🛒 Resumo 1 — Mercados e o Papel do Governo (IEco · Exame)
Parent project: MOC - Introducao a Economia Índice: Resumo IEco 0 - Indice (Exame) · ← (início) · seguinte → Resumo IEco 2 - Falhas de Mercado e Ambiente
Âmbito
- Teoria: Teórica 1 — Mercados e o Papel do Governo, slides 3–33.
- Prática: Ficha 1 (ex. 1.1–1.4 com solução oficial; 1.5 e 1.6 com resolução própria) + Exame-Exemplo Q1–Q4.
- Lacuna preenchida: a ficha não tem exercícios de excedentes/impostos/DWL → exemplo construído a partir do slide 29 (secção 5) + Q3/Q4 do exame.
- Fica de fora: falhas de mercado, poder de mercado e externalidades → Resumo IEco 2 - Falhas de Mercado e Ambiente; especialização e comércio → Resumo IEco 7 - Economia Internacional.
🗺️ Mapa do Capítulo
| Secção | Ideia central | Slides |
|---|---|---|
| 1. Sistemas económicos e capitalismo | Capitalismo = propriedade privada + mercados + empresas; fluxo circular famílias–empresas–governo–RM | 3–12 |
| 2. Procura, oferta e equilíbrio | Procura = disposição a pagar; oferta = disposição a aceitar; em a oferta iguala a procura | 13–19 |
| 3. Excedentes | = ganhos do comércio; lucro = EP − custos fixos | 20–21 |
| 4. Deslocações vs movimentos | Choque desloca uma curva → o preço ajusta ao longo da outra | 22–25 |
| 5. Impostos e bem-estar | Paga mais o lado menos elástico; DWL cresce com a elasticidade | 26–33 |
Fio condutor
Uma economia de mercado organiza a produção através de empresas que vendem em mercados. Num mercado, a procura (quanto os compradores estão dispostos a pagar) e a oferta (quanto os vendedores exigem, o custo marginal) cruzam-se no preço de equilíbrio, que maximiza os ganhos do comércio (). Choques exógenos deslocam as curvas e o preço volta a ajustar. O governo intervém com impostos: obtém receita, mas reduz a quantidade e destrói parte do excedente (DWL). A receita pode compensar se financiar bens úteis à sociedade. As limitações do mercado (desigualdade, ambiente, falhas) abrem o Resumo 2.
🏛️ 1. Sistemas económicos e capitalismo
Ideia
Um sistema económico é a “forma de organizar a economia” (≠ sistema político) (slide 3). A Economia estuda “como as pessoas interagem umas com as outras e com o seu ambiente, na produção dos seus meios de subsistência” (slide 4). A economia está dentro da biosfera: recebe terra, matérias-primas, energia e água e devolve poluição e resíduos.
Definições (slides 6–9)
- Economia de mercado (capitalismo): sistema em que “a principal forma de organização económica é a empresa; os proprietários privados de bens de capital contratam mão-de-obra para produzir bens e serviços para venda nos mercados com o objetivo de obter lucro.”
- Instituições-chave: propriedade privada, mercados e empresas.
- Propriedade privada: o detentor tem o direito de excluir outros da sua utilização e de a trocar.
- Mercado: forma de trocar bens e serviços “por meio de transferências diretamente recíprocas, para benefício mútuo (ao contrário do roubo ou da tributação)”.
- Bens de capital: recursos para produzir outros bens que não são mão-de-obra, são duráveis e têm custo (equipamentos, edifícios).
Fig. — Fluxo circular: Famílias ↔ Empresas (gastos com consumo / salários, lucros), Governo (gastos públicos / impostos) e Resto do Mundo (importações / exportações) (Teórica 1, slide 5).
Outras formas de organização que não são empresas (slide 10)
Forma Porque não é empresa Produção familiar/individual Não contrata terceiros Organizações sem fins lucrativos O objetivo não é o lucro nem vender no mercado Cooperativas O trabalho é feito pelos membros, não é contratado Órgãos governamentais Não visam o lucro; os bens de capital são propriedade pública
Limitações do capitalismo (slides 11–12)
O mercado não resolve tudo: desigualdade na distribuição do rendimento, (in)sustentabilidade ambiental e falhas de mercado (ineficiências, p.ex. externalidades → Resumo 2).
