Resumo — MAIG MAP1

Parent project: Modelação e Análise de Informação Geográfica

Âmbito desta nota

Matéria do MAP1: Temas 1, 2 e 3 das aulas teóricas. Cobre os fundamentos dos SIG, o modelo vetorial (geometrias, topologia, operações de análise espacial), o modelo matricial (álgebra de mapas, interpolação, reamostragem) e a comparação vetorial/matricial. Cada secção tem: teoria explicada → tabelas de síntese → exemplos e armadilhas. Usa o resumo para a teoria, o Guia para os padrões do exame.


Mapa da Matéria

TemaAssuntoConceito central
1Introdução aos SIGComponentes, IG, camadas, análise
2Modelo VetorialGeometrias, topologia, operações de sobreposição
3Modelo MatricialÁlgebra de mapas, interpolação, reamostragem

Fio condutor

O SIG organiza o mundo em camadas temáticas. Cada camada usa um modelo de dados — vetorial (entidades discretas com fronteiras definidas) ou matricial (grelha de células). As operações de análise espacial combinam camadas para responder a questões geográficas.


1. Introdução aos Sistemas de Informação Geográfica

Definição e Componentes

Definição

SIG são sistemas computacionais projetados para a entrada, armazenamento, análise e exposição de informação espacial.

Cinco componentes de um SIG

ComponenteDescrição
HardwareComputadores, servidores, dispositivos de armazenamento
SoftwareProgramas SIG (ex: ArcGIS, QGIS) com ferramentas de manipulação e análise
DadosA informação geográfica organizada em diferentes modelos
PessoasUtilizadores, analistas e gestores que operam o SIG
Funções de ProcessamentoMétodos e algoritmos aplicados aos dados

Informação Geográfica (IG)

Definição

Qualquer dado que possua uma componente espacial — associado a uma localização específica na superfície terrestre.

Referenciação Espacial

  • Direta (por coordenadas): Sistema de coordenadas geográficas (latitude/longitude) ou projetadas
  • Indireta (Geocodificação): Associação a um endereço ou código postal, convertido depois em coordenadas

Disponibilidade e Metadados

  • Local: Armazenada em computador pessoal ou rede local, para uso em SIG desktop
  • Web Service (“Map Service”): Acesso a dados e mapas via internet, num navegador ou cliente SIG
  • Metadados: Informação sobre os dados geográficos (ex: fonte, data de criação, sistema de coordenadas, qualidade). Essenciais para a pesquisa e compreensão dos dados. (Exemplo: snig.igeo.pt — Sistema Nacional de IG)

Organização em Camadas

Layers / Coberturas / Temas

A informação geográfica é organizada logicamente em camadas, cada uma representando um tipo específico de entidade ou fenómeno com características homogéneas. Exemplos: estradas, uso do solo, altitude, rios, construções, divisão administrativa.

SIG vs. Outros Sistemas

Distinções importantes

SistemaDiferença face ao SIG
SGBDNão contém informação espacial explícita. Não responde a “que ruas estão a 300m do IST?”
CAD/CAMFocado na representação gráfica. Coordenadas sem significado geográfico real. Capacidade de análise espacial limitada.

Medidas e Conceitos Fundamentais

Conceitos essenciais

  • Projeção Cartográfica: Conversão da superfície 3D da Terra para 2D (mapa). Introduz sempre distorções em área, forma, distância ou direção.
  • Escala: Relação entre distância no mapa e no terreno. “À escala 1:x” = certo grau de pormenor. Escala maior (1:10 000) = mais detalhe do que escala menor (1:1 000 000).
  • Exatidão:
    • Posicional — distância entre posição representada e real
    • De atributos — correção da informação associada
    • Temática (consistência) — correção da classificação
  • Resolução: A dimensão da menor entidade representável. Nos dados matriciais, é o tamanho da célula (pixel). Depende da escala.

