🌍 Resumo 7 — Economia Internacional (IEco · Exame)

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Âmbito

  • Teoria: Teórica 7, Economia Internacional (ficheiro “Politica Internacional_novo”), págs. 2–42 do PDF. Página do PDF = nº do slide; cito sempre “p.”.
  • Prática:
    • Ficha 7, ex. 7.1, 7.2 e 7.3, todos com solução oficial. As soluções de 7.1 e 7.2 são só texto; a da 7.3 é só o realce.
    • Ao contrário do que o plano previa, a EM 7.3 tem chave oficial (c, d).
    • Exame-Exemplo: Q1, Q11b, Q12. Valem cerca de 4 valores.
  • Três partes:
    • A — Micro (comércio, especialização, ganhadores/perdedores, política comercial).
    • B — Macro (balança de pagamentos, taxa de câmbio, trilema).
    • C — Geopolítica (fim da globalização?).
  • Fica de fora:

O que os slides não têm (não inventar)

  • Nenhum exemplo numérico de vantagem comparativa. Não há tabelas de horas, FPP nem vantagem absoluta, e não aparecem Ricardo nem Heckscher-Ohlin pelo nome.
  • Nenhum gráfico de tarifa com excedentes, receita e DWL. A p.18 é só texto.
  • Nenhuma fórmula de custo de oportunidade, PPC, paridade de juros, nem gráfico de oferta/procura de divisas.
  • A decomposição não está em símbolos. Só há a frase sobre o défice público (p.26).
  • Nenhum exemplo numérico de . O exemplo de §B6 é construído.
  • Só há estas fórmulas: , comércio total , abertura , , rendimentos transferências (em palavras), e .

🗺️ Mapa do Capítulo

SecçãoIdeia centralPágs.
A1. Comércio e abertura; comércio total ; abertura ; exportações mundiais > 40× as de 19132–6
A2. Porque se comercia#1 vantagem comparativa (menor custo de oportunidade); #2 abundância de recursos; #3 economias de escala e de aprendizagem7–13
A3. Ganhadores e perdedoresCada país fica melhor, mas nem todas as pessoas; fatores abundantes ganham, fatores escassos perdem; custos de ajustamento14–16
A4. Política comercialTarifas, quotas, subsídios à exportação, barreiras não tarifárias; efeitos da tarifa (+/−, DWL, retaliação); Navigator, EUA 2018, aço UE17–22
B5. Balança de pagamentos; BC = comercial + rendimentos + transferências; ; défice público → BC ↓23–27
B6. Taxa de câmbio nominal; real (competitividade); oferta/procura de moeda; juros → capitais → apreciação; pastel de nata; rublo28–32
B7. TrilemaCâmbio fixo + capitais livres + política monetária independente: só 2 de 333–36
C8. Fim da globalização?China na OMC → Brexit → guerras comerciais → COVID → Ucrânia → …; protecionismo 9 000 → 35 000; IRA e Chips Act37–42

Fio condutor

  • “As economias não são ilhas isoladas” (p.2). A economia internacional tem duas faces:
    • Micro: exportações e importações, ligadas à política comercial.
    • Macro: fluxos de capitais, ligados à política cambial.
    • Por cima, a geopolítica.
  • Parte A: porque é que os países trocam (especialização), quem ganha e quem perde, e como os governos travam o comércio (tarifas, quotas).
  • Parte B: o comércio e os capitais deixam rasto contabilístico (a BP) e têm um preço (a taxa de câmbio). O trilema fecha a ligação ao Resumo 6: por isso é que um país do euro não tem política monetária própria.
  • Parte C: depois de décadas de globalização, o mundo está a voltar ao protecionismo.

🧩 Parte A — Micro: comércio e política comercial

🚢 A1. Comércio e abertura

Definições e fórmulas (p.4)

“Do capítulo 2 sobre o PIB”:

  • Exportações (X) = “produção nacional consumida fora do território nacional”.
  • Importações (M) = “produção estrangeira consumida em território nacional”.
  • Comércio total .
  • Grau de abertura da economia:

Armadilha

  • A abertura usa X + M (comércio total), não o saldo . Uma economia pode ser muito aberta e ter a balança comercial equilibrada.
  • A abertura pode passar 100%: o mapa da p.6 vai até “200%+”, porque X e M contam o valor bruto das trocas e o PIB conta só valor acrescentado (explicação própria; não está nos slides).