Como reconhecer
“Mercado vs roubo/tributação” → a palavra-chave é troca voluntária e recíproca. “Cooperativa/ONG/Estado é empresa?” → não (falta contratação privada de trabalho com fim lucrativo).
⚖️ 2. Procura, oferta e equilíbrio
Ideia
- Curva da procura: “quantidade total que os consumidores desejam comprar a um determinado preço”. Representa a disposição a pagar (DAP) dos consumidores, ordenados do que paga mais ao que paga menos → descendente (slides 13–15).
- Curva da oferta: “quantidade total que as empresas estão dispostas a produzir a um determinado preço”. Representa a disposição a aceitar dos vendedores (o preço de reserva), ordenados do mais barato ao mais caro → crescente (slides 16–17). Nos slides seguintes a oferta aparece como custo marginal (“Original/New supply (MC)”, slides 23–24; “Supply (marginal cost)”, Ficha 1, ex. 1.4).
Equilíbrio (slide 18)
“Ao preço de equilíbrio (market-clearing price) a oferta é igual à procura. Qualquer outro preço não é um equilíbrio”:
- → excesso de oferta;
- → escassez de oferta (excesso de procura).
Fig. — Mercado de livros: procura de (0; 20) a (40; 0) e oferta a partir de P = 2; equilíbrio A em (24; 8) (Teórica 1, slide 18 — o mesmo gráfico da Ficha 1, ex. 1.3).
Descrever o gráfico (para desenhar no exame)
Eixo vertical: preço P; eixo horizontal: quantidade Q. Procura descendente (DAP), oferta crescente (CMg). O cruzamento é o ponto A . Acima de há uma distância horizontal entre as curvas = excesso de oferta; abaixo = escassez.
Armadilha: "a procura máxima é a quantidade vendida"
Mesmo que haja 40 compradores, só se vendem unidades: os restantes têm DAP inferior a (Ficha 1, 1.3 d).
Exercício (Ficha 1, ex. 1.3)
A figura (acima) mostra a procura e a oferta de um livro, que se cruzam em . Quais das frases estão corretas? a) Quando o preço é $10, há excesso de procura do livro. b) Quando o preço é $8, alguns vendedores têm incentivo a aumentar o preço para $9. c) Quando o preço é $8, o mercado está em equilíbrio. d) No total, serão vendidos 40 livros.
Resolução (solução oficial)
a) Falso. A $10 há excesso de oferta, porque o equilíbrio é a $8. b) Falso. Se uma empresa subir para $9, os clientes compram às que vendem a $8. c) Verdadeiro. A este preço a procura é igual à oferta. d) Falso. A procura máxima é de 40, mas 16 unidades não são transacionadas, porque a DAP desses consumidores é inferior a $8. Retas lidas do gráfico: procura , oferta ⇒ ⇒
Lição
No equilíbrio ninguém tem incentivo a mudar o preço: quem sobe perde os clientes, e quem desce perde receita sem precisar.
Exercício (Ficha 1, ex. 1.1) — lucro máximo
A procura de um bem é dada pela tabela. O custo unitário de produção é 60 €.
Q 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1 000 P (€) 270 240 210 180 150 120 90 60 30 0 a) Qual é o nível de produção que maximiza o lucro? b) “A empresa tem prejuízo quando produz 800 ou mais unidades.” V ou F?
Resolução (solução oficial)
1. Lucro em cada ponto: : 21 000; 36 000; 45 000; 48 000; 45 000; 36 000; 21 000; 0; −27 000; −60 000. a) ⇒ (qualquer outro ponto dá menos). b) Falso. Em o lucro é 0 (P = 60 = custo unitário). Só há prejuízo acima de 800.
Lição
Não basta vender muito: o lucro compara margem por unidade com quantidade. Prejuízo só quando custo unitário.
