📈 Resumo 3 — Crescimento Económico e Progresso Tecnológico (IEco · Exame)
Parent project: MOC - Introducao a Economia Índice: Resumo IEco 0 - Indice (Exame) · ← anterior Resumo IEco 2 - Falhas de Mercado e Ambiente · seguinte → Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade
Âmbito
- Teoria: Teórica 3 — Crescimento Económico e Progresso Tecnológico, págs. 2–57 do PDF.
- ⚠️ Página do PDF ≠ nº do slide: faltam os slides 17, 27 e 59. p.2–16 = slides 2–16; p.17–25 = slides 18–26; p.26–56 = slides 28–58; p.57 = slide 60. Nesta nota cito sempre a página do PDF (“p.”).
- Prática: Ficha 3, ex. 3.1, 3.2, 3.4, 3.8, 3.11 e 3.13, todos com solução oficial. A Ficha 3 não tem EM sem solução. Exame-Exemplo Q5 e Q11e.
- Fica de fora: a taxa de desemprego e a sua medição → Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade. O deflator e o IPC → Resumo IEco 5 - Inflacao, Moeda e Bancos. O multiplicador e o paradoxo da poupança em detalhe → Resumo IEco 6 - Politica Economica. As exportações líquidas e a balança comercial → Resumo IEco 7 - Economia Internacional.
O que os slides não têm (não inventar)
- O significado das letras W, J, L, R da ótica do rendimento: o slide dá só a fórmula.
- Uma definição de PIB real vs nominal, ou do deflator: aparecem só nomeados.
- Uma lista de limitações do PIB: aparece só a pergunta.
- Preços do trabalho e do carvão para as tecnologias A–E, ou custos calculados.
- Uma explicação do paradoxo da parcimónia: só é nomeado.
- Modelo de Solow, regra dos 70, fórmulas de ou de .
🗺️ Mapa do Capítulo
| Secção | Ideia central | Págs. |
|---|---|---|
| 1. PIB: definição | Valor dos bens e serviços finais produzidos numa região num período | 2–6 |
| 2. Contas nacionais: 3 óticas | Produção = Rendimento = Despesa; | 7–18 |
| 3. Curto prazo: ciclos e choques | Recessão = 2 trimestres negativos; PIB ↓ → desemprego ↑; famílias suavizam o consumo; I é mais volátil que o PIB | 19–33 |
| 4. Custo de oportunidade e função de produção | Custo económico = explícito + oportunidade; PMg = declive da tangente, PMe = declive do raio; rendimentos decrescentes | 34–41 |
| 5. Tecnologia | Tecnologias A–E; dominância; a escolha depende dos preços relativos dos inputs | 42–48 |
| 6. Crescimento | ; países ricos = mais capital por trabalhador + progresso técnico | 49–50 |
| 7. Inovação | Invenção + difusão; processo vs produto; renda da inovação; patentes = trade-off | 51–57 |
Fio condutor
Os Resumos 1–2 olharam para um mercado. Este capítulo passa para a economia inteira e começa por medi-la com o PIB, que se pode calcular de 3 maneiras.
- No curto prazo, o PIB oscila (ciclos, choques). As famílias tentam suavizar o consumo. O investimento amplifica as oscilações, porque segue as expectativas.
- No longo prazo, o PIB cresce porque cada trabalhador tem mais capital e melhor tecnologia (). Mais capital sozinho esbarra nos rendimentos decrescentes; por isso o motor duradouro é a inovação, que as empresas fazem para ganhar rendas de inovação (ligação própria entre os slides de PMg e de inovação).
- As patentes protegem essas rendas, mas atrasam a difusão. É um trade-off.
🧾 1. PIB: definição e limites
Definição (p.4)
“O Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador que mede o valor de todos os bens e serviços finais produzidos numa região (país, estado, cidade) num determinado período.”
As três palavras-chave
- Finais: os bens intermédios não contam, porque já estão no preço do bem final (Ficha 3.4).
- Região (interno): conta onde se produz. A nacionalidade da empresa e o país do comprador não interessam (Exame Q5).
- Período: é um fluxo (por ano ou por trimestre).