Os números do slide (pp.5–6)

  • As exportações mundiais (a preços constantes) são hoje “mais de 40x superiores às de 1913”…
  • ”… mas o crescimento das últimas décadas tem sido modesto”. Há quedas em 2009, 2015/16 e 2020.
  • Em % do PIB mundial, as exportações subiram de ~13% (1970) para um pico de ~31% em 2008. Desde então oscilam entre 26% e 30%.

Fig. — Esquerda: exportações mundiais 1800–2014, a preços constantes (índice 1913 = 100). Quase plano até ~1950, sobe em flecha e chega a ~4 900 em 2008–11. Direita: exportações mundiais 2000–2021 em milhares de milhões de USD, de ~7 000 a ~22 300, com quedas em 2009, 2016 e 2020 (Teórica 7, slide 5).

Fig. — Esquerda: mapa OWID “Trade as a share of GDP, 2024”, o índice de abertura , com escala 0%–200%+. Direita: exportações mundiais em % do PIB, 1970–2021: ~13% → pico ~31% (2008) → ~26% (2009) → ~29% (2021) (Teórica 7, slide 6).

Exercício (exemplo construído: os slides não dão números)

Uma economia tem mil M€, mil M€ e mil M€. Calcule o comércio total, o grau de abertura e o saldo da balança comercial.


🤝 A2. Porque se comercia: três razões

#1 Vantagem comparativa e especialização (pp.7–9)

  • Ganhos de especialização: “A especialização das economias em determinados setores de atividade aumenta a produtividade: tornamo-nos melhores a produzir quando cada um se concentra e especializa num número limitado de atividades” (p.8).
  • Definição: “Um país possui vantagem comparativa na produção de um bem se tem menor custo de oportunidade na sua produção. A teoria das vantagens comparativas é a base do comércio mundial” (p.8).
  • Condição: “as pessoas só se podem especializar se tiverem como adquirir os outros bens e serviços de que necessitam. Os mercados (& o comércio) permitem que tal aconteça” (p.9). O slide ilustra com o cartoon “The birth of free market economics”: um tem paus, o outro tem pedras.

#2 Abundância de recursos (pp.10–11)

“Cada país exporta bens produzidos com base em recursos relativamente abundantes e importa bens produzidos a partir de recursos relativamente escassos.”

Aviões (capital-intensivo)Vestuário (mão-de-obra-intensivo)
EUA (abundante em capital)exportaimporta
China (abundante em mão-de-obra)importaexporta

“Com a abertura ao comércio: EUA exportam aviões para a China e importam vestuário da China.”

#3 Economias de escala e de aprendizagem (pp.12–13)

  • Economias de escala: “custo médio diminui com o aumento da produção”.
  • Economias de aprendizagem: “learning by doing”.
  • São o “principal determinante do comércio moderno”.
  • “É a existência de economias de escala que justifica a existência de grandes multinacionais: o comércio internacional permite ganhar escala, tornando-se mais eficientes e ganhando assim uma vantagem face aos concorrentes” (p.13).

Armadilhas

  • Vantagem comparativa = menor custo de oportunidade, não “produzir mais barato em termos absolutos”. A vantagem absoluta não aparece nos slides.
  • A especialização aumenta a produtividade e exige mercados. Não exige autossuficiência: é o contrário (Q1).
  • No exame, a razão #3 (escala e learning by doing) é a que aparece com nome (Q1A).

Como reconhecer

O enunciado fala de…Razão
”custo de oportunidade”, “especialização”#1 vantagem comparativa
”abundância de capital/trabalho/terra”, “recursos”#2 dotações de fatores
”custo médio desce”, “multinacionais”, “learning by doing”, “conglomeração”#3 escala e aprendizagem

Exercício (Ficha 7, ex. 7.2)

“As trocas internacionais geram rendimentos principalmente devido à especialização. Explique porquê.” (adaptado de CORE, The Economy)

Exercício (Exame-Exemplo, Q1) — assinale todas as corretas

A) A especialização aumenta a produtividade através de economias de escala e “learning by doing”. B) A especialização só aumenta a produtividade quando os agentes são autossuficientes. C) A especialização exige mercados/comércio para obter os outros bens necessários. D) A especialização reduz a produtividade do trabalho.


