Matéria do MAP1 (Teste 1, 1 h, 40 %, mínimo 8,0): Fichas/Capítulos 1 a 5 — análise exploratória e simulação em R, fundamentos de probabilidade, variáveis aleatórias, famílias de distribuições e vetores aleatórios (até ao Teorema do Limite Central).
Fontes: apontamentos teóricos do Prof. Paulo Soares (Teoria/PE_Cap01…Cap05.html) + Coletânea de Exercícios 2026/27, Cap. 1–5 (todas as resoluções abaixo foram conferidas com as soluções da coletânea). Fora do âmbito (MAP2): amostragem e estimação, intervalos de confiança, testes de hipóteses e regressão (Cap. 6–9 da coletânea).
Cada secção: ideia → armadilha → fórmulas → passos → exercícios resolvidos (dobráveis). Tenta resolver antes de abrir.
Notas-irmãs: Guia de Estudo MAP1 → Formulário MAP1. Formulário oficial da cadeira: PE_Formulario · Tabelas.
O que o formulário oficial já te dá (e o que não dá)
O formulário da cadeira traz só as funções de probabilidade/densidade, valores esperados e variâncias da binomial, Poisson, geométrica, uniforme contínua, normal e exponencial (+ fórmulas de inferência do MAP2). Não traz: regras de probabilidade (Bayes, probabilidade total), propriedades de E/Var/Cov, funções de distribuição (F da exponencial, geométrica), amnésia, somas de v.a. nem o TLC — isso tens de saber de cor.
🗺️ Mapa da Matéria
Ficha / Cap.
Tema
Ferramenta central
1
Análise exploratória e simulação
R: sample, set.seed; média, quartis, AIQ, caixa de bigodes
2
Fundamentos de probabilidade
Axiomas, Laplace, P(A∣B), probabilidade composta / total / Bayes, independência
3
Variáveis aleatórias
FX, fX (massa ou densidade), E[X], Var[X], moda, quantis
4
Famílias de distribuições
Ber, Bi, Geo, Poi, U, Exp, N + padronização Z=σX−μ
O Cap. 2 dá as regras do jogo para acontecimentos (subconjuntos de Ω): axiomas, condicionamento e os três teoremas que resolvem quase tudo (composta, total, Bayes). Mas trabalhar com conjuntos é desconfortável — o Cap. 3 transporta tudo para R através de uma variável aleatóriaX, e passamos a calcular P(X∈R) com somas (discreta) ou integrais (contínua), resumindo a distribuição em E, Var e quantis. O Cap. 4 é o catálogo dos modelos que aparecem sempre: provas de Bernoulli geram a binomial (contar sucessos) e a geométrica (esperar pelo 1.º sucesso); o limite da binomial com n→∞ dá a Poisson (contagens no tempo/espaço), cujo tempo entre ocorrências é exponencial; e a normal reina sobre tudo. O Cap. 5 junta duas (ou n) v.a.: distribuição conjunta, como extrair marginais e condicionais, como medir dependência (Cov, Corr), e o que acontece a somas — que, pelo TLC, ficam aproximadamente normais. O Cap. 1 é o ambiente de trabalho (R) usado nas Séries de Problemas.
💻 1. Análise Exploratória de Dados e Simulação (Ficha 1)
Ideia
O R é o ambiente de software livre usado na cadeira (e nas Séries de Problemas). Estruturas básicas: vetores, matrizes e arrays, data frames e listas. A simulação gera números pseudo-aleatórios — produzidos por um algoritmo determinista mas sem padrões detetáveis. Cada réplica dá resultados diferentes; para a tornar repetível fixa-se a semente: set.seed(inteiro).
🖼️ Figuras da teoria — o ecossistema R e as estruturas de dados
Camadas: Core R + pacotes base → CRAN (pacotes contribuídos) → IDE (RStudio). Estruturas: vetor, matriz, array (matrizes empilhadas), data frame (colunas de tipos diferentes) e lista (pode conter qualquer uma das anteriores).
Comandos-chave
set.seed(123) # tornar a simulação repetívelsample(1:6, 1) # 1 lançamento de um dado equilibradores <- sample(1:6, 10000, replace = TRUE) # 10000 lançamentos (com reposição)res <- sample(1:6, 10000, replace = TRUE, prob = c(1, 1, 1, 1, 1, 2)) # dado viciado (6 com peso duplo)barplot(table(res)) # frequências observadas
Distribuições (Cap. 4.8): para cada nome (binom, geom, pois, unif, exp, norm, …)
Função
Devolve
pnome(x, …)
função de distribuição F(x)=P(X≤x)
dnome(x, …)
função de probabilidade / densidade f(x)
qnome(p, …)
quantil F−1(p)
rnome(n, …)
n números aleatórios
🖼️ Figura da teoria — 10000 lançamentos simulados ( barplot(table(res)))
Dado equilibrado
Dado viciado (prob = c(1,1,1,1,1,2))
Equilibrado: cada face ≈ 10000/6≈1667 — as barras não são iguais (variação aleatória). Viciado: o 6 tem peso 2 em 7 ⇒ ≈ 10000⋅72≈2857, as outras ≈ 1429.
Parametrizações do R
Verificar sempre a parametrização no R. Exemplo clássico: dgeom conta o número de insucessos antes do 1.º sucesso (x=0,1,…), enquanto nas aulas X∼Geo(p) conta o número de provas até ao 1.º sucesso (x=1,2,…). pexp(x, rate = λ) usa a taxaλ, não a média; pnorm(x, mean, sd) usa o desvio padrão, não a variância.