Exercício (Ficha 1, ex. 1.2) — ler curvas da procura
A figura mostra duas curvas da procura, D e D′. Quais as afirmações corretas? a) Em D, ao preço £5 000, a empresa pode vender 15 unidades. b) Em D′, pode vender 70 unidades a £3 000. c) A £1 000 vende mais 40 unidades com D′ do que com D. d) Com 30 unidades, cobra mais £2 000 em D′ do que em D.
Fig. — D: de (0; 6 000) a (60; 0); D′: de (0; 10 000) a (100; 0), paralelas (Ficha 1, p. 2).
Resolução (solução oficial)
Retas: D: ; D′: . a) Falso: a £5 000 vende 10. b) Verdadeiro. c) Verdadeiro: D → 50, D′ → 90. d) Falso: a diferença é £4 000 (£3 000 vs £7 000).
Lição
D′ à direita de D = mais procura a cada preço (ou maior DAP a cada quantidade). É uma deslocação da curva.
💶 3. Excedentes
Ideia
Cada comprador que paga mas estaria disposto a pagar mais ganha a diferença. Cada vendedor que recebe mas aceitaria menos (o seu custo marginal) ganha também. A soma é o ganho do comércio para a sociedade.
Fórmulas (slides 20–21)
- EC: “diferença total entre a disposição a pagar e o preço de equilíbrio” → área entre a procura e o preço.
- EP: “diferença total entre preço e o custo marginal (preço mínimo que os fornecedores aceitam)” → área entre o preço e a oferta.
- Custo marginal = custo de uma unidade adicional (≠ custo total).
Fig. — Mercado de carros: EC (rosa) entre a procura e , EP (roxo) entre e a oferta, até (Teórica 1, slide 21). O ponto (32; $5 440) assinalado no slide não é o equilíbrio do sombreado e o slide não o explica (provavelmente o caso com poder de mercado, Cap. 2).
Armadilha: lucro ≠ excedente do produtor
O EP só desconta custos variáveis (a soma dos CMg). O lucro desconta ainda os custos fixos: .
Como reconhecer
“Diferença entre DAP e preço” → EC. “Diferença entre preço e custo marginal” → EP. “Soma dos dois” → ET. Em gráficos lineares, cada excedente é um triângulo .
Exercício (Exame-Exemplo, Q3) — assinale todas as corretas
A) O excedente do consumidor é a diferença entre a disposição a pagar e o preço de equilíbrio. B) O excedente do produtor é a diferença entre o preço e o custo marginal. C) O excedente total é a soma do excedente do consumidor e do produtor. D) Impostos não alteram a soma do excedente do consumidor e do produtor.
Resolução
A) V: definição do slide 20 (por unidade; o agregado é a soma/área). B) V: definição dos slides 20–21. C) V: . D) F: o imposto reduz a quantidade, e EC e EP descem (slide 29: “os impostos diminuem os excedentes”). Parte da perda vira receita do Estado e o resto é DWL.
Lição
Uma só ideia (as definições do slide 20–21) gera três afirmações verdadeiras → cotação parcial se só marcar uma.
⚠️ Chave da Q3 suspeita — o PDF contradiz-se
No
Exame IEco Exemplo_Com Solucoes.pdf, a tabela de respostas (p. 1) marca B, C, D, mas a pergunta (p. 2) destaca A, B, C.
- D é falsa segundo os slides: um imposto reduz EC + EP (receita + DWL). Nem com procura/oferta perfeitamente inelástica D se salva: a DWL seria 0, mas EC + EP continua a descer no valor da receita.
- A é verdadeira (definição literal do slide 20).
- Conclusão: a resposta coerente com a matéria é A, B, C. O mais provável é um erro de marcação na tabela. No exame real, responder segundo a teoria.
🔀 4. Deslocações vs movimentos ao longo das curvas
Ideia (slide 22)
As curvas podem deslocar-se por choques exógenos (slide 22: progresso tecnológico, pandemia; casos do slide 25: guerra, secas…). Depois, “os compradores e os vendedores ajustam o seu comportamento para que o mercado volte a estar em equilíbrio”.