Consulta e Tipos de Análise

Tipos de consulta/seleção

TipoExemplo
EspacialCidades até x km de distância de y
Não EspacialConcelhos com mais de 50 000 habitantes

Tipos de análise em SIG

  • Padrões (ex: densidades)
  • Relação (ex: proximidade ao litoral = maior preço das casas)
  • Evolução
  • Predição (ex: quantas pessoas serão afetadas por uma cheia?)
  • Modelação de Cenários (ex: se x se localizasse aqui, o que aconteceria?)
  • Análise do Relevo (declive, exposição solar)

Alguns SIG

TipoExemplos
Open Source / GratuitoQGIS (usado em 2025-26), gvSIG, Google Earth (base)
ComercialArcGIS, MapInfo

2. Modelo Vetorial (Relacional)

Ideia central

Entidades geográficas representadas como geometrias discretas com fronteiras bem definidas, ligadas a uma tabela de atributos.

Os principais modelos são Vetorial e Matricial. Outros (muito específicos): Orientado a Objetos, Difuso, Temporal, 3D.

Geometrias Fundamentais

Geometrias de base (resposta frequente no exame: pontos, linhas e polígonos)

GeometriaDefiniçãoExemplos
PontoPar de coordenadas (x, y)Cidade, poço, marco
Linha (Polilinha)Sequência ordenada de pontos (vértices) ligados por segmentosEstradas, rios
PolígonoLinha fechada (1.º = último ponto) com área interiorPaíses, lagos, zonas de uso do solo

Terminologia de linhas e polígonos

  • Vértice: ponto que define a geometria de uma linha
  • Segmento: linha que liga dois vértices sequenciais
  • Arco: série (1 ou mais) de segmentos
  • Nó: vértice especial no início ou fim de cada arco
  • Ponto de label/âncora: no interior de um polígono, para distinguir interior de exterior

Geometrias Compostas (Multi-)

  • Multiponto: vários pontos como uma só entidade (uma só linha na tabela de atributos)
  • Multilinha: várias linhas como uma só entidade
  • Multipolígono: vários polígonos como uma só entidade (disjuntos, adjacentes ou encaixados)

Tabela de Atributos

Estrutura

Cada geometria está associada a um registo numa tabela de atributos, onde se armazenam as características não espaciais (ex: nome, população, tipo de uso do solo). O número de linhas = número de entidades.

Armadilha frequente

A tabela de atributos NÃO contém relações topológicas, NÃO contém coordenadas, NÃO contém área/perímetro automaticamente.

Modelos de Armazenamento da Geometria

Modelo 1 — Entidade-a-Entidade (não topológico)

Cada ponto tem a sua própria coordenada, armazenada com a entidade:

  • Ponto: (x, y)
  • Linha: {(x₁,y₁), …, (xₙ,yₙ)}
  • Polígono: {(x₁,y₁), …, (xₙ,yₙ), [(x₁,y₁)]}

Redundância elevada — se dois polígonos partilham uma fronteira, os pontos comuns são armazenados duas vezes.

Modelo 2 — Dicionário de Pontos (não topológico)

Os pontos são definidos uma vez e referenciados por múltiplas entidades. Reduz redundância geométrica, mas não armazena relações topológicas.

PolígonoPontos
AP11, P12, P13, P7, P8, P9, P10
BP10, P9, P8, P7, P6, P5, P11
CP1, P2, P4, P3

Modelo 3 — Cadeias (semi-topológico)

Introduz o conceito de cadeia (sequência de pontos com nó inicial e final). Se duas linhas se cruzam → existe relação topológica.

CadeiaPontosPolígonoCadeias
αP11, P12, P13, P7Aα, β
βP11, P10, P9, P8, P7Bβ, γ, ε, ζ
γP4, P5, P6, P7Cδ, ε
δP2, P1, P3, P4

Modelos 1 e 2 são ditos "não-topológicos" ou spaghetti

As relações espaciais (interseção, adjacência) são calculadas analiticamente quando necessário. Podem levar a inconsistências.

Relações Topológicas

Relações topológicas invariantes (perante translações, rotações ou variações de escala)

RelaçãoDescrição
ConectividadeArcos que partilham nós
AdjacênciaPolígonos que partilham uma fronteira
InclusãoEntidade contida noutro polígono

Modelo Topológico

Diz-se “topológico” quando as relações espaciais entre objetos são armazenadas explicitamente. Objetivos:

  • Menor redundância geométrica (cada localização guardada uma vez)
  • Maior integridade (menos erros posicionais)
  • Maior rapidez nas análises espaciais

Estruturas Topológicas

Arc-Node (Arco-Nó) — para linhas

ArcoNó OrigemNó DestinoVértices Intermédios
an2n5v1
bn1n2—
cn2n1v2, v3
dn3n1—
en4n5v4
fn5n1—

Há quebra nas interseções — cada interseção gera nós.