Medidas descritivas de uma amostra (usadas na coletânea, Cap. 1)
Localização: média xˉ=n1∑xi, mediana, quartis q0.25,q0.75.
Caixa de bigodes: são possíveis outliers as observações fora de [q0.25−1.5AIQ,q0.75+1.5AIQ].
Em R: summary(x), mean, median, quantile(x, 0.68), var, sd, IQR, stem (caule-e-folhas), hist, boxplot.
Exercício resolvido (Coletânea 1.1)
Pesos (kg) de 40 bicicletas: 4.3 6.8 9.2 7.2 8.7 8.6 6.6 5.2 8.1 10.9 7.4 4.5 3.8 7.6 6.8 7.8 8.4 7.5 10.5 6.0 7.7 8.1 7.0 8.2 8.4 8.8 6.7 8.2 9.4 7.7 6.3 7.7 9.1 7.9 7.9 9.4 8.2 6.7 8.2 6.5. Obtenha medidas descritivas, os quartis e a AIQ, o quantil 0.68 e identifique possíveis outliers.
Resolução passo-a-passo
1. Medidas (summary(x), sd(x)): min=3.8, xˉ=7.60, mediana =7.75, max=10.9, s≈1.51. Média ligeiramente abaixo da mediana → ligeira assimetria à esquerda (há bicicletas muito leves).
2. Quartis (quantile, regra por defeito do R): q0.25=6.775, q0.75=8.4 → os 25 % mais leves estão em [3.8;6.775], os 25 % mais pesados em [8.4;10.9], e AIQ=8.4−6.775=1.625.
3. Quantil 0.68:quantile(x, 0.68)=8.2.
4. Barreiras:6.775−1.5(1.625)=4.34 e 8.4+1.5(1.625)=10.84 → possíveis outliers: 3.8, 4.3 e 10.9.
Lição
Os quantis amostrais dependem da regra usada (o R tem 9); no teste, usa a que o enunciado/aula indicar. A caixa de bigodes é só quartis + regra do 1.5AIQ.
🧩 2. Fundamentos de Probabilidade (Ficha 2)
2.1 Experiências, acontecimentos e axiomas
Ideia
Uma experiência aleatória é um procedimento cujo resultado não se pode prever, mas cujos resultados possíveis se conhecem à partida. O conjunto desses resultados é o espaço de resultadosΩ; qualquer subconjunto é um acontecimento. A teoria de conjuntos é a linguagem: Aˉ = “não ocorre A”, A∩B = “ocorrem ambos”, A∩Bˉ = “só A”, A∪B = “pelo menos um”. O terno (Ω,A,P) é o espaço de probabilidade.
Frequencista:P(A)=limn→∞nA/n — só para experiências repetíveis.
Subjetivista: grau de crença racional e coerente.
Quase impossível ≠ impossível
P(A)=0⇒A=∅ e P(A)=1⇒A=Ω (acontecimentos quase impossíveis / quase certos). Exemplo: numa v.a. contínua, P(X=x)=0 para todo o x, mas algum valor sai.
Contagens (Laplace) — o kit mínimo
Ordem importa e sem repetição: n!/(n−k)! · ordem não importa: (kn) · permutações de n: n! · com reposição e ordem: nk. Ao escolher um grupo misto: (ia)(k−ib)/(ka+b).
Exercício resolvido (Coletânea 2.2)
P(A)+P(B)=x e P(A∩B)=y. Em função de x,y, calcule a probabilidade de: (a) nenhum se realizar; (b) um e um só; (c) pelo menos um; (d) quando muito um.
Resolução passo-a-passo
1. Pelo menos um = P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B)=x−y (c).
2. Nenhum = P(Aˉ∩Bˉ)=P(A∪B)=1−(x−y)=1+y−x (a) — lei de De Morgan.
3. Um e um só = P(A∪B)−P(A∩B)=x−2y (b).
4. Quando muito um = não ocorrerem os dois =1−P(A∩B)=1−y (d).
Lição
Traduz a frase em conjuntos e usa complementar + De Morgan + inclusão-exclusão. “Quando muito um” é o complementar de “ambos”.
Exercício resolvido (Coletânea 2.4)
100 programas: 20 com erros de sintaxe (S), 10 de input/output (I), 5 de outro tipo (O); 6 com S e I, 3 com S e O, 3 com I e O, 2 com os três. Escolhido um ao acaso: (a) só erros de sintaxe; (b) pelo menos um tipo de erro.
Resolução passo-a-passo
1. Só S:P(S∩Iˉ∩Oˉ)=P(S)−P(S∩I)−P(S∩O)+P(S∩I∩O)=0.20−0.06−0.03+0.02=0.13 (somou-se o triplo de volta porque foi retirado duas vezes).
2. Pelo menos um (inclusão-exclusão para 3):
P(S∪I∪O)=0.20+0.10+0.05−0.06−0.03−0.03+0.02=0.25
Lição
Com 3 acontecimentos desenha o diagrama de Venn e preenche de dentro para fora (primeiro a interseção tripla).
Exercício resolvido (Coletânea 2.9)
De 50 alunos (10 por ano, 5 anos) escolhe-se ao acaso uma comissão de 4. Probabilidade de: (a) um e um só aluno do 1.º ano; (d) serem todos do mesmo ano.
Resolução passo-a-passo
1. Casos possíveis:(450)=230300 (a ordem não importa).
2. (a) 1 dos 10 do 1.º ano e 3 dos 40 restantes: (450)(110)(340)=23030010×9880=2303988≈0.429
3. (d) escolher o ano (5 maneiras) e 4 dos 10 desse ano: (450)5(410)=2303001050=6583≈0.0046
Lição
Laplace com combinações: favoráveis = produto das escolhas em cada grupo; o total é sempre (kN).
