🎲 Resumo — PE MAP1 (Fichas 1–5)

Parent project: Probabilidade e Estatística

Âmbito desta nota

Matéria do MAP1 (Teste 1, 1 h, 40 %, mínimo 8,0): Fichas/Capítulos 1 a 5 — análise exploratória e simulação em R, fundamentos de probabilidade, variáveis aleatórias, famílias de distribuições e vetores aleatórios (até ao Teorema do Limite Central). Fontes: apontamentos teóricos do Prof. Paulo Soares (Teoria/PE_Cap01…Cap05.html) + Coletânea de Exercícios 2026/27, Cap. 1–5 (todas as resoluções abaixo foram conferidas com as soluções da coletânea). Fora do âmbito (MAP2): amostragem e estimação, intervalos de confiança, testes de hipóteses e regressão (Cap. 6–9 da coletânea). Cada secção: ideia → armadilha → fórmulas → passos → exercícios resolvidos (dobráveis). Tenta resolver antes de abrir. Notas-irmãs: Guia de Estudo MAP1 → Formulário MAP1. Formulário oficial da cadeira: PE_Formulario · Tabelas.

O que o formulário oficial já te dá (e o que não dá)

O formulário da cadeira traz só as funções de probabilidade/densidade, valores esperados e variâncias da binomial, Poisson, geométrica, uniforme contínua, normal e exponencial (+ fórmulas de inferência do MAP2). Não traz: regras de probabilidade (Bayes, probabilidade total), propriedades de //, funções de distribuição ( da exponencial, geométrica), amnésia, somas de v.a. nem o TLC — isso tens de saber de cor.


🗺️ Mapa da Matéria

Ficha / Cap.TemaFerramenta central
1Análise exploratória e simulaçãoR: sample, set.seed; média, quartis, AIQ, caixa de bigodes
2Fundamentos de probabilidadeAxiomas, Laplace, , probabilidade composta / total / Bayes, independência
3Variáveis aleatórias, (massa ou densidade), , , moda, quantis
4Famílias de distribuições, , , , , , + padronização
5Vetores aleatóriosConjunta, marginais, condicionais, independência, /, combinações lineares, TLC

Fio condutor de toda a matéria

O Cap. 2 dá as regras do jogo para acontecimentos (subconjuntos de ): axiomas, condicionamento e os três teoremas que resolvem quase tudo (composta, total, Bayes). Mas trabalhar com conjuntos é desconfortável — o Cap. 3 transporta tudo para através de uma variável aleatória , e passamos a calcular com somas (discreta) ou integrais (contínua), resumindo a distribuição em , e quantis. O Cap. 4 é o catálogo dos modelos que aparecem sempre: provas de Bernoulli geram a binomial (contar sucessos) e a geométrica (esperar pelo 1.º sucesso); o limite da binomial com dá a Poisson (contagens no tempo/espaço), cujo tempo entre ocorrências é exponencial; e a normal reina sobre tudo. O Cap. 5 junta duas (ou ) v.a.: distribuição conjunta, como extrair marginais e condicionais, como medir dependência (, ), e o que acontece a somas — que, pelo TLC, ficam aproximadamente normais. O Cap. 1 é o ambiente de trabalho (R) usado nas Séries de Problemas.


💻 1. Análise Exploratória de Dados e Simulação (Ficha 1)

Ideia

O R é o ambiente de software livre usado na cadeira (e nas Séries de Problemas). Estruturas básicas: vetores, matrizes e arrays, data frames e listas. A simulação gera números pseudo-aleatórios — produzidos por um algoritmo determinista mas sem padrões detetáveis. Cada réplica dá resultados diferentes; para a tornar repetível fixa-se a semente: set.seed(inteiro).