⚖️ A3. Ganhadores e perdedores

Ideia (p.14)

  • A abertura “aumenta o conjunto de possibilidades de consumo dos países: as trocas comerciais elevam o padrão de vida”.
  • Mas alguns países beneficiam mais do que outros, o que cria tensão internacional.
  • “Apesar de cada país estar melhor – nem todas as pessoas dentro de cada país estão necessariamente melhores (desigualdade).”
  • A especialização destrói uns empregos para criar outros. Estes “custos de ajustamento podem ser significativos e desproporcionais em determinados setores / países”.

Quem ganha e quem perde (p.16)

“Quem ganha e quem perde depende da escassez relativa de fatores”:

  • “Os fatores que são relativamente abundantes dentro de um país são baratos e ganham quando o comércio aumenta, pois o seu preço converge em direção à média mundial.” → o preço sobe.
  • “O preço de fatores relativamente escassos dentro de um país diminui para a média mundial devido ao comércio.”
Fator no paísAntes da aberturaCom comércioQuem o detém
Relativamente abundantebaratopreço ↑ (→ média mundial)ganha
Relativamente escassocaropreço ↓ (→ média mundial)perde

Como reconhecer

  • Exemplo (ligação ao §A2, inferência): na China, abundante em mão-de-obra, os salários tendem a subir com a abertura. Nos EUA, os trabalhadores do vestuário (fator relativamente escasso) perdem.
  • Liga-se ao “choque da China” e ao hiato de ajustamento do Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade.

Exercício (Ficha 7, ex. 7.3) — selecione todas as corretas

Quando um país se abre ao comércio internacional: a) o preço de fatores produtivos que são relativamente abundantes nesse país desce. b) o preço de fatores produtivos que são relativamente escassos nesse país aumenta. c) o preço de fatores produtivos que são relativamente escassos nesse país desce. d) o preço de fatores produtivos que são relativamente abundantes nesse país aumenta.


🛃 A4. Política comercial

Instrumentos (p.17)

InstrumentoO que é
TarifasUm “imposto” sobre produtos importados
QuotasRestrição à quantidade de produtos importados
Subsídios a exportaçõesApoio do Estado a quem exporta
Barreiras não-tarifáriasStandards, certificação, regras de origem

Efeitos de políticas protecionistas, ex. tarifas (p.18)

  • Preços mais elevados para os consumidores domésticos (−).
  • Preço mais elevado para os produtores domésticos (+).
  • Receita para o Estado (+).
  • “Tal traduz-se numa redução global de eficiência (DWL) e num menor volume de importações. Este tipo de políticas pode gerar retaliação (trade-wars).”

Armadilha

  • A tarifa beneficia os produtores nacionais e o Estado. O efeito global é negativo (DWL), mas não é verdade que “todos perdem”.
  • A tarifa reduz as importações. O efeito sobre as exportações vem pela retaliação.
  • A p.18 não tem gráfico. Se o exame pedir análise gráfica, use a lógica do imposto do Resumo IEco 1 - Mercados e o Papel do Governo (o preço interno sobe, a quantidade transacionada desce, aparecem receita e DWL). Esta transposição é construção própria.

Fig. — Esquerda: tarifas legais dos EUA em 2018, em escada (eixo y: tarifa, 0–40%). Máquinas de lavar ~32% e painéis solares 30% (fev); aço 25% (mar/jun); alumínio ~11–12% (mar/jun); três vagas sobre a China, ~26% (jul), ~27% (ago) e ~13% (set). Direita: variação das importações dos EUA (eixo y: −60% a +20%) em função dos meses desde a entrada em vigor da tarifa (−6 a 6+). Antes ficam entre 0 e +7%; nos meses 0–1 caem para ≈ −20% (mês 2 ≈ −2%) e, a partir do 3.º mês, ficam entre ≈ −28% e −35% (Fajgelbaum et al., QJE 2019; Teórica 7, slide 21).

Como ler este gráfico no exame

A tarifa funcionou: as importações caíram ~30%. É o “menor volume de importações” da p.18. (Inferência própria, não está no gráfico: o preço do bem importado sobe, por isso os consumidores americanos pagam mais.)

Exercício (Ficha 7, ex. 7.1)

“A Globalização pode resultar numa distribuição desigual dos ganhos das trocas internacionais (países ricos vs pobres). Que medidas podem os Governos tomar para proteger as suas economias?” (adaptado de CORE, The Economy)


💱 Parte B — Macro: balança de pagamentos, câmbio e trilema

📒 B5. Balança de pagamentos

Ideia (p.24)

“Os países emprestam e pedem emprestado uns aos outros para financiar investimento.” A balança de pagamentos (BP) é o “livro de contabilidade” de todas as transações entre os residentes do país e o resto do mundo num período.