2.2 Probabilidade condicional e os três teoremas
Ideia
Saber que B ocorreu encolhe o universo para B: dos resultados de B, que fração está também em A? Daí P(A∣B)=P(A∩B)/P(B). “Toda a probabilidade é condicional” — P(A)=P(A∣Ω). E P(⋅∣B)é ela própria uma função de probabilidade, logo herda todas as propriedades (P(Aˉ∣B)=1−P(A∣B), etc.).
Definição e teoremas
P(A∣B)=P(B)P(A∩B),P(B)>0Probabilidade composta (regra da multiplicação, em cadeia):
P(A∩B)=P(A)P(B∣A)P(⋂i=1nAi)=P(A1)P(A2∣A1)P(A3∣A1∩A2)⋯P(An∣A1∩⋯∩An−1)Partição de Ω: Ai disjuntos 2 a 2 com ⋃iAi=Ω.
Probabilidade total:P(B)=∑i"verosimilhanc¸a"P(B∣Ai)"a priori"P(Ai)Bayes (inverte o condicionamento):
P(Ak∣B)=∑iP(B∣Ai)P(Ai)P(B∣Ak)P(Ak)
🖼️ Exemplo da teoria — as duas caixas (composta · total · Bayes)
Caixa 1 (5 brancas, 5 pretas)
Caixa 2 (7 brancas, 3 pretas)
Composta: tirando sucessivas bolas da caixa 1 (sem reposição), a 1.ª preta surgir na 3.ª tiragem: 105⋅94⋅85=365≈0.139 (branca, branca, preta).
Total: escolhe-se a caixa com uma moeda equilibrada e tira-se uma bola: P(preta)=105⋅21+103⋅21=0.4.
Bayes: sabendo que saiu preta, P(caixa 1∣preta)=0.40.25=0.625 — a caixa com mais pretas fica mais provável.
Passos para um problema de Bayes / probabilidade total
Identificar a partição (as “causas”: tipo de peça, doente/são, caixa 1/2…) e as probabilidades a prioriP(Ai).
Identificar as condicionais dadasP(B∣Ai) — atenção a complementares (“75 % do calçado não está bom” ⇒ P(bom∣calc¸ado)=0.25).
Desenhar a árvore: ramos = P(Ai), sub-ramos = P(B∣Ai); cada caminho multiplica-se.
P(B) = soma dos caminhos que acabam em B (total).
P(Ak∣B) = caminho de Ak / soma (Bayes).
Como reconhecer
“sabendo que o resultado foi …, qual a probabilidade de ter sido …” → Bayes. “Qual a percentagem global de …” com várias subpopulações → probabilidade total. “Tiragens sucessivas sem reposição”, “primeira bola preta na 3.ª tiragem” → composta.
Exercício resolvido (Coletânea 2.20 — teste diagnóstico)
Prevalência de um cancro: 0.005. Sensibilidade P(+∣C)=0.99; especificidade P(−∣Cˉ)=0.95. (a) Valor preditivo P(C∣+). (b) O teste é aplicado 2 vezes (independentes dado o estado) e dá ++: P(C∣++)?
Resolução passo-a-passo
1. Partição:C, Cˉ com P(C)=0.005, P(Cˉ)=0.995. Condicionais: P(+∣C)=0.99, P(+∣Cˉ)=1−0.95=0.05.
Com prevalência baixa, os falsos positivos (5 % de uma população enorme) dominam. Repetir o teste aumenta muito o valor preditivo. Repara: aqui os testes são condicionalmente independentes dado C, não independentes.
Três causas igualmente prováveis C1,C2,C3; a brigada Bi só investiga Ci e tem êxito com probabilidade αi se a causa for Ci (α2=0.7). A brigada B2 falhou. Probabilidade de (a) sequestro (C2); (b) temporal (C3).
Resolução passo-a-passo
1. Seja F2 = ”B2 infrutífera”. Se a causa não é C2, B2 falha de certeza: P(F2∣C1)=P(F2∣C3)=1; P(F2∣C2)=1−0.7=0.3.
Cada fator é uma condicional: o denominador desce porque não há reposição e o numerador desce para a cor que já saiu.
2.3 Independência
Definições
A,B independentes⟺P(A∩B)=P(A)P(B)
Consequências: P(A∣B)=P(A) (se P(B)>0) · se A,B independentes também o são A,Bˉ · Aˉ,B · Aˉ,Bˉ · todo o acontecimento é independente de ∅ e Ω.
Condicionalmente independentes dado C:P(A∩B∣C)=P(A∣C)P(B∣C).
Mutuamente independentes:P(⋂i=1kAi∗)=∏P(Ai∗) para qualquer subcoleção — não basta aos pares!
🖼️ Figura da teoria — independência condicional (probabilidade = área num quadrado 6×6)
À esquerda: A = metade de baixo (vermelho + verde-escuro, P(A)=3618) e B = verde (P(B)=3619); P(A∩B)=369=P(A)P(B) ⇒ dependentes. À direita junta-se C (retângulo [2,5]×[2,4], amarelo): dentro de C, P(A∣C)=63, P(B∣C)=64 e P(A∩B∣C)=62=63⋅64 ⇒ condicionalmente independentes dado C. Um terceiro acontecimento pode “criar” independência.