Polygon-Arc — para polígonos

PolígonoCadeias
A1, 6, 10, 5
B10, 7, 4
C5, 4, 3, 9
D7, 6, 2, 3, 0, 8
E8

Left-Right — para polígonos

Indica qual polígono fica à esquerda e à direita de cada cadeia (orientada).

CadeiaEsquerdaDireita
1U (universo)A
2UD
3CD
4BC
5AC
6DA
7DB
8DE
9UC
10AB

O polígono universo (U) é o exterior de todos os polígonos.


3. Operações de Análise Espacial (Vetorial)

Princípio

Recorrem à componente espacial para produção de resultados espaciais ou alfanuméricos. Os CDG resultantes “herdam” todos os atributos dos que os antecedem e “ganham” outros novos.

Legenda dos Diagramas

SímboloSignificado
RetânguloCDG — Conjunto de Dados Geográficos (layer/tema)
Oval/ElipseOperação Espacial
Retângulo chanfradoOperação na Tabela de Atributos
Seta simples →Sequência de processo
Seta com ponto ─●Indicação de prioridade (a operação recebe o CDG com o ponto como “base”)

Operações de Sobreposição Topológica

União (Union)

Combina geometrias e atributos de duas camadas, criando uma nova camada que inclui todas as áreas cobertas por qualquer uma das camadas.

  • Só se define entre CDG de polígonos
  • É a operação fundamental — outras operações de sobreposição são subconjuntos da união
  • Constrói nova topologia
  • U = A ∪ B

Resultado: todos os polígonos de A e B, fragmentados nas interseções, com atributos de ambos.

Interseção (Intersect)

Cria um novo CDG apenas com as áreas onde as geometrias de ambas as camadas de entrada se sobrepõem.

  • Int = A ∩ B
  • Só surgem no CDG resultante as áreas de sobreposição.
CombinaçãoResultado
Ponto ∩ PolígonoPontos dentro do polígono
Linhas ∩ LinhasPontos (ou linhas) onde se cruzam
Polígono ∩ PolígonoPolígono(s) de sobreposição

Identidade (Identity)

Semelhante à interseção, mas preserva a geometria e atributos de uma das camadas e adiciona os atributos da outra onde há sobreposição.

  • A id B: preserva toda a geometria de A, adiciona atributos de B onde sobrepõe
  • B id A: preserva toda a geometria de B, adiciona atributos de A onde sobrepõe
  • Relação: A ∪ B = C; C ∩ B = D

Corte (Cut / Clip)

Extrai uma parte de uma camada de entrada usando outra como máscara de corte.

  • Tema B funciona como “cookie cutter” sobre Tema A
  • O resultado tem apenas os atributos de Tema A

Atualização (Update)

Modifica ou substitui feições numa camada de destino com base nas feições de uma camada de origem, onde há sobreposição.

  • B “atualiza” A (B tem prioridade — indicado pelo ponto ●)
  • A e B são CDG de polígonos
  • Equivale a: Corte + União

Comutatividade — armadilha frequente

  • Comutativas (A op B = B op A): União, Interseção, Merge/Combinação
  • NÃO comutativas (A op B ≠ B op A): Corte, Identidade, Atualização, Acesso, Nearest

Outras Operações Vetoriais

Dissolução (Dissolve)

Desagrupa feições adjacentes com base num ou mais atributos comuns, removendo os limites internos entre feições com o mesmo valor.

Dissolução pelo 1.º atributo → agrupa por letra (A, B, C) Dissolução pelo 2.º atributo → agrupa por número (1, 2, 3)

Extração/Seleção (Select)

Seleciona entidades com base em critérios espaciais ou não espaciais (atributos). A expressão é sempre booleana.

Buffer (Envolvente)

Cria uma zona de influência de determinada largura em torno das feições de entrada.

VarianteDescrição
Envolvente a pontosCírculos em torno de cada ponto
Envolvente a linhasCorredor em torno das linhas
Envolvente a polígonosZona exterior (ou interior se dist < 0)
Múltiplos buffersVárias distâncias concêntricas
Com dissoluçãoRemove sobreposições entre buffers
Sem dissoluçãoMantém sobreposições
Distância variávelEm função de um atributo da tabela

Acesso (Service Area)

B é a área acessível a partir de A a menos de x unidades de custo acumulável ao longo das linhas (não é distância em linha reta).