Como comparar (p.5): o slide só diz “PIB vs PIB per capita; real vs nominal”. Comparar países de tamanhos diferentes pede o per capita. Comparar anos diferentes pede o PIB real, que retira o efeito dos preços. (Os slides não dão fórmulas; o deflator está no Resumo IEco 5 - Inflacao, Moeda e Bancos.)
Duas questões centrais da macro (p.6): garantir crescimento sustentado (longo prazo) e ajustar a economia às flutuações do ciclo (curto prazo). São as §3 e §4–7 desta nota.
Armadilhas
- Somar o trigo e o pão é dupla contagem: só entra o valor final (3 €), não 2 + 3 = 5 €.
- “PIB de Portugal” = produzido em Portugal, mesmo que por uma empresa estrangeira.
- Limitações do PIB: os slides só levantam a pergunta (pp.4–5). A Ficha 3.5 dá exemplos de coisas indesejáveis que aumentam o PIB: poluição associada ao petróleo e reconstrução após catástrofes.
🔄 2. Contas nacionais: as 3 óticas
As 3 óticas do PIB (p.7–8): "três métodos para calcular o PIB… a mesma grandeza por diferentes perspetivas"
Contas Nacionais = sistema utilizado para medir a produção e a despesa num país.
Ótica O que mede Fórmula Produção Valor do que foi produzido (soma dos valores acrescentados brutos) Rendimento Rendimento obtido por quem produziu Despesa Despesa realizada por quem obteve rendimento
- Na ótica do rendimento, os slides não explicam as letras. A figura do fluxo circular (p.7) fala de “salários e lucros”.
- A ótica da despesa é “também conhecida como Y, ou procura agregada” (p.12).
Fig. — Fluxo circular: as empresas vendem bens e serviços às famílias; as famílias dão trabalho às empresas. Em cima, a despesa (dinheiro gasto em bens e serviços). Em baixo, valor acrescentado = rendimento (salários e lucros). Isto mostra porque é que as 3 óticas dão o mesmo valor (Teórica 3, p.7).
Componentes da despesa (pp.9–12)
- C — Consumo: despesas do setor privado (famílias e empresas) com bens e serviços.
- I — Investimento: despesas com novos bens de capital. “Inclui equipamentos, edifícios e inventários = output não vendido”. É feito pelas empresas, e pelas famílias quando compram habitação.
- G — Governo: despesas do Governo em bens e serviços, “excluindo transferências para evitar dupla contagem”. O Governo é tratado “como se fosse um produtor: os serviços públicos são ‘comprados’ com os impostos”.
- X − M — Exportações líquidas (balança comercial): resto do mundo. “Incluímos as exportações e excluímos as importações, de forma a que o PIB inclua a produção nacional e exclua a produção exterior.”
Quotas no PIB (p.13)
EUA Zona Euro (19) China C 68,4% 55,9% 37,3% G 15,1% 21,1% 14,1% I 19,1% 19,5% 47,3% Var. inventários 0,4% 0,0% 2,0% X 13,6% 43,9% 26,2% M 16,6% 40,5% 23,8% “Na maioria dos países, o consumo privado representa a maior fatia do PIB.” A China é a exceção: tem mais investimento do que consumo. A Zona Euro é muito aberta (X e M ≈ 40%).
Fig. — Componentes da despesa em % do PIB: EUA, Zona Euro e China (Teórica 3, p.13).
Portugal (pp.15–18)
- PIB real de 265 525 M€ em 2023 (+9,6% face a 2022, segundo o slide — valor alto para crescimento real; provavelmente é variação nominal), 15.º da UE27.
- PIB per capita em PPC = 82,1 (UE27 = 100), 18.º de 26 países.
- O BdP (boletins de junho de 2024 e 2025) projeta crescimentos de ≈ 1,6–2,3% ao ano para 2024–2027. Os contributos vêm do consumo, do investimento e das exportações.
Armadilhas
- G exclui transferências (pensões, subsídios): são só passagens de dinheiro, não compra de produção.
- Inventários entram em I. Um bem produzido e não vendido conta no PIB do ano em que foi produzido.