Disjuntos ≠ independentes
Se A∩B=∅ e P(A),P(B)>0, então P(A∩B)=0=P(A)P(B) ⇒ dependentes (saber que A ocorreu garante que B não ocorreu). Disjunção é sobre conjuntos; independência é sobre probabilidades.
Exercício resolvido (Coletânea 2.17)
Quatro falhas equiprováveis F1..F4; A={F1,F2}, B={F1,F3}, C={F1,F4}, D={F2,F3}. (a) A,B,C independentes aos pares? (b) P(C∣A∩B) vs P(C). (c) ”C∩D=∅, logo C e D são dependentes” — comente.
Resolução passo-a-passo
1.P(A)=P(B)=P(C)=21; A∩B=A∩C=B∩C={F1} com probabilidade 41=21⋅21 ⇒ independentes aos pares ✔.
2.A∩B={F1}⊂C ⇒ P(C∣A∩B)=1=21=P(C). Equivalentemente P(A∩B∩C)=41=81 ⇒ não mutuamente independentes.
3.P(C∩D)=0=P(C)P(D)=41 ⇒ de facto dependentes; a afirmação é verdadeira porque P(C),P(D)>0 (se um tivesse probabilidade 0 seriam independentes).
Lição
Independência aos pares não implica mútua. Para 3 acontecimentos verifica as 3 interseções duplas e a tripla.
Série → interseção (produto); paralelo → união (mais fácil pelo complementar: 1−∏ das falhas).
📏 3. Variáveis Aleatórias (Ficha 3)
Ideia
Uma variável aleatória é uma função X:Ω→R que atribui um número a cada resultado (ex.: “nº de peças defeituosas em 2 tiragens”). Passamos de P(A), A⊂Ω, para P(X∈R), R⊂R — e aí podemos usar somas, integrais e gráficos.
3.1 Função de distribuição
Função de distribuição e propriedades
FX(x)=P(X≤x),∀x∈R
0≤FX≤1 · não decrescente · FX(−∞)=0, FX(+∞)=1 · contínua à direita.
O salto num ponto é a probabilidade desse ponto:
P(X=x)=FX(x)−FX(x−)
Tipos: sem descontinuidades ⇒ contínua; descontinuidades com P(X∈D)=1 ⇒ discreta; 0<P(X∈D)<1 ⇒ mista.
🖼️ Figura da teoria — os três tipos de FX
Esquerda: contínua (sem saltos). Centro: discreta (só saltos — escada; os saltos somam 1). Direita: mista (salto de 0.5 em x=0 e depois sobe continuamente). Ponto cheio ● = valor de F no ponto (contínua à direita); ponto vazio ○ = limite à esquerda F(x−).
Intervalos a partir de F (v.a. discreta — cuidado com < vs ≤)
P(a<X≤b)=F(b)−F(a) · P(a≤X≤b)=F(b)−F(a−) · P(a≤X<b)=F(b−)−F(a−) · P(X>a)=1−F(a). Numa v.a. contínua os sinais são indiferentes.
3.2 Discretas e contínuas
Função de probabilidade vs densidade
Discreta
Contínua
Definição
fX(x)=P(X=x)
fX(x)=dxdFX(x)
Caracterização
f≥0, ∑x∈Df(x)=1
f≥0, ∫−∞+∞f(x)dx=1
FX(x)
∑xi≤xfX(xi)
∫−∞xfX(t)dt
P(X∈A)
∑xi∈AfX(xi)
∫AfX(x)dx
P(X=x)
salto de F
0
🖼️ Figuras da teoria — FX e fX lado a lado
Discreta: a altura de cada ponto de fX é o tamanho do salto de FX (183, 1813−183=95, 1−1813=185).
Contínua (U(0,1)):fX é o declive de FX — declive 1 em [0,1], 0 fora.
A densidade não é uma probabilidade
fX(x) pode ser >1 e não é única (pode mudar-se num número finito de pontos sem alterar nada). Só áreas debaixo de f são probabilidades.
3.3 Medidas sumárias
Valor esperado, variância e companhia
E[X]=∑ixifX(xi)(=∫RxfX(x)dx)E[g(X)]=∑ig(xi)fX(xi)(=∫g(x)fX(x)dx)E[aX+b]=aE[X]+bVar[X]=E[(X−E[X])2]=foˊrmula de caˊlculoE[X2]−(E[X])2Var[aX+b]=a2Var[X]Var≥0; Var[X]=0⟺X constante (q.c.) · desvio padrão σ=+Var[X] · coeficiente de variaçãoCV=∣E[X]∣Var[X].
Moda=argmaxfX (pode não existir, ser múltipla ou inútil).
Quantil qp:FX(qp−)≤p≤FX(qp); no caso contínuo basta resolver FX(qp)=p. Mediana =q0.5; AIQ=q0.75−q0.25. Convenção prática: qp=min{x:FX(x−)≤p≤FX(x)}.
Armadilhas das medidas
E[g(X)]=g(E[X]) em geral (ex.: E[X2]=(E[X])2).
O valor esperado pode não existir (Cauchy: f(x)=π(1+x2)1) e não tem de ser um valor possível de X (uma Ber(21) tem E=21).
Var[aX+b]=a2Var[X]: a constante bdesaparece e a sai ao quadrado (nunca Var[−X]=−Var[X]).
Quantis discretos: a mediana pode ser um intervalo inteiro (Coletânea 3.3: qualquer ponto de [2,3]).
Passos para estudar uma v.a. dada por uma f com constante desconhecida
Constante: impor ∑f=1 (ou ∫f=1) — e verificar f≥0.
