👷 Resumo 4 — Desemprego e Desigualdade (IEco · Exame)

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Âmbito

O que os slides não têm (não inventar)

  • Taxa natural de desemprego: o nome aparece só numa pergunta de um recorte de jornal (p.15). Não há definição, fórmula nem modelo. A ideia mais próxima nos slides é o desemprego de equilíbrio (p.6).
  • Os tipos de desemprego (friccional, estrutural, cíclico), a NAIRU, a curva de Phillips e a lei de Okun.
  • Uma fórmula do Gini. Os slides não dão : só a escala (0 = igualdade perfeita, 1 = desigualdade perfeita, p.29) e gráficos. A expressão “curva de Lorenz” nunca aparece escrita, só o gráfico (p.30). O nome vem da Ficha 4.2.
  • “×100” nas taxas: as fórmulas da p.4 são rácios simples.

🗺️ Mapa do Capítulo

ParteSecçãoIdeia centralPágs.
A1. Categorias e taxasPopulação → PIA → ativos (empregados + desempregados) + inativos; 3 taxas com denominadores diferentes2–4
A2. Porquê há desempregoExcesso de oferta; há sempre desemprego no equilíbrio (incentivo ao esforço); criação de emprego pró-cíclica, destruição contracíclica5–8
A3. Matching e BeveridgeVagas por preencher (mismatch, informação); a curva desloca-se com a eficiência do matching9–12
A4. PortugalDesemprego ≈ 6%, emprego em máximos, taxa de subutilização13–15
A5. Tecnologia e desempregoAdjustment gap; salário de reserva; choque da China (2,4 M empregos)16–19
A6. Instituições e políticasSindicatos inclusivos; densidade vs cobertura; políticas ativas; salário mínimo PT20–24
A7. Trabalho vs lazerSalário ↑ → efeito rendimento (+ lazer) vs efeito substituição (− lazer)25–26
B8. Medir a desigualdadeDivisão do produto; Lorenz e Gini; Gini ↑ com desemprego, markup, produtividade (CP); rendimento = fluxo, riqueza = stock27–38
B9. Quando é “demais” e políticasDesigualdade categórica; produtividade ↓ desigualdade; automação (CP ↑, LP ambíguo); redistribuição vs pré-distribuição39–45
B10. Entre paísesRiqueza > rendimentos antes de impostos > rendimento disponível; democracia; menos desigualdade ↔ mais crescimento46–48

Fio condutor

  • O mercado de trabalho decide quem trabalha e quanto ganha. Por isso decide também como se divide o produto entre empregados, desempregados e donos das empresas (p.29).
  • Parte A: porque há sempre algum desemprego (incentivos, matching, tecnologia), como se mede e como as instituições e as políticas o mudam.
  • Parte B: essa divisão mede-se com Lorenz e Gini. A desigualdade sobe com o desemprego e com o markup. As políticas atuam depois do mercado (redistribuição) ou antes dele (pré-distribuição).

🅰️ Parte A — Desemprego

🧮 1. Categorias e taxas

A árvore da população (p.3)

  • Population (população total)
    • → Population of working age = População em Idade Ativa (PIA)
      • → Labour force = População Ativa (destacada no slide)
        • → Employed (empregados)
        • → Unemployed (desempregados)
      • → Out of labour force (inactive) = inativos

Uma seta verde liga a População Ativa à PIA: a PIA é o denominador da taxa de atividade.

Fig. — Árvore do mercado de trabalho: População → População em Idade Ativa → População Ativa (empregados + desempregados) + inativos (Teórica 4, p.3).

As três taxas (p.4, transcritas do slide)

  • População ativa = empregados + desempregados.
  • A Ficha 4.1 chama à taxa de atividade “taxa de participação”.

Fig. — Slide das “Estatísticas do Mercado de trabalho” com as três fórmulas (Teórica 4, p.4).

Armadilhas

  • A taxa de desemprego divide pela população ativa, não pela PIA.
  • A taxa de emprego divide pela PIA: inclui os inativos no denominador.
  • Por isso, taxa de emprego + taxa de desemprego ≠ 100%. Os denominadores são diferentes. O que soma 1 é .
  • Um desempregado que desiste de procurar passa a inativo. A taxa de desemprego desce, mas a taxa de emprego não sobe. (Dedução própria a partir da árvore da p.3.)

