📈 Resumo 3 — Crescimento Económico e Progresso Tecnológico (IEco · Exame)

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Âmbito

  • Teoria: Teórica 3 — Crescimento Económico e Progresso Tecnológico, págs. 2–57 do PDF.
  • ⚠️ Página do PDF ≠ nº do slide: faltam os slides 17, 27 e 59. p.2–16 = slides 2–16; p.17–25 = slides 18–26; p.26–56 = slides 28–58; p.57 = slide 60. Nesta nota cito sempre a página do PDF (“p.”).
  • Prática: Ficha 3, ex. 3.1, 3.2, 3.4, 3.8, 3.11 e 3.13, todos com solução oficial. A Ficha 3 não tem EM sem solução. Exame-Exemplo Q5 e Q11e.
  • Fica de fora: a taxa de desemprego e a sua medição → Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade. O deflator e o IPC → Resumo IEco 5 - Inflacao, Moeda e Bancos. O multiplicador e o paradoxo da poupança em detalhe → Resumo IEco 6 - Politica Economica. As exportações líquidas e a balança comercial → Resumo IEco 7 - Economia Internacional.

O que os slides não têm (não inventar)

  • O significado das letras W, J, L, R da ótica do rendimento: o slide dá só a fórmula.
  • Uma definição de PIB real vs nominal, ou do deflator: aparecem só nomeados.
  • Uma lista de limitações do PIB: aparece só a pergunta.
  • Preços do trabalho e do carvão para as tecnologias A–E, ou custos calculados.
  • Uma explicação do paradoxo da parcimónia: só é nomeado.
  • Modelo de Solow, regra dos 70, fórmulas de ou de .

🗺️ Mapa do Capítulo

SecçãoIdeia centralPágs.
1. PIB: definiçãoValor dos bens e serviços finais produzidos numa região num período2–6
2. Contas nacionais: 3 óticasProdução = Rendimento = Despesa; 7–18
3. Curto prazo: ciclos e choquesRecessão = 2 trimestres negativos; PIB ↓ → desemprego ↑; famílias suavizam o consumo; I é mais volátil que o PIB19–33
4. Custo de oportunidade e função de produçãoCusto económico = explícito + oportunidade; PMg = declive da tangente, PMe = declive do raio; rendimentos decrescentes34–41
5. TecnologiaTecnologias A–E; dominância; a escolha depende dos preços relativos dos inputs42–48
6. Crescimento; países ricos = mais capital por trabalhador + progresso técnico49–50
7. InovaçãoInvenção + difusão; processo vs produto; renda da inovação; patentes = trade-off51–57

Fio condutor

Os Resumos 1–2 olharam para um mercado. Este capítulo passa para a economia inteira e começa por medi-la com o PIB, que se pode calcular de 3 maneiras.

  • No curto prazo, o PIB oscila (ciclos, choques). As famílias tentam suavizar o consumo. O investimento amplifica as oscilações, porque segue as expectativas.
  • No longo prazo, o PIB cresce porque cada trabalhador tem mais capital e melhor tecnologia (). Mais capital sozinho esbarra nos rendimentos decrescentes; por isso o motor duradouro é a inovação, que as empresas fazem para ganhar rendas de inovação (ligação própria entre os slides de PMg e de inovação).
  • As patentes protegem essas rendas, mas atrasam a difusão. É um trade-off.

🧾 1. PIB: definição e limites

Definição (p.4)

“O Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador que mede o valor de todos os bens e serviços finais produzidos numa região (país, estado, cidade) num determinado período.”

As três palavras-chave

  • Finais: os bens intermédios não contam, porque já estão no preço do bem final (Ficha 3.4).
  • Região (interno): conta onde se produz. A nacionalidade da empresa e o país do comprador não interessam (Exame Q5).
  • Período: é um fluxo (por ano ou por trimestre).