FX por troços: integrar desde −∞ (acumulando a área dos troços anteriores). Confirmar F contínua (caso contínuo) e F(+∞)=1.
E[X], E[X2], Var=E[X2]−E[X]2. Usa simetria quando houver (o E é o centro).
Moda = máximo de f; quantis: resolver F(q)=pno troço certo (vê primeiro em que troço F atinge p).
Exemplo da teoria — medidas de localização (Cap. 3)
fX(x)=21 em [0,1), 41 em [1,3], 0 c.c.
Mediana:F(1)=21 ⇒ q0.5=1. Valor esperado:E=∫012xdx+∫134xdx=41+1=1.25> mediana (cauda longa à direita puxa a média). Moda: todo o [0,1) — inútil.
Exercício resolvido (Coletânea 3.1)
6 iogurtes, 2 estragados; retiram-se 3 sem reposição. X = nº de estragados. (a) P(X≤1); (b) fX, FX, E[X], Var[X]; (c) idem com reposição.
Resolução passo-a-passo
1. Sem reposição (contagens, (36)=20):
fX(0)=20(34)=0.2, fX(1)=20(12)(24)=0.6, fX(2)=20(22)(14)=0.2.
Num ponto com massa, ≤ inclui o salto e < não. Escreve sempre F(b−) ou F(a−) quando o extremo está excluído/incluído.
Exercício resolvido (Coletânea 3.7)
fX(x)=1+k+x em [−1,0), 1+k−x em [0,1], 0 c.c. (a) k; (b) FX; (c) E, Var; (d) moda, mediana, 1.º quartil; (e) probabilidade de ser preciso extrair exatamente 2 peças até aparecer uma com desvio positivo.
Resolução passo-a-passo
1. Normalização: cada troço integra (1+k)−21 ⇒ 2(1+k)−1=1⇒k=0. Logo f(x)=1−∣x∣ (triângulo).
2. FX:−1≤x<0: ∫−1x(1+t)dt=2(x+1)2; 0≤x<1: 21+x−2x2; 0 antes e 1 depois.
3. Momentos: simetria em 0 ⇒ E[X]=0; Var=E[X2]=2∫01x2(1−x)dx=2(31−41)=61.
5. (e)p=P(X>0)=21; “1.ª peça não, 2.ª sim” (provas independentes) =(1−p)p=41 — é uma geométrica (Geo(21), P(Y=2)).
Lição
Simetria poupa contas (E e mediana no centro). A última alínea é o padrão “v.a. contínua dá a probabilidade p de uma prova de Bernoulli, depois aplica-se binomial/geométrica”.
Exercício resolvido (Coletânea 3.12)
Procura diária de arroz (centenas de kg): f(x)=32x em [0,1), 1−3x em [1,3]. (a) P(X>1.5); (b) E e desvio padrão; (c) stock para não faltar arroz em 95 % dos dias.
Resolução passo-a-passo
1. (a)P(X>1.5)=∫1.53(1−3x)dx=6(3−1.5)2=0.375 (área de um triângulo: ∫x3(1−3t)dt=6(3−x)2).
2. (b)E[X]=∫0132x2dx+∫13(x−3x2)dx=92+(4−926)=34 ⇒ 133.3 kg.
E[X2]=61+(326−320)=613; Var=613−916=187; σ=0.6236 ⇒ 62.36 kg.
3. (c) Quantil 0.95: como F(1)=31<0.95, está no 2.º troço. 1−F(q)=6(3−q)2=0.05⇒3−q=0.3⇒q=2.4523 ⇒ 245.23 kg.
Lição
“Não falte em 95 % dos dias” = quantil 0.95. Para quantis altos é muitas vezes mais fácil trabalhar com a cauda1−F.
Exercício resolvido (Coletânea 3.9 — Bayes com v.a. contínuas)
Duração (centenas de h) F(x)=1−e−λx; tipo A: λ=21 (100 peças), tipo B: λ=1 (50 peças). Uma peça ao acaso durou menos de 90 h. P(B∣X<0.9)?
Os teoremas do Cap. 2 continuam a valer: o acontecimento "X<0.9" calcula-se com a F de cada subpopulação. Atenção às unidades (90 h = 0.9 centenas).
Exercício resolvido (Coletânea 3.10)
X contínua, simétrica em torno de E[X]=10, Var[X]=25; Y=βX−α (α,β>0). (a) α,β com E[Y]=0, Var[Y]=1; (b) P(Y≤0).
Resolução passo-a-passo
1.Var[Y]=β2⋅25=1⇒β=51; E[Y]=10β−α=0⇒α=2. Então Y=5X−10 — padronização.
2.P(Y≤0)=P(X≤10)=0.5 por simetria.
📚 4. Famílias de Distribuições (Ficha 4)
A árvore genealógica
Bernoulli (1 prova, sucesso/insucesso) → repetida n vezes independentes → Binomial (nº de sucessos) e Geométrica (nº de provas até ao 1.º sucesso). Binomial com n→∞, p=λt/n → Poisson (nº de ocorrências num intervalo). Tempo entre ocorrências de Poisson → Exponencial. A Normal aparece como limite de somas (TLC, Cap. 5) e como modelo de medições.
Tabela-resumo
Modelo
Situação
fX(x)
Suporte
E[X]
Var[X]
U({x1..xn})
valores equiprováveis
1/n
xi
—
—
Ber(p)
1 prova
px(1−p)1−x
0,1
p
p(1−p)
Bi(n,p)
nº sucessos em n provas indep.