Exercício (exemplo construído a partir do slide da p.4; números ilustrativos)

Um país tem PIA = 1 000, dos quais 600 empregados e 50 desempregados. Calcule as três taxas e a soma emprego + desemprego.

Exercício (Ficha 4, ex. 4.1) — quais estão corretas?

a. Taxa de participação = empregos ÷ população ativa. b. Taxa de desemprego = desemprego ÷ população em idade ativa. c. Taxa de emprego = emprego ÷ população em idade ativa. d. Taxa de emprego + taxa de desemprego = 1.


⚖️ 2. Porquê há desemprego

Desemprego de equilíbrio (pp.5–6)

  • “Desemprego = excesso de oferta no mercado de trabalho.” A oferta de trabalho vem dos trabalhadores e a procura das empresas.
  • “Haverá sempre desemprego no equilíbrio do mercado de trabalho.”
  • Cadeia causal:
  • “Portanto, é necessário algum desemprego para incentivar o mercado de trabalho.”

Ciclo: criação vs destruição de emprego (pp.7–8)

  • “A criação de emprego é altamente pró-cíclica (aumenta nos booms e diminui durante as recessões), enquanto que a destruição de emprego é contracíclica.”
  • Recessão: a procura cai, por isso as empresas publicam menos vagas e despedem mais.
  • Expansão: a procura sobe, por isso publicam mais vagas e precisam de mais trabalhadores.

Como reconhecer

  • “Pleno emprego = 0% de desemprego?” → Falso: há sempre desemprego no equilíbrio (p.6).
  • “Taxa natural” num enunciado → liga-se a este desemprego de equilíbrio. Na Q11c, “próxima do nível natural” = desemprego em mínimos históricos e emprego em máximos (solução oficial). Os slides não definem a taxa natural.
  • “Pró-cíclico” = anda com o ciclo; “contracíclico” = anda contra o ciclo.

Armadilha

Desemprego é excesso de oferta de trabalho, não de procura. Quem oferece trabalho são os trabalhadores.


🔗 3. Matching e curva de Beveridge

Porque há vagas por preencher ao mesmo tempo que desempregados (pp.9–11)

  • Mismatch: os desempregados podem não ter as competências da vaga, ou estar noutra parte do país.
  • Informação imperfeita: candidatos e empregadores podem não saber uns dos outros.
  • “Políticas adequadas e tecnologia podem melhorar a eficiência do mercado de trabalho” (p.11).

Curva de Beveridge (p.12)

  • “Curva de Beveridge: representação gráfica da relação entre desemprego e job vacancy rate (o nº de empregos não preenchidos, em % da força de trabalho).”
  • “Pode mudar ao longo do tempo devido a mudanças na eficiência de matching.”
  • Alemanha: aproximou-se da origem “devido a reformas que ajudaram os desempregados a encontrar emprego”.
  • EUA: afastou-se da origem “devido a mismatch nas competências e a mobilidade limitada dos trabalhadores”.

Fig. — Curvas de Beveridge: taxa de desemprego (x, 0–12%) × taxa de vagas (y, 0–4%). EUA (vermelho): de Q1 2001 (≈4,3%; 3,4%) desce até Q4 2009 (≈9,9%; 1,6%) e volta a subir mais à direita, até Q2 2015 (≈5,4%; 3,4%): afastou-se da origem. Alemanha (laranja): de Q1 2005 (≈11,4%; 0,5%) até Q2 2015 (≈4,7%; 1,3%): aproximou-se da origem (Teórica 4, p.12).

Como ler e desenhar

  • Eixos: x = taxa de desemprego; y = taxa de vagas.
  • Ao longo da curva (inclinação negativa) = ciclo: recessão → menos vagas e mais desemprego (para baixo e para a direita). (Inferência própria, combinando com a p.8; o slide só fala de deslocações.)
  • Deslocação da curva = eficiência do matching:
    • mais perto da origem → matching melhor (menos desemprego para as mesmas vagas);
    • mais longe da origem → matching pior (mismatch, pouca mobilidade).

Lição

Os EUA em 2015 tinham as mesmas vagas (≈3,4%) que em 2001, mas mais desemprego (≈5,4% vs ≈4,3%). É o sinal de que o matching piorou.