Topologia e Acesso

Se a representação não for topologicamente correta, os nós das várias linhas do CDG das estradas não coincidem, e não será possível obter percursos com mudança de estrada. Isso vai causar erros na determinação das áreas resultantes da função “acesso”.

Combinação (Merge)

Junta duas ou mais camadas de entrada numa única camada. Pode aplicar-se a CDGs de pontos, linhas ou polígonos.

Diagrama de Voronoi (Polígonos de Thiessen)

Divide o espaço em zonas de proximidade a pontos de input. A fronteira entre polígonos é a mediatriz entre os dois pontos de origem correspondentes.

Próximo (Nearest)

Para cada feição do Tema A, encontra a feição mais próxima do Tema B. O Tema A fica com novas colunas (id_próximo e distância) na tabela de atributos.

Eliminação (Eliminate)

Elimina feições que cumpram uma condição, dissolvendo-as nas feições adjacentes.

Eliminação vs. Apagar

Eliminação NÃO é o mesmo que apagar simplesmente — implica uma dissolução.

Partição (Partition)

B “parte” A — divide o Tema A em múltiplos CDG resultantes, usando as fronteiras do Tema B. A e B são CDG de polígonos.

Junção de Tabelas

Definição

Associa registos de uma tabela a outra com base num atributo comum (não é operação espacial). Comum para resolver perguntas “espaciais” com estatísticas. Permite calcular atributos adicionais (contagem, soma, média, etc.).


4. Modelo Matricial (Raster)

Ideia

O espaço geográfico é dividido numa grelha regular de células (pixels). Cada célula possui um valor numérico que representa uma característica da área que cobre.

  • Todo o local no interior da área de estudo é preenchido com uma célula
  • As células não têm de ser quadradas — triângulos, quadrados e hexágonos regulares formam tessalações. Pentágonos não formam tessalações.

Adequação: fenómenos contínuos com fronteiras difusas

  • Altitude, temperatura, precipitação
  • Uso do solo com transições graduais
  • Fotografia aérea e imagens de satélite

Tipos de Valores e Dados

Contínuos vs. Discretos

TipoValoresTem Tabela de Atributos?Exemplos
ContínuosReaisNãoTemperatura, altitude, imagens
DiscretosInteirosSimUso do solo, estradas (categorias)

Onde não há dados → valor Sem Valor / No Data / Null

Estrutura da Matriz

Zonas e Regiões

Distinção

  • Zonas: Conjuntos de células com o mesmo valor. Cada zona está associada a uma linha da tabela de atributos.
  • Regiões: Zonas contíguas. O número de regiões varia consoante a definição de contiguidade de células.

Resolução Espacial

ResoluçãoCélulas PequenasCélulas Grandes
ResoluçãoAltaBaixa
PrecisãoAltaBaixa
Tamanho do ficheiroGrandePequeno
ProcessamentoLentoRápido

Regra prática para conversão vetorial→matricial

Resolução espacial nunca maior que ½ do menor comprimento ou ¼ da área do menor elemento vetorial não pontual.


5. Álgebra de Mapas (Análise Espacial Matricial)

Tipos de Funções

TipoComo funciona
LocaisUsam o valor da célula na mesma posição na(s) matriz(es) de entrada
FocaisUsam os valores das células numa vizinhança próxima (janela/foco de forma fixa)
ZonaisUsam os valores das células definidas segundo zonas (forma variável)
GlobaisTodas as restantes funções (distâncias, visibilidade, custos, etc.)

Funções Locais

Definição

Combinação dos valores de uma ou mais matrizes com a mesma posição na matriz.

Operadores disponíveis

Aritméticos: +, -, *, / Atenção a arredondamentos e precedência. Divisão inteira vs. real dá resultados diferentes.

Booleanos/Lógicos:

  • Output: 0 = FALSE, 1 = TRUE
  • Input: 0 = FALSE, ~0 = TRUE
  • Operadores: AND, OR, NOT, XOR

Reclassificação

Uma das operações locais mais usadas:

Valor original → Novo valor
[0, 2]  →  0
]2, 6]  →  1
]6, 9]  →  2

Após reclassificação

O número de zonas no resultado é ≤ ao número de zonas original.