A identidade (pp.24–26)

Balança Corrente (BC): “o que entra e sai na economia real”Balança Financeira (BF): “como o país se financia”
Balança comercial Estrangeiros compram obrigações do país
Rendimentos líquidosEstrangeiros compram ações ou fazem investimento
Transferências líquidasBancos estrangeiros emprestam a empresas nacionais
  • Em palavras: .
  • E ainda (p.26):

Leitura do sinal (pp.24–26)

SituaçãoBCO país…BF
: sobra poupança, aplicada no exterior> 0 (excedente)empresta ao resto do mundo, é “poupador líquido”< 0
: falta poupança, procurada no exterior< 0 (défice)pede emprestado, precisa de financiamento externo> 0

“Se um país gasta mais do que recebe do exterior (BC negativa), tem de ser financiado por alguém (BF positiva)” (p.25).

Armadilhas

  • Balança comercial ≠ balança corrente. A comercial é só ; a corrente soma rendimentos e transferências.
  • : um défice corrente é sempre financiado (BF > 0). Não é um “buraco” que fica por pagar: é endividamento externo.
  • Défice público → BC ↓ (p.26): “um défice público () mais elevado tende a reduzir a poupança pública, o que pode levar a uma balança corrente mais negativa – ou seja, à necessidade de financiamento externo”. O slide escreve isto só em palavras.

Fig. — Esquema “Balança Corrente = − Balança Financeira”. À esquerda, “o que entra e sai na economia real” (balança comercial X−M, rendimentos líquidos, transferências líquidas). À direita, “como o país se financia” (obrigações, ações/investimento, empréstimos de bancos estrangeiros). Rodapé: excedente = emprestar; défice = pedir emprestado (Teórica 7, slide 24).

Fig. — Balança corrente e de capital, em milhões de €. Esquerda: Portugal 1960–2025. Perto de 0 até aos anos 90; défices crescentes até ao mínimo de ~−19 000 M€ em 2008; excedente a partir de ~2012/13; recuo para ~−2 500 M€ em ~2022; máximo de ~+9 500 M€ em 2025. Direita: países da UE em 2025. Alemanha ~225 000 M€ à cabeça; Portugal ~9 000 M€ (barra rosa); Grécia e Roménia com os maiores défices; Eslováquia, Bélgica e Chipre também em défice (Teórica 7, slide 27).

Como ler o gráfico de Portugal

  • De ~1995 a ~2012 (com o mínimo em 2008), Portugal investia mais do que poupava (, BC < 0) e financiava-se no exterior (BF > 0). Isto ajuda a explicar a dívida externa da crise de 2010–14 (contexto que não está no slide).
  • Depois do ajustamento, a BC passou a excedente: o país passou a emprestar ao exterior.

Exercício (exemplo construído: os slides não dão números)

Uma economia tem poupança nacional mil M€ e investimento mil M€. A balança comercial é e as transferências líquidas valem (mil M€). a) Calcule a BC e a BF. b) Quanto valem os rendimentos líquidos? c) O Governo aumenta o défice e a poupança cai para . O que acontece à BC?


💶 B6. Taxa de câmbio

Taxa de câmbio nominal (p.28)

= “número de unidades de moeda nacional que equivalem a uma unidade de moeda estrangeira. É o preço de uma moeda em termos de outra.”

  • Convenção: € por unidade de moeda estrangeira (ex.: € por $).
  • Logo, ↑ = depreciação do € (é preciso mais € para comprar 1 $). Esta leitura é inferência, coerente com a p.29.

Duas convenções no mesmo slide

A p.28 mostra também o conversor do Banco de Portugal (29/03/2026, atualizado a 27/03). A tabela de taxas usa a convenção inversa (moeda estrangeira por 1 €), e o conversor mostra as duas leituras:

  • “1 EUR = 1,1517 USD”, logo “1 USD = 0,86828 EUR”.
  • Na convenção da fórmula, €/$.

No exame, diga sempre qual é a convenção antes de interpretar “sobe/desce”.

