Resumo — MAIG MAP2

Parent project: Modelação e Análise de Informação Geográfica

Âmbito desta nota

Matéria do MAP2: Temas 3–6. Cobre o modelo matricial (álgebra de mapas, reamostragem, interpolação), modelação do relevo e hidrológica, generalização (MAUP, falácia ecológica) e superfícies de custo (Dijkstra, corredores, Steiner). Cada secção tem: teoria explicada → passos do método → exemplos/fórmulas → erros comuns. Usa esta nota como referência durante os exercícios.


Mapa da Matéria

TemaAssunto centralFerramenta / conceito-chave
3Modelo MatricialÁlgebra de mapas (local/focal/zonal/global), reamostragem, interpolação
4Modelação do Relevo e HidrológicaMDT, declive, orientação, Strahler/Shreve, Dijkstra hidrológico
5GeneralizaçãoOperadores gráficos, MAUP, falácia ecológica, COSP
6Superfícies de CustoCusto acumulado, Dijkstra, corredores, Steiner

Tema 3 — Modelo Matricial

Estrutura da grelha

Grelha regular de células formando uma tesselação/pavimentação.

  • Cada célula tem um único valor (inteiro ou real)
  • Células sem dados → No Data / Null
  • Polígonos que formam tesselações: triângulos, quadrados, hexágonos — pentágonos não dão

Zonas e Regiões

  • **Zona** = grupo de células com o mesmo valor (cada zona ↔ linha na tabela de atributos)
  • **Região** = zona contígua (o número varia consoante a definição de contiguidade)

Resolução espacial

Célula menorCélula maior
+ resolução / precisão espacial− detalhe
− processamento (mais lento)+ processamento (mais rápido)
+ espaço em disco− espaço em disco

Reamostragem e Compatibilização

Definição de reamostragem

Alteração da resolução espacial de uma matriz → nova matriz com células de tamanho diferente. Necessária em transformações de coordenadas e operações de álgebra de mapas entre matrizes de resolução diferente.

MétodoComo funcionaQuando usar
Vizinho mais próximoValor da célula mais próxima na matriz originalDados categóricos / nominais
Interpolação bilinearMédia ponderada das 4 células mais próximasDados contínuos
Convolução cúbica/bicúbicaUsa mais células vizinhas (mais suave)Dados contínuos

Cuidados na reamostragem

  • Vizinho mais próximo: não altera valores originais, mas estruturas lineares ficam com aspeto zigzag
  • Bilinear: pode gerar valores que não existiam na matriz original → não usar para dados nominais

Álgebra de Mapas

Os 4 tipos de funções

A álgebra de mapas divide-se em quatro famílias segundo o âmbito espacial da operação: local, focal, zonal e global.

Funções Locais

Funções Locais — definição

Combinam valores de uma ou mais matrizes na mesma posição (célula a célula).

  • Operadores aritméticos: + − × /
  • Operadores booleanos: AND OR NOT XOR (0=FALSE, 1=TRUE; −0 também é TRUE)
  • **Reclassificação** — das operações locais mais usadas

Funções Focais

Funções Focais — definição

Usam os valores das células numa vizinhança próxima (foco) em torno de cada célula-alvo.

TipoDescrição
Função Focal (janela móvel)Vizinhanças sobrepõem-se
Função de BlocoVizinhanças justapostas — valor igual em todas as células do bloco

O foco pode ter qualquer forma: circular, anular, cunha, irregular…

Aplicações das funções focais

  • Remoção de ruído / outliers
  • Cálculo de declive e orientação (janela 3×3)
  • Rugosidade:
  • TPI (Índice de Posição Topográfica)

Funções Zonais

Funções Zonais — definição

Calculam para cada célula um valor usando todas as células da mesma zona.

TipoZona definida porResultado
Tipo IValor isolado (uma matriz)Estatísticas ou geometria da zona (área, perímetro, profundidade)
Tipo IISegunda matrizPreencher zonas com estatísticas de outra matriz

Exemplos tipo II: Máximo, Mínimo, Média, Mediana, Soma, Variância, Variedade…

Funções Globais

Funções Globais — definição

Todas as restantes funções de análise matricial — o resultado de cada célula depende de toda a matriz.


Interpolação

Definição e pressuposto

Técnica para estimar valores desconhecidos a partir de valores conhecidos da mesma função. Pressuposto: os valores são espacialmente dependentes — 1ª Lei da Geografia de Tobler: “Tudo está relacionado com tudo, mas coisas próximas estão mais relacionadas do que coisas distantes.”