Funções Focais

Definição

Consideram não só o valor de uma célula mas também os valores das células na vizinhança próxima (foco).

VarianteDescrição
Função Focal (janela móvel)Vizinhanças sobrepõem-se; mais comum
Função de BlocoVizinhanças justapostas; output igual em todo o bloco

Definição do foco

O foco pode tomar qualquer forma — circular, quadrada, anelar (donut), irregular.

Aplicações

  • Remoção de “ruído” (deteção de erros/outliers)
  • Cálculo de declive e orientação
  • Índice de rugosidade:

Funções Zonais

Definição

Semelhantes às focais, mas a vizinhança não tem forma fixa — a zona é definida numa segunda matriz. Calculam para cada célula uma estatística usando todos os valores da mesma zona.

Tipo I — estatísticas da geometria das zonas

Área zonal, Perímetro zonal, Profundidade zonal Respondem a: “Qual a área de cada zona?”, “Qual o perímetro?”, “Qual a distância mínima a outra zona?”

Tipo II — estatísticas dos valores por zona

Maioria, Máximo, Média, Mediana, Mínimo, Minoria, Intervalo, Desvio-padrão, Variância, Soma, Variedade

Funções Globais

Definição

Todas as funções que não são locais, focais nem zonais.

Exemplos

  • Distância Euclidiana: Cada célula contém a distância (do centro) até à entidade ou célula mais próxima
  • Visibilidade (análise de intervisibilidade)
  • Custos acumulados / caminhos de menor custo
  • Propagação/Alocação/“Voronoi matricial” — versão matricial da função Voronoi/Nearest


6. Compatibilização e Reamostragem

Reamostragem

Alteração da resolução espacial de uma matriz (produz uma matriz nova com células de tamanho diferente). Necessária quando se georreferencia uma imagem ou se transformam coordenadas.

MétodoComo funcionaAdequado paraDesvantagens
Vizinho Mais PróximoValor da célula mais próxima na matriz originalDados categóricos/nominais; não altera valores originaisDesvio até meia célula; estruturas lineares ficam zigzag
Interpolação BilinearMédia ponderada das 4 células mais próximasFunções contínuasCria valores novos; não serve para dados nominais; pode suavizar demasiado
Convolução Cúbica/BicúbicaUsa ainda mais células vizinhasFunções contínuas (maior suavidade)Ainda mais valores novos criados

Comparação (do mais para o menos valores novos criados)

Bicúbica > Bilinear > Vizinho Mais Próximo (só valores originais)

Compatibilização

As matrizes podem diferir em: resolução espacial, orientação dos eixos, coordenadas dos cantos, tipo de valores numéricos, valor NoData. É necessário compatibilizá-las antes de operações de álgebra de mapas.


7. Interpolação

Definição

Técnica para estimar valores desconhecidos a partir de valores conhecidos da mesma função. Pressuposto: os valores são espacialmente dependentes — pontos próximos tendem a ter valores semelhantes.

Onde é usada

Conversão pontos→matriz (obrigatória), matriz→pontos (opcional), reamostragem.

Métodos de Interpolação

Tabela comparativa

MétodoDescriçãoCaracterísticas
Vizinho Mais PróximoValor do ponto amostral mais próximoSimples; resultado em blocos; só valores originais
Vizinho NaturalPeso proporcional à área do polígono de ThiessenSuave; ponderado pela área de proximidade
IDW (Inverse Distance Weighted)Média ponderada pelo inverso da distância^pExato nos pontos amostrais; tende para a média ao afastar-se
Raio FixoMédia de todos os pontos dentro de um raioSimples; depende da distribuição
TrendPolinómio ajustado por mínimos quadradosNão exato; superfície suave global
Splines (regularized/tension)Splines baseados nos pontos mais próximosSuperfície suave de curvatura mínima; exato nos pontos de input
Triangulação (TIN)Interpolação linear em triângulosMais simples; exato nos pontos de input
KrigagemBaseada em variabilidade espacial e autocorrelaçãoFornece mapa de incerteza; múltiplos métodos

IDW — Fórmula

Fórmula IDW

Parâmetros do IDW

  • Potência p maior → maior diferença entre células vizinhas (superfície mais irregular)
  • Vizinhança maior → superfície mais suave
  • Estima exatamente nos pontos amostrais
  • À medida que se afasta dos pontos, tende para a média da região

Outros Métodos — Visualizações

Quantificação de Erros

Medidas de erro de interpolação

MedidaFórmula
Erro de estimação
Erro médio
Erro Absoluto Médio (MAE)
Erro Quadrático Médio (MSE)

Onde é o valor estimado e é o valor conhecido.