Comandos-chave

set.seed(123)                                   # tornar a simulação repetível
sample(1:6, 1)                                  # 1 lançamento de um dado equilibrado
res <- sample(1:6, 10000, replace = TRUE)       # 10000 lançamentos (com reposição)
res <- sample(1:6, 10000, replace = TRUE,
              prob = c(1, 1, 1, 1, 1, 2))       # dado viciado (6 com peso duplo)
barplot(table(res))                             # frequências observadas

Distribuições (Cap. 4.8): para cada nome (binom, geom, pois, unif, exp, norm, …)

FunçãoDevolve
pnome(x, …)função de distribuição
dnome(x, …)função de probabilidade / densidade
qnome(p, …)quantil
rnome(n, …) números aleatórios

🖼️ Figura da teoria — 10000 lançamentos simulados ( barplot(table(res)))

Dado equilibradoDado viciado (prob = c(1,1,1,1,1,2))

Equilibrado: cada face ≈ — as barras não são iguais (variação aleatória). Viciado: o 6 tem peso 2 em 7 ⇒ ≈ , as outras ≈ .

Parametrizações do R

Verificar sempre a parametrização no R. Exemplo clássico: dgeom conta o número de insucessos antes do 1.º sucesso (), enquanto nas aulas conta o número de provas até ao 1.º sucesso (). pexp(x, rate = λ) usa a taxa , não a média; pnorm(x, mean, sd) usa o desvio padrão, não a variância.

Medidas descritivas de uma amostra (usadas na coletânea, Cap. 1)

  • Localização: média , mediana, quartis .
  • Dispersão: variância amostral , desvio padrão , amplitude interquartis .
  • Caixa de bigodes: são possíveis outliers as observações fora de .
  • Em R: summary(x), mean, median, quantile(x, 0.68), var, sd, IQR, stem (caule-e-folhas), hist, boxplot.

Exercício resolvido (Coletânea 1.1)

Pesos (kg) de 40 bicicletas: 4.3 6.8 9.2 7.2 8.7 8.6 6.6 5.2 8.1 10.9 7.4 4.5 3.8 7.6 6.8 7.8 8.4 7.5 10.5 6.0 7.7 8.1 7.0 8.2 8.4 8.8 6.7 8.2 9.4 7.7 6.3 7.7 9.1 7.9 7.9 9.4 8.2 6.7 8.2 6.5. Obtenha medidas descritivas, os quartis e a AIQ, o quantil 0.68 e identifique possíveis outliers.


🧩 2. Fundamentos de Probabilidade (Ficha 2)

2.1 Experiências, acontecimentos e axiomas

Ideia

Uma experiência aleatória é um procedimento cujo resultado não se pode prever, mas cujos resultados possíveis se conhecem à partida. O conjunto desses resultados é o espaço de resultados ; qualquer subconjunto é um acontecimento. A teoria de conjuntos é a linguagem: = “não ocorre ”, = “ocorrem ambos”, = “só ”, = “pelo menos um”. O terno é o espaço de probabilidade.

Axiomática de Kolmogorov e consequências

Consequências: · · · ·

Interpretações da probabilidade

  • Laplace: finito e resultados equiprováveis ⇒ (casos favoráveis / casos possíveis).
  • Frequencista: — só para experiências repetíveis.
  • Subjetivista: grau de crença racional e coerente.

Quase impossível ≠ impossível

e (acontecimentos quase impossíveis / quase certos). Exemplo: numa v.a. contínua, para todo o , mas algum valor sai.

Contagens (Laplace) — o kit mínimo

Ordem importa e sem repetição: · ordem não importa: · permutações de : · com reposição e ordem: . Ao escolher um grupo misto: .

Exercício resolvido (Coletânea 2.2)

e . Em função de , calcule a probabilidade de: (a) nenhum se realizar; (b) um e um só; (c) pelo menos um; (d) quando muito um.

Exercício resolvido (Coletânea 2.4)

100 programas: 20 com erros de sintaxe (S), 10 de input/output (I), 5 de outro tipo (O); 6 com S e I, 3 com S e O, 3 com I e O, 2 com os três. Escolhido um ao acaso: (a) só erros de sintaxe; (b) pelo menos um tipo de erro.