MétodoCaracterísticasExato?
Vizinho mais próximo (Thiessen)Área do polígono Thiessen = peso; descontinuidades✅
Vizinho naturalPesos ∝ área de Thiessen✅
IDWPesos ∝ 1/d^n; tende para a média ao afastar-se✅
Trend (Superfície de tendência)Polinómio por mínimos quadrados❌
SplinesSuperfície de curvatura mínima✅
Triangulações (TIN)Interpolação linear dentro do triângulo✅
Raio fixoMédia dos pontos dentro do raio❌
KrigagemBaseada em variabilidade espacial + autocorrelação; fornece mapa de incerteza✅

IDW — Inverse Distance Weighted

  • p maior → maior diferença entre células vizinhas
  • vizinhança maior → superfície mais suave
  • Estima exatamente nos pontos amostrais

Erros de interpolação


Conversão Vetorial → Matricial

Regras de atribuição de valor

  • Maior parte da área (para áreas)
  • Valor no centro
  • Presença na célula (para entidades lineares)

Resolução recomendada

≤ ½ do menor comprimento ou ≤ ¼ da menor área do menor elemento vetorial não pontual


Matricial vs. Vetorial

Matricial ✅Vetorial ✅
VantagensEstrutura simples; análise fácil; deteção remota; algoritmos simplesPrecisão posicional; menor volume de dados; topologia; produtos cartográficos
DesvantagensInexatidão posicional; generalização do conteúdo; grande volume de dadosManipulação complexa; processamento geométrico; edição demorada

Tema 4 — Modelação do Relevo e Hidrológica

Modelos Digitais do Terreno

MDT vs. MDS

  • **MDT** (Modelo Digital do Terreno) — inglês: DEM / DTM → superfície do terreno
  • **MDS** (Modelo Digital da Superfície) — inglês: DSM → inclui árvores e edifícios
Forma de representaçãoDescrição
Matriz (GRID)Células regulares
TINTriangulated Irregular Network
IsolinhasCurvas de nível (polylines)

Criação de MDTs

Curvas de nível + interpolação · fotografia aérea estereográfica · LiDAR · satélite · GNSS


Grandezas Derivadas

Parâmetros morfométricos

  • Altitude — valor direto
  • Declive + Orientação — 1.ª derivada (variação)
  • Curvatura (longitudinal + transversal) — 2.ª derivada (variação da variação)

Declive

Fórmula do declive

Fórmula para janela 3×3 (letras a–i, espaçamento c)

a | b | c
d | e | f
g | h | i

Orientação

Fórmula da orientação

Direção de maior declive descendente (N=0°, E=90°, S=180°, W=270°)


Caracterização Morfométrica

Forma (PT)Forma (EN)Descrição
CumePEAKConvexidade em todas as direções
FestoRIDGEConvexidade ortogonal a uma direção sem concavidade
ColoPASSConvexidade ortogonal a uma concavidade
PlanoPLANESem concavidade/convexidade em nenhuma direção
TalvegueCHANNELConcavidade ortogonal a uma direção plana
DepressãoPITConcavidade em todas as direções

Índice de Posição Topográfica (TPI)

TPI — intuição

Diferença entre altitude de uma célula e a média da vizinhança.

Interpretação do TPI

ValorFormaInterpretação
TPI > 0Tergo/cumeCélula mais alta que a vizinhança
TPI ≈ 0 + declive altoMeia-encosta
TPI ≈ 0 + declive baixoPlanície
TPI < 0Vale/depressãoCélula mais baixa que a vizinhança

Comparando TPI numa vizinhança pequena (VP) e grande (VG) → 10 classes morfométricas


Modelação da Visibilidade

Condição de visibilidade

O ponto q é visível a partir do observador p se:


Modelação Hidrológica

Workflow completo — escoamento superficial

MDT ──[Fill]──► MDT sem depressões
                      │
              [Dir. escoamento]
                      │
        Matriz de direções de escoamento
                      │
          [Escoamento acumulado]
                      │
        Matriz de escoamento acumulado
                 /          \
     [Reclassificação]    Flow length · Snap pour
             │
       Linhas de água ──► Segmentos ──► Ordem hierárquica
             │
      Bacia hidrográfica

Direções de escoamento — 8 direções

Codificação em potências de 2

Porquê potências de 2? — Cada valor é único e não ambíguo (representação binária).

3264128
16—1
842

Pits (depressões/poços)

Pits — o que são e como resolver

  • Célula que não drena para nenhuma vizinha
  • MDTs artificiais criam pits artificiais
  • Se não resolvidos → sumidouros que isolam partes da bacia hidrográfica
  • **Pit filling = 1.ª operação** a realizar antes de calcular direções de escoamento

Área de drenagem

Número de células que drenam para cada célula.