(xn)px(1−p)n−x
0..n
np
np(1−p)
Geo(p)
nº provas até 1.º sucesso
(1−p)x−1p
1,2,…
1/p
(1−p)/p2
Poi(λ)
nº ocorrências por unidade
e−λx!λx
0,1,…
λ
λ
U(a,b)
”igualmente provável” num intervalo
b−a1
[a,b]
2a+b
12(b−a)2
Exp(λ)
tempo até/entre ocorrências
λe−λx
x≥0
1/λ
1/λ2
N(μ,σ2)
medições, somas
2πσ21e−2σ2(x−μ)2
R
μ
σ2
🖼️ Figuras da teoria — a forma de cada família discreta
Binomial Bi(20,p): o pico está perto de np; simétrica para p=0.5, enviesada à direita para p pequeno e à esquerda para p grande.
Geométrica Geo(p):sempre decrescente (moda = 1); quanto maior p, mais rápido cai.
Poisson Poi(λ): para λ pequeno concentra-se em 0; à medida que λ cresce, centra-se em λ e fica com forma de sino (prenúncio do TLC).
Funções de distribuição a saber de cor (não estão no formulário)
Falta de memória (amnésia) — geométrica e exponencial
X∼Geo(p):P(X>i+j∣X>i)=P(X>j)X∼Exp(λ):P(X>s+t∣X>t)=P(X>s)
“O que já esperaste não conta”: o tempo adicional tem a mesma distribuição que o tempo original.
Normal — propriedades e padronização
Simétrica em μ: f(μ−x)=f(μ+x); moda = mediana = μ.
X∼N(μ,σ2), Y=aX+b (a=0) ⇒ Y∼N(aμ+b,a2σ2).
Caso particular:
Z=σX−μ∼N(0,1)P(X≤x)=Φ(σx−μ)Φ(−z)=1−Φ(z)
Φ e Φ−1 estão tabeladas. Valores úteis: Φ(1)=0.8413, Φ(1.645)=0.95, Φ(1.96)=0.975, Φ(2)=0.9772, Φ(1.2816)=0.90.
🖼️ Figura da teoria — densidades gaussianas
μdesloca a curva; σ2achata/estreita (N(−1,0.2) alta e estreita, N(1,2) baixa e larga). A área é sempre 1 — por isso, mais estreita ⇒ mais alta (a densidade pode passar de 1!).
Ligação Poisson ↔ exponencial (processo de Poisson)
Se N(t) = nº de ocorrências em [0,t] com N(t)∼Poi(λt), então o tempo entre ocorrênciasT∼Exp(λ), porque P(T>t)=P(N(t)=0)=e−λt. A Poisson é o limite da Bi(n,λt/n) quando n→∞.
Cada ✕ é uma ocorrência no tempo. Contar os ✕ num intervalo de comprimento t → Poi(λt); medir a distância entre dois ✕ consecutivos → Exp(λ).
Passos para escolher e aplicar o modelo
Qual é a v.a.? Escreve em palavras (”X = nº de latas fora de prazo na amostra de 15”).
Discreta ou contínua? Contagem de sucessos em n fixas → Bi; contagem até ao 1.º sucesso → Geo; contagem num intervalo de tempo/área/volume → Poi; tempo de espera/vida → Exp; “igualmente provável num intervalo” → U; medição com média e desvio → N.
Parâmetros na unidade certa: na Poisson, reescalaλ ao intervalo pedido (4 bolhas por 10m2 ⇒ 2 por 5m2); na exponencial, λ=1/E[X].
Traduz o pedido (“pelo menos”, “mais do que”, “entre”) e usa o complementar quando há menos parcelas.
Normal: padroniza e lê a tabela.
Sinais típicos
“com reposição”, ”n peças escolhidas ao acaso”, “em 10 barras, pelo menos 2 defeituosas” → Bi · “até ser encontrada a primeira”, “nº de inspeções necessárias” → Geo · “em média 4 por…”, “por dia/por m2” → Poi · “tempo de vida”, “sabendo que já funcionou …” → Exp + amnésia · “intervalo entre duas mensagens consecutivas” (com Poisson no enunciado) → Exp.
Armadilhas do Cap. 4
Parametrização da exponencial: valor esperado 0.5 ⇒ λ=2 (não 0.5).
Poisson: λescala com o tamanho do intervalo — confirma sempre a unidade.
Normal: N(μ,σ2) usa a variância; ao padronizar divide-se pelo desvio padrão.
Geométrica das aulas começa em x=1; P(X≥4)=P(X>3)=(1−p)3.
Exemplo da teoria — "Tiro ao alvo" (Cap. 4)
Teste de 10 perguntas com 4 alíneas, respostas ao acaso: X∼Bi(10,41).
P(X≥5)=∑x=510(x10)0.25x0.7510−x≈0.078. Número mais provável de respostas certas: 2 (f(2)≈0.282 é o máximo).
Lote de 10000 latas, 500 fora de prazo. Amostra de 15 com reposição; rejeita-se se houver mais de 2 fora de prazo. (a) P(rejeic¸a˜o); (b) nº esperado de latas fora de prazo; (c) inspeção sucessiva até encontrar uma fora de prazo: (i) P(≥4 inspeções); (ii) nº esperado de inspeções.
Mesma população, duas perguntas: amostra de tamanho fixo → binomial; esperar pelo 1.º → geométrica. “Mais do que 2” → complementar.
Exercício resolvido (Coletânea 4.3 e 4.5 — Poisson)
4.3X∼Poi(λ) com P(X=0)=31. Calcule P(X≥2).