Como comparar (p.5): o slide só diz “PIB vs PIB per capita; real vs nominal”. Comparar países de tamanhos diferentes pede o per capita. Comparar anos diferentes pede o PIB real, que retira o efeito dos preços. (Os slides não dão fórmulas; o deflator está no Resumo IEco 5 - Inflacao, Moeda e Bancos.)

Duas questões centrais da macro (p.6): garantir crescimento sustentado (longo prazo) e ajustar a economia às flutuações do ciclo (curto prazo). São as §3 e §4–7 desta nota.

Armadilhas

  • Somar o trigo e o pão é dupla contagem: só entra o valor final (3 €), não 2 + 3 = 5 €.
  • “PIB de Portugal” = produzido em Portugal, mesmo que por uma empresa estrangeira.
  • Limitações do PIB: os slides só levantam a pergunta (pp.4–5). A Ficha 3.5 dá exemplos de coisas indesejáveis que aumentam o PIB: poluição associada ao petróleo e reconstrução após catástrofes.

🔄 2. Contas nacionais: as 3 óticas

As 3 óticas do PIB (p.7–8): "três métodos para calcular o PIB… a mesma grandeza por diferentes perspetivas"

Contas Nacionais = sistema utilizado para medir a produção e a despesa num país.

ÓticaO que medeFórmula
ProduçãoValor do que foi produzido (soma dos valores acrescentados brutos)
RendimentoRendimento obtido por quem produziu
DespesaDespesa realizada por quem obteve rendimento
  • Na ótica do rendimento, os slides não explicam as letras. A figura do fluxo circular (p.7) fala de “salários e lucros”.
  • A ótica da despesa é “também conhecida como Y, ou procura agregada” (p.12).

Fig. — Fluxo circular: as empresas vendem bens e serviços às famílias; as famílias dão trabalho às empresas. Em cima, a despesa (dinheiro gasto em bens e serviços). Em baixo, valor acrescentado = rendimento (salários e lucros). Isto mostra porque é que as 3 óticas dão o mesmo valor (Teórica 3, p.7).

Componentes da despesa (pp.9–12)

  • C — Consumo: despesas do setor privado (famílias e empresas) com bens e serviços.
  • I — Investimento: despesas com novos bens de capital. “Inclui equipamentos, edifícios e inventários = output não vendido”. É feito pelas empresas, e pelas famílias quando compram habitação.
  • G — Governo: despesas do Governo em bens e serviços, “excluindo transferências para evitar dupla contagem”. O Governo é tratado “como se fosse um produtor: os serviços públicos são ‘comprados’ com os impostos”.
  • X − M — Exportações líquidas (balança comercial): resto do mundo. “Incluímos as exportações e excluímos as importações, de forma a que o PIB inclua a produção nacional e exclua a produção exterior.”

Quotas no PIB (p.13)

EUAZona Euro (19)China
C68,4%55,9%37,3%
G15,1%21,1%14,1%
I19,1%19,5%47,3%
Var. inventários0,4%0,0%2,0%
X13,6%43,9%26,2%
M16,6%40,5%23,8%

“Na maioria dos países, o consumo privado representa a maior fatia do PIB.” A China é a exceção: tem mais investimento do que consumo. A Zona Euro é muito aberta (X e M ≈ 40%).

Fig. — Componentes da despesa em % do PIB: EUA, Zona Euro e China (Teórica 3, p.13).

Portugal (pp.15–18)

  • PIB real de 265 525 M€ em 2023 (+9,6% face a 2022, segundo o slide — valor alto para crescimento real; provavelmente é variação nominal), 15.º da UE27.
  • PIB per capita em PPC = 82,1 (UE27 = 100), 18.º de 26 países.
  • O BdP (boletins de junho de 2024 e 2025) projeta crescimentos de ≈ 1,6–2,3% ao ano para 2024–2027. Os contributos vêm do consumo, do investimento e das exportações.