Exercício resolvido (Coletânea 2.9)

De 50 alunos (10 por ano, 5 anos) escolhe-se ao acaso uma comissão de 4. Probabilidade de: (a) um e um só aluno do 1.º ano; (d) serem todos do mesmo ano.

2.2 Probabilidade condicional e os três teoremas

Ideia

Saber que ocorreu encolhe o universo para : dos resultados de , que fração está também em ? Daí . “Toda a probabilidade é condicional” — . E é ela própria uma função de probabilidade, logo herda todas as propriedades (, etc.).

Definição e teoremas

Probabilidade composta (regra da multiplicação, em cadeia): Partição de : disjuntos 2 a 2 com . Probabilidade total: Bayes (inverte o condicionamento):

Passos para um problema de Bayes / probabilidade total

  1. Identificar a partição (as “causas”: tipo de peça, doente/são, caixa 1/2…) e as probabilidades a priori .
  2. Identificar as condicionais dadas — atenção a complementares (“75 % do calçado não está bom” ⇒ ).
  3. Desenhar a árvore: ramos = , sub-ramos = ; cada caminho multiplica-se.
  4. = soma dos caminhos que acabam em (total).
  5. = caminho de / soma (Bayes).

Como reconhecer

“sabendo que o resultado foi …, qual a probabilidade de ter sido …” → Bayes. “Qual a percentagem global de …” com várias subpopulações → probabilidade total. “Tiragens sucessivas sem reposição”, “primeira bola preta na 3.ª tiragem” → composta.

Exercício resolvido (Coletânea 2.20 — teste diagnóstico)

Prevalência de um cancro: 0.005. Sensibilidade ; especificidade . (a) Valor preditivo . (b) O teste é aplicado 2 vezes (independentes dado o estado) e dá : ?

Exercício resolvido (Coletânea 2.23 — barco desaparecido)

Três causas igualmente prováveis ; a brigada só investiga e tem êxito com probabilidade se a causa for (). A brigada falhou. Probabilidade de (a) sequestro (); (b) temporal ().

Exercício resolvido (Coletânea 2.14 — urna, sem reposição)

Urna com 5 bolas brancas e 5 pretas; A e B tiram alternadamente (A primeiro), sem reposição. Ganha quem tirar a 1.ª branca. ?

2.3 Independência

Definições

Consequências: (se ) · se independentes também o são · · · todo o acontecimento é independente de e . Condicionalmente independentes dado : . Mutuamente independentes: para qualquer subcoleção — não basta aos pares!

🖼️ Figura da teoria — independência condicional (probabilidade = área num quadrado )

À esquerda: = metade de baixo (vermelho + verde-escuro, ) e = verde (); ⇒ dependentes. À direita junta-se (retângulo , amarelo): dentro de , , e ⇒ condicionalmente independentes dado . Um terceiro acontecimento pode “criar” independência.

Disjuntos ≠ independentes

Se e , então ⇒ dependentes (saber que ocorreu garante que não ocorreu). Disjunção é sobre conjuntos; independência é sobre probabilidades.

Exercício resolvido (Coletânea 2.17)

Quatro falhas equiprováveis ; , , , . (a) independentes aos pares? (b) vs . (c) ”, logo e são dependentes” — comente.

Exercício resolvido (Coletânea 2.26 — fiabilidade)

Um sistema funciona se a componente 1 funcionar ou se 2 e 3 funcionarem; , independentes. Probabilidade de o sistema funcionar?


📏 3. Variáveis Aleatórias (Ficha 3)

Ideia

Uma variável aleatória é uma função que atribui um número a cada resultado (ex.: “nº de peças defeituosas em 2 tiragens”). Passamos de , , para , — e aí podemos usar somas, integrais e gráficos.

3.1 Função de distribuição

Função de distribuição e propriedades

  • · não decrescente · , · contínua à direita.
  • O salto num ponto é a probabilidade desse ponto:
  • Tipos: sem descontinuidades ⇒ contínua; descontinuidades com ⇒ discreta; ⇒ mista.