  • Com a própria célula → mínimo = 1
  • Sem a própria célula → mínimo = 0

Linhas de água e limiar

Células com área de drenagem acima de um limiar:

  • Limiar baixo → mais linhas, mais detalhe, sub-bacias menores
  • Limiar alto → menos linhas, sub-bacias maiores

Classificações hierárquicas

Strahler vs. Shreve

StrahlerShreve
Dois afluentes iguais→ ordem seguinte (n+1)Soma (n+n=2n)
Dois afluentes diferentes→ maior ordemSoma sempre
Exemplo1+1=2 · 1+2=2 · 2+2=31+1=2 · 1+2=3 · 2+3=5

Classificação das funções — Resumo Tema 4


Tema 5 — Generalização

Tipos de Generalização

Dois tipos principais

TipoO que mudaOperações
**Conceptual**Muda a legendaSeleção/omissão, reclassificação, ressimbolização
**Gráfica**Mantém a legendaOperações gráficas

Operadores de Generalização Gráfica

Os 10 operadores

OperadorDescrição
SimplificaçãoRedução do nº de vértices (ex: Douglas-Peucker)
SuavizaçãoDeslocamento de vértices; alteração da sinuosidade
AgregaçãoAgrupamento em entidade hierarquicamente superior
ColapsoMudança de classe topológica (área→linha, área→ponto)
RefinamentoSeleção de subconjunto representativo mantendo padrão
ExageroAmpliar dimensão/forma para evidenciar características
RealceAlteração de forma/dimensão/tipo de símbolo
DeslocaçãoDeslocar entidades para legibilidade
Omissão/SeleçãoNão representar determinadas entidades
ClassificaçãoAgrupamento de atributos (redução de classes)

Efeitos da Generalização na Análise SIG

Efeitos a conhecer

  • Diminuição (em geral) do comprimento de linhas
  • Alteração de áreas e perímetros (podem aumentar ou diminuir)
  • Alteração de posições relativas
  • Mudança de classe topológica
  • Diminuição do número de entidades
  • Perda de detalhe e precisão espacial → introdução de erros de agregação (MAUP)
  • Perda de conectividade e topologia

Autocorrelação Espacial

1ª Lei da Geografia — Waldo Tobler

“Tudo está relacionado com tudo, mas coisas próximas estão mais relacionadas do que coisas distantes.”

Medidas de autocorrelação espacial

Joins count statistics · I de Moran · C de Geary · Nuvem do variograma


Correlação Cruzada

Correlação ≠ Causalidade

A correlação pode ser positiva, negativa ou zero entre duas variáveis espaciais — mas a existência de correlação não implica causalidade.


MAUP — Problema da Unidade de Área Modificável

Definição

As unidades espaciais são arbitrariamente definidas → uma organização distinta cria resultados analíticos diferentes.

Dois efeitos:

EfeitoDescriçãoExemplo
**De escala**Valorações distintas ao agregar a diferentes níveisFreguesia vs. concelho vs. distrito
**De generalização**Mesmo nível de agregação, diferentes agrupamentos → resultados diferentesZoneamentos alternativos

MAUP — conclusões

  • É inerente a qualquer análise espacial com dados agregados
  • A escala e o zoneamento importam sempre
  • Pode distorcer profundamente políticas públicas baseadas em dados SIG

Falácia Ecológica

Falácia Ecológica

Ocorre quando se faz uma inferência sobre um indivíduo com base em informação agregada.

Exemplo: Correlação entre % desemprego e % votos num partido → “Os desempregados votam nesse partido” ❌

Oposto: **Generalização Precipitada** (inferência de grupo com base em indivíduo)

COSP — Problema de Mudança de Suporte

MAUP + Falácia Ecológica = COSP São fontes sistemáticas de enviesamento em qualquer análise baseada em dados georreferenciados agregados. → Consciência metodológica e análise multi-escala são essenciais.