- M entra com sinal menos para retirar a produção estrangeira já contada dentro de C, I e G. Uma descida de M, com tudo o resto constante, aumenta o PIB (3.2a).
- Os serviços públicos (educação, saúde) estão no PIB. Como não são vendidos, avaliam-se pelo custo de produção e não por um preço de mercado (3.1c–d).
Como reconhecer
- “Valor acrescentado” ou “bens intermédios” → ótica da produção.
- “Salários, lucros, rendas” → ótica do rendimento.
- “Consumo, investimento, exportações” → ótica da despesa.
- “O que aumenta o PIB?” → procure a variável em e veja o sinal com que entra.
Exercício (Ficha 3, ex. 3.1) — V/F, justifique
a) O PIB pode ser medido como a despesa total em bens e serviços produzidos internamente, o valor acrescentado total da produção interna, ou a soma de todos os rendimentos recebidos provenientes da produção interna. b) Para o cálculo do PIB é necessária informação sobre as exportações, mas não sobre as importações. c) A produção do Governo não é incluída no PIB. d) O valor acrescentado da produção do Governo é calculado com base nos preços de mercado a que são vendidos os bens e serviços públicos.
Resolução (solução oficial)
a) V: são as 3 óticas: despesa, produção e rendimento. b) F: as exportações contribuem positivamente e as importações negativamente. Ambas são precisas. c) F: os serviços públicos, como a educação, estão incluídos. d) F: os serviços públicos não são vendidos no mercado, por isso o valor acrescentado é calculado pelo custo de produção.
Exercício (Ficha 3, ex. 3.2) — quais contribuem para aumentar o PIB?
a) Diminuição das importações, com tudo o resto constante. b) Aumento das remessas de emigrantes para as famílias no país de origem. c) Aumento dos gastos do Governo. d) Diminuição das exportações.
Resolução (solução oficial)
a) V: M entra com sinal −. b) F: a transferência aumenta o rendimento de quem recebe, mas não é produção. Não se pode garantir que o PIB suba (só subiria indiretamente, se se traduzisse em mais C ou I). c) V: G entra com sinal +. d) F: menos procura externa por produtos nacionais faz o PIB descer. (A solução oficial diz “investimento estrangeiro em produtos nacionais”; o termo rigoroso é procura externa, X.)
Exercício (Ficha 3, ex. 3.4)
Um agricultor vende trigo a um padeiro por 2 €. O padeiro usa o trigo para fazer pão, vendido por 3 €. Qual é a contribuição total destas transações para o PIB?
Resolução (solução oficial)
O PIB inclui só os bens finais: o trigo é um bem intermédio e o seu valor já está no preço do pão.
- Pela ótica da produção (VAB) dá o mesmo: agricultor € + padeiro € = €.
- Somar € seria dupla contagem.
Lição
Valor final = soma dos valores acrescentados. As duas contas têm de dar o mesmo, e isso serve para verificar a resposta.
🌊 3. Curto prazo: ciclos e choques
Definições (p.20)
- “O crescimento económico não é um processo suave.”
- Ciclos económicos: períodos alternados de taxas de crescimento positivas e negativas.
- Recessão: período em que o output está em declínio. Por convenção, dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.
- Choque (p.24): “um evento inesperado (seca extrema, pandemia, guerra, choque petrolífero, etc.) que faz com que o PIB flutue mais acentuadamente”. As economias também flutuam endogenamente, de forma mais suave.
PIB e desemprego (pp.21–22)
As variações da taxa de crescimento do PIB estão negativamente correlacionadas com a taxa de desemprego:
Fig. — Em cima, o crescimento do PIB (%) com picos e cavas do ciclo; em baixo, a taxa de desemprego (%), de 1875 a ≈2013. Marcos: 1918, 1929 (Grande Depressão, desemprego ≈15%) e 2008. As quedas do PIB coincidem com picos de desemprego (Teórica 3, p.22).
Famílias: suavizar o consumo (pp.25–27)
Perante um choque que atinge um agregado familiar:
- Autosseguro (self-insurance): poupar ou pedir emprestado.
- Cosseguro (co-insurance): apoio da segurança social ou do Governo.
Com isto, as famílias suavizam o consumo (consumption smoothing).