🖼️ Figura da teoria — os três tipos de

Esquerda: contínua (sem saltos). Centro: discreta (só saltos — escada; os saltos somam 1). Direita: mista (salto de 0.5 em e depois sobe continuamente). Ponto cheio ● = valor de no ponto (contínua à direita); ponto vazio ○ = limite à esquerda .

Intervalos a partir de (v.a. discreta — cuidado com vs )

· · · . Numa v.a. contínua os sinais são indiferentes.

3.2 Discretas e contínuas

Função de probabilidade vs densidade

DiscretaContínua
Definição
Caracterização, ,
salto de 0

🖼️ Figuras da teoria — e lado a lado

Discreta: a altura de cada ponto de é o tamanho do salto de (, , ). Contínua (): é o declive de — declive 1 em , 0 fora.

A densidade não é uma probabilidade

pode ser e não é única (pode mudar-se num número finito de pontos sem alterar nada). Só áreas debaixo de são probabilidades.

3.3 Medidas sumárias

Valor esperado, variância e companhia

; constante (q.c.) · desvio padrão · coeficiente de variação . Moda (pode não existir, ser múltipla ou inútil). Quantil : ; no caso contínuo basta resolver . Mediana ; . Convenção prática: .

Armadilhas das medidas

  • em geral (ex.: ).
  • O valor esperado pode não existir (Cauchy: ) e não tem de ser um valor possível de (uma tem ).
  • : a constante desaparece e sai ao quadrado (nunca ).
  • Quantis discretos: a mediana pode ser um intervalo inteiro (Coletânea 3.3: qualquer ponto de ).

Passos para estudar uma v.a. dada por uma com constante desconhecida

  1. Constante: impor (ou ) — e verificar .
  2. por troços: integrar desde (acumulando a área dos troços anteriores). Confirmar contínua (caso contínuo) e .
  3. , , . Usa simetria quando houver (o é o centro).
  4. Moda = máximo de ; quantis: resolver no troço certo (vê primeiro em que troço atinge ).

Exercício resolvido (Coletânea 3.1)

6 iogurtes, 2 estragados; retiram-se 3 sem reposição. = nº de estragados. (a) ; (b) , , , ; (c) idem com reposição.

Exercício resolvido (Coletânea 3.6)

(), (), (), (), (). (a) ; (b) , , , .

Exercício resolvido (Coletânea 3.7)

em , em , 0 c.c. (a) ; (b) ; (c) , ; (d) moda, mediana, 1.º quartil; (e) probabilidade de ser preciso extrair exatamente 2 peças até aparecer uma com desvio positivo.

Exercício resolvido (Coletânea 3.12)

Procura diária de arroz (centenas de kg): em , em . (a) ; (b) e desvio padrão; (c) stock para não faltar arroz em 95 % dos dias.

Exercício resolvido (Coletânea 3.9 — Bayes com v.a. contínuas)

Duração (centenas de h) ; tipo A: (100 peças), tipo B: (50 peças). Uma peça ao acaso durou menos de 90 h. ?

Exercício resolvido (Coletânea 3.10)

contínua, simétrica em torno de , ; (). (a) com , ; (b) .


📚 4. Famílias de Distribuições (Ficha 4)

A árvore genealógica

Bernoulli (1 prova, sucesso/insucesso) → repetida vezes independentes → Binomial (nº de sucessos) e Geométrica (nº de provas até ao 1.º sucesso). Binomial com , → Poisson (nº de ocorrências num intervalo). Tempo entre ocorrências de Poisson → Exponencial. A Normal aparece como limite de somas (TLC, Cap. 5) e como modelo de medições.

Tabela-resumo

ModeloSituaçãoSuporte
valores equiprováveis——
1 prova
nº sucessos em provas indep.
nº provas até 1.º sucesso
nº ocorrências por unidade
”igualmente provável” num intervalo
tempo até/entre ocorrências
medições, somas

Funções de distribuição a saber de cor (não estão no formulário)

Falta de memória (amnésia) — geométrica e exponencial

“O que já esperaste não conta”: o tempo adicional tem a mesma distribuição que o tempo original.