- Muda algo que não é o preço do próprio bem → a curva desloca-se.
- Muda o preço do próprio bem → há movimento ao longo da curva.
Cadeia causal do choque tecnológico no pão (slide 23)
- Melhoria tecnológica → a oferta aumenta para cada preço (“para cada quantidade, o preço mínimo exigido é menor”) → a curva da oferta desloca-se (para a direita/para baixo).
- Ao preço inicial há excesso de oferta.
- O preço desce até um novo equilíbrio → movimento ao longo da curva da procura.
Resultado: (2,00 € → ≈1,75 €) e (5 000 → ≈5 800).
Fig. — Pão: “Original supply (MC)” e “New supply (MC)” (desloca-se para baixo), procura convexa; A = (5 000; 2,00 €) → B ≈ (5 800; 1,75 €). Eixos: P (€) de 0 a 4,5; Q (pães) de 0 a 10 000 (Teórica 1, slide 23).
Entrada e saída de empresas (slide 24)
A curva da oferta também se desloca com a entrada/saída de empresas. “Se as empresas existentes estiverem a ter rendas económicas (i.e., lucro) e se os custos de entrada não forem muito altos, torna-se atrativo para outras empresas entrar no mercado” → oferta para a direita → , (mesmo gráfico do slide 23).
Fig. — O mesmo deslocamento da oferta, agora explicado pela entrada de empresas atraídas por rendas económicas (Teórica 1, slide 24).
Casos reais dos slides (slide 25)
- Autotestes COVID: a procura triplicou o preço (SIC, 2021).
- Guerra na Ucrânia → preços dos alimentos (BBC, 2022).
- Café: secas no Brasil e tufões no Vietname → choque de oferta (Euronews, 2024).
- Azeite a quase 10 €/l após quebras de produção > 50% em Espanha → oferta contrai → (Expresso, 2023).
Armadilha: "a queda do preço foi causada pela procura"
Uma descida de pode vir de procura ↓ ou de oferta ↑. Só a quantidade desempata: → foi a procura; → foi a oferta (Ficha 1, 1.4).
Tabela de reconhecimento (substitutos: Ficha 1, 1.5/1.6; "input mais barato", "moda" e "rendimento" são extensão própria)
Choque Curva que mexe P Q Progresso técnico, entrada de empresas, input mais barato Oferta → direita ↓ ↑ Escassez de matéria-prima, custos/regulação ↑ Oferta → esquerda ↑ ↓ Substituto mais barato Procura → esquerda ↓ ↓ Substituto mais caro, moda, rendimento ↑ (bem normal) Procura → direita ↑ ↑
Exercício (Exame-Exemplo, Q2)
Uma melhoria tecnológica no setor do pão implica que, ceteris paribus (todas as corretas): A) Surja escassez ao preço inicial. B) A curva da oferta se desloque para a direita. C) O novo preço de equilíbrio tenda a baixar e a quantidade a aumentar. D) A procura se desloque para a direita.
Resolução (chave oficial: B, C)
A) F: ao preço inicial há excesso de oferta, não escassez. B) V: a tecnologia baixa o CMg → a oferta desloca-se para a direita. C) V: novo equilíbrio com , (movimento ao longo da procura). D) F: a procura não se desloca; só há movimento ao longo dela.
Lição
Um choque mexe uma curva. A outra só “é percorrida”. Marcar as duas como deslocadas é o erro clássico.
Exercício (Ficha 1, ex. 1.4)
O mercado do pão estava em equilíbrio com 5 000 pães/dia a 2 €. Um ano depois, o preço de equilíbrio caiu para 1,50 €. O que se pode concluir? a) A queda do preço foi causada por uma contração da procura. b) A queda do preço foi causada por uma contração da oferta. c) A queda do preço pode ter sido causada por uma movimentação de qualquer uma das curvas. d) Um ano mais tarde, a 1,50 € haverá excesso de procura.
Fig. — Mercado do pão: procura e “Supply (marginal cost)”; equilíbrio A = (5 000; 2,0 €) (Ficha 1, p. 4).