Armadilhas

  • G exclui transferências (pensões, subsídios): são só passagens de dinheiro, não compra de produção.
  • Inventários entram em I. Um bem produzido e não vendido conta no PIB do ano em que foi produzido.
  • M entra com sinal menos para retirar a produção estrangeira já contada dentro de C, I e G. Uma descida de M, com tudo o resto constante, aumenta o PIB (3.2a).
  • Os serviços públicos (educação, saúde) estão no PIB. Como não são vendidos, avaliam-se pelo custo de produção e não por um preço de mercado (3.1c–d).

Como reconhecer

  • “Valor acrescentado” ou “bens intermédios” → ótica da produção.
  • “Salários, lucros, rendas” → ótica do rendimento.
  • “Consumo, investimento, exportações” → ótica da despesa.
  • “O que aumenta o PIB?” → procure a variável em e veja o sinal com que entra.

Exercício (Ficha 3, ex. 3.1) — V/F, justifique

a) O PIB pode ser medido como a despesa total em bens e serviços produzidos internamente, o valor acrescentado total da produção interna, ou a soma de todos os rendimentos recebidos provenientes da produção interna. b) Para o cálculo do PIB é necessária informação sobre as exportações, mas não sobre as importações. c) A produção do Governo não é incluída no PIB. d) O valor acrescentado da produção do Governo é calculado com base nos preços de mercado a que são vendidos os bens e serviços públicos.

Exercício (Ficha 3, ex. 3.2) — quais contribuem para aumentar o PIB?

a) Diminuição das importações, com tudo o resto constante. b) Aumento das remessas de emigrantes para as famílias no país de origem. c) Aumento dos gastos do Governo. d) Diminuição das exportações.

Exercício (Ficha 3, ex. 3.4)

Um agricultor vende trigo a um padeiro por 2 €. O padeiro usa o trigo para fazer pão, vendido por 3 €. Qual é a contribuição total destas transações para o PIB?


🌊 3. Curto prazo: ciclos e choques

Definições (p.20)

  • “O crescimento económico não é um processo suave.”
  • Ciclos económicos: períodos alternados de taxas de crescimento positivas e negativas.
  • Recessão: período em que o output está em declínio. Por convenção, dois trimestres consecutivos de crescimento negativo.
  • Choque (p.24): “um evento inesperado (seca extrema, pandemia, guerra, choque petrolífero, etc.) que faz com que o PIB flutue mais acentuadamente”. As economias também flutuam endogenamente, de forma mais suave.

PIB e desemprego (pp.21–22)

As variações da taxa de crescimento do PIB estão negativamente correlacionadas com a taxa de desemprego:

Fig. — Em cima, o crescimento do PIB (%) com picos e cavas do ciclo; em baixo, a taxa de desemprego (%), de 1875 a ≈2013. Marcos: 1918, 1929 (Grande Depressão, desemprego ≈15%) e 2008. As quedas do PIB coincidem com picos de desemprego (Teórica 3, p.22).

Famílias: suavizar o consumo (pp.25–27)

Perante um choque que atinge um agregado familiar:

  1. Autosseguro (self-insurance): poupar ou pedir emprestado.
  2. Cosseguro (co-insurance): apoio da segurança social ou do Governo.

Com isto, as famílias suavizam o consumo (consumption smoothing).

  • Como o C pode representar mais de 50% do Y, isto é uma “fonte básica de estabilização” da economia.
  • O cosseguro falha num choque generalizado (uma pandemia, por exemplo), exatamente quando o seguro é mais necessário (p.26).
  • O smoothing “nem sempre leva à estabilização… pode até ampliar o choque inicial”, por exemplo no paradoxo da parcimónia (p.27). (O slide só o nomeia. Explicação própria: se todos pouparem ao mesmo tempo por precaução, a procura cai. Desenvolvido no Resumo IEco 6 - Politica Economica.)