4.5 Em média 4 bolhas por 10m2 de vidro (Poisson). (a) P(placa 2.5×2m ter mais de 2 bolhas); (b) num lote de 10 placas de 1×2.5m, P(exatamente 6 perfeitas).
2. (4.5a) Taxa 0.4 por m2; placa de 5m2 ⇒ X∼Poi(2). P(X>2)=1−e−2(1+2+2)=1−5e−2=0.3233.
3. (4.5b) Placa de 2.5m2 ⇒ Poi(1); “perfeita” =P(X=0)=e−1=0.3679. Nº de perfeitas em 10: Bi(10,e−1): (610)(0.3679)6(0.6321)4=0.0831.
Lição
Padrão de dois níveis: um modelo dá a probabilidade p de uma placa/barra/dia ser “boa”, e depois o nº de “boas” em n é binomial. Sai muito.
Exercício resolvido (Coletânea 4.7 e 4.8 — normal)
4.7 Comprimento ∼N(μ,σ2); 50 % das peças medem menos de 2.5 mm e 47.5 % entre 2.5 e 3.42 mm. (a) μ,σ; (b) P(não defeituosa), sendo defeituosa se ∣X−μ∣>σ.
4.8 Vida de um laser ∼N(7000,6002) h. (a) P(X≤5300); (b) duração que 90 % excedem; (c) produto com 3 lasers independentes falha se algum falhar: P(durar mais de 7000 h).
4.9 Vida (centenas de h) exponencial com E=0.5: P(X>1.5∣X>1).
4.10 Mensagens por dia ∼Poi(10): (a) P(X≤7); (b) P(intervalo entre duas mensagens consecutivas >1 h).
4.14 Espera ∼Exp com E=1 min; já esperou 2 min: P(ainda ter de esperar 4 min adicionais).
Condicional com v.a. = definição do Cap. 2; quando um acontecimento contém o outro, a interseção simplifica.
🔗 5. Vetores Aleatórios (Ficha 5)
5.1 Distribuição conjunta, marginais e condicionais
Ideia
Estudar duas v.a. ao mesmo tempo (televisores da marca X e Y vendidos no mesmo dia; diâmetro e espessura do mesmo tubo). A distribuição conjunta diz tudo; a partir dela somamos/integramos a outra variável para obter as marginais, e dividimos pela marginal para obter as condicionais — é a probabilidade condicional do Cap. 2 escrita para v.a.
Fórmulas
FX,Y(x,y)=P(X≤x,Y≤y)fX,Y(x,y)=P(X=x,Y=y)(ou ∂x∂y∂2F)f≥0; ∑x∑yf=1 (ou ∬f=1). Limites: FX,Y(x,+∞)=FX(x).
marginalfX(x)=y∑fX,Y(x,y)(=∫RfX,Y(x,y)dy)condicionalfX∣Y=y(x)=fY(y)fX,Y(x,y),fY(y)>0Valor esperado condicional (usado nos exercícios): E[X∣Y=y]=∑xxfX∣Y=y(x) (ou integral). E[X∣Y] é uma v.a. (função de Y) e E[E[X∣Y]]=E[X].
Tabela ≠ função
A tabela é uma representação abreviada de fX,Y, que está definida em todo o R2 (vale 0 fora dos pontos). E FX,Y(0,1.5)=P(X≤0,Y≤1.5) soma todas as células com x≤0 e y≤1.5.
Exemplo da teoria — "Ases e figuras" (Cap. 5)
2 cartas de 52; X = nº de figuras, Y = nº de ases. Tabela (×2211): y=0: 105,72,11; y=1: 24,8,0; y=2: 1,0,0 (colunas x=0,1,2).
Ex.: f(0,0)=(236)/(252)=630/1326=105/221.
FX,Y(0,1.5)=f(0,0)+f(0,1)=221105+24=221129.
5.2 Independência e correlação
Independência
X,Y independentes⟺fX,Y(x,y)=fX(x)fY(y)∀(x,y)⟺FX,Y=FXFY
Consequência: as condicionais iguais às marginais (fX∣Y=y=fX).
Valor esperado, covariância, correlação
E[g(X,Y)]=∑x∑yg(x,y)fX,Y(x,y)(=∬gfX,Y)E[aX+bY]=aE[X]+bE[Y](sempre)X,Y indep.⇒E[g(X)h(Y)]=E[g(X)]E[h(Y)]Cov[X,Y]=E[(X−EX)(Y−EY)]=foˊrmula de caˊlculoE[XY]−E[X]E[Y]Cov[X,Y]=Cov[Y,X] · Cov[X,X]=Var[X] · Cov[aX+b,Y]=aCov[X,Y] · independentes ⇒ Cov=0.
Corr[X,Y]=Var[X]Var[Y]Cov[X,Y]∈[−1,1]Corr=±1⟺Y=aX+bCorr[aX,Y+b]=∣a∣aCorr[X,Y] (só muda o sinal).
🖼️ Figura da teoria — interpretação da covariância
O sinal de (X−EX)(Y−EY) depende do quadrante em relação às linhas vermelhas. Cima-esquerda: pontos sobretudo nos quadrantes ↗/↙ ⇒ Cov>0. Cima-direita: quadrantes ↖/↘ ⇒ Cov<0. Baixo-esquerda: sem tendência ⇒ Cov≈0. Baixo-direita (anel):Cov≈0 mas X e Y são claramente dependentes — a covariância só mede relação linear.
Independência ⇒ Cov=0, mas não o contrário
Cov=0 só diz que não há relação linear. Para mostrar não independência basta um par (x,y) com fX,Y(x,y)=fX(x)fY(y) — normalmente uma célula com 0 na tabela, ou um ponto fora de um suporte não retangular (triângulo 0<x<y<1 ⇒ nunca independentes).