8. Conversão Vetorial → Matricial

Regras de atribuição (na conversão, só há um valor por célula)

RegraAplicação
Maior parte da áreaPara polígonos/áreas
Valor no centroPara polígonos
Presença na célulaPara entidades lineares
Preservar entidades rarasPara não perder elementos pequenos mas importantes

Resolução na conversão

Nunca maior que ½ do menor comprimento ou ¼ da área do menor elemento vetorial não pontual.


9. Vetorial vs. Matricial — Comparação

AspetoVetorialMatricial
Estrutura de dadosComplexaSimples
Análise espacialMais difícilMais fácil
Plataforma computacionalMais exigenteMenos exigente
Dados de deteção remota—Nativo
ResoluçãoAlta (escala independente)Depende do tamanho da célula
Precisão posicionalAltaInexatidão posicional
Volume de dadosMenor (em geral)Grande
RepresentaçãoPróxima de mapas tradicionaisMenos “cartográfica”
TopologiaSuportaNão suporta diretamente
EdiçãoMais demoradaMais simples
GeneralizaçãoNão generalizaCada célula generaliza o seu conteúdo
FronteirasBem definidasDifusas (mas pode representar difusas)

10. Exemplos de Diagramas de Análise Espacial

Exemplo 1 — Caixotes no IST a mais de 30m do Civil

Objetivo: Caixotes de lixo no campus IST que estejam a mais de 30m do pavilhão de Civil.

Exemplo 2 — Calcular o número de habitantes em cada zona

Habitantes → Dens = N_Hab / Área → Hab2 ──┐
                                            ├──► Int ──► Hab_Zon
Zonas ─────────────────────────────────────┘
                                                  │
                                    N_Hab = D × A │
                              soma N_Hab por Zona │
                                                  ▼
                                        Tab_Hab × Zon
                                                  │
                                                  ▼
                                   Dissolução ID_Zonas ──► Fim

Exemplo 3 — Exercício MAP1 23/24 v4: Localização de Supermercados

Enunciado: Determinar a área potencial para localização de supermercados, verificando alguma das condições:

(i) Área de uso ‘urbano’, a mais de 400m (linha reta) de supermercados existentes e a menos de 200m (por estrada) de alguma escola. (ii) Área de uso ‘urbanizável’ em freguesias com menos de 8 supermercados por km².


11. Questões de Revisão (Aula 1)

Questões de reflexão

  1. Que problemas existem se quisermos encontrar as freguesias de Portugal com área de “bosque” superior a 30 hectares?
  2. Se se usar cartografia à escala 1:10 000, significa isso que todos os comprimentos medidos são na realidade 10 000 vezes inferiores nessa cartografia do que no mundo real?
  3. Que modelo de dados seria adequado para a gestão de espaços de um edifício como o pavilhão de Civil?
  4. Como está estruturada a informação num SIG?
  5. O Google Earth tem todas as funcionalidades de um SIG?

Erros a evitar (lê antes do teste)

  • Confundir Eliminação com simplesmente apagar — implica dissolução.
  • Aplicar Buffer quando a distância é por estrada (usar Acesso).
  • Usar Interseção quando se quer manter toda a geometria de A (usar Identidade).
  • Esquecer que Pentágonos não formam tessalações.
  • Assumir que a tabela de atributos contém coordenadas ou relações topológicas.
  • Esquecer a suposição de densidade constante na estimativa de grandeza por zona.
  • Aplicar TIN/Splines/IDW sem verificar se o método é ou não exato nos pontos amostrais.
  • Esquecer que Vizinho Mais Próximo (reamostragem) é o único método que não cria valores novos.

Recursos

Materiais de estudo

Fonte: Alexandre Gonçalves, DECivil — IST, 2025-26. Resumo preparado a 2026-05-08 com base no scan de apontamentos (ScanResumo.pdf) e nos slides das aulas teóricas de MAIG 2025-26.

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