a) P(X>8). (b) Já passaram 8 min: P(esperar pelo menos mais 5) e o tempo esperado de espera adicional. (c) P(Xˉ100>9).
Resolução passo-a-passo
1. (a)P(X>8)=1015−8=0.7.
2. (b)P(X≥13∣X>8)=P(X>8)P(X≥13)=7/102/10=0.286. Como X∣X>8∼U(8,15), vem E[X−8∣X>8]=11.5−8=3.5 min.
3. (c)EX=10 e VarX=12100 ⇒ Xˉ∼aN(10,121) pelo TLC, σXˉ=0.2887:
P(Xˉ>9)≈1−Φ(−3.46)=0.9997.
Lição
A uniforme NÃO tem amnésia. Com uma exponencial, a resposta da (b) seria P(X≥5). Aqui não é: a condicional encolhe o intervalo para (8,15). É a armadilha inversa da Q3.
Coletânea 5.20: uniforme → binomial → TLC
Horas de sono por noite ∼U(7,12). (a) P(>11 h). (b) Em 20 noites, P(pelo menos 3 noites com mais de 11 h). (c) P(mais de 1100 h em 100 noites).
Resolução passo-a-passo
1. (a)p=P(X>11)=51=0.2.
2. (b) Dois níveis:N = n.º de noites com mais de 11 h ∼Bi(20,0.2).
P(N≥3)=1−FN(2)=1−(0.0115+0.0576+0.1369)=0.7939.
3. (c) TLC:ES=100(9.5)=950 e VarS=100⋅1225=208.3 ⇒ z=14.431100−950=10.4 ⇒ P≈0.
Lição
É o padrão de dois níveis da Q3 com um TLC por cima. Uma só pergunta pode cobrir Cap. 4 e Cap. 5.
Coletânea 5.8: Poisson, binomial e filtragem
Partículas por período X∼Poi(λ) com E[X2]=6. (a) Em 7 períodos, P(pelo menos um período com 4 ou mais partículas). (b) Um contador regista cada partícula com probabilidade 0.9: mostrar que Y (registadas) ∼Poi(1.8) e calcular EY e a mediana.
3. (b)Y∣X=x∼Bi(x,0.9) ⇒ pela probabilidade total P(Y=k)=∑x≥k(kx)0.9k0.1x−kx!e−22x=k!e−1.81.8k, ou seja Y∼Poi(1.8).
EY=1.8. Mediana: F(1)=0.463<0.5≤F(2)=0.731 ⇒ mediana =2.
Coletânea 5.7, 5.10, 5.11 e 5.21: os "truques de leitura"
Quatro exercícios curtos em que a dificuldade está em ver a estrutura antes de fazer contas.
Resolução passo-a-passo
5.7.p2−x−yqx+y=(p1−xqx)(p1−yqy): a conjunta fatoriza, logo X,Y são Bernoulli(q) independentes. Z=X+Y∼Bi(2,q) ⇒ V(Z)=2pq; E[X∣Y]=q (é constante, por independência). Um par com as mesmas marginais mas outra conjunta é U=V∼Ber(q): aí P(U=1,V=1)=q=q2.
5.10.f=6(1−x−y) no triângulox,y>0, x+y<1. Suporte não retangular ⇒ não independentes (é a justificação mais rápida). fX(x)=3(1−x)2 ⇒ FX(x)=1−(1−x)3 em (0,1). fX∣Y=y(x)=(1−y)22(1−x−y) para 0<x<1−y. Com y=21: P(X<41∣Y=21)=∫01/48(21−x)dx=43. E P(X<43∣Y>21)=1, porque Y>21 obriga a X<21.
5.11. O termo x(y−1)[x2−(y−1)2] é ímpar em x (e em u=y−1) ⇒ integra a 0 ⇒ fX=21 em (−1,1) e fY=21 em (0,2). Pela mesma simetria, P(X<Y) fica igual à de um par uniforme: 1−4aˊrea{x≥y}=1−41/2=87.
5.21. Com X,Y geométricas (a começar em 0) independentes: P(X=x∣X+Y=z)=P(X+Y=z)P(X=x)P(Y=z−x)=(1+z)(1−p)zp2(1−p)xp(1−p)z−xp=z+11, ou seja uniforme em {0,…,z}.
Lição
Antes de integrar: a conjunta fatoriza? O suporte é retangular? Há termos ímpares que se anulam? Estas três perguntas resolvem metade do exercício.
Bayes/probabilidade total na Q1 (5 dos 9 enunciados).
Parâmetro a partir de uma pista indireta (Poisson, binomial, uniforme, exponencial), e logo a seguir uma probabilidade.
Padrão de dois níveis: probabilidade de um evento → Bi(n,p) (02/02, 16/06-A, 21/07).
Amnésia (geométrica ou exponencial), sempre como EM com distratores P(X>s+t) e P(X>s).
MomentosE, E[X2], Var: em praticamente todas as perguntas abertas.
Cov + “são independentes?” num par aleatório.
TLC ou soma de normais numa EM de 2 val.
Exercícios reciclados da coletânea: 2.12 (transístores), 2.16 (projeto de construção), 3.14 (n,p a partir de momentos), 4.14 (amnésia), 5.16 (soma de consumos).
Checklist anti-erro
Escrevi X = … ∼ Modelo(parâmetros) com a justificação (provas independentes, p constante)?
A condicional pedida é P(⋅∣T) ou P(⋅∣Tˉ)? Usei os complementares certos?
Em v.a. discretas: < ou ≤? (F(12)−F(6) para 7≤X≤12.)
Exponencial: λ=1/meˊdia? Normal: dividi pelo desvio padrão?
Sessão 5 — Cap. 5 além dos exames:secção do Cap. 5; fazer 5.4, 5.10, 5.19, 5.20, 5.22 sem olhar para a resolução, e depois 5.7, 5.8, 5.11, 5.21 (truques de leitura).
Sessão 6 — Simulação: a 1.ª metade de um exame ainda não feito (as versões D/E/F têm outros números), cronometrada a 60 min, só com o formulário oficial e as tabelas. Corrigir com a resolução e rever a checklist anti-erro.
Exames disponíveis para treino (resoluções oficiais)
Para o MAP1, usar só as P1–P4/P5 (até à primeira pergunta de estimação ou intervalos).
TABLE WITHOUT ID link(file.link, file.name) AS "Nota", date AS "Data", status AS "Estado", tags AS "Tags"FROM "2.Técnico/2º Ano/1Semestre/Probabilidade e Estatistica"WHERE (type = "note" OR type = "project") AND file.name != this.file.nameSORT date DESC
Recém-modificadas em Probabilidade e Estatística (DataviewJS)