Empresas: o investimento é mais volátil (pp.28–31)

  • As empresas não querem estabilizar o investimento: ajustam-no para maximizar lucros.
  • “As decisões de investimento dependem sobretudo das expectativas das empresas a respeito da procura futura.”
  • A confiança empresarial leva as empresas a investir ao mesmo tempo, e essa coordenação reforça os ciclos.
  • Cadeia (ciclo virtuoso/vicioso):
  • Por isso, o investimento é mais volátil do que o PIB (p.31). Krugman: o investimento reflete “não o nível do PIB, mas a variação esperada do PIB”.

Fig. — Ciclo do investimento: as empresas investem e contratam → empresas e trabalhadores gastam mais → procura elevada dos produtos da empresa → elevada utilização da capacidade e lucros altos → as empresas investem e contratam (Teórica 3, p.29).

As outras componentes (p.33)

  • G: menos volátil do que I, porque não depende da confiança empresarial.
  • X: depende da procura dos outros países, por isso flutua com os ciclos dos principais mercados de exportação.
  • M: depende do ciclo da própria economia que importa.

Como reconhecer

  • “Componente mais volátil” → investimento (expectativas e coordenação).
  • “Famílias poupam numa expansão e pedem emprestado numa crise” → consumption smoothing.
  • “Todos poupam ao mesmo tempo” → paradoxo da parcimónia, que amplifica o choque.
  • “Exportações caem” → a culpa é do ciclo dos parceiros comerciais.

Lição

Uma única ideia (as expectativas sobre a procura futura) torna verdadeiras várias afirmações de uma EM ao mesmo tempo: I mais volátil, a confiança coordena o investimento e os ciclos são reforçados.


⚙️ 4. Longo prazo: custo de oportunidade e função de produção

Custo de oportunidade e custo económico (pp.35–36)

  • “O custo de oportunidade de uma ação é o benefício da ação alternativa seguinte em termos de preferência.”
  • “Se o benefício de uma ação exceder o seu custo económico, podemos escolhê-la.”

Função de produção, PMg e PMe (pp.37–39)

  • Função de produção: mostra como os inputs (horas de estudo, mão-de-obra) se transformam em output (nota, bens e serviços), ceteris paribus. Representa o máximo de output possível para cada combinação de inputs (p.41).
  • Produto marginal (PMg): “alteração no output quando se varia uma unidade de input (avaliado num determinado ponto, mantendo os outros inputs constantes)”. Graficamente, é o declive da tangente.
  • Produto médio (PMe): “output médio por unidade de input”. Graficamente, é o declive do raio desde a origem até ao ponto.
  • (Notação minha; o slide usa só palavras.)

Exemplo dos slides: horas de estudo → nota (p.37)

Horas01234567891011121314≥15
Nota0203342505763697378818486888990

“Se existir produto marginal decrescente, estudar torna-se menos produtivo quanto mais se estuda” (p.40).

Fig. — Função de produção nota × horas de estudo. Em 4 h (nota 50), a tangente tem declive = PMg e o raio desde a origem tem declive = PMe (Teórica 3, p.39).

Fig. — À esquerda, a tabela e a função de produção côncava (estabiliza em 90 a partir das 15 h), com a tangente em 4 h e os raios até 4 h e 10 h. À direita, PMg (laranja) e PMe (azul), ambos com tendência decrescente. O PMg nunca fica acima do PMe (são iguais na 1.ª hora, 20 = 20) (Teórica 3, p.40).

Como desenhar

  • Eixos: x = input (horas, trabalhadores, capital por trabalhador); y = output.
  • Curva côncava a partir da origem: sobe cada vez menos.
  • PMg num ponto: desenhe a tangente e leia o declive.
  • PMe num ponto: desenhe o raio da origem ao ponto. O declive do raio é .
  • Com rendimentos decrescentes, a tangente é menos inclinada do que o raio, ou seja .

Rendimentos médios decrescentes: os agricultores (p.41)

Com a terra fixa, mais agricultores produzem menos por cabeça:

  • Em A: kg por agricultor.
  • Em B: kg por agricultor.