Normal — propriedades e padronização

  • Simétrica em : ; moda = mediana = .
  • , () ⇒ .
  • Caso particular:
  • e estão tabeladas. Valores úteis: , , , , .

🖼️ Figura da teoria — densidades gaussianas

desloca a curva; achata/estreita ( alta e estreita, baixa e larga). A área é sempre 1 — por isso, mais estreita ⇒ mais alta (a densidade pode passar de 1!).

Ligação Poisson ↔ exponencial (processo de Poisson)

Se = nº de ocorrências em com , então o tempo entre ocorrências , porque . A Poisson é o limite da quando .

Cada ✕ é uma ocorrência no tempo. Contar os ✕ num intervalo de comprimento → ; medir a distância entre dois ✕ consecutivos → .

Passos para escolher e aplicar o modelo

  1. Qual é a v.a.? Escreve em palavras (” = nº de latas fora de prazo na amostra de 15”).
  2. Discreta ou contínua? Contagem de sucessos em fixas → ; contagem até ao 1.º sucesso → ; contagem num intervalo de tempo/área/volume → ; tempo de espera/vida → ; “igualmente provável num intervalo” → ; medição com média e desvio → .
  3. Parâmetros na unidade certa: na Poisson, reescala ao intervalo pedido ( bolhas por ⇒ por ); na exponencial, .
  4. Traduz o pedido (“pelo menos”, “mais do que”, “entre”) e usa o complementar quando há menos parcelas.
  5. Normal: padroniza e lê a tabela.

Sinais típicos

“com reposição”, ” peças escolhidas ao acaso”, “em 10 barras, pelo menos 2 defeituosas” → · “até ser encontrada a primeira”, “nº de inspeções necessárias” → · “em média 4 por…”, “por dia/por ” → · “tempo de vida”, “sabendo que já funcionou …” → + amnésia · “intervalo entre duas mensagens consecutivas” (com Poisson no enunciado) → .

Armadilhas do Cap. 4

  • Parametrização da exponencial: valor esperado 0.5 ⇒ (não ).
  • Poisson: escala com o tamanho do intervalo — confirma sempre a unidade.
  • Normal: usa a variância; ao padronizar divide-se pelo desvio padrão.
  • Geométrica das aulas começa em ; .

Exercício resolvido (Coletânea 4.1 — binomial + geométrica)

Lote de 10000 latas, 500 fora de prazo. Amostra de 15 com reposição; rejeita-se se houver mais de 2 fora de prazo. (a) ; (b) nº esperado de latas fora de prazo; (c) inspeção sucessiva até encontrar uma fora de prazo: (i) inspeções; (ii) nº esperado de inspeções.

Exercício resolvido (Coletânea 4.3 e 4.5 — Poisson)

4.3 com . Calcule . 4.5 Em média 4 bolhas por de vidro (Poisson). (a) (placa ter mais de 2 bolhas); (b) num lote de 10 placas de , (exatamente 6 perfeitas).

Exercício resolvido (Coletânea 4.7 e 4.8 — normal)

4.7 Comprimento ; 50 % das peças medem menos de 2.5 mm e 47.5 % entre 2.5 e 3.42 mm. (a) ; (b) (não defeituosa), sendo defeituosa se . 4.8 Vida de um laser h. (a) ; (b) duração que 90 % excedem; (c) produto com 3 lasers independentes falha se algum falhar: (durar mais de 7000 h).

Exercício resolvido (Coletânea 4.9, 4.10, 4.14 — exponencial)

4.9 Vida (centenas de h) exponencial com : . 4.10 Mensagens por dia : (a) ; (b) (intervalo entre duas mensagens consecutivas h). 4.14 Espera com min; já esperou 2 min: (ainda ter de esperar 4 min adicionais).