- Como o C pode representar mais de 50% do Y, isto é uma “fonte básica de estabilização” da economia.
- O cosseguro falha num choque generalizado (uma pandemia, por exemplo), exatamente quando o seguro é mais necessário (p.26).
- O smoothing “nem sempre leva à estabilização… pode até ampliar o choque inicial”, por exemplo no paradoxo da parcimónia (p.27). (O slide só o nomeia. Explicação própria: se todos pouparem ao mesmo tempo por precaução, a procura cai. Desenvolvido no Resumo IEco 6 - Politica Economica.)
Empresas: o investimento é mais volátil (pp.28–31)
- As empresas não querem estabilizar o investimento: ajustam-no para maximizar lucros.
- “As decisões de investimento dependem sobretudo das expectativas das empresas a respeito da procura futura.”
- A confiança empresarial leva as empresas a investir ao mesmo tempo, e essa coordenação reforça os ciclos.
- Cadeia (ciclo virtuoso/vicioso):
- Por isso, o investimento é mais volátil do que o PIB (p.31). Krugman: o investimento reflete “não o nível do PIB, mas a variação esperada do PIB”.
Fig. — Ciclo do investimento: as empresas investem e contratam → empresas e trabalhadores gastam mais → procura elevada dos produtos da empresa → elevada utilização da capacidade e lucros altos → as empresas investem e contratam (Teórica 3, p.29).
As outras componentes (p.33)
- G: menos volátil do que I, porque não depende da confiança empresarial.
- X: depende da procura dos outros países, por isso flutua com os ciclos dos principais mercados de exportação.
- M: depende do ciclo da própria economia que importa.
Como reconhecer
- “Componente mais volátil” → investimento (expectativas e coordenação).
- “Famílias poupam numa expansão e pedem emprestado numa crise” → consumption smoothing.
- “Todos poupam ao mesmo tempo” → paradoxo da parcimónia, que amplifica o choque.
- “Exportações caem” → a culpa é do ciclo dos parceiros comerciais.
Lição
Uma única ideia (as expectativas sobre a procura futura) torna verdadeiras várias afirmações de uma EM ao mesmo tempo: I mais volátil, a confiança coordena o investimento e os ciclos são reforçados.
⚙️ 4. Longo prazo: custo de oportunidade e função de produção
Custo de oportunidade e custo económico (pp.35–36)
- “O custo de oportunidade de uma ação é o benefício da ação alternativa seguinte em termos de preferência.”
- “Se o benefício de uma ação exceder o seu custo económico, podemos escolhê-la.”
Função de produção, PMg e PMe (pp.37–39)
- Função de produção: mostra como os inputs (horas de estudo, mão-de-obra) se transformam em output (nota, bens e serviços), ceteris paribus. Representa o máximo de output possível para cada combinação de inputs (p.41).
- Produto marginal (PMg): “alteração no output quando se varia uma unidade de input (avaliado num determinado ponto, mantendo os outros inputs constantes)”. Graficamente, é o declive da tangente.
- Produto médio (PMe): “output médio por unidade de input”. Graficamente, é o declive do raio desde a origem até ao ponto.
- (Notação minha; o slide usa só palavras.)
Exemplo dos slides: horas de estudo → nota (p.37)
Horas 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 ≥15 Nota 0 20 33 42 50 57 63 69 73 78 81 84 86 88 89 90 “Se existir produto marginal decrescente, estudar torna-se menos produtivo quanto mais se estuda” (p.40).
Fig. — Função de produção nota × horas de estudo. Em 4 h (nota 50), a tangente tem declive = PMg e o raio desde a origem tem declive = PMe (Teórica 3, p.39).
Fig. — À esquerda, a tabela e a função de produção côncava (estabiliza em 90 a partir das 15 h), com a tangente em 4 h e os raios até 4 h e 10 h. À direita, PMg (laranja) e PMe (azul), ambos com tendência decrescente. O PMg nunca fica acima do PMe (são iguais na 1.ª hora, 20 = 20) (Teórica 3, p.40).
Como desenhar
- Eixos: x = input (horas, trabalhadores, capital por trabalhador); y = output.
- Curva côncava a partir da origem: sobe cada vez menos.