É a “lei dos rendimentos médios decrescentes”.

Exercício (construído a partir da tabela da p.37) — calcule o PMg e o PMe às 4 h e às 10 h

Exercício (Ficha 3, ex. 3.8) — qual é a afirmação correta?

A figura mostra a função de produção (output por trabalhador × capital por trabalhador) antes e depois do progresso tecnológico. B = (20 000; 15 000) está na curva original e C = (30 000; 22 500) na nova. a) O produto médio do capital em B é 20 000 / 15 000 = 1,33. b) O produto marginal do capital em C é (22 500 − 15 000)/(30 000 − 20 000) = 0,75. c) A concavidade da função de produção indica que a produtividade marginal do capital é decrescente. d) Com o progresso tecnológico, o produto marginal do capital aumenta, mas o produto médio do capital permanece constante, para um dado nível de capital por trabalhador.

Fig. — Ficha 3, Figura 1. Funções de produção antes (curva de baixo) e depois (curva de cima) do progresso tecnológico. B (20; 15) e C (30; 22,5) estão no mesmo raio desde a origem, ou seja têm o mesmo PMe = 0,75.


🏭 5. Tecnologia

Definição e dominância (pp.43–45)

  • Tecnologia = processo que usa inputs para produzir outputs.
  • Exemplo: 5 formas de produzir 100 metros de tecido (p.44).
TecnologiaABCDE
Trabalhadores143510
Carvão (t)62751
  • E é relativamente intensiva em trabalho; A é relativamente intensiva em energia.
  • Dominância: “D é dominada por B e C é dominada por A, uma vez que usam mais recursos para produzir o mesmo nível de output” (p.45).
    • D (5; 5) usa mais dos dois inputs do que B (4; 2).
    • C (3; 7) usa mais dos dois inputs do que A (1; 6).
    • Sobram A, B e E como candidatas.

Fig. — Tecnologias A–E no plano trabalhadores (x) × toneladas de carvão (y), para 100 m de tecido. D e C ficam “acima e à direita” de B e A, respetivamente, por isso são dominadas (Teórica 3, p.45).

O que decide a escolha (pp.46–48)

A escolha entre A, B e E “depende dos preços relativos dos inputs (que estão relacionados com a sua escassez relativa)” (p.47).

  • Onde o trabalho é barato, as tecnologias mais intensivas em trabalho (B, E) são mais baratas. Só com o trabalho muito barato ganha a E: E custa menos do que B só se .
  • Onde o trabalho é caro, compensam as tecnologias intensivas em energia/capital (A).
  • A p.48 ilustra com salários mínimos do setor têxtil em 2019 (USD/mês): Bélgica 1 764, Portugal 661, China 217, Bangladesh 63, Etiópia 26. É por isso que a produção de vestuário se concentra na China (24,3% das exportações mundiais), no Bangladesh (10,2%) e no Vietname (8,2%).

Exercício — escolha da tecnologia com preços (exemplo construído a partir da p.44; preços ilustrativos, não estão nos slides)

O custo de 100 m de tecido é , com = salário e = preço da tonelada de carvão. Que tecnologia escolhe a empresa se (i) , ? (ii) , ?


🚀 6. Crescimento

Função de produção agregada (p.49)

O crescimento de um país “depende das caraterísticas da Função de Produção da sua economia”:

  • = Trabalho (mão-de-obra, que não é o mesmo que a população do país)
  • = Capital (infraestruturas e equipamento)
  • = Tecnologia / produtividade da economia

O que os dados mostram (p.50)

  • “Os países que hoje têm um rendimento elevado tiveram ao longo do tempo um aumento da produtividade do trabalho, à medida que se tornaram mais intensivos em capital (K).”
  • “O progresso tecnológico (A) melhora os padrões de vida a longo prazo, mas pode causar desemprego no curto prazo ao substituir o trabalho.” (Ver Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade.)