Exercício resolvido (Coletânea 4.13 — normal condicionada)

TTPa s. .


🔗 5. Vetores Aleatórios (Ficha 5)

5.1 Distribuição conjunta, marginais e condicionais

Ideia

Estudar duas v.a. ao mesmo tempo (televisores da marca X e Y vendidos no mesmo dia; diâmetro e espessura do mesmo tubo). A distribuição conjunta diz tudo; a partir dela somamos/integramos a outra variável para obter as marginais, e dividimos pela marginal para obter as condicionais — é a probabilidade condicional do Cap. 2 escrita para v.a.

Fórmulas

; (ou ). Limites: . Valor esperado condicional (usado nos exercícios): (ou integral). é uma v.a. (função de ) e .

Tabela ≠ função

A tabela é uma representação abreviada de , que está definida em todo o (vale 0 fora dos pontos). E soma todas as células com e .

5.2 Independência e correlação

Independência

Consequência: as condicionais iguais às marginais ().

Valor esperado, covariância, correlação

· · · independentes ⇒ . (só muda o sinal).

🖼️ Figura da teoria — interpretação da covariância

O sinal de depende do quadrante em relação às linhas vermelhas. Cima-esquerda: pontos sobretudo nos quadrantes ↗/↙ ⇒ . Cima-direita: quadrantes ↖/↘ ⇒ . Baixo-esquerda: sem tendência ⇒ . Baixo-direita (anel): mas e são claramente dependentes — a covariância só mede relação linear.

Independência ⇒ , mas não o contrário

só diz que não há relação linear. Para mostrar não independência basta um par com — normalmente uma célula com 0 na tabela, ou um ponto fora de um suporte não retangular (triângulo ⇒ nunca independentes).

Passos para um exercício de tabela conjunta

  1. Marginais: somar linhas e colunas (escreve-as na margem — é daí que vem o nome). Confirmar que somam 1.
  2. Probabilidades de acontecimentos (, ): marcar as células que satisfazem e somar.
  3. Condicional : pegar na linha e dividir por .
  4. Independência: procurar uma célula com .
  5. : ou construir a distribuição de , ou usar .

Exercício resolvido (Coletânea 5.1)

Televisores vendidos por dia (linhas ; colunas ): : ; : ; : . (a) marginais; (c) ; (d) e do total vendido.

Exercício resolvido (Coletânea 5.3)

Tabela (linhas ; colunas ): : ; : ; : . (a) , , , ; (c) independência; (d) .

Exercício resolvido (Coletânea 5.6 — sem independência)

vale em e 0 no resto. Mostre que mas não são independentes.

Exercício resolvido (Coletânea 5.10 — contínuo em triângulo)

para , . (a) Independência? (b) ; (c) ; (d) ; (e) .

Exercício resolvido (Coletânea 5.13 — correlação no contínuo)

em . (a) ; (b) ; (c) verifique .

Exercício resolvido (Coletânea 5.12 — problema do encontro)

Duas pessoas chegam uniformemente entre as 14 h e as 15 h, independentemente, e nenhuma espera mais de 15 min. (encontrarem-se)?

5.3 Combinações lineares e TLC

Combinações lineares

Se as forem independentes, as covariâncias são 0: . Somas que preservam a família (independentes):

Teorema do Limite Central

i.i.d. (não correlacionadas) com e finitos, : Para a média : . Caso Bernoulli: para grande.

🖼️ Figura da teoria — o TLC a acontecer (soma de exponenciais independentes)

Azul: densidade exata de ; vermelho: normal com o mesmo e . Para (exponencial, muito assimétrica) a aproximação é péssima; com já é razoável e com – as curvas quase coincidem.

Armadilhas das somas

  • (independentes) — soma, nunca subtrai.
  • ≠ : “duas vezes a espessura do mesmo tubo” vs “duas pessoas diferentes”.
  • Soma de normais independentes é exatamente normal; soma de outras é aproximadamente normal (TLC) — diz “pelo TLC” e “aproximadamente” na resposta.