Taxa de câmbio real (p.29)

mede o “preço relativo” entre os bens do país e os do exterior, “ou seja, a competitividade”. Tem em conta a taxa de câmbio nominal e a diferença de preços:

  • = taxa de câmbio nominal (€ por moeda estrangeira).
  • = nível de preços estrangeiro; = nível de preços doméstico.
  • “Se q sobe (depreciação real): os bens domésticos ficam mais baratos vs exterior (mais exportações e menos importações).”
  • “A taxa de câmbio afeta a procura relativa por bens produzidos domesticamente, portanto afeta as exportações e importações.”

Fig. — Slide da taxa de câmbio real: a definição (preço relativo, competitividade), a fórmula ao centro e a regra “se q sobe (depreciação real) → bens domésticos mais baratos → mais X, menos M”. Não tem gráfico (Teórica 7, slide 29).

Como reconhecer o sentido de

ChoqueEfeito em Competitividade
↑ (€ deprecia)↑ganha (X ↑, M ↓)
↑ (inflação lá fora)↑ganha
↑ (inflação cá dentro)↓perde (X ↓, M ↑)
↓ (€ aprecia)↓perde

Liga ao Resumo IEco 5 - Inflacao, Moeda e Bancos: inflação acima da dos parceiros, com câmbio fixo (o caso do euro dentro da zona euro), corrói a competitividade (construção própria a partir de ).

Exercício (exemplo construído: os slides não dão números)

Hoje, € por $, um cabaz custa $ nos EUA e € em Portugal. a) Calcule . b) Num ano, a inflação é de 5% nos EUA e 2% em Portugal, e não muda. Calcule o novo e diga se Portugal ganha ou perde competitividade. c) E se, além disso, o € apreciar para ?

O câmbio como preço: oferta e procura de moeda (pp.30–31)

  • A taxa de câmbio é o preço da moeda e resulta da sua procura e oferta. O slide lista:
    • Procura de moeda: importar, investir fora, pagar dívida externa.
    • Oferta de moeda: exportar, receber investimento, vender ativos a estrangeiros.
  • Pastel de nata: se os americanos procuram mais pastéis de nata, procuram mais euros face ao dólar, e o euro aprecia.
  • Juros → câmbio (p.31): os juros domésticos afetam a procura de moeda doméstica, porque geram fluxos de capitais.
    • Cadeia: juros na Europa ↑ → depósitos europeus mais atrativos → procura de € ↑ → apreciação do € face ao $.
    • “O câmbio é um canal de transmissão da política monetária” (liga ao Resumo IEco 6 - Politica Economica A2).

Lista da p.30 aparentemente invertida

Para o euro, quem exporta (recebe divisas e troca-as por €) procura euros, e quem importa oferece euros. O slide põe “importar” na procura e “exportar” na oferta: só bate certo se for lido na ótica da moeda estrangeira (divisas). Esta leitura é inferência. No exame, use a lógica do pastel de nata, que é inequívoca: exportações ↑ → procura de € ↑ → € aprecia.


🔺 B7. O trilema (impossible trinity)

Enunciado (p.33)

Um país não consegue ter, ao mesmo tempo:

  1. Taxa de câmbio fixa (ou muito estável);
  2. Livre mobilidade de capitais;
  3. Política monetária independente (definir a taxa de juro).

Só consegue dois dos três.

Porquê (p.34)

  1. Com capitais livres, o dinheiro vai para onde o retorno é maior.
  2. Com câmbio fixo, o mercado acredita que “1 € = X”.
  3. Se o BC puser o juro acima do exterior, entram capitais e há pressão de apreciação. Se o puser abaixo, saem capitais e há pressão de depreciação.
  4. Como o câmbio está prometido, o BC tem de intervir, e isso obriga os juros a alinhar com os do exterior.
  5. Perde-se a independência monetária.

As três combinações possíveis (p.35)

OpçãoCâmbio fixoCapitais livresPol. monetária independenteExemplosConsequência
A✅✅❌Currency boards/pegs rígidos: Hong Kong (ao USD), Dinamarca (ao euro)“Juros seguem o exterior; política monetária serve para defender o câmbio”
B❌✅✅EUA, Reino Unido, Zona Euro (face ao resto do mundo)“O câmbio flutua e absorve choques”
C✅❌✅Países com controlos de capitais (impedem a arbitragem)“Câmbio controlado, mas com fluxos financeiros restritos”

Fig. — As três combinações do trilema, em texto: A) câmbio fixo + capitais livres (Hong Kong/USD, Dinamarca/euro); B) capitais livres + política monetária (EUA, Reino Unido, Zona Euro); C) câmbio fixo + política monetária com controlos de capitais. O slide não tem diagrama triangular (Teórica 7, slide 35).