🇵🇹 4. Portugal

Dados do INE (pp.13–15)

  • Taxa de desemprego (valores ajustados de sazonalidade, jun-16 a jun-25): de ≈11% para 6,0%, com um pico de ≈8,3% em 2020 (p.13).
  • Taxa de emprego (2T2015–2T2024): de ≈51,7% até um máximo de ≈57,4% em 2023, e 56,3% no 2T2024 (p.14).
  • Taxa de subutilização do trabalho: de ≈20% para 10,2% em jun-25, com um pico de ≈15,5% em jun-20 (p.14).
  • Recortes do Público (p.15): o desemprego “pode já estar perto do seu limite mais baixo” (≈6%); máximo de quase 5,1 milhões de empregados no 2T2024; “Estará Portugal próximo da chamada taxa natural de desemprego ou do pleno emprego?” Mas também: 17% dos jovens estão desempregados.

Taxa de subutilização do trabalho (p.14, INE)

“Indicador que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis e os inativos disponíveis mas que não procuram emprego.”

  • É uma medida mais larga do que a taxa de desemprego (10,2% vs 6,0%), porque junta quem trabalha menos horas do que quer e inativos “quase ativos”.

Fig. — Portugal: à esquerda, a taxa de emprego (2T2015–2T2024, até 56,3%); à direita, a taxa de subutilização do trabalho (jun-16 a jun-25, de ≈20% para 10,2%, pico em 2020). Fonte: INE, Boletim Mensal de Estatística (Teórica 4, p.14).

Ligação ao exame

É exatamente o contexto da Q11c: desemprego em mínimos (≈6%) e emprego em máximos → perto do nível “natural” → o crescimento terá de vir da produtividade.


🤖 5. Tecnologia e desemprego

Adjustment gap (pp.16–17)

  • “Novas tecnologias podem aumentar os salários reais e o emprego no longo prazo.”
  • “O processo de ajustamento leva tempo e pode causar a destruição de postos de trabalho no curto prazo (adjustment gap).”
  • O desemprego não cai continuamente com o progresso técnico, porque este pode fazer subir os salários. Por exemplo:
    • políticas de apoio aos afetados;
    • maior desutilidade do esforço → salário de reserva ↑.

Salário de reserva (pp.17 e 22)

  • p.17: “salário abaixo do qual não vale a pena entrar no mercado de trabalho”.
  • p.22: “salário mínimo que o trabalhador exige para participar do mercado de trabalho”.
  • É a mesma ideia com duas formulações.

Lição

“A tecnologia destrói emprego?” → no CP pode (adjustment gap); no LP pode aumentar salários e emprego. Ver também a automação (§9) e o Resumo 3 (§6: “o progresso tecnológico… pode causar desemprego no curto prazo”).


🏛️ 6. Instituições e políticas

Porque o desemprego difere entre países (p.20)

  • Instituições: os sindicatos inclusivos (representam muitas empresas e setores) “optam por não exercer o máximo poder de negociação”, porque os aumentos salariais prejudicam a criação de emprego no longo prazo.
  • Políticas: esquemas de apoio ao desemprego bem desenhados e serviços de colocação podem ajudar a ter baixas taxas de desemprego.

Densidade sindical vs cobertura (p.21)

  • Densidade sindical (union density): % de trabalhadores que são membros de um sindicato.
  • Cobertura da contratação coletiva (collective bargaining coverage): % de trabalhadores abrangidos por um acordo coletivo, sejam ou não sindicalizados.
  • Valores lidos no gráfico: França ≈8% de filiação vs ≈98% de cobertura; Portugal ≈18% vs ≈72%; EUA ≈11% vs ≈12% (os EUA são os últimos da OCDE na cobertura).

Políticas do mercado de trabalho e o seu efeito (pp.22–23)

PolíticaEfeito
Educação e formaçãoprodutividade do trabalho ↑
Subsídio de desemprego mais baixosalário de reserva ↓
Políticas de imigraçãooferta de trabalho ↑
Apoio aos cuidados infantis (licenças de maternidade/paternidade)participação feminina ↑

Salário mínimo em Portugal (p.24)

  • Subiu de ≈375 € (2005) para ≈1 020 € (2028), com um patamar de ≈485 € em 2011–2014.
  • ECO (29/09/2024): o salário mínimo está a subir mais do que o médio. Há mais trabalhadores a receber o mínimo e “as progressões ficam muito mais limitadas”.
  • Os preços dos setores com mais trabalhadores ao salário mínimo sobem mais do que a média: parte do aumento “está a transferir-se para os consumidores”.