Fig. — PIB por trabalhador (y) × capital por trabalhador (x), em dólares PPC de 1985. Trajetórias dos EUA (1880–1990), do Reino Unido (1760–1990), do Japão, de Taiwan e da Índia. Mais capital por trabalhador ⇒ mais produto por trabalhador. Inserção: PIB por trabalhador do Reino Unido em escala logarítmica (Teórica 3, p.50).

Como ligar ao §4

Pense no gráfico da p.50 como a função de produção do Ex. 3.8, observada ao longo do tempo:

  • Mais K por trabalhador = movimento ao longo da curva. Rende cada vez menos (rendimentos decrescentes).
  • Mais A = a curva sobe toda.
  • Os países ricos fizeram as duas coisas.

Lição

Há duas fontes de crescimento da produtividade: intensidade de capital (K/L ↑) e progresso técnico (A ↑). (Inferência própria, não escrita nos slides: só a segunda escapa aos rendimentos decrescentes do capital.)


💡 7. Inovação

Definições (p.52)

  • Inovação = invenção e difusão de novos produtos ou métodos de produção.
  • Inovação de processo: produzir um bem que já existe a um custo inferior.
  • Inovação de produto: produzir um bem novo a um preço atrativo.
  • As invenções podem ser radicais (muito diferentes do que existe) ou incrementais (melhoram o que já existe).

Renda da inovação (pp.53–56)

  • Quando os preços relativos dos inputs mudam, a empresa que adota primeiro a nova tecnologia minimizadora de custos ganha vantagem sobre as concorrentes.
  • “A mudança no lucro é igual à diminuição nos custos (inovação do processo) devido à adoção da nova tecnologia: renda da inovação.”
  • As rendas são temporárias: são “eliminadas quando a inovação é copiada”. As outras empresas acompanham a inovação ou saem do mercado.
  • “Existe um tradeoff entre incentivar a inovação (p.e., por meio de patentes) e permitir a difusão do conhecimento” (p.56). Exemplo: vacinas COVID-19 (p.57).

Políticas de inovação (p.57)

Têm dois objetivos:

  1. Aumentar o ritmo da inovação.
  2. Influenciar a direção da inovação, para ideias socialmente valorizadas (financiar investigação inicial, prémios por resolver problemas sociais).

Exemplo: a investigação financiada pelo Governo contribuiu para a internet, o GPS e os ecrãs táteis.

Armadilhas

  • Processo = mais barato; produto = novo. A Ficha 3.9 troca-os de propósito.
  • Inovação ≠ só invenção: sem difusão não há inovação.
  • As patentes não são sempre boas para a inovação. Patentes “fortes” demais travam inovação futura (3.11).
  • A renda da inovação não é permanente: desaparece com a imitação.

Exercício (Ficha 3, ex. 3.11) — patentes

a) Como é que as patentes influenciam a inovação? b) Qual é o trade-off entre patentes longas e curtas?

Fig. — Ficha 3, 3.11b (gráfico 1). Probabilidade de inovação (y) × duração da patente (x), de “sem patente” a “monopólio permanente”. A curva tem forma de ∩: ao proteger as rendas, as patentes encorajam a inovação; patentes “fortes” demais impedem-na.

Fig. — Ficha 3, 3.11b (gráfico 2). Fronteira de possibilidades: probabilidade de inovação (y) × benefícios totais para os outros se a empresa inovar (x), de “patente infinita” (esquerda) a “sem patente” (direita). Primeiro enfraquecer a patente melhora as duas coisas; depois há um trade-off.

Exercício (Ficha 3, ex. 3.13)

Há duas tecnologias. Para uma, o Governo escolheria uma patente curta; para a outra, uma mais longa. Desenhe o conjunto de possibilidades e o ponto ótimo de cada uma, com as mesmas curvas de benefício isototal.