Resolução (solução oficial)
a) F: não necessariamente; pode também ter sido uma expansão da oferta. b) F: uma contração da oferta subiria o preço. c) V: contração da procura ou expansão da oferta. Só se sabe qual com a variação da quantidade. d) F: em equilíbrio não há excesso de procura nem de oferta.
Lição
Com só o preço não se identifica o choque: é preciso P e Q.
Exercício (Ficha 1, ex. 1.5) — sem solução oficial
Quais destes fatores podem causar uma contração da procura de veículos elétricos? (todas as corretas) a) Um aumento do preço do gasóleo. b) Escassez de semicondutores. c) Uma diminuição do preço dos veículos a gasóleo. d) Políticas governamentais que aumentem o custo de produção.
Resolução própria
a) F: gasóleo mais caro torna os carros a gasóleo (substitutos) menos atrativos → a procura de elétricos expande. b) F: é um choque de oferta (custos ↑). O preço sobe e a quantidade procurada desce ao longo da procura, mas a curva da procura não se desloca. c) V: o substituto fica mais barato → a procura de elétricos contrai (desloca-se para a esquerda). d) F: também é um choque de oferta.
Lição
“Contração da procura” = deslocação da curva para a esquerda. Fatores de custo mexem a oferta, nunca a procura.
Exercício (Ficha 1, ex. 1.6) — sem solução oficial
Manteiga e margarina são substitutos. Perante um aumento na eficiência da produção de manteiga, o que acontece no mercado da margarina? a) Procura → direita. b) Procura → esquerda. c) Oferta → direita. d) Oferta → esquerda.
Resolução própria
Cadeia: eficiência ↑ na manteiga → oferta de manteiga → direita → → os consumidores trocam margarina por manteiga. a) F. b) V: a procura de margarina desloca-se para a esquerda ( e da margarina descem). c) F / d) F: os custos da margarina não mudam, por isso a sua oferta não se desloca.
Lição
Um choque num mercado passa para o mercado do substituto pela procura. Seguir a cadeia: que preço mudou? → de que bem é substituto/complemento?
🧾 5. Impostos e bem-estar
Ideia (slides 27–29)
“Ao longo da história, os Governos usaram impostos para obter receita.” Um imposto sobre produtores (ou consumidores) desloca a curva da oferta (ou da procura), “porque o preço torna-se mais alto para cada quantidade”. Abre-se uma cunha entre o preço que o consumidor paga () e o que o produtor recebe (). A quantidade cai de para .
Áreas com imposto (slide 29) e fórmulas
“Os impostos diminuem os excedentes”: EC (rosa) · EP (roxo) · Receita do Governo (verde) · Carga excedente (DWL, deadweight loss), o triângulo branco, que “representa a perda de eficiência (desperdício social)”. Com o imposto unitário (nos gráficos lineares abaixo): (As fórmulas das áreas são a geometria do gráfico do slide 29; o slide só nomeia as áreas.)
Fig. — Imposto sobre o sal: procura, oferta e “oferta com imposto”; A sem imposto → B com imposto. , . EC rosa, receita verde, EP roxo, DWL = triângulo branco entre B, A e (Teórica 1, slide 29).
Descrever o gráfico (para desenhar no exame)
Eixos P e Q. Desenhar D e S, que se cruzam em A . Imposto sobre produtores → S sobe para S + t. Novo cruzamento B . Abaixo de , à distância , fica (lido na S original em ). Sombrear: EC acima de ; receita = retângulo ; EP abaixo de ; DWL = triângulo entre e .
Fig. — O mesmo gráfico do sal em maior resolução (já com as áreas sombreadas e a DWL), mas sem o texto lateral que diz o que cada cor representa; = preço do consumidor, = preço do produtor (Teórica 1, slide 28).
Elasticidade, incidência e DWL (slide 30)
- Incidência legal/fiscal = quem entrega o imposto ao Estado. Incidência económica = quem o suporta de facto.
- “A incidência económica do imposto depende da elasticidade relativa do comportamento dos consumidores e produtores. O grupo com menor elasticidade suporta mais carga tributária.”