Armadilhas

  • Densidade ≠ cobertura. Um país pode ter poucos sindicalizados e muita cobertura (França, Portugal).
  • Um subsídio de desemprego mais baixo reduz o salário de reserva. O slide não diz que é “bom” ou “mau”, só qual é o efeito.

⏳ 7. Escolha trabalho/lazer

Um aumento salarial tem 2 efeitos (pp.25–26)

  • Efeito rendimento: a remuneração sobe com as mesmas horas. Ganha-se mais por hora, por isso há incentivo a trabalhar menos horas (mais lazer).
  • Efeito substituição: o custo de oportunidade do tempo livre sobe, por isso há incentivo a trabalhar mais horas (menos lazer).
  • “O efeito rendimento é positivo (aumenta as horas de tempo livre). O efeito de substituição é negativo (diminui as horas de tempo livre).”
  • “O efeito que prevalece depende das preferências do indivíduo/país!”

Armadilha

Os sinais referem-se às horas de tempo livre, não às horas de trabalho. Em horas de trabalho, os sinais trocam.

Como reconhecer

“Salário sobe e as pessoas trabalham menos” → domina o efeito rendimento. “Salário sobe e trabalham mais” → domina o efeito substituição. Ver o caso França vs EUA na Ficha 3.7 (Resumo IEco 3 - Crescimento Economico e Progresso Tecnologico).


🅱️ Parte B — Desigualdade

📏 8. Medir a desigualdade

Justiça e Economia (p.28)

“A Economia não fornece julgamentos sobre o que é justo.” Mas pode clarificar três coisas:

  • como as instituições (regras do jogo) afetam a desigualdade;
  • os trade-offs na justiça dos resultados;
  • que políticas públicas podem ajudar a resolver a injustiça.

Divisão do produto, Lorenz e Gini (pp.29–30)

  • “O mercado de trabalho determina a divisão da produção da economia entre trabalhadores empregados, desempregados e empregadores (proprietários das empresas).”
  • Índice de Gini (p.29): medida da distribuição do rendimento, “expressed as a number between 0 (perfect equality) and 1 (perfect inequality)”. Às vezes aparece na escala 0–100 (p.32; Ficha 4.2–4.3).
  • Curva de Lorenz (gráfico da p.30): x = % acumulada da população (dos mais pobres para os mais ricos); y = % acumulada do rendimento. A diagonal é a igualdade perfeita. Quanto mais longe a curva estiver da diagonal, maior é a desigualdade e maior é o Gini.
  • O Gini sobe quando (p.30):
    • a taxa de desemprego ↑;
    • o markup ↑ (aumenta o rendimento dos owners);
    • a produtividade ↑, pelo menos no curto prazo, porque cria desemprego.

Fig. — Curva de Lorenz com Gini = 0,36. x = % acumulada da população (0–10 Unemployed, 10–90 Employed, 90–100 Owners); y = % acumulada do rendimento. A curva vai de (0,0) a (10,0), sobe até (90,60) e acaba em (100,100). Leitura: os desempregados (10%) têm 0% do rendimento, os empregados (80%) têm 60% e os donos (10%) têm 40%. A área sombreada fica entre a curva e a diagonal (Teórica 4, p.30).

Como desenhar a curva de Lorenz

  • Quadrado 100 × 100, com a diagonal de 45° = igualdade perfeita.
  • A curva parte de (0,0), acaba em (100,100) e fica sempre abaixo da diagonal, com declive crescente.
  • Pouca desigualdade → curva colada à diagonal (Gini baixo). Muita desigualdade → curva funda (Gini alto).
  • Se o desemprego subir, o troço “0% de rendimento” à esquerda alarga e a curva afasta-se da diagonal (Gini ↑).

Gini na OCDE (p.31) e no mundo (p.32)

  • OCDE, rendimento disponível, 2019: da Eslováquia (≈0,22) à Costa Rica (≈0,48). Portugal = 0,31; Reino Unido ≈0,35; EUA ≈0,40.
  • Mundo 2026 (escala 0–100): os mais desiguais são a África do Sul 63,0, a Namíbia 59,1, o Botswana 54,9, Eswatini 54,6 e a Colômbia 53,9.

Fig. — Gini do rendimento disponível (líquido de impostos e benefícios, equivalente) nos países da OCDE, 2019 ou último ano. Portugal destacado com 0,31 (Teórica 4, p.31).