Ligação ao Resumo 6 (Q13b)

  • Portugal e a França dentro da zona euro: não há câmbio entre eles (é “fixo” ao extremo: a mesma moeda) e os capitais circulam livremente.
  • Logo, não há política monetária nacional: ela é do BCE para toda a zona.
  • A Zona Euro como um todo está na opção B: o euro flutua face ao dólar e o BCE tem política própria.
  • Por isso um país do euro em crise só tem a política orçamental (Resumo IEco 6 - Politica Economica Q13b).

Armadilhas

  • Não diga que a Zona Euro tem câmbio fixo face ao dólar: flutua (opção B).
  • A Dinamarca não está no euro: tem um peg ao euro (opção A), por isso os seus juros seguem os do BCE.
  • “Os três objetivos são incompatíveis dois a dois” é Falso: qualquer par é possível; o que é impossível é o trio.

🌐 Parte C — Geopolítica

🧱 C8. O fim da globalização?

Linha temporal (p.38)

Entrada da China na OMC (2001) → … → Brexit (2016) → guerras comerciais (2017–2019) → COVID (2020–2021) → guerra na Ucrânia (2022–…) → guerra no Médio Oriente (2023–…) → novas guerras comerciais (2024–…).

Consequências:

  • aumento da concorrência e alteração dos padrões comerciais;
  • tensões comerciais e populismo;
  • falhas dos acordos comerciais e falta de confiança na OMC;
  • disrupções das cadeias de abastecimento → nearshoring e protecionismo.

Tudo sobre um pano de fundo de alterações climáticas.

Fig. — Diagrama “O fim da Globalização?”: os eventos de 2001 a 2024–…, as consequências por baixo, a seta para “Nearshoring & Protecionismo” e a faixa transversal “Alterações Climáticas” (Teórica 7, slide 38).

Números e políticas (pp.39–41)

  • The Economist (13-jul-2023): “An industrial arms race is under way”.
    • “A decade ago about 9,000 protectionist measures were in place. Today there are around 35,000.”
    • “Governments that subsidize and protect manufacturing are more likely to harm their economies than help them.”
  • Os subsídios ocidentais vão sobretudo para chips e tecnologias verdes (baterias). Justificações: clima, segurança nacional e corrigir quatro décadas de globalização. Objetivo: garantir um lugar nas cadeias de abastecimento à medida que os ocidentais tiram a produção da China (p.40).
  • EUA (Financial Times, 16-ago-2023): Biden lançou “a new era of US industrial policy” com o Inflation Reduction Act (IRA) e o Chips and Science Act.
    • As duas leis oferecem mais de $400 bn em créditos fiscais, empréstimos e subsídios.
    • Já atraíram $224 bn de investimento em cleantech e semicondutores (p.41).
  • p.42: Trump e as “Reciprocal Tariffs”, com cartoons do muro tarifário.

Como usar no exame

Numa pergunta de ensaio sobre tarifas ou incerteza (como a Q12), esta secção dá o contexto: protecionismo crescente → retaliação (p.18) → menos comércio mundial → menos procura externa para uma economia aberta.


🎯 Como sai no Exame

PerguntaTemaChaveOnde neste Resumo
Q1Especialização: escala, learning by doing, precisa de mercadosA, CA2
Q11bBalança comercial a piorar → crescimentoensaio (4 linhas)A1, B5
Q12Incerteza tarifária EUA vs ~7% das exportações PTensaio (6 linhas, 2 val.)A1, A4, C8

Exercício (Exame-Exemplo, Q11b), 1 val., máx. 4 linhas

Projeções do OE2026 (taxas de crescimento real, %):

20242025e2026p
PIB2,12,02,3
Exportações de bens e serviços3,11,51,8
Importações de bens e serviços4,84,03,6
Contributo da procura interna (p.p.)2,93,23,1
Contributo da procura externa líquida (p.p.)−0,7−1,2−0,9

“A balança comercial apresenta uma tendência de evolução desfavorável ao longo dos próximos anos.” Avalie a veracidade desta afirmação e discuta as suas implicações para o crescimento económico.

Fig. — Tabela da Q11 (projeções do OE2026: PIB, componentes da despesa, contributos, inflação, emprego). Para a Q11b interessam as linhas das exportações, das importações e do contributo da procura externa líquida (Exame-Exemplo, p.4).