Passos para um exercício de tabela conjunta
Marginais: somar linhas e colunas (escreve-as na margem — é daí que vem o nome). Confirmar que somam 1.
Probabilidades de acontecimentos (Y>X, X+Y≤4): marcar as células que satisfazem e somar.
CondicionalX∣Y=y: pegar na linhay e dividir por fY(y).
Independência: procurar uma célula com fX,Y=fXfY.
Var[X+Y]: ou construir a distribuição de T=X+Y, ou usar VarX+VarY+2Cov.
Exercício resolvido (Coletânea 5.1)
Televisores vendidos por dia (linhas y=0,1,2; colunas x=0,1,2): y=0: 0.12,0.25,0.13; y=1: 0.05,0.30,0.01; y=2: 0.03,0.10,0.01. (a) marginais; (c) P(Y>X); (d) E e Var do total vendido.
2. Encontram-se se ∣X−Y∣≤41: quadrado menos dois triângulos de catetos 43: 1−(43)2=167=0.4375.
Lição
Conjunta uniforme ⇒ probabilidade = área da região / área do suporte.
5.3 Combinações lineares e TLC
Combinações lineares Y=∑ciXi
E[Y]=∑ciE[Xi]Var[Y]=∑ci2Var[Xi]+2∑i<jcicjCov[Xi,Xj]
Se as Xi forem independentes, as covariâncias são 0: Var[∑ciXi]=∑ci2Var[Xi].
Somas que preservam a família (independentes):
∑Bi(ni,p)∼Bi(∑ni,p)∑Poi(λi)∼Poi(∑λi)∑ciN(μi,σi2)∼N(∑ciμi,∑ci2σi2)
Teorema do Limite Central
X1,…,Xn i.i.d. (não correlacionadas) com E e Var finitos, Sn=∑Xi:
Zn=nVar[X]Sn−nE[X]DN(0,1)⇒P(Sn≤x)≈Φ(nVar[X]x−nE[X])
Para a médiaXˉ=Sn/n: Xˉ∼aN(E[X],nVar[X]).
Caso Bernoulli: Bi(n,p)∼aN(np,np(1−p)) para n grande.
🖼️ Figura da teoria — o TLC a acontecer (soma de n exponenciais Exp(1) independentes)
Azul: densidade exata de Sn; vermelho: normal N(n,n) com o mesmo E e Var. Para n=1 (exponencial, muito assimétrica) a aproximação é péssima; com n=10 já é razoável e com n=30–100 as curvas quase coincidem.
Armadilhas das somas
Var[X−Y]=VarX+VarY (independentes) — soma, nunca subtrai.
Var[2Y]=4VarY ≠ Var[Y1+Y2]=2VarY: “duas vezes a espessura do mesmo tubo” vs “duas pessoas diferentes”.
Soma de normais independentes é exatamente normal; soma de outras é aproximadamente normal (TLC) — diz “pelo TLC” e “aproximadamente” na resposta.
Como reconhecer
“Diâmetro exterior = interior + 2 × espessura” → combinação linear de normais · “peso total de 20 pessoas”, “consumo de 100 casas”, “100 peças em 240 h”, “média de 100 doses” → soma/média ⇒ normal (exata ou TLC).
Exercício resolvido (Coletânea 5.14 — tubo)
Diâmetro interior X∼N(3,0.022) cm, espessura Y∼N(0.3,0.0052), independentes. (a) E e desvio padrão do diâmetro exterior; (b) P(D>3.62).
Resolução passo-a-passo
1.D=X+2Y (a espessura conta dos dois lados). ED=3+0.6=3.6; VarD=0.022+4(0.005)2=0.0005, σD=0.0224.
2.P(D>3.62)=1−Φ(0.02240.02)=1−Φ(0.89)=0.1867.
Lição
2Y (mesma v.a.) → variância ×4.
Exercício resolvido (Coletânea 5.15 — elevador)
Pesos ∼N(61,102), independentes; elevador de 20 pessoas, carga máxima 1300 kg. (a) P(20 utilizadores excederem 1300 kg); (b) já estão 15 pessoas com 950 kg, entram mais 5: P(exceder); (c) P(quando muito 2 das 20 pesarem mais de 85 kg).
2. (b) Faltam 350 kg para 5 pessoas: S5∼N(305,500): 1−Φ(22.3645)=1−Φ(2.01)=0.0222.
3. (c)p=P(W>85)=1−Φ(2.4)=0.0082; nº com mais de 85 kg ∼Bi(20,0.0082): P(≤2)=0.9994.
Lição
Somas de normais são exatas; e de novo o padrão de dois níveis (normal → p → binomial).
Exercício resolvido (Coletânea 5.17c e 5.18 — TLC)
5.17c Tempo de produção de uma peça ∼Exp com média 2 h; 100 peças, prazo de 240 h. P(cumprir)?
5.18 Por dia, o estudante amealha 50, 100 ou 250 cêntimos com prob. 0.3, 0.6, 0.1. P(mais de 350 € em 365 dias)?
TABLE WITHOUT ID link(file.link, file.name) AS "Nota", date AS "Data", status AS "Estado", tags AS "Tags"FROM "2.Técnico/2º Ano/1Semestre/Probabilidade e Estatistica"WHERE (type = "note" OR type = "project") AND file.name != this.file.nameSORT date DESC
Recém-modificadas em Probabilidade e Estatística (DataviewJS)