Rendimento (fluxo) vs riqueza (stock) (pp.33–34)

  • Riqueza = “stock do que nos pertence ou valor desse stock = edifícios, terrenos, máquinas, bens de capital − dívidas que temos + dívidas que têm para connosco”.
  • Rendimento = “quantidade de dinheiro que se recebe durante um determinado período de tempo (fluxo)”, vinda de ganhos de mercado, investimentos ou do Governo.
  • Depreciação = “redução do valor do stock de riqueza ao longo do tempo”.
  • Banheira (pp.33–34): o rendimento entra pela torneira, a riqueza é a água no tanque, a depreciação evapora e o consumo sai pelo ralo.

Riqueza: dados (pp.35–38)

  • Os 10% mais ricos têm mais de metade da riqueza na OCDE (2018): EUA ≈79%, Portugal ≈53%, OCDE ≈52%, Eslováquia ≈41% (p.35).
  • Fosso racial nos EUA (2019): riqueza mediana das famílias brancas ≈189 mil USD; negras ≈24 mil; hispânicas ≈36 mil (p.35). A p.36 (NYT) mostra que os 10% do topo têm a maioria da riqueza.
  • FT (p.37): “Britain and the US are poor societies with some very rich people”. Na Noruega o rendimento disponível é alto em toda a distribuição; no Reino Unido e nos EUA os pobres ficam muito abaixo.
  • Banco de Portugal (p.38): riqueza líquida das famílias (índice 2019T4 = 100) em 2024T2 ≈137 nominal, mas só ≈117 real. A diferença alarga-se sobretudo no surto inflacionista de 2022 (zona sombreada no gráfico).

Armadilhas

  • Rendimento é fluxo (por período); riqueza é stock (num momento). Não se comparam diretamente.
  • Maior produtividade sobe o Gini no curto prazo (p.30), mas pode baixá-lo no longo prazo (p.40, §9). Atenção ao horizonte.
  • Gini 0,36 = 36 na escala 0–100. É a mesma medida.

Exercício (Ficha 4, ex. 4.2) — desenhe duas curvas de Lorenz (desigualdade baixa e alta) e relacione com o Gini

Fig. — Ficha 4.2: curva de Lorenz da Eslovénia, 2018 (Gini = 24,6). x = % da população; y = % do rendimento. A curva está próxima da diagonal: ≈10% do rendimento aos 20%, ≈26% aos 40%, ≈43% aos 60%, ≈65% aos 80%.

Fig. — Ficha 4.2: curva de Lorenz do Brasil, 2018 (Gini = 53,9). A curva está muito afastada da diagonal: ≈3% aos 20%, ≈10% aos 40%, ≈22% aos 60%, ≈42% aos 80%. Os 20% mais ricos ficam com ≈58% do rendimento. (O texto no topo da imagem é a legenda da figura anterior, da Eslovénia.)

Exercício (Ficha 4, ex. 4.3)

Se o coeficiente de Gini de um país é 25,0, qual é o seu nível de desigualdade?


⚖️ 9. Quando é “demais” e políticas

Desigualdade injusta (p.39)

  • “As opiniões sobre se a desigualdade é ‘injusta’ dependem em grande parte de como se chegou à distribuição existente.”
  • Desigualdade categórica: “baseada no nascimento, incluindo país de cidadania, género ou grupo étnico”. Muitos consideram-na injusta, mas não a que vem do trabalho árduo ou da tomada de risco.

Exemplo #1: mais produtividade pela educação (p.40)

“A produtividade pode aumentar (e a desigualdade diminuir) se a força de trabalho tiver mais formação/educação (p.e., aumento da idade escolar obrigatória).”

Exemplo #2: automação (pp.41–43)

  • Automação = “tecnologias que permitem que as máquinas façam o trabalho que as pessoas costumavam fazer”. Aumenta a procura de alguns skills e reduz a de outros.
  • Curto prazo → desigualdade ↑:
    • as máquinas substituem o trabalho rotineiro, por isso o desemprego e a desigualdade sobem;
    • quem tem skills complementares das máquinas ganha salários mais altos, o que também aumenta a desigualdade.
  • Longo prazo → dois efeitos opostos:
    1. Mais desemprego reduz as opções de reserva dos trabalhadores. As empresas fixam salários mais baixos e a desigualdade sobe.
    2. Mais produtividade aumenta os lucros. Isso financia a expansão das empresas, cria empregos, faz descer o desemprego e subir os salários, e a desigualdade desce.
  • “No final o efeito é ambíguo.”