Exercício (Exame-Exemplo, Q12), 2 val., máx. 6 linhas

Comente a afirmação: “Apesar da incerteza da política tarifária com os EUA estar a aumentar, o impacto económico em Portugal será muito reduzido, uma vez que as exportações para os EUA não representam mais de 7% do total das exportações nacionais.”

Fig. — Gráficos da Q12 (OE2026). Esquerda: índice de incerteza da política tarifária dos EUA (eixo y: 0–3 500). Perto de 0–200 até ~2017; pico de ~1 400 em 2018–19; dispara para ~3 350 em 2025 e fecha a ~1 700 (Caldara, Iacoviello et al., 2020). Direita: peso das exportações para os EUA no total das exportações portuguesas de bens (eixo y: 0–8%). ~5,6% em 2000–05, mínimo ~3,2% em 2009, máximo ~6,7–6,8% em 2023–24, ~6,2% em 2025 (INE) (Exame-Exemplo, p.6).

Formato

  • Q1 é uma EM de 1 val. com 2 certas.
    • Selecionar só as verdadeiras vale a cotação inteira.
    • Selecionar alguma(s) errada(s), ou não selecionar todas as verdadeiras, vale metade.
    • Selecionar só erradas vale zero.
    • Opções contraditórias valem zero, mesmo que uma esteja certa. Na Q1, os pares contraditórios são A+D e B+C (leitura própria). Selecionar todas (quando nem todas estão certas) também vale zero.
  • Q11b tem 4 linhas e Q12 tem 6 linhas. Estrutura: veredito → dado → mecanismo → implicação.
  • O enunciado pede “análise gráfica sempre que considere adequado”.

🧭 Checklist

Sintoma no enunciadoFerramenta / resposta
”Grau de abertura” (comércio total, não o saldo)
“Porque é que os países trocam?”Vantagem comparativa (custo de oportunidade), dotações de fatores, escala/learning by doing
”Especialização”↑ produtividade; exige mercados/comércio (Q1)
“Quem ganha com a abertura?”Fatores abundantes ↑, fatores escassos ↓ (7.3)
“Medidas protecionistas”Tarifas, quotas, subsídios à exportação, barreiras não tarifárias (+ imigração, controlos de capitais, câmbio: 7.1)
“Efeitos de uma tarifa”Consumidores −, produtores +, Estado +, DWL, menos M, retaliação
”Défice externo” ⇔ ⇔ : o país pede emprestado
”Défice público e contas externas” → ↓ → ↓
“Balança comercial a piorar”M cresce mais do que X → procura externa líquida tira crescimento (Q11b)
“Competitividade”; ↑ = depreciação real → X ↑, M ↓
“BCE sobe juros e o euro…”Capitais entram → procura de € ↑ → aprecia
”Câmbio fixo e política monetária”Trilema: só 2 de 3
”País do euro em crise”Sem política monetária/cambial → só orçamental
”Tarifas dos EUA e Portugal”Abertura elevada + efeitos indiretos via parceiros (Q12)

Erros a evitar

  • Confundir abertura com o saldo .
  • Definir vantagem comparativa como “produzir mais barato” (é menor custo de oportunidade).
  • Dizer que a especialização exige autossuficiência ou reduz a produtividade (Q1 B e D).
  • Trocar o sentido dos preços dos fatores: o abundante sobe e o escasso desce (7.3).
  • Dizer que a tarifa prejudica todos: produtores nacionais e Estado ganham. O que é negativo é o efeito global (DWL).
  • Copiar a gralha da solução 7.1: o protecionismo reduz as importações.
  • Confundir balança comercial () com balança corrente (+ rendimentos + transferências).
  • Dizer que BC < 0 significa “emprestar ao exterior” (é pedir emprestado; BF > 0).
  • Interpretar ” sobe” sem dizer a convenção: com € por moeda estrangeira, ↑ = depreciação do €.
  • Esquecer os preços em : inflação doméstica mais alta reduz a competitividade, mesmo com fixo.
  • Dizer que se podem ter os três objetivos do trilema, ou que a Zona Euro tem câmbio fixo face ao dólar.
  • Inventar fórmulas que os slides não têm (PPC, paridade de juros, exemplos de Ricardo).

📎 Recursos

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  date AS "Data",
  status AS "Estado"
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