- “A redução no excedente total está positivamente relacionada com a elasticidade da procura (variação na quantidade provocada por uma variação no preço).” → mais elástica ⇒ maior DWL.
Armadilhas
- “Um imposto sobre os produtores é pago 100% pelos produtores” → Falso: quem paga depende das elasticidades, não da lei.
- “A DWL é maior quando a procura é inelástica” → Falso: é ao contrário. Procura inelástica → a quantidade quase não cai → DWL pequena.
- “O imposto é só uma transferência” → Falso: a receita é transferência, mas a DWL perde-se para todos.
Exemplo construído a partir do slide 29 (valores ilustrativos)
O slide 29 não tem números. Considere um mercado com procura e oferta (preços em €). O governo cobra aos produtores um imposto de € por unidade. a) Calcule o equilíbrio sem imposto e os excedentes. b) Calcule , , , EC, EP, receita e DWL com imposto. Quem suporta o imposto? c) Repita com uma procura menos elástica que passa pelo mesmo ponto inicial, . O que muda na incidência e na DWL?
Resolução (exemplo construído a partir do slide 29)
1. Sem imposto: . · · €.
2. Com imposto: a oferta sobe 20: . Então . € · € (= ✓). · · · . Verificação: ✓. Incidência: consumidor paga €, produtor perde € → a meias, porque as curvas têm a mesma inclinação (como no slide 29, onde ).
3. Procura menos elástica (): sem imposto (o mesmo ponto A). Com imposto: · € · €. Consumidor paga € (2/3 do imposto), produtor € (1/3). € < 50 €; € (> 300).
Lição
Os dois resultados do slide 30 num só exemplo: o lado menos elástico paga mais e a DWL cresce com a elasticidade. Quanto menos a quantidade reage, menos trocas se perdem.
Exercício (Exame-Exemplo, Q4) — assinale todas as corretas
A) Impostos sobre consumidores/produtores afetam a curva da procura/oferta. B) A maior fatia do imposto recai sobre o lado com menor elasticidade. C) A carga excedente (DWL) é maior quando a procura é mais inelástica. D) Um imposto específico recai sempre 100% sobre produtores.
Resolução (chave oficial: A, B)
A) V: slide 27 — o imposto desloca a curva do lado onde incide legalmente. B) V: slide 30 — “o grupo com menor elasticidade suporta mais carga tributária”. C) F: a DWL é maior quando a procura é mais elástica (exemplo acima: 50 € vs 33,3 €). D) F: a incidência económica depende das elasticidades, não da lei.
Lição
O slide 30 dá duas regras (incidência e DWL). O exame troca “elástica/inelástica” para criar a opção falsa.
Impostos podem aumentar o bem-estar (slide 31)
“Os impostos podem aumentar o bem-estar social se os governos usarem as receitas fiscais para fornecer bens/serviços benéficos para a sociedade: educação, saúde, segurança, limpeza dos espaços públicos, …”
Caso: imposto sobre a manteiga na Dinamarca (slide 32)
Em 2011 a Dinamarca criou um imposto (por kg) sobre a gordura saturada, equivalente a 22% do preço médio da manteiga. O consumo de manteiga e produtos relacionados caiu 15–20%. Exemplos em Portugal: imposto sobre bebidas açucaradas, tabaco. No gráfico (valores lidos da imagem, não escritos no slide): A = (2,0 kg; 45 kr) → B ≈ (1,58 kg; 55 kr), com um imposto de ≈10 kr/kg (≈22% de 45). A oferta é muito mais plana do que a procura, por isso os consumidores suportam a quase totalidade do imposto: sobe ≈10 kr e desce só ≈1 kr.
Fig. — Manteiga DK: procura, oferta e “after tax supply curve”; P (kr/kg) de 0 a 100, Q (kg/pessoa/ano) de 0 a 4 (Teórica 1, slide 32).