Políticas: redistribuição vs pré-distribuição (p.44)

O que éExemplos
RedistribuiçãoAtua depois do mercado (síntese própria): reduz as diferenças de rendimento disponívelImpostos e transferências; mais serviços públicos. Políticas progressivas reduzem a desigualdade; regressivas aumentam-na
Pré-distribuiçãoAtua antes do mercado (síntese própria): maior igualdade de dotaçõesAumentar por lei as dotações de quem tem rendimento baixo, por exemplo o salário mínimo em certos casos

Armadilhas

  • Automação: no CP a desigualdade sobe; no LP o efeito é ambíguo. Não dizer “a desigualdade sobe sempre”.
  • O salário mínimo é pré-distribuição (muda a dotação/o salário de mercado), não redistribuição (não é um imposto nem uma transferência).
  • Progressivo = quem ganha mais paga uma proporção maior (definição própria; não está nos slides).

🌍 10. Desigualdade entre países

Riqueza > rendimentos > rendimento disponível (p.46)

  • “A riqueza é muito mais desigualmente distribuída do que o lucro antes de impostos, que por sua vez é mais desigualmente distribuído do que o rendimento disponível.” O gráfico diz earnings (before taxes), ou seja rendimentos do trabalho.
  • “Maior igualdade na distribuição do rendimento disponível pode ser devida ao sistema de impostos e transferências existente em cada país.”

Fig. — Gini da riqueza (azul), dos rendimentos antes de impostos (verde) e do rendimento disponível (vermelho). EUA ≈0,83 / 0,48 / 0,37; Suécia ≈0,88 / 0,44 / 0,24; Japão ≈0,57 / 0,46 / 0,33 (Teórica 4, p.46; é a mesma figura da Ficha 4.4).

Democracia e desigualdade (p.47)

  • “Os países que primeiro estenderam o direito de voto a todos os cidadãos têm um rendimento disponível mais igualitário.”
  • A razão: programas governamentais que beneficiaram eleitores menos abastados (mulheres, trabalhadores) que antes estavam excluídos do voto.
  • Gráfico: os nórdicos e os Países Baixos (≈90–110 anos de democracia) têm Gini ≈0,24–0,27; a África do Sul (≈19 anos) tem ≈0,60.

Desigualdade × crescimento (p.48)

“Parecem existir benefícios económicos de uma menor desigualdade.”

Fig. — Dois gráficos de dispersão de Gini do rendimento disponível (x) × crescimento médio anual do PIB per capita (y). Países ricos (1970–2012): os “high performers” (Luxemburgo, Noruega, Finlândia, Áustria) têm Gini baixo e crescimento alto; Suíça ≈(0,29; 1,0%) e EUA ≈(0,35; 1,8%). Países em catch-up (1980–2012): Coreia do Sul ≈(0,31; 5,7%) e Taiwan ≈(0,28; 4,9%) contra Brasil ≈(0,49; 1,1%), México ≈(0,48; 0,9%) e Guatemala ≈(0,51; 0%) (Teórica 4, p.48).

Exercício (Ficha 4, ex. 4.4) — quais estão corretas? (figura da p.46)

a. A riqueza é muito mais desigualmente distribuída do que os rendimentos nos três países. b. A Suécia é uma sociedade inequivocamente mais desigual do que o Japão. c. Dos 3 países, os EUA são o mais desigual. d. A Suécia tem uma distribuição de rendimento disponível relativamente igual através do seu sistema de impostos e transferências.

Fig. — Ficha 4.4, Figura 1: Gini da riqueza / rendimentos antes de impostos / rendimento disponível, nos EUA, na Suécia e no Japão.


🎯 Como sai no Exame

PerguntaTemaChaveOnde neste Resumo
Q7Taxa de emprego + taxa de desemprego ≠ 100% (denominadores)B, C§1
Q11cDesemprego perto do nível “natural” → crescimento via produtividadeVerdadeiro§2, §4 + Resumo IEco 3 - Crescimento Economico e Progresso Tecnologico §6

Exercício (Exame-Exemplo, Q7, 1 valor) — assinale todas as corretas

A) A taxa de emprego e a taxa de desemprego somam 100%. B) Não somam 100% porque a primeira usa a população em idade ativa e a segunda usa a população ativa. C) Não somam 100% porque a taxa de desemprego exclui inativos e a taxa de emprego não. D) A taxa de emprego exclui inativos no denominador.