Tema 6 — Superfícies de Custo

Distâncias: conceitos base

Tipos de distância

ConceitoDescrição
Distância euclidianaLinha reta; distância mínima de cada célula à origem mais próxima
Distância célula-a-célulaCaminho via células consecutivas

Erro máximo da distância célula-a-célula vs. euclidiana

DireçõesErro máximo
441,41%
8 (mais comum)**7,96%**
163,96%

Os 5 Tipos de Matrizes

Sequência de obtenção

#NomeComo se obtém
1Superfície de custo (pesos/atrito)Dada / construída
2Distância acumulada (custo acumulado)De 1 + local(ais) de origem
3Direções (back-link)De 1 + local(ais) de origem
4Caminho ótimo (menor custo)De 3 + local de destino
5Matriz de alocação/associaçãoDe 3

Obtenção do Caminho de Menor Custo

Custo de transição entre células

Cardinal:

Diagonal:

Dijkstra vs. Maior Descida

**Só o algoritmo de Dijkstra garante o caminho de menor custo.** A regra da maior descida não garante o ótimo global — pode ficar preso em mínimos locais.

Algoritmo de Dijkstra

  • Calcula distância mínima da origem a todos os nós do grafo
  • Funciona apenas com pesos ≥ 0
  • Baixa complexidade computacional

Passos para obter o caminho de menor custo

  1. Superfície de custo (dada)
  2. Definir vizinhanças → grafo induzido pelas transições entre células
  3. Calcular custo de cada transição (fórmulas acima)
  4. Selecionar origem e destino
  5. Executar Dijkstra → superfície de custo acumulado + back-link
  6. Seguir o back-link do destino até à origem → caminho ótimo

Extensões

Anisotropia

Anisotropia

Custo dependente do **sentido** de atravessamento — ex: custo de subir ≠ custo de descer num declive.

Aplicação prática: localização de canais para transporte de líquidos (solução gravítica vs. bombagem).

Novas Direções e Métricas

Métricas de distância célula-a-célula

MétricaCardinal / DiagonalErro máx. vs. euclidiana
A1 / 141,41%
B2 / 129,29%
**C****√2 / 1****7,96%**
D1,36… / 0,96…3,96%

Pontes e Túneis

Saltos entre células não adjacentes

Corredores

Corredores

Faixas que ligam dois locais sem exceder um custo máximo. As faixas não têm largura constante. Muito usados em modelação ambiental.

Passos para obter corredores

  1. Calcular superfície de custo acumulado a partir da origem
  2. Calcular superfície de custo acumulado a partir do destino
  3. Somar as duas superfícies
  4. Reclassificar as células abaixo de um valor limiar → corredor

Redes com 3+ Pontos (Steiner)

Topologias de rede

TopologiaDescrição
A — geralTriângulo simples
**B — Steiner**Minimiza comprimento total — ponto de Steiner no interior
C — utilizaçãoMinimiza distância entre vértices

Encontrar o ponto de Steiner (3 locais)

  1. Calcular 3 superfícies de custo acumulado (uma por local)
  2. Somá-las
  3. Célula com **valor mínimo** na matriz soma = ponto de Steiner

Com 4+ pontos o problema é geometricamente muito mais difícil (combinatória enorme).


Limitações das Superfícies de Custo

Limitações

  • Nulos são barreiras absolutas
  • Difícil modelar sentidos proibidos
  • Difícil modelar custos dependentes do sentido (sem anisotropia)
  • Difícil modelar saltos entre células não adjacentes (sem extensão ponte/túnel)
  • Corredores e novas direções requerem configurações explícitas

Quadro-Resumo Geral — Álgebra de Mapas

Classificação completa por tipo de função

LocalFocalZonalGlobal
ReclassificaçãoDecliveÁrea de drenagemDistância euclidiana
Operações aritméticasOrientaçãoBacias hidrográficasVisibilidade
Operações booleanasCurvaturaSegmentos de linhas de águaDireções de escoamento
Variação percentualRugosidadeEstatísticas zonaisCustos acumulados / Dijkstra
TPIPropagação / Alocação
Hillshade

Não esquecer (lê antes do teste)

  • Reclassificação é local (célula a célula, mesma posição)
  • Declive e orientação são focais (janela 3×3)
  • Só **Dijkstra** garante o caminho de menor custo — maior descida não garante
  • **Pit filling = 1.ª operação** na modelação hidrológica
  • 8 direções em potências de 2: 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128
  • **MAUP + Falácia Ecológica = COSP** — correlação ≠ causalidade
  • Vizinho mais próximo → categórico; bilinear → contínuo
  • Corredores = soma de 2 superfícies acumuladas + reclassificação pelo limiar
  • TPI > 0 = tergo · TPI < 0 = vale · TPI ≈ 0 = encosta/plano
  • Strahler: dois iguais avançam · Shreve: soma sempre

Recursos

Ficheiros e materiais de estudo

Resumo da matéria: esta nota cobre os Temas 3–6. Exercícios de teste: ver pasta Preparação MAP2/ com testes dos anos 23-24 e 24-25.

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