Caso: IVA zero (slide 33)
Espanha baixou para zero o IVA de bens essenciais, e os fiscalistas chamaram-lhe “criação de rendas” para as empresas (Expresso, 2022). Em Portugal, alguns supermercados não desceram o preço das conservas e produtos vegetais quando o IVA passou de 23% para 6% (Renascença, 2023). O cabaz com IVA zero custou 140 milhões de euros (Expresso, 2023). Leitura com a matéria: se o preço ao consumidor não desce, a redução do imposto fica do lado do produtor/distribuidor → a incidência económica ≠ a intenção legal.
🎯 Como sai no Exame
| Pergunta | Tema | Chave | Onde neste Resumo |
|---|---|---|---|
| Q1 | Especialização: economias de escala e learning by doing (A); exige mercados/comércio (C) | A, C | Ideia de “mercados = troca” (§1). Matéria principal no Resumo IEco 7 - Economia Internacional |
| Q2 | Choque tecnológico no pão: oferta → direita, P↓ Q↑ | B, C | §4 |
| Q3 | Definições de EC, EP, ET; impostos alteram EC+EP | A, B, C ⚠️ (a tabela do PDF diz B, C, D) | §3 |
| Q4 | Incidência e elasticidade; DWL ↑ com a elasticidade | A, B | §5 |
Formato
Escolha múltipla com várias certas possíveis: cotação inteira só com as certas todas; metade se faltar uma certa ou houver alguma errada; zero se só errar, se marcar opções contraditórias ou se marcar todas sem estarem todas certas. “Análise gráfica sempre que considere adequado” → nas perguntas de desenvolvimento, desenhar oferta/procura.
🧭 Checklist
| Sintoma no enunciado | Ferramenta / resposta |
|---|---|
| ”Preço acima/abaixo do equilíbrio” | Acima → excesso de oferta; abaixo → escassez |
| Tecnologia, entrada de empresas, inputs mais baratos | Oferta → direita, P↓, Q↑ |
| Preço de um substituto/complemento muda | Procura do bem desloca-se |
| Só se sabe que o preço caiu | Procura ↓ ou oferta ↑ → ver a quantidade |
| ”DAP − preço” / “preço − CMg” | EC / EP (áreas/triângulos) |
| Lucro máximo com tabela | em cada linha |
| Imposto | Desloca a curva; cunha ; receita = ; DWL = triângulo |
| ”Quem paga o imposto?” | O lado menos elástico |
| ”Quando é maior a DWL?” | Procura mais elástica (slide 30; o mesmo vale para a oferta) |
| “Imposto pode ser bom?” | Sim, se a receita financiar bens úteis (slide 31) |
Erros a evitar
Confundir deslocação da curva com movimento ao longo dela · dizer que um choque de oferta mexe a procura (ou ao contrário) · achar que se vende a “procura máxima” · confundir lucro com EP (falta subtrair custos fixos) · dizer que “impostos não alteram EC+EP” (alteram: receita + DWL) · trocar a regra da elasticidade (menos elástico paga mais; DWL maior com mais elasticidade) · achar que a incidência legal decide quem paga · chamar empresa a uma cooperativa ou a um órgão público · esquecer de desenhar o gráfico (eixos P e Q, curvas legendadas, áreas sombreadas).
📎 Recursos
- Teórica: Teórica 1 — Mercados e o Papel do Governo
- Ficha: Exercícios 1 (com soluções) · Caderno (sem soluções)
- Exame-Exemplo: com soluções · sem soluções
- Plano: 0. Plano - Resumo IEco (Exame)
- Seguinte: Resumo IEco 2 - Falhas de Mercado e Ambiente
TABLE WITHOUT ID
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date AS "Data",
status AS "Estado"
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Fig. — D: de (0; 6 000) a (60; 0); D′: de (0; 10 000) a (100; 0), paralelas (Ficha 1, p. 2).
Fig. — Mercado do pão: procura e “Supply (marginal cost)”; equilíbrio A = (5 000; 2,0 €) (Ficha 1, p. 4).
Fig. — Manteiga DK: procura, oferta e “after tax supply curve”; P (kr/kg) de 0 a 100, Q (kg/pessoa/ano) de 0 a 4 (Teórica 1, slide 32).