Exercício (Exame-Exemplo, Q11c, 1 valor, máx. 4 linhas)

Projeções do OE2026 para o mercado de trabalho: emprego (taxa de variação) 0,7% (2024), 1,7% (2025), 0,9% (2026); taxa de desemprego 6,4% → 6,1% → 6,0%; produtividade aparente do trabalho 1,4% → 0,3% → 1,4%. “O crescimento do emprego nos próximos anos será reduzido, sugerindo que a taxa de desemprego se encontra próxima do seu nível natural.” Avalie a veracidade desta afirmação e discuta as suas implicações para o crescimento económico.

Regras de cotação da escolha múltipla (enunciado)

  • Pode haver mais de uma resposta certa.
  • Cotação inteira: todas as verdadeiras e só as verdadeiras.
  • Metade: se escolher alguma errada, ou se faltar alguma verdadeira.
  • Zero: só opções erradas; opções contraditórias; ou todas as opções quando nem todas estão certas.

🧭 Checklist

Sintoma no enunciadoFerramenta / resposta
Taxa de desempregodesempregados ÷ população ativa
Taxa de empregoempregados ÷ população em idade ativa
Taxa de atividade / participaçãoativos ÷ PIA
”Emprego + desemprego = 100%?”Não: denominadores diferentes
Desempregado desiste de procurarPassa a inativo: a taxa de desemprego desce e a de emprego fica igual (dedução própria)
“Pleno emprego = 0% de desemprego?”Não: há sempre desemprego de equilíbrio (incentivo ao esforço)
“Taxa natural”Desemprego de equilíbrio; perto dela, crescer exige produtividade
Criação/destruição de emprego no cicloCriação pró-cíclica, destruição contracíclica
Vagas e desempregados ao mesmo tempoMismatch + informação imperfeita → curva de Beveridge
Curva de Beveridge afasta-se da origemMatching pior (EUA); aproxima-se = melhor (Alemanha) — só as deslocações estão no slide
Medida mais larga que a taxa de desempregoTaxa de subutilização do trabalho (INE)
Tecnologia e empregoCP: adjustment gap; LP: salários e emprego ↑
Subsídio de desemprego ↓Salário de reserva ↓
Densidade vs cobertura sindicalMembros vs abrangidos por acordo
Salário ↑ → horas?Rendimento (+ lazer) vs substituição (− lazer); depende das preferências
Gini0 = igualdade, 1 (ou 100) = desigualdade total
Curva de Lorenz longe da diagonalGini alto
O que sobe o GiniDesemprego ↑, markup ↑, produtividade ↑ (CP)
Rendimento vs riquezaFluxo vs stock
AutomaçãoCP: desigualdade ↑; LP: ambíguo
Impostos/transferências vs salário mínimoRedistribuição vs pré-distribuição
Ordem de desigualdadeRiqueza > rendimentos antes de impostos > rendimento disponível
”País X é inequivocamente mais desigual”Depende da medida → normalmente F

Erros a evitar

  • Dividir o desemprego pela PIA, ou o emprego pelos ativos.
  • Dizer que emprego + desemprego = 100%.
  • Dizer que o desemprego é excesso de procura de trabalho.
  • Dizer que no equilíbrio não há desemprego.
  • Inventar uma fórmula ou um modelo da “taxa natural” (NAIRU, Phillips, Okun): os slides não têm nenhum.
  • Confundir movimento ao longo da curva de Beveridge (ciclo) com deslocação (eficiência do matching).
  • Trocar os sinais dos efeitos rendimento/substituição (estão definidos em horas de lazer).
  • Dizer que a automação aumenta sempre a desigualdade (no LP é ambíguo).
  • Chamar redistribuição ao salário mínimo.
  • Confundir rendimento (fluxo) com riqueza (stock).
  • Pôr “×100” nas fórmulas como se fosse do slide. Não é errado exprimir em %, mas o slide dá rácios.

📎 Recursos

TABLE WITHOUT ID
  link(file.link, file.name) AS "Nota",
  date AS "Data",
  status AS "Estado"
FROM "2.Técnico/2º Ano/1Semestre/Introducao a Economia"
WHERE (type = "note" OR type = "project") AND file.name != this.file.name
SORT date DESC