Como reconhecer

“Diâmetro exterior = interior + 2 × espessura” → combinação linear de normais · “peso total de 20 pessoas”, “consumo de 100 casas”, “100 peças em 240 h”, “média de 100 doses” → soma/média ⇒ normal (exata ou TLC).

Exercício resolvido (Coletânea 5.14 — tubo)

Diâmetro interior cm, espessura , independentes. (a) e desvio padrão do diâmetro exterior; (b) .

Exercício resolvido (Coletânea 5.15 — elevador)

Pesos , independentes; elevador de 20 pessoas, carga máxima 1300 kg. (a) (20 utilizadores excederem 1300 kg); (b) já estão 15 pessoas com 950 kg, entram mais 5: (exceder); (c) (quando muito 2 das 20 pesarem mais de 85 kg).

Exercício resolvido (Coletânea 5.17c e 5.18 — TLC)

5.17c Tempo de produção de uma peça com média 2 h; 100 peças, prazo de 240 h. (cumprir)? 5.18 Por dia, o estudante amealha 50, 100 ou 250 cêntimos com prob. 0.3, 0.6, 0.1. (mais de 350 € em 365 dias)?

Exercício resolvido (Coletânea 5.23 e 5.24)

5.23 , independentes: . 5.24 Concentração com , mg/mL; 100 doses i.i.d.: .


🧭 Checklist de Estratégia

Sintoma no enunciadoFerramenta
”ao acaso”, contar casosLaplace + combinações
“pelo menos um”, “nenhum”Complementar + De Morgan
3 tipos sobrepostosInclusão-exclusão / Venn
Subpopulações + “percentagem global”Probabilidade total (árvore)
“sabendo que saiu … qual a prob. de ter sido …”Bayes
Tiragens sucessivas sem reposiçãoProbabilidade composta (cadeia)
Componentes em série/paraleloIndependência: produto / falhas
com constante (ou )
“não falte em 95 %”, mediana, quartilQuantil:
provas fixas, sucesso/insucesso
”até ao primeiro"
"em média por unidade”, reescalar
tempo de vida / espera, “já esperou” + amnésia
média e desvio dados, percentagensNormal, padronizar /
Tabela de dupla entradaMarginais → condicionais → independência
Densidade conjuntaDesenhar suporte, integrar a outra variável
”Cov = 0 mas …”Contra-exemplo com célula 0
Soma de normais independentesNormal exata, somar e
Soma/média de muitas i.i.d.TLC

Erros a evitar

  • Confundir com (falácia do teste diagnóstico) — usa Bayes.
  • Achar que disjuntos são independentes (são o oposto, se ambos têm prob. ).
  • Independência aos pares ⇒ mútua? Não.
  • Somar probabilidades de acontecimentos não disjuntos sem subtrair a interseção.
  • Em v.a. discretas, trocar por ao usar .
  • Esquecer que a densidade pode ser maior que 1 e que no contínuo.
  • ✗ → ✔; ✗ → soma (indep.).
  • ✗ (em geral).
  • Exponencial: usar a média como ✗ → .
  • Poisson: não reescalar ao intervalo/área pedido.
  • Normal: dividir pela variância em vez do desvio padrão.
  • ⇒ independentes ✗.
  • TLC: esquecer que a média tem variância (não ) e a soma tem .
  • Unidades: centenas de horas, minutos vs horas, cêntimos vs euros.

📎 Recursos

Teoria, exercícios e apoio

Teoria (Prof. Paulo Soares): Cap. 1 · Cap. 2 · Cap. 3 · Cap. 4 · Cap. 5 Exercícios: Coletânea 2026/27 (Cap. 1–5; soluções no fim). Apoio: Formulário oficial · Tabelas estatísticas. Exames anteriores (para o Guia de Estudo): pasta Exames Anos Anteriores/ (resoluções de 2026).

Notas relacionadas (Dataview)

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