- PMg num ponto: desenhe a tangente e leia o declive.
- PMe num ponto: desenhe o raio da origem ao ponto. O declive do raio é .
- Com rendimentos decrescentes, a tangente é menos inclinada do que o raio, ou seja .
Rendimentos médios decrescentes: os agricultores (p.41)
Com a terra fixa, mais agricultores produzem menos por cabeça:
- Em A: kg por agricultor.
- Em B: kg por agricultor.
É a “lei dos rendimentos médios decrescentes”.
Exercício (construído a partir da tabela da p.37) — calcule o PMg e o PMe às 4 h e às 10 h
Resolução (exemplo construído a partir do slide da p.37/40)
Às 4 h:
- pontos por hora (a passar das 3 para as 4 h).
- .
Às 10 h:
- .
- .
Lição
- Os dois têm tendência decrescente. Na tabela, o PMg não desce em todas as horas (6 → 6 das 6 h para as 7 h, 4 → 5 das 8 h para as 9 h), mas a tendência é clara.
- A partir da 1.ª hora, o PMg fica abaixo do PMe. É por isso que o PMe desce: cada hora nova acrescenta menos do que a média e puxa-a para baixo.
Exercício (Ficha 3, ex. 3.8) — qual é a afirmação correta?
A figura mostra a função de produção (output por trabalhador × capital por trabalhador) antes e depois do progresso tecnológico. B = (20 000; 15 000) está na curva original e C = (30 000; 22 500) na nova. a) O produto médio do capital em B é 20 000 / 15 000 = 1,33. b) O produto marginal do capital em C é (22 500 − 15 000)/(30 000 − 20 000) = 0,75. c) A concavidade da função de produção indica que a produtividade marginal do capital é decrescente. d) Com o progresso tecnológico, o produto marginal do capital aumenta, mas o produto médio do capital permanece constante, para um dado nível de capital por trabalhador.
Fig. — Ficha 3, Figura 1. Funções de produção antes (curva de baixo) e depois (curva de cima) do progresso tecnológico. B (20; 15) e C (30; 22,5) estão no mesmo raio desde a origem, ou seja têm o mesmo PMe = 0,75.
Resolução (solução oficial)
a) F: a fração está ao contrário. . b) F: o PMg em C é o declive da tangente em C. A fórmula dada é o declive da corda B→C, que além disso liga duas curvas diferentes. c) V: a curva fica cada vez mais plana para a direita. d) F: B e C têm o mesmo PMe (), mas estão em k diferentes. Para o mesmo k, o progresso técnico aumenta tanto o PMg como o PMe.
Lição
- PMe = raio e PMg = tangente: nunca confundir com uma corda entre dois pontos.
- O progresso técnico desloca a curva toda para cima.
🏭 5. Tecnologia
Definição e dominância (pp.43–45)
- Tecnologia = processo que usa inputs para produzir outputs.
- Exemplo: 5 formas de produzir 100 metros de tecido (p.44).
Tecnologia A B C D E Trabalhadores 1 4 3 5 10 Carvão (t) 6 2 7 5 1
- E é relativamente intensiva em trabalho; A é relativamente intensiva em energia.
- Dominância: “D é dominada por B e C é dominada por A, uma vez que usam mais recursos para produzir o mesmo nível de output” (p.45).
- D (5; 5) usa mais dos dois inputs do que B (4; 2).
- C (3; 7) usa mais dos dois inputs do que A (1; 6).
- Sobram A, B e E como candidatas.
Fig. — Tecnologias A–E no plano trabalhadores (x) × toneladas de carvão (y), para 100 m de tecido. D e C ficam “acima e à direita” de B e A, respetivamente, por isso são dominadas (Teórica 3, p.45).
O que decide a escolha (pp.46–48)
A escolha entre A, B e E “depende dos preços relativos dos inputs (que estão relacionados com a sua escassez relativa)” (p.47).
- Onde o trabalho é barato, as tecnologias mais intensivas em trabalho (B, E) são mais baratas. Só com o trabalho muito barato ganha a E: E custa menos do que B só se .
- Onde o trabalho é caro, compensam as tecnologias intensivas em energia/capital (A).