Fig. — Ficha 3, solução de 3.13. Duas fronteiras (uma por tecnologia) e as curvas isototais . A = tangência com a isototal mais alta (B grande, patente curta, probabilidade p*). B = tangência mais à esquerda (patente longa, probabilidade p′).


🎯 Como sai no Exame

PerguntaTemaChaveOnde neste Resumo
Q5PIB é territorial: conta onde se produzA§1
Q11ePIB real do ano seguinte a partir da taxa de crescimento real284,58 mil M€§1, §2
Q11cCrescimento via produtividade quando o desemprego está baixover Resumo 4§6 + Resumo IEco 4 - Desemprego e Desigualdade
Q6Smoothing, paradoxo da poupançaver Resumo 6§3 + Resumo IEco 6 - Politica Economica

Exercício (Exame-Exemplo, Q5) — assinale todas as corretas

Um serviço produzido em Portugal por uma empresa letã e comprado por um consumidor na Noruega entra no PIB de: A) Portugal. B) Letónia. C) Noruega. D) Todos os anteriores.

Exercício (Exame-Exemplo, Q11e)

Projeções do OE2026: o PIB cresce 2,0% (2025) e 2,3% (2026) em termos reais; o deflator do PIB sobe 3,6% e 2,5%. Assumindo que o PIB real de 2025 será de 278,18 mil milhões de €, calcule o PIB real de 2026.

Formato

  • A Q5 é uma EM com várias certas possíveis. Aqui só uma está certa, e “D) Todos” é a armadilha.
  • A Q11 é uma tabela macroeconómica com 6 alíneas de 1 valor. Responda em 4 linhas: valor ou veredito → mecanismo → implicação.

🧭 Checklist

Sintoma no enunciadoFerramenta / resposta
”Entra no PIB de que país?”Onde se produz (territorial)
Bem intermédio + bem finalSó o final, ou a soma dos VAB; nunca somar os dois
”O que aumenta o PIB?”: ver o sinal; transferências não contam
Serviços públicosEstão no PIB, avaliados ao custo
”Recessão”2 trimestres consecutivos de crescimento negativo
Crescimento ↓ → ?Desemprego ↑ (correlação negativa)
“Componente mais volátil”Investimento (expectativas, confiança, coordenação)
Choque individual vs generalizadoAutosseguro/cosseguro funcionam no individual; o cosseguro falha no generalizado
PMg / PMe num gráficoTangente / raio; com rendimentos decrescentes, PMg < PMe
Progresso técnicoA curva sobe: PMg e PMe aumentam para o mesmo k
Escolher tecnologiaEliminar as dominadas; depois comparar custos com os preços relativos
Fontes do crescimento: K/L ↑ e A ↑
Processo vs produtoMais barato vs novo
PatentesLonga = + invenção, − difusão; curta = o contrário
PIB real do ano seguinte

Erros a evitar

  • Somar bens intermédios (dupla contagem).
  • Contar transferências em G.
  • Dizer que as importações não entram no cálculo do PIB.
  • Dizer que a produção do Governo fica de fora, ou que é avaliada a preços de mercado.
  • Atribuir o PIB ao país da empresa ou do comprador.
  • Calcular o PMe como “input/output” (está ao contrário).
  • Usar uma corda entre dois pontos como PMg.
  • Dizer que o progresso técnico deixa o PMe constante.
  • Escolher uma tecnologia dominada.
  • Dizer que as patentes sempre aumentam a inovação.
  • Confundir inovação de processo com a de produto.
  • Na Q11e, fazer crescer o PIB real à taxa do deflator (inflação) ou à taxa nominal: o PIB real cresce à taxa de crescimento real (2,3%).
  • Inventar o significado de W, J, L, R ou fórmulas que os slides não têm (Solow, regra dos 70).

📎 Recursos

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  date AS "Data",
  status AS "Estado"
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WHERE (type = "note" OR type = "project") AND file.name != this.file.name
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