- A p.48 ilustra com salários mínimos do setor têxtil em 2019 (USD/mês): Bélgica 1 764, Portugal 661, China 217, Bangladesh 63, Etiópia 26. É por isso que a produção de vestuário se concentra na China (24,3% das exportações mundiais), no Bangladesh (10,2%) e no Vietname (8,2%).
Exercício — escolha da tecnologia com preços (exemplo construído a partir da p.44; preços ilustrativos, não estão nos slides)
O custo de 100 m de tecido é , com = salário e = preço da tonelada de carvão. Que tecnologia escolhe a empresa se (i) , ? (ii) , ?
Resolução (resolução própria)
(i) , (trabalho barato):
- A:
- B:
- E:
- C e D são dominadas: C custa e D custa .
→ B.
(ii) , (trabalho caro):
- A:
- B:
- E:
→ A.
Lição
- Uma tecnologia dominada nunca é escolhida, sejam quais forem os preços.
- Entre as não dominadas, quando o trabalho fica mais caro, a escolha passa para a mais intensiva em energia/capital.
- É esta mudança de preços relativos que cria rendas de inovação (§7).
🚀 6. Crescimento
Função de produção agregada (p.49)
O crescimento de um país “depende das caraterísticas da Função de Produção da sua economia”:
- = Trabalho (mão-de-obra, que não é o mesmo que a população do país)
- = Capital (infraestruturas e equipamento)
- = Tecnologia / produtividade da economia
O que os dados mostram (p.50)
- “Os países que hoje têm um rendimento elevado tiveram ao longo do tempo um aumento da produtividade do trabalho, à medida que se tornaram mais intensivos em capital (K).”
- “O progresso tecnológico (A) melhora os padrões de vida a longo prazo, mas pode causar desemprego no curto prazo ao substituir o trabalho.” (Ver Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade.)
Fig. — PIB por trabalhador (y) × capital por trabalhador (x), em dólares PPC de 1985. Trajetórias dos EUA (1880–1990), do Reino Unido (1760–1990), do Japão, de Taiwan e da Índia. Mais capital por trabalhador ⇒ mais produto por trabalhador. Inserção: PIB por trabalhador do Reino Unido em escala logarítmica (Teórica 3, p.50).
Como ligar ao §4
Pense no gráfico da p.50 como a função de produção do Ex. 3.8, observada ao longo do tempo:
- Mais K por trabalhador = movimento ao longo da curva. Rende cada vez menos (rendimentos decrescentes).
- Mais A = a curva sobe toda.
- Os países ricos fizeram as duas coisas.
Lição
Há duas fontes de crescimento da produtividade: intensidade de capital (K/L ↑) e progresso técnico (A ↑). (Inferência própria, não escrita nos slides: só a segunda escapa aos rendimentos decrescentes do capital.)
💡 7. Inovação
Definições (p.52)
- Inovação = invenção e difusão de novos produtos ou métodos de produção.
- Inovação de processo: produzir um bem que já existe a um custo inferior.
- Inovação de produto: produzir um bem novo a um preço atrativo.
- As invenções podem ser radicais (muito diferentes do que existe) ou incrementais (melhoram o que já existe).
Renda da inovação (pp.53–56)
- Quando os preços relativos dos inputs mudam, a empresa que adota primeiro a nova tecnologia minimizadora de custos ganha vantagem sobre as concorrentes.
- “A mudança no lucro é igual à diminuição nos custos (inovação do processo) devido à adoção da nova tecnologia: renda da inovação.”
- As rendas são temporárias: são “eliminadas quando a inovação é copiada”. As outras empresas acompanham a inovação ou saem do mercado.
- “Existe um tradeoff entre incentivar a inovação (p.e., por meio de patentes) e permitir a difusão do conhecimento” (p.56). Exemplo: vacinas COVID-19 (p.57).
Políticas de inovação (p.57)
Têm dois objetivos:
- Aumentar o ritmo da inovação.
- Influenciar a direção da inovação, para ideias socialmente valorizadas (financiar investigação inicial, prémios por resolver problemas sociais).
Exemplo: a investigação financiada pelo Governo contribuiu para a internet, o GPS e os ecrãs táteis.
Armadilhas
- Processo = mais barato; produto = novo. A Ficha 3.9 troca-os de propósito.
- Inovação ≠ só invenção: sem difusão não há inovação.
- As patentes não são sempre boas para a inovação. Patentes “fortes” demais travam inovação futura (3.11).
- A renda da inovação não é permanente: desaparece com a imitação.
Exercício (Ficha 3, ex. 3.11) — patentes
a) Como é que as patentes influenciam a inovação? b) Qual é o trade-off entre patentes longas e curtas?
Fig. — Ficha 3, 3.11b (gráfico 1). Probabilidade de inovação (y) × duração da patente (x), de “sem patente” a “monopólio permanente”. A curva tem forma de ∩: ao proteger as rendas, as patentes encorajam a inovação; patentes “fortes” demais impedem-na.
Fig. — Ficha 3, 3.11b (gráfico 2). Fronteira de possibilidades: probabilidade de inovação (y) × benefícios totais para os outros se a empresa inovar (x), de “patente infinita” (esquerda) a “sem patente” (direita). Primeiro enfraquecer a patente melhora as duas coisas; depois há um trade-off.
Resolução (solução oficial)
a) As patentes podem encorajar ou desencorajar a inovação.
- Encorajam: protegem o inventor e aumentam as rendas da inovação, o que estimula a invenção.
- Desencorajam: impedem o uso do conhecimento existente para criar novo conhecimento, o que reduz a difusão.
b) É preciso equilibrar três coisas: o bom uso do conhecimento existente, os recursos dedicados a criar conhecimento novo e a difusão.
- Patente longa → privilegia a invenção rápida. Probabilidade de inovação alta, benefícios para os outros menores.
- Patente curta → privilegia a imitação/difusão rápida. Probabilidade de inovação menor, benefícios para os outros maiores.
- A patente ótima é a que melhor faz avançar o uso do conhecimento na economia.
Exercício (Ficha 3, ex. 3.13)
Há duas tecnologias. Para uma, o Governo escolheria uma patente curta; para a outra, uma mais longa. Desenhe o conjunto de possibilidades e o ponto ótimo de cada uma, com as mesmas curvas de benefício isototal.
Fig. — Ficha 3, solução de 3.13. Duas fronteiras (uma por tecnologia) e as curvas isototais . A = tangência com a isototal mais alta (B grande, patente curta, probabilidade p*). B = tangência mais à esquerda (patente longa, probabilidade p′).
Resolução (solução oficial)
O ótimo de cada tecnologia é a tangência da sua fronteira com a curva isototal mais alta ().
Lição
A duração ótima depende da tecnologia. Se a inovação acontece mesmo com pouca proteção, deve ser curta (mais difusão). Se precisa de muita proteção para ocorrer, deve ser longa.
🎯 Como sai no Exame
| Pergunta | Tema | Chave | Onde neste Resumo |
|---|---|---|---|
| Q5 | PIB é territorial: conta onde se produz | A | §1 |
| Q11e | PIB real do ano seguinte a partir da taxa de crescimento real | 284,58 mil M€ | §1, §2 |
| Q11c | Crescimento via produtividade quando o desemprego está baixo | ver Resumo 4 | §6 + Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade |
| Q6 | Smoothing, paradoxo da poupança | ver Resumo 6 | §3 + Resumo IEco 6 - Politica Economica |
Exercício (Exame-Exemplo, Q5) — assinale todas as corretas
Um serviço produzido em Portugal por uma empresa letã e comprado por um consumidor na Noruega entra no PIB de: A) Portugal. B) Letónia. C) Noruega. D) Todos os anteriores.
Resolução (chave oficial: A — a tabela-resumo e o realce do PDF concordam)
O PIB conta a produção feita numa região (p.4): o serviço foi produzido em Portugal.
- A Letónia só é a nacionalidade da empresa, por isso não entra.
- Para a Noruega é uma importação (M), que entra com sinal −. Não soma ao PIB norueguês.
Lição
“Interno” = território. Ignore a nacionalidade da empresa e o país de quem compra.
Exercício (Exame-Exemplo, Q11e)
Projeções do OE2026: o PIB cresce 2,0% (2025) e 2,3% (2026) em termos reais; o deflator do PIB sobe 3,6% e 2,5%. Assumindo que o PIB real de 2025 será de 278,18 mil milhões de €, calcule o PIB real de 2026.
Resolução (solução oficial)
A taxa da tabela “PIB e componentes da despesa” é uma taxa de crescimento real. Aplica-se diretamente ao PIB real:
Lição
- Para o PIB real usa-se a taxa real (2,3%). O deflator (2,5%) só entraria no cálculo do PIB nominal.
- Multiplique por em vez de somar ao valor.
Formato
- A Q5 é uma EM com várias certas possíveis. Aqui só uma está certa, e “D) Todos” é a armadilha.
- A Q11 é uma tabela macroeconómica com 6 alíneas de 1 valor. Responda em 4 linhas: valor ou veredito → mecanismo → implicação.
🧭 Checklist
| Sintoma no enunciado | Ferramenta / resposta |
|---|---|
| ”Entra no PIB de que país?” | Onde se produz (territorial) |
| Bem intermédio + bem final | Só o final, ou a soma dos VAB; nunca somar os dois |
| ”O que aumenta o PIB?” | : ver o sinal; transferências não contam |
| Serviços públicos | Estão no PIB, avaliados ao custo |
| ”Recessão” | 2 trimestres consecutivos de crescimento negativo |
| Crescimento ↓ → ? | Desemprego ↑ (correlação negativa) |
| “Componente mais volátil” | Investimento (expectativas, confiança, coordenação) |
| Choque individual vs generalizado | Autosseguro/cosseguro funcionam no individual; o cosseguro falha no generalizado |
| PMg / PMe num gráfico | Tangente / raio; com rendimentos decrescentes, PMg < PMe |
| Progresso técnico | A curva sobe: PMg e PMe aumentam para o mesmo k |
| Escolher tecnologia | Eliminar as dominadas; depois comparar custos com os preços relativos |
| Fontes do crescimento | : K/L ↑ e A ↑ |
| Processo vs produto | Mais barato vs novo |
| Patentes | Longa = + invenção, − difusão; curta = o contrário |
| PIB real do ano seguinte |
Erros a evitar
- Somar bens intermédios (dupla contagem).
- Contar transferências em G.
- Dizer que as importações não entram no cálculo do PIB.
- Dizer que a produção do Governo fica de fora, ou que é avaliada a preços de mercado.
- Atribuir o PIB ao país da empresa ou do comprador.
- Calcular o PMe como “input/output” (está ao contrário).
- Usar uma corda entre dois pontos como PMg.
- Dizer que o progresso técnico deixa o PMe constante.
- Escolher uma tecnologia dominada.
- Dizer que as patentes sempre aumentam a inovação.
- Confundir inovação de processo com a de produto.
- Na Q11e, fazer crescer o PIB real à taxa do deflator (inflação) ou à taxa nominal: o PIB real cresce à taxa de crescimento real (2,3%).
- Inventar o significado de W, J, L, R ou fórmulas que os slides não têm (Solow, regra dos 70).
📎 Recursos
- Teórica: Teórica 3 — Crescimento Económico e Progresso Tecnológico
- Ficha: Exercícios 3 (com soluções) · Caderno (sem soluções)
- Outros exercícios da Ficha 3 (não resolvidos aqui):
- 3.3: rendimento = despesa (fluxo circular).
- 3.5: porque é desejável um PIB elevado; exemplos indesejáveis que o aumentam.
- 3.6: nível vs taxa de crescimento do PIB.
- 3.7: produtividade, horas e lazer (França vs EUA).
- 3.9: V/F sobre inovação: a F, b F (é de processo), c F (é de produto), d V.
- 3.10: desafios de política da invenção e difusão.
- 3.12: objetivos e instrumentos da política de inovação.
- Exame-Exemplo: com soluções · sem soluções
- Plano: 0. Plano - Resumo IEco (Exame)
- Anterior: Resumo IEco 2 - Falhas de Mercado e Ambiente · Seguinte: Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade
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date AS "Data",
status AS "Estado"
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